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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

SESSÃO LEITURA - RENOVAÇÃO DE ENERGIA - OLAVO BILAC

Na crônica que apresentamos abaixo, Olavo Bilac nos fala sobre a cidade de Caxambu, Minas Gerais, local em que foi descansar por alguns dias.
Para maiores informações sobre o autor, favor consultar: http://www.e-biografias.net/olavo_bilac/.
Boa leitura!

RENOVAÇÃO DE ENERGIA

Noites frias, em que o prazer de dormir parece o antegozo da bem-aventurança do céu; madrugadas de ouro e fogo, em que a luz levanta de cada moita uma nuvem de azas e uma sinfonia de gorjeios; dias de sereno esplendor, varridos de aragens frescas, que trazem todos os perfumes embriagadores da mata; - ali está o que é capaz de, em meia dúzia de dias, restituir o vigor ao cérebro mais cansado e a alegria ao coração mais triste. É o que esta montanha abençoada fornece aos que a procuram; e, retemperada por este ar de incomparável doçura e por este rejuvenescedor convívio com a Natureza, - pode a gente depois voltar sem perigo para o calor violento, para o calor sufocante e para as amofinações da cidade ... Isto é o Paraiso a nove horas de viagem do Purgatório; é a Fonte de Juventude, posta ao alcance de quantos, devorados por um trabalho mental incessante, envelhecem mais depressa do espírito do que do corpo. Ainda agora, abrindo a janela do quarto, ao romper do meio dia, senti que o ar entrava cantando nos pulmões; e houve dentro de mim como uma ressurreição da mocidade morta. O Parque acordava, ansiando e sorrindo, aos primeiros beijos do sol, nas árvores pairavam, iam e vinham, revoadas de periquitos verdes, como esmeraldas aladas, - bandos tagarelas desses periquitos, que são para Caxambu o que os pardais são para os jardins de Paris; hóspedes perpétuos, complementos forçados da paisagem ... Ao longe carros de bois rinchavam, despertando os ecos nas quebradas das serras. A gente do povo, que passava para o trabalho, tinha um sorriso bom, florescendo na boca, e um sangue vivo, sorrindo na face; - e eu, alargando o olhar e a alma pelo horizonte infinito, lembrava-me com terror do tilintar dos bondes elétricos e do estrupido das carroças, e do sol assassino, e do pó sufocante, que me esperam no Flamengo. Esperai-me ainda por uns três ou quatro dias, ó duros aborrecimentos da cidade! Daqui a pouco, irei tornar à minha canga, à minha calceta e à minha resignação de galé. Mas, para vos suportar, levarei comigo a recordação desta paisagem, que me está embriagando os olhos e uma basta provisão de alegria e saúde; e serei como aquele demônio da lenda escandinava, que era feliz entre as chamas do inferno, só porque pudera, durante um minuto escasso e fugaz, contemplar a formosura do céu.

Fonte: http://sulmineiro.blogspot.com.br/2012/08/cronica-de-olavo-bilac-sobre-caxambu.html

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

SESSÃO LEITURA - SONETO XIII - OLAVO BILAC

O poema que reproduzimos abaixo, intitulado Soneto XIII, é da autoria de Olavo Bilac.
Boa leitura!
Para maiores informações sobre o autor, favor consultar: http://www.e-biografias.net/biografias/olavo_bilac.php
Boa leitura!

SONETO XIII

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto ...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

SESSÃO LEITURA

A poesia que reproduzimos abaixo é do grande poeta brasileiro Olavo Bilac.
Para maiores informações sobre ele, favor consultar: http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u166.jhtm.
Boa leitura!

XIII

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."