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quinta-feira, 13 de abril de 2023

SESSÃO LEITURA - INFÂNCIA - GUILHERME DE ALMEIDA

O autor do texto abaixo é o poeta Guilherme de Almeida.
Para saber mais sobre este escritor, favor acessar: www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/biografia.
Boa leitura!

INFÂNCIA

Um gosto de amora
Comida com sol. A vida
Chamava-se: “Agora”.

Fonte: https://www.portugues.com.br/literatura/o-haicai.html

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

SESSÃO LEITURA - INFÂNCIA - HENRIQUETA LISBOA

O texto abaixo é de autoria de Henriqueta Lisboa.
Para maiores informações sobre a escritora, favor acessar: http://www.infoescola.com/biografias/henriqueta-lisboa/.
Boa leitura!

INFÂNCIA

E volta sempre a infância
com suas íntimas, fundas amarguras.
Oh! por que não esquecer
as amarguras
e somente lembrar o que foi suave
ao nosso coração de seis anos?

A misteriosa infância
ficou naquele quarto em desordem,
nos soluços de nossa mãe
junto ao leito onde arqueja uma criança;

nos sobrecenhos de nosso pai
examinando o termômetro: a febre subiu;
e no beijo de despedida à irmãzinha
à hora mais fria da madrugada.

A infância melancólica
ficou naqueles longos dias iguais,
a olhar o rio no quintal horas inteiras,
a ouvir o gemido dos bambus verde-negros
em luta sempre contra as ventanias!

A infância inquieta
ficou no medo da noite
quando a lamparina vacilava mortiça
e ao derredor tudo crescia escuro, escuro...

A menininha ríspida
nunca disse a ninguém que tinha medo,
porém Deus sabe como seu coração batia no escuro,
Deus sabe como seu coração ficou para sempre diante da vida
— batendo, batendo assombrado!

Publicado no livro Prisioneiro da Noite (1941)

Fonte: http://www.jornaldepoesia.jor.br/hlisbo03.html#infancia

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

SESSÃO LEITURA - INFÂNCIA - HELENA KOLODY

A poesia que reproduzimos abaixo é da autoria de Helena Kolody.
Para maiores informações sobre a autora, favor acessar: http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=456.
Boa leitura!

Infância

Aquelas tardes de Três Barras,
Plenas de sol e de cigarras!

Quando eu ficava horas perdidas
Olhando a faina das formigas
Que iam e vinham pelos carreiros,
No áspero tronco dos pessegueiros.

A chuva-de-ouro
Era um tesouro,
Quando floria.
De áureas abelhas
Toda zumbia.
Alfombra flava
O chão cobria...

O cão travesso, de nome eslavo,
Era um amigo, quase um escravo.

Merenda agreste:
Leite crioulo,
Pão feito em casa,
Com mel dourado,
Cheirando a favo.

Ao lusco-fusco, quanta alegria!
A meninada toda acorria
Para cantar, no imenso terreiro:
“Mais bom dia, Vossa Senhoria”...
“Bom barqueiro! Bom barqueiro...”
Soava a canção pelo povoado inteiro
E a própria lua cirandava e ria.

Se a tarde de domingo era tranquila,
Saía-se a flanar, em pleno sol,
No campo, recendente a camomila.
Alegria de correr até cair,
Rolar na relva como potro novo
E quase sufocar, de tanto rir!

No riacho claro, às segundas-feiras,
Batiam roupas as lavadeiras.
Também a gente lavava trapos
Nas pedras lisas, nas corredeiras;
Catava limo, topava sapos
(Ai, ai, que susto! Virgem Maria!)

Do tempo, só se sabia
Que no ano sempre existia
O bom tempo das laranjas
E o doce tempo dos figos...

Longínqua infância... Três Barras
Plena de sol e cigarras!