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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

HOMENAGEM AO NIVER DA MARIANA LOPES

Que neste aniversário, você consiga descobrir muito mais ideais, do que aqueles já conseguidos, e fazer disso uma lição de vida. Desejamos a você tudo de ótimo que a vida pode lhe oferecer, porque você merece!!! UM SUPER FELIZ ANIVERSÁRIO!
Estamos com saudades de vc amiga!
Felicidades!!

 

domingo, 15 de agosto de 2010

UMA ROSA COM AMOR - VERSÃO GAÚCHA - PARTE 34 - AUTORA: MARIANA LOPES - FINAL

Amália – Dr. Claude avisou que não vem jantar e que não vai dormir aqui esta noite. Ainda bem que ele falou isso só pra mim. Imagina seu pai pedindo explicações de onde ele iria passar a noite. Eu ia morrer de vergonha. Até hoje eu não entendo, o Giovanni fala, fala, fala e o Dr. Claude concorda e ainda ri. Tem umas coisas que o Giovanni se excede, mas o Dr. Claude releva. O seu pai é um chato às vezes.

Teresinha – Às vezes? O Claude respeita o pai. E dá para perceber que gosta dele.

Amália – Seu pai não admite, mas eu sei que ele gosta do Doutor, também.

Teresinha – O Claude foi encontrar a Serafina... e pelo visto está confiante ... cheio de expectativas ...

Amália – Eu quero tanto que esses dois se acertem. Sua irmã ama esse homem e merece ser feliz.

Teresinha – E o Dr. Claude? A senhora acha que ele ama a Serafina?

Amália – Se não amasse, não tinha ficado esse tempo todo aqui tentando entender o que aconteceu e querendo saber tudo sobre ela. Sabe como é quando a gente gosta? Quer saber até quantas vezes a pessoa respira por minuto... Eu estranhei que ele não me pediu para rezar ... Acho que agora ele mesmo está rezando pro Santo Antônio.

Teresinha – Mãe, o Claude rezando?

Amália – Rezando sim ... nós temos conversado muito...

Teresinha – Mas ele te falou alguma coisa, admitiu que quer continuar casado...

Amália – Que não quer se separar? Isso ele fica resmungando o tempo todo, agora o motivo ele não falou assim abertamente, mas eu tenho pra mim que ele está apaixonado pela Serafina e que agora ele já sabe disso.

Teresinha – Ontem, eu escutei uma conversa dele o Dr. Frazão e ele disse que a Serafina é a mulher da vida dele...

Amália – Vou rezar para Santo Antônio para Serafina controlar o gênio. Eu não sei se é mágoa ou medo de se magoar... dessa menina... Vou rezar muito...

Teresinha – Será que eles se acertam? Vamos rezar mãe... enviar umas energias boas para Fina...

##

Claude – Suco de melancia saindo...

Rosa toma o suco fecha os olhos e suspira satisfeita com uma expressão de prazer.

Claude – Está ton bom assim? – e murmura – Fiquei até com ciúme desse suco...

Rosa – Como?

Claude – Nada non...

Rosa – Você queria falar comigo e eu estou aqui pronta para ouvir.

Claude – Eu queria falar com você? Non é o contrário non?

Rosa – Então, eu entendi errado o pedido do Frazão? Não tem problema ... já vou indo...

Rosa levanta e começa a ir em direção a porta. Claude a segura pelo braço e a faz parar.

Claude – Rosa desculpa! Eu ando meio irritado ultimamente e ...

Rosa – Ultimamente? Acho que você nasceu irritado...

Claude – Você me desculpa? É que eu esperei tanto para ter essa conversa contigo...

Rosa – Tudo bem...

Claude – O Frazon andou me dizendo umas coisas... que eu non acreditei... enton eu disse para ele que você teria que me dizer pessoalmente... Bem, o que é mesmo que você queria me perguntar... diz aí... sou todo ouvidos...

Rosa – Eu quero saber por que você não assinou os documentos do divórcio. Era uma coisa que você tanto queria. Estou achando essa situação ridícula... estou me sentindo ridícula de estar aqui desse jeito...

Claude – Pedido de divórcio tem que ser feito a dois...

Rosa – Pedido de casamento tem q ser feito a dois... de separação ... Claude por favor... nós já casamos separados... só estamos regularizando...

Claude – Casamos separados? Só você Serafina para me dizer uma coisa dessas...

Rosa – E não foi? Você se lembra do pedido de casamento que você me fez?

Claude – Claro, claro que eu me lembro...

Rosa – Que bom! Lembra das condições do casamento?

Claude – Lembro.

Rosa – Você precisava de uma solução para o seu problema e eu ajudei... você queria pagar... eu aceitei, mas não usei o dinheiro... era um casamento pró-forma casas separadas, só no papel... e teve teatro... morar juntos... eu reclamei?

Claude – Non... eu sei que foi além daquilo que nós combinamos, mas...

Rosa – Foram as forças das circunstâncias... eu sei... por isso que eu não reclamei... e porque o projeto é muito bom... vai ajudar muita gente. Você já tem o seu visto, o contrato e os dólares?

Claude – Tenho, tudo...

Rosa – Chegamos ao final dessa história... Para concluir o que está faltando é a só você assinar...

Claude - Nesse tom, nós non vamos conseguir nos entender ... conversar tranquilamente...

Rosa – Conversar? É talvez tenha sido isso que faltou, começando por entender o significado da palavra conversar... que é quando os dois lados escutam, mas você nunca levou a sério o que eu te falava, sobre o Egídio e a Nara..

Claude – Vamos deixar o Egídio e a Nara fora dessa conversa. Essa é uma conversa só nossa... Sobre eles nós vamos conversar em outro momento... mas non agora...

Rosa – Tudo bem...

Claude percebe que é melhor mudar de estratégia e ir direto para o plano B.

Claude – Eu acho que faz muito tempo que nós non conversamos, e que existem muitas coisas que non eston esclarecidas entre nós, mas nós non somos inimigos e podemos jantar calmante e depois seguimos com a conversa. Você aceita jantar comigo?

Rosa – Jantar? Não sei...

Claude – Serafina! Aconteceu alguma coisa ton grave assim que impede você de aceitar um convite para jantar comigo que sou o seu marido? Eu fiz alguma coisa?

Rosa – Não, é que eu não achei que essa conversa fosse demorar tanto. Claro que podemos jantar, mas eu preciso fazer uma ligação.

Claude – Uma ligaçon? – Claude solta o ar lentamente – Você achou que a nossa conversa seria de quanto tempo? Dois minutos?

Rosa – Claude... você está ficando irritado novamente...

Claude – Faça a sua ligaçon que eu já me acalmo... mas seja lá para quem for, avisa que você vai demorar, porque vai jantar e conversar com o seu marido... Eu vou providenciar o jantar e já volto...

Rosa levanta e vai para um canto da sala e liga para Michel avisando que hoje não poderá jantar com ele.

Claude – Vamos? Nossa mesa já está pronta. – Ele estende a mão e ela a segura.

Eles passam pela porta do restaurante e dirigem-se ao elevador.

Rosa – Nós não vamos jantar?

Claude – Vamos... claro que vamos...

Rosa – Mas o restaurante é ali...

Claude – Nós non vamos jantar no restaurante. Muita gente, muito barulho... hum, non! Eu non quero ficar disputando a sua atenção com um monte de pessoas.

Rosa – E aonde nós vamos jantar?

Claude – Na cobertura...

Rosa – Tem outro restaurante lá?

Claude – Surpresa!!! Ah, você non vai querer que eu conte e estrague a surpresa...

Rosa – Surpresa? – Os olhos brilham com uma curiosidade incontida.

Serafina e Claude de mãos dadas entram no elevador que os levará a cobertura. Claude leva as mãos de Serafina aos lábios e deposita suavemente dois beijos um em cada mão e seus olhares se encontram por um longo momento.

Chegando a cobertura eles caminham de mãos dadas até a porta da suíte que ele reservou. Claude abre a porta com o cartão que retirou do bolso e se curva levemente fazendo um gesto para Rosa entrar na frente.

Ela entra e fica encantada com o que vê. A vista da sala é fantástica, totalmente envidraçada e encontra-se iluminada apenas pelas inúmeras velas espalhadas por todos os lados, o que valorizava a visão da grandeza da cidade de São Paulo através dos vidros. A mesa ricamente posta para dois no centro, pétalas de rosas espalhadas pelo chão e tecidos transparentes completam a decoração. Depois de olhar demoradamente o ambiente Rosa percebe o som do violino e do saxofone que vinham de um canto da sala, onde se encontravam os músicos. No outro lado está o garçom que irá servir o jantar.

Rosa olha tudo encantada e volta os olhos lentamente para Claude que a estava observando. Eles trocam um longo olhar e Claude vai se aproximando vagarosamente, seus olhares estão presos um no outro. Ele pega a mão de Rosa, roça sutilmente os lábios nela e a conduz à mesa. Rosa sorri suavemente. Ele puxa a cadeira e aguarda que ela sente, faz a volta e o garçom o ajuda a sentar-se. Eles se observam sem desprender o olhar. Claude faz sinal sutil para o garçom começar a servir o jantar.

##

Roberta e Sérgio concluem as filmagens e começam a se preparar para a viagem de divulgação pelo mundo. Eles esperam que o filme: Quando o Amor Acontece, seja um sucesso. Eles saem para comemorar num jantar com Joana e Pimpinoni. Durante o jantar eles comunicam que ao retornarem da turnê pretendem se casar e são surpreendidos por Pimpinoni que diz que ele e Joana estão namorando e que também pretendem se casar.

##

Claude – E enton, conta como foi a sua viagem?

Rosa – Adorei Paris, sua cidade é muito linda, maravilhosa, as sensações são indescritíveis...

Claude – Eu adoro a minha cidade, mas hoje eu gosto mais de Son Paulo...

Rosa – Eu sou suspeita para falar, mas eu nasci aqui, acho fácil entender o meu sentimento por essa cidade, mas você? Paris é tão bonita... tem um clima...

Claude – Eu sei, eu concordo, é realmente muito bonita, você tem razon, mas eu me sinto em casa é aqui nesta cidade, eu sinto que eu faço parte daqui... que dizer ... eu preciso ajeitar algumas coisas, mas é aqui que eu quero viver, essa foi a cidade que eu escolhi para viver.

Os olhos de Rosa brilham e ela o encara.

Claude – E você? Está contente em voltar?

Rosa – Muito, eu adorei viajar, conhecer os lugares, os costumes, as culturas e as pessoas, mas eu sinto que aqui é o meu lugar, ainda mais agora que eu ... – Rosa percebe que quase revelou o seu segredo.

Claude – Ainda mais agora que você...

Rosa – Que eu ... estou trabalhando numa empresa muito bacana...

Claude – Empresa bacana? Como é que é essa empresa “bacana”?

Rosa – É uma empresa francesa, mas nós não vamos ficar falando de trabalho...

Claude – Non... claro que non...

Terminado o jantar Claude dispensa o garçom e os músicos e coloca uma música.

Claude – Pedi para trazerem o nosso licor, você aceita?

Rosa – Melhor não...

Claude – Só um pouquinho para brindarmos o nosso reencontro...

Rosa – Aceito, mas serve bem pouquinho mesmo, só para brindarmos...

Claude serve o licor e estende a taça para Rosa.

Claude – Ao nosso reencontro, que nossos caminhos andem sempre juntos.

Rosa – Ao nosso reencontro, que nossos caminhos andem sempre juntos.

Os dois estendem as taças que se tocam suavemente. Seus olhares ficam presos um no outro.

Claude leva a taça aos lábios e bebe um gole do licor. Rosa encosta a taça nos lábios, mas não bebe. Claude percebe.

Claude – Se você non beber o brinde non se realiza. Bebe...

Rosa molha os lábios com o licor e deposita a taça sobre a mesa. Claude larga a sua taça, contorna a mesa e estende a mão.

Claude – Dança comigo?

Rosa segura a mão de Claude e levanta eles começam a dançar.

Claude murmura – Por que você foi embora sem falar comigo?

Rosa – Eu pensei que era o melhor a ser feito.

Claude – Melhor? Melhor para você?

Rosa – Não, melhor para você...

Claude – Pra mim? Por que você non quis falar comigo? Non telefonou para mim todo esse tempo...

Rosa – Eu precisava de um tempo para pensar...

Claude – Tempo longe de mim?

Rosa – Também...

Claude – E qual foi o resultado dessa distância? Você chegou a alguma concluson?

Rosa – Que importância tem isso agora?

Claude – Tem toda a importância...

Rosa – Eu fui embora porque eu não agüentaria ouvir você me pedir para ir. Isso ia acabar comigo. Porque eu sei que para você isso foi sempre um negócio. Que viver essa situação para você foi um grande sacrifício. Você não confia em mim.

Claude para de dançar e segura o rosto de Rosa entre as mãos.

Claude – Eu nunca pediria para você ir embora da minha vida, nunca! Eu non vou negar que no começo era assim mesmo, mas aos poucos eu fui vendo as suas atitudes, observando a sua preocupaçon com as pessoas que você gosta, que você ama. O seu jeitinho às vezes um pouco atrapalhado de ser, que mexe comigo, que abala as minhas estruturas. E isso me obrigou a rever o meu modo de viver, de encarar o mundo, as pessoas, a relaçon com os negócios, enfim tudo em que eu sempre acreditei. Orgulho, sangue-frio... você tirou isso de mim. Eu sabia que eu gostava de estar contigo, mas eu relutei muito em aceitar que era muito mais que isso. Eu já te disse que eu confio muito em você, muito mesmo.

Rosa – Nara?

Claude – Nara? Nara é ... ERA uma companhia ... ela é uma mulher muito bonita, existem muitas por aí, mas é só. Fim da história! Eu te dizer isso non te tranqüiliza?

Rosa faz que sim com um movimento leve da cabeça.

Claude – Você confia em mim?

Rosa – Claude...

Claude – É simples, responda “sim” ou “non”. – Ele desliza o dedo sobre os lábios de Rosa.

Rosa – Sim.

Claude beija suavemente o rosto de Rosa. Pequenos beijos até que seus lábios se encontram num longo tocar de lábios.

Claude – Serafina, eu te amo. Eu custei tanto para admitir pra mim isso. Eu tive tanto medo de te perder. Eu non conseguia esquecer a luz dos teus olhos, o tom da sua voz, o seu jeito de falar, esse sorriso lindo que só você tem… non saía dos meus pensamentos, do meu corpo... senti tanta saudade, pois o que eu sinto por ti é ton forte, impossível de esquecer, mas uma coisa é certa, te amo e muito, pois sem você não sei viver...

Rosa acaricia o rosto de Claude e ele a beija de maneira tão carinhosa que Rosa começa a chorar de emoção.

Claude – Mon Dieu, non chora!!

Ele seca suas lágrimas com os lábios.

Claude – Eu te amo, meu coraçon e minha alma son seus para o resto da vida.

Rosa – Eu te amo muito. O meu amor é tão grande por você!!

Claude – Ouvir você dizer isso aquece o meu coraçon. Como é bom, sentir o seu calor o seu cheiro... é como voltar para casa depois da tempestade. Eu te amo, tanto, tanto... eu non consigo imaginar a minha vida sem você. Sem você eu só vivo pela metade! Esses meses longe de você acabaram comigo...

Claude afasta Rosa, segura as suas mãos e as beija. Depois ele se ajoelha.

Claude – Serafina, você aceita se casarr comigo?

Rosa emocionada – Aceito!

Claude retira do bolso uma caixinha, abre, tira uma aliança e coloca no dedo anular da mão direita de Rosa e deposita um beijo demorado na sua mão. Estende a caixa para ela que paga a outra aliança e a coloca no dedo anular direito da mão dele e a beija também.

Rosa o puxa suavemente pelas mãos e eles se beijam apaixonadamente, durante um longo tempo.

Rosa observando a aliança em seu dedo – Claro que já sermos casados no civil, tem as suas vantagens...

Claude que está beijando a nuca de Rosa murmura – Vantagens? Que vantagens?

Rosa – Você não vai precisar dormir em outro lugar enquanto esperamos a cerimônia...

Claude com uma carinha desolada – Dormir em outro lugar? Você tá maluca? Eu estou morrendo de saudades... estou até sofrendo de amnésia, eu nem me lembro mais como é... Vem comigo eu tenho outra surpresa...

Claude a empurra suavemente em direção a uma porta e a abre. Rosa fica sem palavras, quando vê a suntuosidade do aposento e quantidade de rosas

Claude – Esta é a suíte nupcial.

Rosa – Linda!

Claude - E todo o meu amor para você! Eu te amo!

Rosa – Eu te amo! Muito!

Claude olha para Rosa e a leva até a cama.

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Frazão e Alabá jantam. Alabá conta para ele que as filmagens terminaram e que em breve ela acompanhará Roberta na turnê de lançamento do filme. Frazão diz que quer ir junto, mas que não sabe se conseguirá por conta de todas as coisas que ainda estão acontecendo na construtora. Alabá comenta que tem medo de deixar Frazão sozinho e ele diz que ela vai ter que aprender a confiar nele. Frazão pede Alabá em casamento, mas quer que seja uma cerimônia no civil e com uma recepção íntima.

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Algumas horas depois... na cama...

Claude beija a testa de Rosa – Com é bom estar aqui...

Rosa – Você estava com saudades mesmo...

Claude – Muita... Eu non quero parecer pretensioso, mas eu já dei entrada nos documentos na Igreja da Nossa Senhora da Achiropita. Podemos nos casar na semana que vem...

Rosa – Rápido assim? Não vai dar tempo de arrumar tudo, se bem que é melhor ser bem rápido mesmo...

Claude – Eu quero casar bem rápido e fico feliz que você também. Eu non agüento mais o discurso do Seu Giovanni. Já contratei um serviço de bufê, fiz reserva para você numa estilista, se você quiser, ou pedimos para D. Joana fazer o vestido... e o mais importante... aqui eston nossas passagens para a lua-de-mel e as reservas já eston feitas... É só convidar os padrinhos enviar os convites ...

Rosa com uma expressão preocupada – Claude ...

Claude – Non vai me dizer que você desistiu de casar comigo?

Rosa – Claro que não seu bobo... Eu tenho uma coisa para te contar...

Claude – Conta, eu também tenho algumas coisas para te contar ...

Rosa – Conta você primeiro...

Claude – Por quê? Foi você que começou...

Rosa – O que eu tenho para te contar é apenas uma coisa, importante, mas uma e me pareceu que você tem mais de uma...

Claude – É verdade! Non vai desistir de casar comigo por isso. Estou quebrado, acho que vou falir, os negócios eston indo de mal a pior... non sei se vou conseguir resolver, mas uma soluçon eu vou encontrar.

Rosa – Quebrado? E o dinheiro dos americanos?

Claude conta tudo que aconteceu.

Claude - ... e foi isso!

Rosa – Eu vou pensar em alguma. E tem mais notícias ruins?

Claude levanta e vai pegar uns papéis na sua bolsa.

Claude – Presente para você.

Rosa – Presente? O que é isso?

Claude – Lê.

Rosa – Você comprou o casarão e colocou no meu nome?

Claude – O casarão é seu. Eu queria poder reformar, mas agora non vai ser possível...

Rosa levanta e se joga nos braços de Claude e lhe dá vários beijos.

Rosa – Obrigada!!

Claude – Se eu soubesse que você iria reagir assim, já teria te entregue esses documentos há muito tempo. Agora você...

Rosa – Eu também tenho um presente ...

Claude com os olhos brilhando – Pra mim...

Rosa – Também. Só que vai demorar uns seis meses ainda...

Claude – Seis meses? Por que tanto tempo? Você mandou fazer alguma coisa...

Rosa sorri – Nós fizemos ...

Claude – Nós fizemos?

Rosa pega as mãos de Claude a as coloca em sua barriga.

Rosa – Ainda é muito pequenininho ou pequenininha, mas eu já ouvi o coração batendo... foi uma emoção. Parabéns papai!

Claude atônito – Serafina, você está grávida? Grávida de verdade? Nós vamos ter um filho? Eu vou ser pai?

Rosa – Vai... Vai sim... de um menininho ou menininha...

Claude triste – E você non ia me contar?

Rosa – Claro que eu ia. Eu não afastaria o filho de um pai. Eu só não queria que você se sentisse obrigado a ficar comigo por causa disso.

Claude respira aliviado – Eu vou ser pai.... Seu Giovanni vai adorar essa notícia...

Rosa – Nem me fala ele ainda acredita na primeira gravidez, mas depois a gente vê isso..

Claude se ajoelha e beija a barriga de Serafina.

##

Na manhã seguite, Claude acorda Rosa com um longo beijo.

Rosa – Hum, que gostoso ser acordada assim...

Claude a abraça e diz que gostaria de ter acordado ao lado dela na primeira noite.

Rosa – Eu não me sentia segura e se você pensar bem , nem você.

Claude – Mas agora, eu estou seguro e você também e nada vai nos separar... e vamos ter um filho... eu quero gritar isso para o mundo inteiro...

Eles se beijam longa e demoradamente. Claude diz que daqui a pouco o café da manhã vai ser servido.

Rosa – Que horas são?

Claude – Nove horas...

Rosa – Eu estou super atrasada...

Claude – Atrasada para quê?

Rosa – Eu tenho um compromisso com Michel, quer dizer tinha, ah eu já nem sei mais, era às oito e meia... ele deve estar preocupado...

Rosa levanta e começa a se vestir e Claude permanece deitado com as mãos entrelaçadas atrás da nuca e fica observando a correria de Rosa em busca de suas roupas.

Claude – É um furacon... e o pior é que eu gosto... cuidado com essa agitaçon toda ... olha o nosso filho aí dentro...

Rosa – Claude, você viu onde foi parar o outro pé do meu sapato?

Claude solta o ar – Non chérri, mas eu ajudo a procurar. É ton importante assim esse encontro?

Rosa – Eu trabalho para ele. É um compromisso de trabalho.

Claude – Para quem você ligou ontem?

Rosa – Pro Michel, nós tínhamos combinado de sair para jantar.

Claude – Isso também faz parte do trabalho?

Rosa para no meio do quarto.

Rosa – Claude, você está com ciúme do Michel?

Claude – Ciúme... ciúme... non sei? Tô? Tenho motivos? Estou tentando entender o que está acontecendo. Nós nos reconciliamos e você vai sair correndo para encontrar esse Michel...

Rosa – Claude, Michel é comprometido... logo a noiva está chegando ao Brasil ... Onde é que foi parar esse sapato?

Claude – Tá bom, o sapato está escondido aqui...

Rosa sorri da atitude de Claude.

Claude indo para o banheiro sorrindo – Estou te esperando aqui. Você não vai sair sem tomar banho, non é? Depois fica falando que a minha barba dá aspecto de sujinho...

Rosa, rindo muito, vai para o banheiro.

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Enquanto tomam café da mahã...

Claude – Liga para o Michel e avisa que hoje você non vai trabalhar. São onze horas! Ele vai entender. Nós vamos ao cortiço, falamos com os seus pais e depois vamos para a nossa casa e descansamos um pouquinho e depois vamos à construtora. Vou resolver as pendências de uma vez por todas!

Rosa – Não quero que o Michel fique chateado comigo.

Claude – Diz que surgiram uns problemas que você tem que resolver e que depois vocês conversam. Contar tudo isso que aconteceu é melhor que seja pessoalmente!!

Rosa liga para Michel e diz que não poderá trabalhar, Michel diz que tudo bem, pois também está ocupado, Monique lhe fez uma surpresa e está no Brasil. Rosa manda beijos e eles combinam de conversarem depois.

##

Zé Pistola é preso, facilmente, pois, como sempre, não consegue executar as ordens de Egídio e acaba telefonando para um dos números de telefone grampeados pela polícia. Zé Pistola entrega Egídio e confirma a versão de Zequias.

A polícia consegue obter a ordem de prisão contra Egídio. Durante a execução da ordem de prisão de Egídio, que acaba ocorrendo na construtora, depois de muitas tratativas e ameaças da parte de Egídio, ele resolve se entregar e enquanto faz o seu discurso que não existem provas contra ele, que nada pode ser provado. Ele coloca a mão no peito e cai no chão. Os policiais constatam que ele está desacordado e chamam uma ambulância. Quando o socorro chega já é tarde. Egídio sofreu um infarto e está morto.

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Na construtora, Carlos conta para Beto e Raquel que Egídio morreu. E que Nara, quando ficou sabendo da morte de Egídio, se descontrolou e foi preciso chamar um médico para acalmá-la.

Carlos explica para os filhos que Nara não está nada bem. Está alternando entre momentos de lucidez e loucura, que inclusive ele já deu entrada na documentação da interdição e que ficará numa clínica.

Claude e Rosa chegam à construtora e descobrem tudo o que aconteceu. Eles encontram Carlos, Beto e Raquel.

Carlos informa os filhos que todos os negócios de Egídio que se salvarem de processos ficaram sob a responsabilidade deles. Raquel diz que não tem interesse em administrar nada, que quer ir estudar fora do Brasil para esquecer tudo o que aconteceu. Carlos a apóia e sugere que ela dê uma procuração para Beto ficar responsável por administrar o patrimônio deles.

Beto informa para Carlos que apesar do que ele está sugerindo não há muito que administrar só resta a casa e o um por cento da sociedade com Claude.

Beto diz para Carlos que o que ele quer é ser sócio de Claude, mas que não tem capital para isso. Carlos diz que se é isso que ele quer e se Claude concordar o capital ele dá para Beto.

Claude e Rosa concordam e ficam felizes em ter Beto como sócio. Eles ficam felizes por todos os problemas da construtora estarem resolvidos.

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Frazão conta para Claude que Janete pediu demissão da construtora e que vai viajar com Hugo de Madri, que será seu marido.

Claude – Eu já esperava por isso. E o Antoninho?

Frazão – Foi junto com ele. Para conhecer a mãe, mas acho a relação daqueles três pra lá de estranha...

Claude - Frazon estranho foi o que a Rosa me disse, que eu casei separado? Pode?

Frazão – E não foi...

Claude – Frazon, vai contar elefantinhos cor-de-rosa plantando bananeiras na Av. Paulista... e volta aqui depois para me contar quantos foram...

Frazão – É, nem a Rosa consegue melhorar esse seu mau-humor...

Claude – Eu non estou mal-humorado... eu sou o homem mais feliz do mundo... você é que non sabe o que é isso... Eu vou ser pai...

Frazão – Parabéns. E eu vou finalmente integrar a lista dos homens casados...

Claude – Bem-vindo ao clube. Eu também vou casar...

Frazão – Como assim casar? Você já não é casado? A Rosa já não está grávida e tudo?

Claude – Vou casar na Igreja... semana que vem, com você e Alabá de padrinhos, vou convidar a Roberta e o Sérgio também!

Frazão rindo – E o velho Giovanni venceu o francês! Você e Rosa também vão seus meus padrinhos.

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O sábado amanheceu bonito. O sol brilhava no céu azul. A Igreja de Nossa Senhora da Achiropita estava lotada com os convidados. No altar, Teresinha e Beto, Pimpinoni e Joana, padrinhos de Rosa e Alabá e Frazão, Roberta e Sérgio, padrinhos de Claude, aguardam a chegada dos noivos. Claude, impecável em um terno escuro de três peças, chega acompanhado de D. Amália. Agora todos aguardam a noiva que chega acompanhada de um feliz e sorridente Giovanni que a conduz até o altar. Serafina usa um vestido branco de seda e rendas e traz nas mãos um lindo buquê de rosas vermelhas. Ao entregar a noiva a Claude, Giovanni se emociona e seca as lágrimas e é recebido por Amália e eles trocam um longo olhar.

Claude beija as mãos de Serafina e eles trocam um longo e profundo olhar. Ele lhe oferece o braço para concluírem o percurso até o altar. Onde trocam solenes votos de amor. A voz de Serafina estremece de emoção ao falar os votos e os olhos de Claude brilham pelas lágrimas que querem cair de seus olhos.

Após a cerimônia, os convidados dirigem-se a recepção oferecida no apartamento do casal. Eles apreciam um excelente almoço, acompanhados de um fantástico champanhe. No final da tarde, quando o sol se pôs tingindo o céu de lindos tons de rosa e lilás e os convidados deixaram a recepção. Claude pegou Rosa no colo e subiu as escadas levou-a para o quarto. Deixou-a deslizar suavemente até o chão e beijou-lhe a testa com profunda veneração.

Neste momento o telefone tocou.

Claude suspira – Deve ser o carro que vai nos levar ao aeroporto – beijou-a mais uma vez e foi buscar as malas.



Rosa e Claude viajam à Paris para a tão esperada lua-de-mel.



A suíte do hotel era magnífica, e tinha uma linda vista panorâmica da cidade.

Em meio ao clima de paixão, Rosa vira-se para Claude.

Rosa com um sorriso provocante – Pretende jantar?

Claude a olha demoradamente - Mais tarde ...

Rosa – Serviço de quarto? – uma risada suave brotou de sua garganta – Talvez? – brincou, fingindo fugir quando Claude fez menção de tocá-la.

Claude – Você está com fome?

Rosa enlaçou o pescoço dele e puxou-o para perto – Eu tenho fome de você meu amor, só de você, mas nosso filho ou filha está com fome...

Claude – Como eu sou um bom marido e vou ser um bom pai eu vou providenciar para satisfazer esses dois apetites. Vou pedir serviço de quarto e enquanto esperamos vou te atender.

Claude pega o telefone e eles trocam olhares que contém juras de amor.



Um ano depois...

Em frente ao casarão Arlequim conta como andam as coisas...

Serafina e Claude conseguiram colocar em ordem a construtora graças à sociedade com Beto, que se mostrou um excelente empresário. Michel e Monique têm negócios com a construtora que está em franca expansão.

Dino está fazendo história no Palmeiras. Giovanni e Amália se aposentaram e agora vivem muito felizes no casarão reformado que Claude deu de presente para Serafina. Sempre que podem vão curtir o neto.

Paulo e Cleide casaram e a Batateira agora tem um genro policial e nenhum homem quer se aproximar com medo de ser o próximo defunto, que dizer o próximo marido. Ela responde ao processo por compra de bebê. A imprensa não dá sossego para ela que passa a ter que viver de forma discreta, reclusa e soltária.

Milton continua obedecendo a mãe e em busca de um casamento com uma mulher com boa posição social.

Raquel veio ao Brasil somente para participar do casamento de Beto e Teresinha.

Nara continua internada e pelos que os médicos comentam ficará assim até o fim dos seus dias.

Carlos casou com a Erci e vive muito feliz na casa que era de Nara e Egídio.

Rosa e Claude presentearam Giovanni e Amália com o casarão que foi todo reformado por Claude, mas o maior presente foi o neto.

O filme Quando o Amor Acontece estrelado por Roberta e Sérgio foi um tremendo sucesso e os consagrou junto à crítica internacional.

Janete, Antoninho e Hugo vivem felizes e muito satisfeitos.

Alzira continua em busca de um marido, mas está mais feliz e tem viajado bastante.

Freitas e Ninica casaram e vivem muito felizes.

Dádi de tanto ir visitar a Socorro no hospital, acabou namorando o Zequias. E parece que vai dar casamento. A Socorro está cada dia melhor, ainda bem que os bandidos eram ruins mesmo.

Afrânio e Pepa vivem entre muitas brigas e muito amor. Ela continua gostando de uma boa fofoca e ele de uma boa cachaça.

Os Americanos sempre que podem vêm ao Brasil visitar o seu afilhado. E até hoje não entenderam direito o que aconteceu. Apesar de acharem que sim.

Pimpinoni e Joana estão casados e felizes a espera dos netinhos.

Joana chega e diz para Pimpinoni que eles precisam ir senão vão chegar atrasados ao casamento.

##

Casamento de Beto e Teresinha

É o entardecer de um lindo dia. A Igreja de Nossa Senhora da Achiropita está ricamente decorada e movimentada com os convidados. No altar, Serafina e Claude, como padrinhos de Teresinha e Raquel e Carlos, como padrinhos de Beto, estão no altar. Beto espera ansiosamente a chegada da noiva. Ouve-se o som da marcha nupcial todos olham para a porta da igreja. Teresinha acompanhada de Giovanni inicia a caminhada até o altar. Ela está linda e o Beto a olha com verdadeira adoração. Giovanni e Amália choram discretamente.

Ao fim da cerimônia, Rosa e Claude vão ver João que estava no colo de D. Joana.

Claude – Feliz?

Rosa – Muito! E você? Feliz?

Claude pega João no colo – Muito. Nunca pensei que me sentira ton completo.

Close no casal. -“Uma longa viagem começa com um único passo."  - Lao-Tsé



Pétala

Djavan
Composição: Djavan

O seu amor
Reluz
Que nem riqueza
Asa do meu destino
Clareza do tino
Pétala
De estrela caindo
Bem devagar...

Oh! meu amor!
Viver
É todo sacrifício
Feito em seu nome
Quanto mais desejo
Um beijo, um beijo seu
Muito mais eu vejo
Gosto em viver
Viver!

Por ser exato
O amor não cabe em si
Por ser encantado
O amor revela-se
Por ser amor
Invade
E fim!!



Pensam que isso é o fim? Imagina! É só mais uma etapa da vida, que é feita para ser vivida, bem como diz aquela música: viver e não ter a vergonha de ser feliz!!!

Deixo essa mensagem para vocês que me acompanharam nesse mês, como agradecimento pelos incentivos, comentários carinhosos e toda a energia positiva que recebi de vocês.

Obrigada! Mariana Lopes.

A imaginação é o paraíso da liberdade - Nélida Piñon

sábado, 14 de agosto de 2010

UMA ROSA COM AMOR - VERSÃO GAÚCHA - PARTE 33 - AUTORA: MARIANA LOPES

Afrânio – Então, Pepa?

Pepa – Então ... então...

Afrânio – Eu vou investir na Cata...

Pepa – Eu já disse para você não fazer isso. Não me ameaça. Investir na Batateira? Você vai conseguir de lucro é conversar com São Pedro, muito antes do que você imagina... O pior cego é aquele que não quer ver...

Afrânio traz Pepa para mais perto.

Afrânio – Está interessada ou não?

Pepa fita os lábios de Afrânio – In- te- res- sa- da?

Afrânio – É a sua última chance...

Pepa agarra Afrânio e o beija longamente... Afrânio fica assustado... mas logo se recupera e retribui o beijo.

##

Depois que Frazão vai embora, Dádi avisa que vai providenciar o jantar e Claude diz que vai conversar com Seu Pimpinoni.

Claude – Boa noite seu Pimpinoni.

Pimpinoni – Entra Dr. Claude. Saudades das suas visitas.

Claude – Muita correria, mas hoje eu estou precisando de uma boa conversa... e de suas sábias palavras...

Arlequim – Alguém me chamou? Boa noite Doutor.

Claude – Arlequim... hoje preciso abrir o meu coraçon... falar sobre as minhas convicções. As estruturas do meu mundo estão abaladas... por um furacon, que você conhece muito bem, e eu tenho medo deste mundo desconhecido... de non saber caminhar nele...

Arlequim – “As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras”. Seja cuidadoso. Melhor andar com o coração aberto...

Claude – Caminhar com o coração aberto e reconstruir quando for necessário... Estou ton preocupado Arlequim... Serafina voltou, mas non me procurou. Amanhã vamos nos encontrar, mas só porque eu forcei a situaçon... e não porque ela quer me ver ou porque sentiu saudades...

Arlequim – Não importa o caminho escolhido para chegar ao coração de Serafina. O importante é chegar lá!

Claude – Será que os caminhos non son importantes mesmo? Será que Serafina non acha isso importante?

Arlequim – A minha Serafina não vai se importar com o caminho escolhido, o que ela vai valorizar é o sentimento, a verdade e a sinceridade. Eu conheço a minha menina...

Claude – Foram tantas confusões, tantas mentiras, tantos enganos e avaliações erradas da minha parte... eu non sei... eu fiz tudo errado... Olha só o caso do casarão... eu comprei para dar de presente a Serafina e sua família e me envolvi na maior confuson por ter assinado papéis sem ler e quase que todo mundo é despejado por isso... O Seu Giovanni quase enlouqueceu com a situaçon que se criou... e mesmo eu tendo conseguido contornar, isso me deixou arrasado, por vê-los passar por isso... eu tenho um carinho muito grande por todos, como se fossem a minha família de verdade... a família que eu non tive...

Arlequim – “As verdades são frutos que apenas devem ser colhidos quando bem maduros.” Acho que a sua verdade está pronta para ser colhida por Serafina. Vá com calma que ela vai entender... e tenha o seu coração sempre aberto...

Claude – O problema é que ela me deixa nervoso, eu estou com tanta saudade que quero fazer tudo ao mesmo tempo e aí, tenho medo de colocar tudo a perder...

Arlequim –"Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu." Essas frases foram escritas por Luiz Fernando Veríssimo. E são interessantes para uma reflexão... pense sobre isso e vai dar tudo certo...

Claude – Vou pensar... vou pensar... mas a Serafina tem saído com um outro francês... eu non sei bem qual é a relaçon deles, mas sei que estiveram juntos esse tempo todo...

Arlequim – O senhor confia na Serafina? Vai confiar no que ela lhe disser?

Claude – Claro que eu confio e acredito no que ela me disser! Non é esse o problema... e se ela se apaixonou por esse homem? No coraçon a gente non manda...

Arlequim – “O ciúme vê com lentes, que fazem grandes as coisas pequenas, gigantes os anões, verdades as suspeitas”. Cuidado com o ciúme... sinta as situações com o seu coração, tudo vai ficar claro. Escute a minha Serafina... com os ouvidos do seu coraçon...

Claude – É o que eu mais quero Arlequim... Vou indo, boa noite e obrigado pela conversa.

Arlequim – Boa noite! Sonhe com a minha Serafina! Cuide da minha menina! E lembre-se: “A neve e a tempestade matam as flores, mas nada podem contra as sementes”.

##
Vários minutos mais tarde...

Pepa – Está bom assim para você a minha resposta ou quer que eu desenhe?

Afrânio – Bom, muito bom... (os olhos de Afrânio não conseguem desviar do decote de Pepa) Então não vai precisar do jantar e do sorvetinho, nós já nos acertamos... podemos ir lá pro meu ...

Pepa – O quê? Nem oficializamos o compromisso e você já quer desistir de sair comigo... não vou ter nem namoro decente... Nem bem começou e você já está me enrolando...

Afrânio - Brincadeirinha Pepinha... vamos passear, depois jantamos, tomamos o tal sorvetinho e depois vamos lá pro meu cantinho... nos conhecer um pouco melhor... mais profundamente...

Pepa – O quê? Você acha que sou mulher de ir para cantinho? Vamos passear e aproveitamos o passeio e vamos à Igreja da Achiropita para marcarmos a data do casamento...

Afrânio – Igreja? Casamento? Calma...

Pepa – Comigo é tudo ou nada! E eu não tenho mais idade para esperar (murmura) nem força de vontade... Vamos resolver isso logo. Depois, eu vou lá na casa da D. Joana encomendar o vestido e você vai ao cartório resolver o casamento no civil. Ou assume, ou paramos por aqui...

Afrânio – Agora que eu já provei esses lábios e fiquei com vontade de provar o resto... Vou assumir... Mas olha aqui, eu nem casei e você já está me mandando...

Pepa - Mas depois de casar eu vou te tratar tão bem... Franinho... como um rei... você vai ver...

Afrânio – Promessas ... promessas...

Pepa – Eu quero casar bem rápido...

Afrânio – Agora que eu já provei o aperitivo, também quero casar rápido. Vamos resolver isso logo...

Pepa – E a Batateira?

Afrânio – Vai virar purê... de batata estragada!!!

##

No dia seguinte ...

Teresinha – Oi Fina, já sei, já sei, é Serafina...

Rosa – Oi Teresinha, o que você queria com tanta urgência? Meu dia hoje foi cheio. Estou exausta...

Teresinha – Serafina, esse hotel e esse quarto são maravilhosos.

Serafina – São mesmo! Mas o que você queria com tanta urgência?

Teresinha – Eu escutei uma conversa ontem, que eu acho que você deveria saber.

Serafina – Que conversa?

Teresinha – Entre o Claude e o Dr. Frazão, lá em casa.

Serafina – Nem me lembra o quanto esses dois conversam. A última vez que ouvi uma conversa deles, sem querer, eu fui parar em Paris... me dá um calafrio só de pensar no que você ouviu...

Teresinha – Primeiro eu quero saber o que você sente pelo Claude...

Rosa – Teresinha, por que isso agora?

Teresinha – É importante...

Rosa – Claude foi e é o amor da minha vida, mas eu não sou a amor da vida dele... e eu não quero mais falar sobre isso... por isso que eu fui viajar , para me refazer...

Teresinha – O que te faz ter tanta certeza disso?

Rosa – O jeito que ele me tratava, as conversas que eu ouvi. Ele sente gratidão por eu ter ajudado nos negócios dele e se agora está tudo bem é graças a isso...

Teresinha – Se isso fosse verdade, por que ele estaria morando lá em casa, dormindo na sua cama?

Rosa – Algumas coisas eu não entendo... mas hoje eu vou conversar com ele e esclarecer tudo isso!

Teresinha – Serafina, o Claude está passando por graves problemas na construtora. Ele está à beira da falência.

Rosa – Como assim? Não pode ser? Houve algum problema com o dinheiro dos americanos? O Frazão não me falou nada disso... Será que ele precisa continuar casado? Por isso que não assinou os documentos?

Teresinha – O Claude não está preocupado com isso... Ele só quer saber de você, e isso há meses... Serafina, ele está apaixonado... de verdade... escuta o que ele tem para te dizer...

Rosa – Um Claude que não está preocupado com os negócios? Esse Claude eu não conheço...

Teresinha – Eu acho que você não ficou aqui para conhecer, mas lá no fundo você conhece sim, você está casada com ele... você é que não percebeu... Eu acho que você tem medo. Dá uma chance para ele hoje... eu acho que ele merece ... acho que vocês merecem essa oportunidade...

Rosa – Eu não posso Teresinha... não posso...

Teresinha – Não pode? Não pode por quê?

Rosa – Eu... Teresinha eu vou te contar, mas por enquanto é segredo... você tem que jurar que não vai comentar...

Teresinha – Você está me assustando. Está apaixonada por outro?

Rosa – Claro que não... jura?

Teresinha – Juro...

Rosa – Estou grávida do Claude...

Teresinha – Grávida? De verdade? De quanto tempo? Como é que você pretende esconder isso?

Rosa – Claro que é de verdade... três meses... ainda não dá para notar... eu falei que não vou contar por enquanto.

Teresinha – Quer dizer que vocês... hum... sabe...

Rosa – Teresinha, não foi inseminação artificial, isso eu posso te garantir... como você acha que foi? Da maneira tradicional...

Teresinha – Meu sobrinho ou minha sobrinha está aí dentro?

Rosa – Crescendo tranquilamente... enquanto a minha cabeça... dá voltas e mais voltas...

Teresinha – Mas então está tudo resolvido...

Rosa – Não tem nada resolvido.

Teresinha – Mas...

Rosa – É muito complicado... eu posso te dar tantas justificativas para isso ter acontecido da parte ele... a proximidade, a convivência, você vai se envolvendo... eu tenho medo, hoje, de quando olhar para ele ou ele olhar para mim e um de nós descobrir que tudo não passou de uma fantasia...

Teresinha – Mas vocês vão ter um filho... que é uma benção...

Rosa – Eu não quero que o Claude fique comigo por obrigação... por que eu sei que ele é um homem que tem responsabilidade... e não vai abandonar o seu filho... quero que seja por mim...

Teresinha – Não conta, não fala nada para ele hoje. Escuta tudo que ele tem para te dizer, mas controla esse seu gênio, esse temperamento... escuta com o coração...

Rosa – Eu vou tentar... mas o que foi exatamente que você ouviu?

##

Claude – E aí Frazon? Fez tudo como deu te pedi?

Frazão – Claude, você não vai nem perguntar como é que foram as reuniões com os investidores? Aliás, reunião que você deveria ter ido... super importante...

Claude – Se a construtora falir, depois eu vejo o que eu faço... Tudo bem, eu sei que você está coberto de razon, mas, hoje, eu estou sem cabeça para os negócios... Eu sei que eu tinha que estar concentrado, buscando soluções ... eu, simplesmente, non consigo... eu nem dormi esta noite... Agora, providenciou ou non?

Frazão – É, os tempos mudaram mesmo... Tudo providenciado, conforme você pediu, todos os detalhes...

Claude – Que bom... eu non consigo ficar tranqüilo, ontem a Dádi que fez o jantar, aliás depois que você foi embora, se Dádi não toma umas providências, eu ia morrer de fome...

Frazão – Como assim? Morrer de fome?

Claude – D. Amália sempre fica me paparicando e ontem nem quis saber se eu jantei...

Frazão – Claude, como você está dengoso...quero só ver quando a Rosa perceber isso. O povo não jantou em casa ontem?

Claude – Sumiu todo mundo e chegaram super tarde. A Teresinha saiu com o Beto. E pensa que o Seu Giovanni reclamou? Quando era comigo, que sou casado, tinha sempre que ir alguém junto. O Dino, acho que está com alguma namoradinha, porque non tem treino no horário que ele chegou. Seu Giovanni e D. Amália chegaram felizes, mas eu percebi que eles non estavam naturais comigo aqui... fiquei me sentido um peixe fora d’água ontem...

Frazão – Mas você não sondou... não tentou descobrir alguma coisa...

Claude – Claro, claro que sim... E eles me contaram que foram jantar com Serafina e aquele francês, o Michel... e eu me senti o pior genro do mundo... nunca levei os meus sogros para jantar. O outro colocou o pé no Brasil, já está se enturmando, se embrenhando no meio da família, promovendo jantarzinho... Frazon!

Frazão – É, só de olhar eu percebi, ele é muito gentil e atencioso com a Rosa... muito mesmo...

Claude – Eu sei, eu o conheço. E o Seu Giovanni aceitando esse outro, sem uma reclamaçon. Frazon, eu fiquei envergonhado de estar aqui, porque se eu non tivesse acampado aqui a Rosa teria vindo pra cá, mas eles son gente ton boa, que non me pediram para ir embora, non reclamaram, non fizeram cara feia. Eles estavam constrangidos por non me contar antes, que iriam encontrar com a filha deles. Eu nem sabia que existiam pessoas assim no mundo...

Frazão – Eles realmente são pessoas especiais, mas não vai desanimar. Tive um trabalhão para arrumar tudo que você pediu...

Claude – Claro que eu non vou desanimar... eu estou é muito nervoso... minhas mãos eston suando... Eu já pedi para Dádi, ir ajeitando as coisas lá no meu apartamento... abastecer com bastante comida...

Frazão – HUM! Tá otimista! Assim que eu gosto...

Claude – Se tudo der errado, vou me trancar no apartamento com Rosa até ela mudar de idéia...

Frazão – Para quem queria que a D. Rosa fosse abduzida por um disco voador para poder ficar viúvo... agora você quer ficar vários dias trancados com ela...

Claude – Vários dias? Não! ... A vida inteira...

Frazão – Como a vida inteira demora muito para passar, vamos falar sobre os investimentos... Tem muito tempo ainda até a hora de encontrar a Rosa, vou te atualizar sobre os negócios e aí o tempo passa mais rápido...

Claude – Você acha que falar sobre a falência da construtora vai me acalmar?

Frazão – Claude, nada vai te acalmar, nem canção de ninar... sabe aquelas para criancinhas...

Claude – Eu quero ter filhos com a Rosa... tenho sonhado com isso...

Frazão – Nossa! Não dá para falar nada que tudo acaba em Rosa... Eu não quero te botar para baixo, mas as reuniões não foram boas. Eu acredito que foi porque você não estava presente. Eles ficaram um pouco decepcionados... o tal Michel estava lá...

Claude – E Rosa?

Frazão – E a Rosa aparece de novo na conversa... Claude, relaxa! Não, nem tocaram no nome dela e eu também não perguntei. Mantive tudo na maior discrição, conforme nós combinamos. Nem disse o teu nome completo, falei o tempo todo em nome do nosso Diretor e coisa e tal. Eles devem saber, pois empresas desse porte investigam tudo antes de investir, ele só não deve ter ligado o nome à pessoa. As reuniões ficaram marcadas para depois de amanhã. Mas eu te adianto que a nossa situação está crítica. Com a Construisez Votre Rêve, o investimento que eles querem fazer é a longo prazo e por etapas, nós não conseguiríamos sobreviver. Acho que o negócio vai vingar com a Les Investissements du Millénaire, parece mais sólido, investimento imediato, sem parcelas, tudo de uma vez, desde que nós apresentemos as garantias exigidas por eles, que não são coisas muito difíceis. Eu sei que não era o que você queria, mas vamos acabar negociando como francês da Rosa...

Claude – Francês da Rosa? Você ta maluco? O único francês da vida da Rosa sou eu! Depois de amanhã, eu vou decidir o que fazer... A melhor opçon era o dinheiro do Carlos, mas o preço que ele está cobrando... non vou poder aceitar...

Frazão - O tal Zequias acordou e está falando feito um papagaio, jogou tudo no ventilador. Acho que a prisão do Egídio de amanhã não passa. Agora ele não sai mais lá da construtora... Acho que o que você quer fazer vai acabar protegendo a Rosa até que a situação se resolva. Esse Egídio é um louco... tenho medo que ele bote fogo em tudo... sei lá... Eu conversei com o Freitas e o investigador Paulo contou que encontrou com a Rosa ontem e que ...

Claude interrompe – O quê? Ela se encontrou com esse investigadorzinho? E eu estou tendo que fazer chantagem para me encontrar com ela?

Frazão – Claude, hoje não dá pra conversar contigo. Acho bom você fazer um exercício de respiração para relaxar, senão essa conversa com a Rosa vai se um desastre...

##

No hotel do encontro de Rosa e Claude

Claude – Tudo pronto?

Frazão – Claude, eu já disse que sim!

Claude – Ela está atrasada, será que ela non vem?

Frazão – Nós é que chegamos cedo...

Claude – Eu estou nervoso...

Frazão ironicamente – É? Nem dá para perceber...

Claude fica pálido e Frazão pergunta o que houve. Claude não responde. Frazão segue o olhar de Claude. Rosa chegou e dirige-se a recepção. Frazão faz menção de ir falar com ela, mas Claude com um gesto pede que ele aguarde. Claude desliza os olhos por Rosa e observa que ela está com os cabelos soltos, com as pontas levemente onduladas, usa maquiagem leve que destaca seus olhos, com batom cor de boca. Vestido verde musgo, com corte abaixo do busto que desce em corte evasê pelos quadris. Costas a mostra e decote em “v” profundo. Ela segura displicentemente a bolsa e o casado. Os sapatos de salto alto completam o seu visual. Rosa está deslumbrante. Linda! Seu coração dispara.

Frazão – Ela está linda!

Claude – Maravilhosa, mas... tem algo diferente nela. Ela está mais segura, mas eu non sei se é só isso... um brilho...

Frazão – Pronto? Vamos lá?

Claude – Non, eu mudei de idéia.

Frazão – Você não quer mais falar com a Rosa?

Claude – Claro que eu quero. É o que eu mais quero. Eu vou esperar na sala que reservamos e você a leva lá! Eu preciso de um momento sozinho... pra me recuperar...

Claude vai para a sala reservada e Frazão vai falar com Rosa.

Frazão – Rosa, você está linda, uma princesa... Essa viagem te fez muito bem, menina!

Rosa – Frazão, você sempre gentil!

Frazão – Vamos passar na sala que reservamos para essa tão esperada conversa.

Rosa – Sala? Nós não vamos ficar no restaurante?

Frazão – Um assunto tão particular não pode ser conversado num lugar público e movimentado, ainda mais uma conversa entre você e o Claude...

Rosa – Como assim?

Frazão – Sai faíscas para todos os lados... só isso... Eu vou te acompanhar até lá e aí é com vocês...

Rosa – Você não vai ficar?

Frazão – Eu ficar?

Rosa – Eu quero testemunha dessa conversa...

Frazão – Rosa, você está arrumando encrenca pro meu lado... vamos lá...

Frazão abre a porta para Rosa entrar.

Os olhares de Rosa e Claude se encontram, por um segundo o tempo para.

Claude – Frazão, obrigado, pode ir que essa conversa é particular... (sem desviar os olhos de Rosa)

Rosa – Frazão fica... por favor... quero testemunha desta conversa...

Claude – Essa é uma conversa entre nós... que somos casados.

Frazão – Sendo assim eu já vou indo... Esse é um assunto entre marido e mulher... e ninguém deve meter a colher já diz o ditado... Boa sorte pra vocês ... vou vazar... tenho um encontro com a Alabá...

Claude – E aí? Já se decidiu?

Frazão – Assim que as coisas acalmarem, nós vamos fazer uma longa viagem... mas depois eu conto para vocês...

Rosa – O Frazão está namorando a Alabá?

Claude – Frazon? Como saber? É como ele disse depois ele nos conta...

Depois que Frazão sai, os dois se olham e as lembranças de uma noite especial invadem os seus pensamentos...

**

Eles chegaram da casa do casal Smith, Rosa diz que agora só faltam dois dias e os americanos vão embora e a vida deles vai voltar ao normal. Rosa deseja boa noite para Claude e diz que vai se deitar.

Claude – Non sobe ainda. Vamos conversar um pouco e ... você podia me acompanhar num último drink.

Rosa – É, até que um drink é uma boa pedida... o que você quer beber? Um licor?

Claude – Um licor, ótimo, ultimamente tem sido a minha bebida favorita, mas quem vai servir sou eu...

Claude pega os copos e convida-a, com um gesto, a sentar-se ao seu lado no sofá. Ela senta e pega o copo que ele lhe oferece. Ele entrega-lhe o copo e leva o seu aos lábios e fica fitando-a por sobre a borda do copo.

Claude – Que bom que você aceitou ficar comigo mais um pouco – observando-a com o canto dos olhos – Nos últimos dias você tem ido dormir cedo, quando eu vou me deitar você está sempre dormindo. Nos outros momentos, ou estamos trabalhando ou recebendo alguém. Essa casa anda movimentada depois que você veio morar aqui... eu non consigo mais conversar contigo, só nós dois...

Rosa – Eu fiquei contente por você ter me convidado. Estou precisando relaxar um pouco.

Claude – O que estou tentando lhe dizer, Serafina, é que encontrar você foi uma das melhores coisas que podia me acontecer. Eu sou muito grato por tudo que você fez e pelo que está fazendo...

Rosa pensa – As palavras e atitudes de Claude mostram que ele gostava dela, que nos últimos tempos até mesmo a considerava uma mulher atraente, que talvez devesse se contentar com isso, mas uma parte de sua mente queria que ele pudesse se apaixonar loucamente por ela, amando-a acima de todas as outras mulheres do mundo, em especial de uma. No entanto, como dizia o sábio e velho ditado popular, era tolice desejar a lua, quando não se pode alcançá-la. O melhor mesmo era se contentar com o que tinha, ou deveria seguir os conselhos e intuições de sua mãe?

Claude parecia decidido a convencê-la de algo, embora ela não tivesse a certeza do quê. Mas ela reparou na palavra gratidão e lembrou-se de como ele sempre falava que não queria que ela o considerasse um cafajeste, um canalha. Abaixando a cabeça Rosa fitou o copo, que tinha nas mãos.

Claude – Eu estou me explicando mal, non estou?

Rosa – Não sei, porque ainda não descobri o que você está tentando me explicar – Ela tentou falar espontaneamente. No entanto, foi incapaz de levantar os olhos para ele.

Claude larga o seu copo.

Claude – É simples. – segurando-lhe o queixo com firmeza, ele obrigou-a a olhar para ele – Eu quero beijar você. Senti vontade de fazer isso a noite inteira, nos últimos dias, desde que sua mãe caiu da escada, mas non tive nenhuma oportunidade. Por isso, eu estava tentando criar uma.

Rosa sente o coração acelerar ao ver o brilho no fundo dos olhos dele. Com essa declaração, suas emoções foram lançadas num verdadeiro redemoinho e deixando-a quase fora de si com a promessa contida naquelas palavras.

Claude tira o copo de Rosa e o coloca na mesinha ao lado do seu.

Rosa fica imaginando como é que ele podia proceder com tanta calma. Só de pensar no que estava para acontecer, ela tremia da cabeça aos pés! E sua vontade de ser abraçada e beijada por ele, estava se tornando tão intensa que provavelmente, dentro em pouco, não seria mais capaz de escondê-la.

Ele a faz levantar e fica atrás dela. Começa a acariciar os seus ombros, afastando os cabelos e beijando-lhe o pescoço com ternura. Ela fica imóvel fecha os olhos e entrega-se aos carinhos dele, com corpo arrepiado e enfraquecido. A barba de Claude, levemente crescida, raspava-lhe a pele som suavidade e sua boca umedecia-lhe os ombros. Ele virou-a com carinho, à procura dos lábios que tanto desejava. Para Rosa a sensação era de estar sendo beijada pela primeira vez. Ele afastou-se por alguns segundos para admirar o rosto dela e Rosa pôde notar no olhar dele uma mistura de carinho com desejo, que os olhos dele não conseguiam esconder. Quando as mãos de Claude se fecharam em torno de seus braços puxando-a para junto dele, Rosa não resistiu e entregou-se a vontade que a consumia. As mãos dele subiram lenta e suavemente pelos braços de Rosa. Ele a beijou novamente, mas desta vez apertou-a mais, deslizando as mãos para cima e para baixo em suas costas, trazendo-a para mais perto. Ele enfiou uma mão entre os cabelos dela, obrigando-a a inclinar a cabeça e oferecer-lhe o pescoço para ser beijado. Quando Claude encostou os lábios no seu pescoço, Rosa suspirou de prazer, relaxando o corpo nos braços dele. Ela gemeu ao sentir atrás da orelha o calor de sua boca. As mãos de Claude enterraram-se na massa de cabelos, forçando a cabeça de Rosa para trás e mantendo-a presa nessa posição, enquanto seus lábios cobriam-lhe o rosto de beijos, detendo-se finalmente na boca trêmula. Os braços dela envolveram então a cintura dele e o contato com aquele corpo envolveu-a numa névoa de sensualidade que dominou a sua mente, afastando todos os pensamentos de cautela. As mãos dele percorrendo-lhe as costas, acariciando-a e puxando-a para mais perto, despertava em seu íntimo sensações enlouquecedoras. Arqueando o corpo, Rosa colou o corpo no peito forte dele. Quando Claude desprendeu os lábios dos seus e começou a mordiscar de leve a sua orelha, ela percorreu as mãos pelas costas dele e subiu suavemente até os cabelos e o beijou profundamente. Para Rosa tudo parecia um sonho, estar ali, nos braços de Claude, sentindo as suas carícias, entregando-se a ele de corpo e alma. Podia sentir o coração dele batendo forte junto ao seu.

Claude pegou-a nos braços e subiu a escada em direção ao seu quarto.

...

Amanhece e Claude acorda sorridente e feliz, mas percebe que está sozinho. Levanta e começa a procurar por Serafina. Encontra Dádi e pergunta onde está Rosa.

Dádi – D. Rosa saiu cedo, Dr. Claudis.

Claude – Saiu? Saiu para onde? Cedo desse jeito...

Dádi – Dr. Claudis, cedo? São onze horas...

Claude – Onze horas? Não pode ser... Por que você me deixou dormir até essa hora, hein?

Dádi – O senhor deixou ordens para eu não lhe acordar, a não ser que o senhor pedisse. O senhor pediu?

Claude – Non, mas é que agora eu tenho acordado cedo...

Dádi – Sua esposa tem lhe acordado cedo, mas hoje ela disse para deixar o senhor dormir, que o senhor estava precisando descansar...

Claude sorrindo – Rosa disse isso, é... que bom... quer dizer, mas eu queria ter falado com ela... ter tomado café da manhã ... Ela disse para onde ia...

Dádi – Saiu com Dona Mrs. A Americana amanheceu aqui, disse que queria fazer umas compras. D. Rosa disse que só voltaria à noite.

Claude – Só à noite? Essa americana vive colada em Rosa, non dá folga... mas eu queria almoçar com Rosa hoje... hoje é um dia ton especial...

Dádi – Especial, por quê?

Claude – Especial... deixa para lá... Como a Rosa estava Dádi, ela estava bem? Feliz?

Dádi – D. Rosa é, sempre, tão bem-humorada, tão diferente de outras pessoas que eu conheço... mas hoje ela estava pensativa, estava diferente...

Claude – Diferente como? Feliz, apaixonada?

Dádi – Aconteceu alguma coisa Dr. Claudis? Por que esse monte de perguntas?

Claude – Por nada non. Pode servir o café, só um cafezinho. Estou atrasado. Eu tenho que ir para o escritório...

Dádi – Já estou servindo...

Claude fica pensativo e é invadido pelas lembranças da noite passada e sorri.

Dádi – Dr. Claudis... Dr. Claudis...

Claude – O que foi?

Dádi – Estou falando com o senhor faz um tempão e o senhor está aí com o olhar perdido... parece tão satisfeito... Saiu com d. Nara ontem?

Claude – Nara? Que Nara... não fala esse nome aqui... Perdido? Eu me encontrei... Hoje eu quero que você faça um jantar especial, com tudo que Rosa gosta e depois você está dispensada... de folga... ah e encomenda umas rosas vermelhas bem bonitas... muitas rosas... coloca algumas aqui na sala e outras lá no quarto... ah e no banheiro também...

Dádi – Jantar especial? Hoje? Rosas? Vocês não têm a festa de despedida do casal de americanos, naquele hotel, hoje? O senhor não vai receber o restante do dinheiro e o tal dos contratos...

Claude – Ah... é... eu tinha esquecido disso... Eu não vejo a hora desses americanos voltarem para os Estados Unidos...

Dádi – Sua vida vai voltar ao normal, d. Rosa vai embora... está contente?

Claude – Estou contente de me livrar desses americanos... isso sim... o resto eu vou resolver...

Dádi – D. Amália vem hoje para cá, ajudar D. Rosa...

Claude – Ajudar Rosa no quê?

Dádi – O Senhor não está prestando atenção em nada do que estou falando... ajudar a arrumar as coisas de d. Rosa. Os americanos estão indo embora... lembra?

Claude – Isso foi antes... agora tudo mudou...

Dádi – Mudou? Como assim...

Claude – Não foi nada... eu preciso ir...

**

Rosa – Claude? Claude?

Claude volta ao presente.

Claude – Serafina! E como você está?

Rosa – Bem e você?

Claude passa a língua nos lábios – Bem também... vamos sentar, você quer beber alguma coisa?

Rosa – Beber? Um suco?

Claude – Que tal um vinho?

Rosa – Vinho? Não posso! Quer dizer, não acordei com disposição para bebidas alcoólicas hoje. Hum, estou com vontade de suco de melancia... será que tem?

Claude – Suco de melancia?

Rosa – Estou com muita vontade, muita vontade mesmo...

Claude – Eu vou pedir... espera aí... eu já vi que você está com desejo mesmo desse suco...

Enquanto faz o pedido, Claude fica olhando para Rosa com o canto dos olhos e pede silenciosamente que Santo Antônio o ajude e ilumine suas palavras. Fica lamentando não ter pedido para D. Amália rezar por eles.

UMA ROSA COM AMOR - VERSÃO GAÚCHA - PARTE 32 - AUTORA: MARIANA LOPES

Claude – Frazão, estou te procurando o dia todo, por onde você andou? Não atendeu o celular? Non retorna... Você nem sabe quem esteve aqui falando comigo hoje...

Frazão – Eu tive um compromisso de manhã, muito importante, e estamos no meio da tarde... Que exagero! Quem esteve aqui?

Claude – Carlos, o marido de Nara...

Frazão – Hoje é o dia dos contatos inesperados... O que ele queria?

Claude – Que contatos inesperados? Eu fiquei desconfiado dele...

Frazão – Você desconfiado? Nossa que surpresa...

Claude – Frazon?!! Ele quer que eu o ajude a pegar a Nara e o Egídio e em troca ele ajuda financeiramente à construtora...

Frazão – Mas o que você teria que fazer?

Claude – Dentre algumas outras coisas... bem... resumindo... seduzir a Nara...

Frazão – Ah, mas isso é fácil... você vai tirar de letra...

Claude – Eu non vou fazer isso... eu non consigo nem pensar em falar com Nara, imagina ter alguma coisa com ela...

Frazão – Ué, você com escrúpulos? E rejeitando a Nara... Você acredita agora que ela traiu você?

Claude – Se Nara me traiu ou non, eu descobri que non me importo...

Frazão – Hoje é o dia das surpresas. Está confirmado, você mudou, só não quer assumir...

Claude – Mudei? Que mudei? Como assim mudei? Eu sou a mesma pessoa que você conhece...

Frazão – Claude há pouco tempo você faria qualquer coisa por dinheiro, bem qualquer coisa não, mas isso que o Carlos pediu, você faria... sem piscar...

Claude – Eu preciso do dinheiro, estou quebrado e você, melhor do que ninguém, sabe disso, mas isso eu non faria... e por falar em dinheiro... o pessoal da Europa ainda non fez contato?

Frazão – As duas empresas, reuniões amanhã, mas falamos disso daqui a pouco, agora eu tenho uma coisa muito importante para te contar... hoje de manhã eu falei com a Rosa...

Claude – Você falou com a Rosa e não me avisou? Como é que você fez isso comigo?

##

Depois do passeio com Michel, Rosa volta ao hotel e liga para Paulo e ele a convida para um drink.

Paulo – D. Rosa, que prazer revê-la.

Rosa – Dr. Paulo, o prazer é meu, mas eu já lhe disse para não me chamar de dona.

Paulo – Rosa, então, mas para você eu sou só Paulo. Fez boa viagem?

Rosa – Ótima, estou renovada. Então, o que você queria que eu fizesse?

Paulo – Eu tinha pensado em armar uma situação para que gravássemos o que o Dr. Egídio dissesse, mas diante de novos fatos, acredito que isso não vai mais ser necessário, nós vamos conseguir prendê-lo falta muito pouco.

Rosa – O senhor tem certeza que vai conseguir prender esse bandido sem essa gravação? Sim, porque o Dr. Egídio é um bandido e eu estou disposta a fazer essa gravação, se isso garantir a prisão dele.

Paulo – É, mas o seu marido, não concorda que a senhora, quer dizer, você corra nenhum risco e eu tenho que concordar com ele. Esses fatos que apareceram indicam que ele não tem limites e é muito perigoso.

Rosa – O Claude não acredita que o Dr. Egídio seja o mandante desses atentados e dos problemas que a construtora enfrenta e que tenha se aliado a concorrência por causa dos dólares. Agora, eu sei que ele é capaz de qualquer coisa. Eu senti na pele... mas agora eu me sinto mais segura... pois os contratos estão assinados e os negócios garantidos.

Paulo – Não fique tão tranqüila, pois como a senhora fez acusações contra ele é bom ter cuidado, ser cautelosa. E eu creio que o seu marido mudou de idéia sobre o Dr. Egídio...

Rosa – Eu vou ter, mas quero que você me mantenha informada sobre esse caso. O número do meu telefone mudou e eu vou lhe dar o meu novo. O Claude não tem muita convicção sobre essa situação com o Egídio.

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Frazão – Claude, calma...

Claude – Mas como é que eu vou ficar calmo? Como é que você me pede calma?

Frazão – Foi uma exigência dela... Senão a conversa não aconteceria e você nem iria saber que a Rosa está no Brasil... e nem o que ela quer...

Claude – Rosa está no Brasil? Você falou com ela pessoalmente? Frazon, onde ela está? Por aqui ela non apareceu. Quando voltou? Onde é que ela estava? Ela está bem? Perguntou por mim? Vou telefonar para ela... isso sim... (liga) o telefone está desligado...

Frazão – Nossa quanta pergunta... eu acho que não é mais esse número, ela não quis me dizer o número do telefone. Disse que ela que vai me ligar ... onde ela está morando?Eu não sei, pois não consegui arrancar... ela marcou o encontro naquele café que nós sempre íamos... Ela chegou ontem. Onde ela estava? Senta ... (Claude senta) Paris...

Claude – Paris ... na minha terra... mas o que Rosa foi fazer lá?... Com quem?...

Frazão – Claude, calma, eu estou ficando maluco com toda essa sua agitação... onde é que eu parei... Paris... Ela está ótima... linda mesmo... está com um não sei o que ... um brilho.. nos olhos...

Claude – Vai querer dizer que a separação, ir para longe de mim fez bem pra ela... ah para com isso Frazon...

Frazão – Acho que é isso... saiu aquela nuvem.. de mau-humor de cima dela... essa que te acompanha...

Claude com carinha de sofrimento – Frazão, agora non por favor...

Frazão – Você não me deixa falar... cadê todo mundo dessa casa? Não tem cafezinho?

Claude – Eu non sei... de repente eles sumiram... que importância tem isso agora... que cafezinho... vai falando...

Frazão – Foram encontrar com a Rosa... só pode...

Claude – Será? Frazon para de enrolar e conta logo... você falou que ela vai te ligar... Por quê? Pra quê?

Frazão – A Rosa me chamou para conversar e disse que fui eu que a coloquei nessa enrascada de casamento de mentira, que eu fiz a proposta do acordo comercial e que ela acha mais do que justo que eu conclua o negócio...

Claude – Concluir negócio... que negócio?

Frazão – Como que negócio? O casamento de mentira... esse acordo que vocês têm ...

Claude – E o que você tem a ver com isso? O casamento é nosso. Ela tem é que falar comigo, que sou o marido dela.

Frazão – Eu falei isso para ela, mas ela alega que quem fez o pedido fui eu...

Claude – Você, mas non foi mesmo... eu tive que subir e fazer o pedido e ela disse que ia pensar... pensar... eu me lembro muito bem...

Frazão – Ah... que bom que você se lembra... Lembra que você decidiu que ia casar com a Nara no exterior e deixou a garota no banco de reserva... ah disse eu lembro e ela também...

Claude – Outros tempos... eu era uma outra pessoa...

Frazão – Bom, o que eu digo quando ela ligar? Que você vai assinar o divórcio?

Claude – Claro que non... você vai dizer, para a minha esposa, que eu só aceito pensar nessa separaçon se ela falar pessoalmente comigo... Eu non posso aceitar um pedido de separaçon feito por outra pessoa... eu preciso ouvir da boca dela mesmo... da boca da minha esposa... non foi isso que ela te disse no dia do pedido de casamento... pra mim é a mesma coisa... só aceito pensar se ela falar pessoalmente comigo... cada uma que me acontece...

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Pepa está triste. Afrânio chega. Pepa fica em silêncio. Afrânio estranha, sai e volta a passar por Pepa.

Afrânio – Ué, o gato comeu a sua língua?

Silêncio.

Afrânio – Não vai falar comigo? Tá de mal?

Pepa fala baixinho – Afrânio, cansei... sai pra lá que eu vou partir pra outra e deixar que a Batateira se encarregue de você.

Afrânio – Pepa! Também não é assim... você não fez nenhum dos seus comentários provocativos, quando eu passei ... estou estranhando... O que foi que aconteceu?

Pepa fala baixo – Já falei... corre lá pros braços da Batateira, que num salto você vai estar conversando com São Pedro...

Afrânio – Você não é assim, o que foi que aconteceu?

Pepa – Já falei, cansei.

Afrânio – Vamos tomar aquele sorvete?

Pepa – Faz dois meses que eu estou esperando... o sorvete já derreteu... e a minha vontade passou...

Afrânio – Eu compro outro... e tenho certeza que quando você olhar vai querer experimentar...

Pepa – Bem... se é assim... vamos tomar esse sorvete...

Afrânio – Vamos fazer melhor, vou levar você para passear e depois nós comemos alguma coisa e tomamos o sorvete... aceita?

Pepa – Eu vou adorar... mas nós vamos ficar só no sorvetinho ou vai ter mais alguma coisa?

Afrânio – Pepa, você está interessada em mim?

Pepa – Que tipo de pergunta é essa? Interessada como?

Afrânio – Perguntei por que quero saber... interessada, assim daquele jeito...

Pepa – Que jeito?

Afrânio – Assim como homem...

Pepa – Homem, que homem?

Afrânio se aproxima de Pepa e fica encarando seus olhos, ora fitam os olhos dela, ora o decote.

Afrânio – Se você continuar a me tratar assim, eu vou embora e vou ficar com a Cata...

Pepa – Não me ameaça...

Afrânio – Então, me trata melhor...

Pepa – Afrânio...

Afrânio – Gosta ou não gosta? Está interessada ou não?

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Teresinha chega e fica ouvindo a conversa.

Frazão – Mas eu não te contei tudo...

Claude – Non? O que mais você tem para me contar?

Frazão – Quando eu estava conversando com a Rosa, lá no café. Eu quero te dizer que tudo pode ter uma explicação ... chegou um homem para buscá-la...

Claude – Homem? Que homem? Que explicaçon?

Frazão – Ela me apresentou...

Claude – E quem é esse tal homem?

Frazão – A relação deles eu não sei qual é... eu sei que ele é francês...

Claude – Francês? Está dizendo assim como eu... ah só falta você me dizer que a Rosa está trabalhando com importaçon de homens franceses para o Brasil...

Frazão – Eu te pedi para ter calma e eu só resolvi te contar isso, porque mais cedo ou mais tarde, você ia ficar sabendo...

Claude – Mais cedo ou mais tarde... vou ficar sabendo o quê? Quer me contar logo essa história, por favor? Porque eu estou começando a sentir dores na testa... que falar de uma vez...

Frazão – Se você me deixar falar eu conto...

Claude – Fala de uma vez...

Frazão – Senta, fica calmo...

Claude – Para de pedir que eu fique calmo... Você está me deixando mais nervoso... quer contar logo...

Frazão – Bem... Estávamos lá conversando, quando chegou esse homem, me pareceu bastante íntimo dela. Ela nos apresentou e os dois saíram e ela disse que ia me ligar.

Claude – Só isso? Eu confio em Rosa... Você quer é me torturar...

Frazão – Não foi só isso...

Claude – O que tem mais então?

Frazão – Eu fiquei ouvindo a conversa dos dois...

Claude – E o que foi que você ouviu?

Frazão – Que ela ia levá-lo para passear no parque que o pai dela levava eles quando eram crianças... Uma coisa assim...

Claude – O quê? A Rosa levou esse francês no nosso parque?

Frazão – Que nosso parque Claude? Que história é essa?

Claude – Depois eu te explico, agora eu vou lá para esse parque... encontrar a Rosa...

Frazão – Calma, francês, eles não foram para o parque... até porque esse passeio foi de manhã...

Claude – Non foram ao parque?

Frazão- Não. Foram fazer um passeio no helicóptero dele...

Claude – Ah.. esse francês importado... levou a Rosa para passear no helicóptero dele... e como é que você deixou isso acontecer Frazon?

Frazão – O que você queria que eu fizesse? Sequestrasse a Rosa?

Claude – Non, claro que non... mas ...

Frazão – Tem mais coisa...

Claude – Mais coisa?

Frazão – Eu ouvi ele dizendo para ela que adorava os passeios em Paris com ela e que tinha certeza que ia adorar os passeios em São Paulo...

Claude – Passeios em Paris... e eu aqui morrendo de preocupaçon??? Quem é esse cara? Vou ter que descobrir...

Frazão – Você tem um amigo muito inteligente, claro que isso eu consegui descobrir... nome completo...

Claude – Diz logo, que eu vou dar uns telefonemas para saber quem é esse cara...

Frazão – Michel Dupont

Claude – Como é que é?

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No hotel, Giovanni, Amália, Dino e Rosa se abraçam.

Rosa – Pai, que saudades...

Giovani – Filha!! Por que você não foi lá para casa, para sua casa... pra sua família...

Dino – Tá linda Serafina. Eu fui selecionado no Palmeiras... a mãe e a Teresinha te contaram?

Rosa – Contaram sim e eu estou muito feliz por ti... muito.. você merece meu irmão.

Giovanni – Mas tem que estudar, senão vou acabar com isso, logo, logo. Eu não vou ter filho que não terminou os estudos.

Amália – Se não estudar, não vai ao treino...

Rosa – O Dino vai estudar... não é Dino?

Dino – Vou estudar, claro que vou... Fina, adorei te ver, mas depois a gente conversa mais que eu tenho que ir para o treino...

Rosa – Tchau Dino! Boa sorte! Treino essa hora?

Giovanni – Benção meu filho!! Esse aí ta arrastando as asas por aí... deixa que depois eu pego ele de jeito.

Rosa – Vem pai, mãe. Vamos sentar aqui.

Giovanni – Filha, o seu lugar é em casa. Vamos esquecer nossas diferenças. É que eu sempre quero proteger vocês...

Rosa – Eu sei pai. O meu coração estava apertado esse tempo todo, mas eu sabia que nós iríamos nos acertar e que tudo isso iria passar.

Giovanni – Eu vim buscar você. Quero que você vá para a sua casa.

Rosa – Pai, nesse momento eu prefiro não ir.

Giovanni – Por quê? Por causa do Dr. Claude?

Rosa – É, mas não é só por isso...

Amália – Serafina! Você está escondendo alguma coisa da gente...

Giovanni – Serafina, o que quer que seja, nós vamos enfrentar juntos, volta para casa. Aquela é a sua casa de onde você nunca deveria ter saído.

Amália – Volta, minha filha, lá que é o seu lugar, junto da gente e não num hotel.

Rosa – Mãe e Pai, eu sei que vocês querem o que é melhor pra mim... eu preciso de uns dias até as coisas se acertarem. Serão só uns dias ...

Amália – Você está falando isso por causa do Dr. Claude. Porque ele está lá em casa? Nós podemos conversar com ele. Ele vai entender. Filha, ele não merece o que você está fazendo. Não é Giovanni?

Giovanni – Eu tenho que admitir que nesse tempo em que você esteve fora ele se comportou muito bem... ficou lá em casa todo esse tempo. Você sabe como é que eu sou e ele agüentou firme... É um bom homem, vai ser um bom marido para você.

Rosa – Pai, o Claude não quer ser meu marido. O senhor sabe que tudo não passou de um acordo.

Giovanni – E o meu neto? Como é que fica? Eu nem falo com ele sobre isso, nem ele comigo. Você está cuidando bem do meu neto? Por isso que eu quero que você vá lá para casa minha filha. Precisa se alimentar bem, ter muito carinho. E quanto ao casamento... não é o que ele tem dito nos últimos meses...

Amália e Serafina trocam olhares.

Amália – Serafina ele ainda pensa que é verdade ... Filha pensa bem no que você está fazendo...

Rosa – Por isso que eu preciso desse tempo... serão só alguns dias e tudo vai ir para o seu lugar...

Chega Michel.

Rosa – Michel, quero apresentar para você os meus pais. Amália e Giovanni. Pai, mãe esse é o Michel, ele é francês.

Giovanni – O quê? Outro francês, mas o que está acontecendo com essa menina?

Amália – O que é isso Giovanni, cumprimenta o moço. Prazer Dr. Michel, Amália Petroni.

Michel – Prazer D. Amália, pode me chamar só de Michel, por favor.

Giovanni – Prazer Giovanni Petroni.

Michel – Seu Giovanni o prazer é todo meu. Rosa fala tanto em vocês que é como se eu os conhecesse. Vocês criaram uma filha muito especial.

Amália – Muito obrigada, Michel. Serafina é uma boa pessoa.

Giovanni – Eu gostaria de saber quem é o senhor exatamente?

Rosa – Pai, o Michel é o dono da empresa onde estou trabalhando.

Michel – Eu vim convidá-los para jantar.

Rosa – Que ótima idéia! Vamos?

Amália – Eu não sei, Serafina, esses lugares chiques vocês vão ficar com vergonha de nós...

Giovanni – É minha filha...

Michel – Imagina! Seu Giovanni, D. Amália, será uma honra a presença de vocês, não é mesmo Rosa? Eu vou querer saber tudo sobre a Itália...

Rosa – Deixem de bobagem, o Michel é uma pessoa super simples.

Eles saem para jantar.

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Frazão – Michel Dupont... Você conhece?

Claude – Claro que eu conheço... esse mundo é muito pequeno ... estudei com ele...

Frazão – Bem, então, fica fácil... é só ligar para ele..

Claude – Esse cara é um playboy ... muito rico, um conquistador... foge de relacionamentos e principalmente do casamento...

Frazão – Ele tem boa pinta e essa descrição que você fez está me lembrando um outro francês que eu conheço..

Claude – Frazon. non enche...que eu non estou com disposiçon agora... quem falando...

Frazão – O que você vai fazer?

Claude – Vou descobrir onde ele está hospedado. Ele é dono da Les Investissements du Millénaire.

Frazão – Repete o nome...

Claude – Les Investissements du Millénaire

Frazão – Essa é uma das empresas que nós estamos negociando o investimento...

Claude – Isso só pode ser um pesadelo... e o pior é que eu estou acordado...

Frazão – Pesadelo mesmo... E agora?

Claude – Vamos tentar com a outra e deixar essa para o último caso...

Frazão – Tudo bem, eu posso organizar, vou inverter a ordem das reuniões... E como é que você está?

Claude – Muito preocupado...

Frazão – Com a construtora?

Claude – Eu nem estou pensando nisso agora, o que menos me preocupa são os negócios...

Frazão – Claude, eu te conheço há muitos anos e nunca esperei um dia ouvir isso... O que está te preocupando?

Claude – Você quer tirar sangue de mim... mas eu acho que você merece ser o primeiro a saber, quer dizer a ouvir...

Frazão – Como assim?

Claude – Eu me apaixonei por essa mulher, Serafina, mas non é só uma paixon, é um amor ton grande ...eu acho que estou meio maluco... acho tudo que ela faz maravilhoso, o jeito que ela defende quem ela gosta, a confiança que ele tem em mim, quer dizer tinha e isso é que está me matando... Eu non sei se ela vai querer me ouvir... Saber que ela está na cidade e non saber onde... me dá calafrios... Serafina é muito teimosa... tem uma personalidade...

Frazão – Hoje, eu sou uma pessoa feliz, muito feliz. Eu sempre achei a Rosa a mulher ideal para você... e ouvir você admitir isso...

Claude – Mas ela quer a separaçon... e eu quero ficar casado com ela... para sempre...

Frazão – Claude, se declara, cai de joelhos, chora... apela para tudo, no fundo eu acho que ela gosta de ti. A tua indecisão e a lentidão de assumir os seus sentimentos é que provocou tudo isso.

Claude – Mas se isso non for suficiente...

Frazão – Se o seu amor for verdadeiro e eu acredito que é ... vai ser suficiente, mais do que suficiente... agora você tem que acelerar, tem que ter mais agilidade...

Teresinha sorri e sai.

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No hospital, Zequias acorda. E o investigador Paulo é chamado. Zequias conta tudo que sabe sobre Olegário e Bentinho. Paulo avisa Beto, Carlos e Freitas que vão para o hospital. Com o depoimento de Zequias, Paulo e Freitas vão para a delegacia preparar o pedido da ordem de prisão contra Egídio e Zé Pistola. Zequias conta os detalhes da história para Carlos e Beto. Beto descobre que é filho de Egídio e que Nara é sua irmã. Carlos reafirma para Beto que ele será sempre seu filho. Carlos comunica Beto que vai acionar Nara judicialmente pelo pagamento das pensões.

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Beto conta para Teresinha tudo que ele descobriu e Teresinha o consola.

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Frazão – Alô!

Rosa – Oi Frazão, é a Rosa.

Frazão – Imaginei quando vi que o número bloqueado.

Rosa – Você está pode falar agora?

Frazão - Posso, claro Rosa...

Rosa – Então, tudo certo, o Claude assinou os documentos?

Frazão – Eu já conversei com ele... mas ele disse que não vai assinar ...

Rosa – Não vai assinar? Por quê?

Frazão – Ele disse que se é você que quer separar é você que tem que pedir, que ele não pode aceitar um pedido de separação de outra pessoa, que ele precisa ouvir da sua boca, a esposa, o pedido de separação...

Rosa – O Claude está maluco ou o quê? Eu não acredito nisso... o Claude... Ele não está querendo ouvir um pedido de separação de outra pessoa que não seja a esposa dele? Mas que esposa? Isso é demais para mim...

Frazão – Rosa, eu tenho que te lembrar que quando foi feito o pedido de casamento...

Rosa – Eu sei... eu me lembro..

Frazão – Ele também lembra...

Rosa – Marca esse encontro então... para amanhã à noite, pois durante o dia estou ocupada... nove horas, no café que nos encontramos...

Frazão – No café? Acho que nesse horário não vai ser legal, tem muita gente... vamos fazer assim, sabe o hotel da festa de despedida dos americanos, eu vou reservar uma sala para vocês terem privacidade... deixa comigo, nove horas, amanhã... beijos.

Frazão desliga o telefone e faz um gesto de positivo para Claude que está ouvindo a conversa...

Rosa – O Claude tá pensando o quê? Cada uma que me acontece...