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quinta-feira, 11 de abril de 2024

SESSÃO LEITURA - IGNOTUS - ABGAR RENAULT

O texto abaixo é da autoria de Abgar Renault.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: http://www.academia.org.br/academicos/abgar-renault/biografia.
Boa leitura!

IGNOTUS

Eu não sei quem Tu és. Mas sei que Tu existes,
e sei que és Tu que acendes as estrelas lá no Alto,
e o lume, às vezes, da alegria na pobreza dos meus olhos tristes.

Eu não Te vejo, eu não Te falo, senão no silêncio secular
das noites insones e profundas, em que meu corpo se apaga,
e minha alma é uma chama inquieta a crepitar ...

Eu Te quero e Te temo, pávido, esquivo e ansioso ... E pela vida inteira,
se Te fujo - olhos sem luz para não ver-Te, ouvidos surdos para não Te ouvir sinto o Teu esplendor doer na minha tórpida cegueira,
 
e ouço o rumor augural dos remos do Teu barco, lento e lento
a ferir, com seu ritmo de Absoluto,
a água noturna do meu pensamento...

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/brasil/abgar_renault.html

quinta-feira, 30 de junho de 2016

SESSÃO LEITURA - SOLIDÃO - ABGAR RENAULT

O texto abaixo é da autoria de Abgar Renault.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: http://www.academia.org.br/academicos/abgar-renault/biografia.
Boa leitura!

SOLIDÃO

O rio se entristece sob a ponte.
Substância de homem na torrente escura
flui, enternecimento ou desventura,
misturada ao crepúsculo bifronte.

Antes que débil lume além desponte,
a sombra, que se apressa, desfigura
e apaga o casario em sua alvura
e a curva esquiva e sábia do horizonte.

Os bois fecham nos olhos os arados,
o pasto, a hora que tomba das subidas.
Dorme o ocaso, pastor, entre as ovelhas.

Sobem névoas dos vales fatigados
e das árvores já enoitecidas
pendem silêncios como folhas velhas.

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/brasil/abgar_renault.html#p