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quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

SESSÃO LEITURA - SAUDADES NO PORVIR - SOUSÂNDRADE

O texto abaixo é de autoria de Sousândrade.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: https://www.todamateria.com.br/sousandrade/.
Boa leitura!

SAUDADES NO PORVIR
 
Eu vou com a noite
Pálida e fria
Na penedia
Me debruçar:
O promontório
De negro dorso,
Qual nau de corso
Se alonga ao mar.

Dormem as horas,
A flor somente
Respira e sente
Na solidão;
A flor das rochas,
Franzina e leve,
Ao sopro breve
Da viração.

Cantando o nauta
Desdobra as velas
Argênteas, belas
Azas do mar;
Branqueia a proa
Partindo as vagas,
Que n' outras plagas
Se vão quebrar.

Eu ponho os olhos
No firmamento:
Que isolamento,
Oh, minha irmã!
Apenas o astro
Que a luz duvida,
Promete a vida
Para amanhã.

Naquela nuvem
Te vejo morta;
Meu peito corta
Cruel sentir!
Da lua o túmulo
Na onda ondula,
E o mar modula
Como um porvir.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

SESSÃO LEITURA - HARPA XXXII - SOUSÂNDRADE

O poema abaixo é de autoria de Sousândrade.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: http://www.brasilescola.com/literatura/sousandrade.htm.
Boa leitura!

HARPA XXXII

Dos rubros flancos do redondo oceano
Com suas asas de luz prendendo a terra
O sol eu vi nascer, jovem formoso
Desordenando pelos ombros de ouro
A perfumada luminosa coma,
Nas faces de um calor que amor acende
Sorriso de coral deixava errante.
Em torno de mim não tragas os teus raios,
Suspende, sol de fogo! tu, que outrora
Em cândidas canções eu te saudava
Nesta hora d'esperança, ergue-te e passa
Sem ouvir minha lira. Quando infante
Nos pés do laranjal adormecido,
Orvalhado das flores que choviam
Cheirosas dentre o ramo e a bela fruta,
Na terra de meus pais eu despertava,
Minhas irmãs sorrindo, e o canto e aromas,
E o sussurrar da rúbida mangueira
Eram teus raios que primeiro vinham
Roçar-me as cordas do alaúde brando
Nos meus joelhos tímidos vagindo.