Mostrando postagens com marcador CONTOS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CONTOS. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 4 de março de 2021

SESSÃO LEITURA - SONHOS - MOACYR SCLIAR

O texto abaixo é de autoria de Moacyr Scliar.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa5359/moacyr-scliar.
Boa leitura!

SONHOS

Gregório telefona a Berta.
- Berta, você está bem?
- Sim, Gregório, por quê?
- Tive um sonho horrível esta noite. Sonhei que você se afogava num mar revolto. Eu era o salva-vidas na praia.
- E você me salvou, Gregório?
- Claro, Berta. Quem mais poderia te salvar?
No dia seguinte telefona de novo.
- Berta, você está bem?
- Sim, Gregório, por quê?
- Tive um sonho horrível esta noite. Sonhei que você estava com nefrite, e que eu era o médico a quem você consultava.
- E você me salvou, Gregório?
- Claro, Berta. Quem mais poderia te salvar?
Terceiro dia:
- Berta, você está bem?
- Sim, Gregório, por quê?
- Tive um sonho horrível esta noite. Sonhei que você estava possuída pelos demônios. Eu era o sacerdote que te exorcizava.
- E você me salvou, Gregório?
- Claro, Berta. Quem mais poderia te salvar?
No quarto dia Berta aceita a proposta de Gregório. Casam-se. E desde então ela tem um único sonho: que Gregório está morto, morto, morto.

Fonte: http://varaldeleitura.blogspot.com/2013/07/contos-de-moacyr-scliar.html.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

SESSÃO LEITURA - AS CORUJAS - MOREIRA CAMPOS

O texto abaixo é de autoria de Moreira Campos.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: https://pt.wikipedia.org › wiki › Moreira_Campos.
Boa leitura!

AS CORUJAS

Ele conversa muito consigo mesmo, repete-se, os olhos no chão e metido no dólmã de brim listrado, os pés redondos nas alpercatas. Resmunga, insistente. Fecha as janelas do velho necrotério. Apanha os pedaços de lona e, com eles, cobre os mortos sobre a lousa. Deixa-lhes apenas os pés de fora. A mulher sem chinelas, com sangue coagulado entre os dedos abertos; as grandes botas gastas e de cadarços do alemão andarilho, que amanheceu morto no oitão do armazém da praia, onde se alojara: o enorme saco e o livro de impressões, folheado por muitos dedos, foram recolhidos à delegacia. É preciso cobrir os mortos, proteger-lhes as cabeças. As corujas descem pela claraboia. Têm voo brando, impressentido, num cair de asas leves, como num sopro de morte. De repente, dá-se conta de sua presença, das asas de pluma sem ruído. Alteiam-se e pousam sobre o peito dos mortos, arranhando-lhes os olhos parados, que fulgem na noite, divididos no meio.
– Xô, praga!
Os pedaços de lona ficam dobrados a um canto da sala escura, e ele os puxa sempre, curtos, deixando à mostra os pés inertes. Indispensável fazê-lo; depois fechar a luz triste da lâmpada, que desce pelo fio longo com teias de aranha. O facho da lâmpada de pilhas ainda percorre o teto de travejamento antigo. Crescem e oscilam as sombras: as botas de cadarço do alemão contra a parede – umas botas de muitas viagens. As corujas rasgam mortalha a noite toda na copa das altas árvores do terreno. O facho de luz tenta a densidade das folhas, corre cinzentos telhados, passa pela torre da capela, detém, ao longe, na janela de vidro do nosocômio. Em qualquer parte, na noite, estarão as corujas. Elas rasgam mortalha, agourentas, cortam o silêncio, sacudindo a vigília dos doentes. Recolhem-se, de dia, ao sótão da capela, onde pegam os ratos, que guincham nas suas garras. Necessário subir ao sótão, desfazer-lhes os ninhos. Falará com Irmã Jacinta, diretora do nosocômio, quando ela vier para a ala dos indigentes, ativa, tilintando as chaves no bolso do hábito. Ela mandará que Antero, jardineiro, trepe ao sótão. Ele é moço e divertido. Torcerá o pescoço das corujas, com os cabelos cheios de teia de aranha, e as atirará ao pátio do alto da torre, pilheriando com as enfermeiras. É preciso exterminar as malditas, que rasgam mortalha na noite, enquanto o facho de luz as procura na sombra densa das árvores:
– Xô, praga!
Resmunga, conversa sozinho, repete-se. Torna a experimentar as trancas das janelas, teima em ajeitar os pedaços de lona, que modelam saliências rígidas. O pedaço de lona do alemão ficou curto como uma camisa: têm presença apenas as botas. Resmunga. Se pudesse, ele próprio poria uma teia de arame na claraboia. Já falou a Dr. Joca, que ele trata por você, porque foram criados juntos, e um xinga o outro. O bisturi do Joca corta sem pressa, profissionalmente. Luvas ensanguentadas, bigode branco amarelecido pelo fumo, ele apanha o cigarro com a boca no cinzeiro sobre o peitoril da janela. Secciona pedaços:
– Leva o balde.
O velho o recolhe, e conversa consigo mesmo, o corpo atarracado mal contido no dólmã de mescla.
Quando o homem que chegou do interior e se hospedou no quarto da pensão veio fazer velório ao corpo descarnado do filho, ele lhe deu a lâmpada de pilhas e o advertiu para as corujas. Elas desciam pela claraboia, mesmo com a luz da lâmpada. Era preciso manter as velas acesas nos castiçais. Só assim as desgraçadas não vinham: temiam queimar as asas nas chamas. Ficavam rasgando mortalha no alto das velhas árvores ou na torre da capela. Sem a presença das velas, elas surgem sempre, impressentidas, como num sopro de morte: alteiam-se leves, pousam sobre o peito dos mortos e com o bico arranham-lhes os olhos, que fulgem parados e indefesos na noite.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

SESSÃO LEITURA - DOIS VELHINHOS - DALTON TREVISAN

O conto abaixo é da autoria de Dalton Trevisan.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: http://www.releituras.com/daltontrevisan_bio.asp.
Boa leitura!

DOIS VELHINHOS

Dois inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela de asilo.
Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um consegue espiar lá fora.
Junto à porta, no fundo da cama, para o outro é a parede úmida, o crucifixo negro, as moscas no fio de luz. Com inveja, pergunta o que acontece. Deslumbrado, anuncia o primeiro:
- Um cachorro ergue a perninha no poste.
Mais tarde:
- Uma menina de vestido branco pulando corda.
Ou ainda:
- Agora é um enterro de luxo.
Sem nada ver, o amigo remorde-se no seu canto. O mais velho acaba morrendo, para alegria do segundo, instalado afinal debaixo da janela.
Não dorme, antegozando a manhã. O outro, maldito, lhe roubara todo esse tempo o circo mágico do cachorro, da menina, do enterro de rico.
Cochila um instante - é dia. Senta-se na cama, com dores espicha o pescoço: no beco, muros em ruína, um monte de lixo.

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-2/dois-velhinhos-634328.shtml.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

SESSÃO LEITURA - CONTRÁRIOS - PAULO MALDONADO

O conto abaixo é da autoria de Paulo Maldonado.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: http://www.umacoisaeoutra.com.br/literatura/paulom.htm.
Boa leitura!

CONTRÁRIOS

Porque empregadas domésticas levam sobras de fartura das patroas, depois de um sábado de faxina, a mãe chega com um monte de bugigangas. No meio do pacote, um violãozinho de brinquedo, dois palmos se tanto, sem cordas, quebrado.
O menino não vê mais nada. Obceca encantado. Toda curiosidade e capacidade lúdica de seu espírito à espera daquele instrumento. Improvisa. Pede cola à vizinha para tapar rachadura do tampo e lustra com bombril. Dia seguinte, no terreiro da escola de samba, só larga do pé do vigia ao conseguir cordas velhas de violão e lascas de goma-laca. Com palitos de sorvete e pirulito, improvisa rastilho, pestana e novas cravelhas. Lustra o compensado. Trabalha como refinado luthier, obrando um Stradivarius. Afina a gosto as cinco cordas, sobe para a laje da casa e, sem a mãe saber dele, só sai ao anoitecer. Imita a posição de mãos dos violeiros e toca.
Simbiose perfeita, entre o pequeno violão e o moleque da morada de tijolo aparente, em rua de barro. Ali, onde a adversidade, uma vez em um milhão, encontra caminho na arte de suportar vicissitude, dor, solidão. Menino observador de coisas olha pardais no farpado de cercas, andorinhas no fio de luz, diferencia formato de folhas e flores, nuanças de verde, noites de lua com claro-escuro e grilos, com sutis dessemelhanças de estrelas e ruídos. Percebe comportamento de bichos e pessoas: cor de olhos, tom de pele, pena e pelagem, tipo de boca, dentes, canto, voz. Passa tempo na quadra com sambistas, sente ritmos e a melodia, passos de dança. Tudo observa e escuta. É espontaneamente moldado para o oficio das artes. Está pronto para aprender a tocar sem parar e se tornar um artista em perfeição. Tem futuro garantido se continuar improvisando, superar contrários e deslembrar que o pai sumiu faz tempo, quase sempre falta comida, toda semana vê presunto desovado na vala, o irmão menor morreu de descaso do posto de saúde, teve bala perdida no filho da vizinha, não está mais na escola porque a mãe trabalha e precisa de tomar conta da irmã que mal começa a andar.

Fonte: http://www.umacoisaeoutra.com.br/literatura/paulom.htm.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

SESSÃO LEITURA - PONTO DE CRUZ - ANA MIRANDA

O conto que reproduzimos abaixo é da autora Ana Miranda.
Para maiores informações sobre essa escritora, favor acessar: http://contosbrasileiros.blogspot.com.br/2007/12/ana-miranda.html.
Boa leitura!

PONTO DE CRUZ

Eu me apaixonei por um homem, ele visita minha mãe de tarde, em nossa casa chega perfumado e tímido, as moedas tilintando no bolso de seu paletó, engasga nas primeiras palavras mas depois ele conversa com ela e passa a mão nos meus cabelos, sinto minha pele se arrepiar mas ele não percebe o sentimento que me causa, pensa que sou apenas uma criança e crianças quando sentem mostram o que sentem, mas eu não mostro, é forte a tentação de acompanhá-lo com os olhos, eu não entendo o que eles conversam, olho o homem enquanto ele a olha a bordar no bastidor, vejo-o levar a xícara de café aos lábios, ele me dá uma moeda e me diz para ir à padaria comprar um confeito, faço o percurso concentrada e só percebo o mundo de fora quando sinto o gosto doce da bala derretendo na minha língua, volto para casa e ele ainda está sentado na frente dela, no mesmo lugar mas um pouco pálido como se o seu coração tivesse parado de bater, eles permanecem em silêncio, ele segura a mão dela e a beija, em seguida vai embora, às vezes esquece de se despedir de mim, ela fecha os olhos, quando o ruído do carro dele desaparece ela chora em silêncio, suas lágrimas caem nos pontos de cruz, ela evita olhar para mim e depois que ele vai embora ela olha o relógio da parede de instante em instante ou fica diante da janela perdida longas horas olhando o gramado, algo esvaziou seus olhos, seu corpo, ela abraça e beija o gato, quando o animal escapole de seu colo eu o abraço e tento beijá-lo da mesma maneira mas em vão, olho o relógio porém não vejo nada, nem o tempo passa, eu não espero que o homem volte, até mesmo esqueço que ele existe, minha vida segue como a água da chuva que escorre procurando os subterrâneos, quando o homem reaparece eu lembro que o amo, amo a presença dele e não a sua ausência, um dia talvez eu vá amar a ausência de um homem, quiçá, não sei o nome dele, esqueci de perguntar, mas o nome dele não é importante, o nome de ninguém importa, sei quem ele é, pressinto sua alma, as esferas de sua existência, o calor de seus gestos e o rumor de sua voz, sinto em meu corpo a paixão que sente por minha mãe.

(Extraído de Noturnos)

Fonte: http://contosbrasileiros.blogspot.com.br/2007/12/ana-miranda.html

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

SESSÃO LEITURA - CONTOS DE NATAL ESCOLHIDOS POR ARTISTAS

A matéria que apresentamos abaixo foi publicada na revista Sétimo Céu, nr. 225, de dezembro de 1974.
Nossos agradecimentos à amiga Maria do Sul pela remessa do material.
Boa leitura!








quinta-feira, 28 de outubro de 2010

FONE VERDE NO OUVIDO - AUTORA: VAL

- Valei-me São Gabriel, defensor dos internautas!!! Ou será Santo Isidoro, Protetor da Internet? Aiii, isto não importa agora ....
- Capuzelda, acode aqui, menina, aconteceu uma desgraça...
- Cruz Credo, que gritaria é essa, mãe .. o mundo tá acabando?
- Pior, muito pior. Olhe só este vídeo que acabei de encontrar no iTube...


- Caraca é o namorado da vovó... um espancador de mulher .... Vamos contá pra ela.
Ela corre para o computador.
- Não adianta, ela não tá em casa. Foi com o Jaque no forró do Gumercindo. E o celular só dá caixa postal. Cê tem que ir lá.
Cap pega seu YouPod de ultima geração, com recurso Fairies e fones de fios verdes e saí no pinote ao encontro da vovó. Nem dá ouvidos pro lobo e os lenhadores que lhe chamam prum chopinho. Não que desprezasse um copinho, mas foi por causa do funk que ia ouvindo.


Mas no meio do caminho, encontra uma multidão, um batalhão de polícias, o resgate e o camburão.
- Quê que foi? Um assalto?
- Pior, muito pior. Picotaram uma velhinha, tem pedaço pra todo lado...
E no meio da floresta, ouve-se um grito de horror.
O namorado da vovó era


Jack, o Estripador.

(Paráfrase do conto de João Guimarães Rosa: Fita Verde no Cabelo escrita em 19 de outubro de 2008)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

BANHO DA SORTE - AUTORA: VAL

Estava nervoso.
Mal conseguira dormir com a ansiedade.
Finalmente uma chance!
O primeiro passo rumo a um sonho!
Ia agarrá-la com unhas e dentes!
Num cuidado apurado, vestiu sua melhor roupa.
Enquanto se arrumava, repassava cada detalhe de seu show.
Ensaiara tanto tempo, mas parecia que tudo sumia de sua memória.
Olhou pela milésima vez o relógio e decidiu sair.
Tomou um táxi para o estúdio.
O trânsito estava caótico como já previra.
O breve aguaceiro que caíra alguns minutos antes colaborou para isto.
Acabou chegando em cima da hora!
Desceu a uma quadra do local e foi andando.
De repente, um carro em alta velocidade passou por ele como um louco...
Não deu tempo de fugir nem desviar...
Uma onda de água suja lhe encharcou dos pés à cabeça.
Estacou em pânico, sem reação!
Sentia vontade de chorar...
Retomou em passos lentos seu caminho e chegou atordoado em frente ao prédio.
E agora? O que iria fazer?
Uma pessoa surgiu em seu socorro.
Muito prestativa, levou-o aos camarins e lhe ofereceu a única roupa disponível.
Aceitou meio sem jeito, envergonhado, mas não tinha outra saída.
Uma fantasia era tudo de que dispunha...
Nem chegava aos pés do seu terno alinhado.
Mas não poderia perder a chance de mostrar o seu trabalho.
A roupa era o de menos...
Esperou ansioso sua vez.
Quando entrou naquele palco, esqueceu de tudo!
Cantou com toda força de seu Ser!
Cantou com o Coração!
O público gostou! Aplaudiu! Pediu bis!
Sorriu de felicidade!
Cantou mais duas canções!
O apresentador o incentivava!
O público o ovacionava!
E enquanto desfrutava de seu momento de glória, ouviu o locutor anunciar nova apresentação no dia seguinte.
Nascia ali Frankito Lopes: O Indio Apaixonado...

(Homenagem a Frankito Lopes – outubro de 2010)


FONTE: http://www.youtube.com/watch?v=TIJIgOamKgk&feature=related

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O TONEL DE GEISEBELA - AUTORA: VAL


O diz-que-me-disse cobria a cidade como nuvens cinzentas que preparam a tempestade. Em cada canto, cada esquina, cada fresta de janela, na boca de cada inha, madama ou cunhantã.

Geisebela tava na boca-do-povo. Cada tiquinho de seu dia, cada passo de seu caminho, cada pisco do seu olhar era engessado pela lama da maledicência.

Bem feito pra cumpadre Acabeu, sujeito tacanho, lerdo das idéias, cego do juízo e do coração. Para ele era Deus na terra e Geisebela no céu, mulher santa, dereita, prendada, um dengo só com as lidas da casa e os mimos pro marido. Não se queixava de nada, a probrezinha, tão prestativa e pronta a agradar.


Tanto era que não deu um pio de contrário quando ele recebeu em casa o amigo de longa data, tão chegado que era, unha-e-carne nos tempos da meninice. Vagou por este mundão, arrastando correntes de desgosto e desassossego. Pediu pousada por uns tempos, poucos dias, até pôr a cachola no lugar. E foi se ficando, ficando, os dias passando, os meses voando, o pó assentando, como-um-de-casa já dissolvido na rotina dos de dentro.

Geisebela, feito Danaide a encher seu pote, seguia nos seus afazeres de mulher ocupada, cuidando dos detalhes e querências de seus homens. Não demonstrava incomodância de um estranho no seu ninho. Pelo contrário, se punha mais vistosa, com maneirices de moça casadoira, sorriso aberto e olhos brilhosos. Mudava da água pro vinho.

Só o marido não notava...

Ou fingia não notar. Saíam os três pela cidade, a dar voltas no coreto em dia de festa. Desfilavam contentamento e felicidade.


Dos mais chegados, alguns tentaram Acabeu alertar. Mas qual nada, ele não dava ouvidos, confirmava a confiança no amigo e na amada, botava a mão no fogo por eles.

Mas nada como um atrás do outro...

Um belo dia, tendo findado mais cedo a labuta, volta Acabeu pro aconchego de seu lar e dá de cara com o amigo-amada engalfinhados num festim lidibinoso no escavado dos lençóis. Num repente de insânia e desvario, lacerou, retalhou, espostejou sua vergonha de guampudo. Depois fugiu em desatino para nunca mais voltar.

(Variante de Desenredo de João Guimarães Rosa, Valdeci Affonso de Lima, 4 de novembro de 2008)


NOVIDADE - SESSÃO CONTOS E POESIAS

Às quintas-feiras, publicaremos a Sessão Contos e Poesias que contará com a colaboração de nossos leitores, que poderão enviar contos e poesias inéditos para o endereço contribbiscoitocafeenovela@gmail.com. As primeiras contribuições serão de nossa amiga Val.