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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O HOMEM QUE DEVE MORRER - CAPÍTULO 120 (FINAL) - TONI FIGUEIRA


Novela de Janete Clair

Adaptação de Toni Figueira

CAPÍTULO 120

último capítulo!

Participam deste capítulo

Cyro  -  Tarcísio Meira
Ester  -  Glória Menezes
Orjana  -  Neusa Amaral
Ricardo  -  Edney Giovenazzi
Mestre Jonas  -  Gilberto Martinho
Vanda Vidal  -  Dina Sfat
Cesário  -  Carlos Eduardo Dolabella
Júlia  -  Ida Gomes
Prof. Zacarias
Bárbara  -  Zilka Salaberry
Miamoto


CENA 1  -  PORTO AZUL  -  CASA DE D. BÁRBARA  -  SALA  -  INTERIOR  -  NOITE

CESÁRIO TINHA ESCAPADO MAIS UMA VEZ. ORJANA, RICARDO E BÁRBARA VIVIAM HORAS DE FELICIDADE COM A PRESENÇA DE CYRO.

BÁRBARA  -  (abraçando-o em lágrimas) É maravilhoso ver você vivo e em liberdade...

CYRO  -  Eu tenho sentido muito a falta de vocês...

ORJANA BEIJOU-O AMOROSAMENTE.

CORTA PARA:

CENA 2  -  PORTO AZUL  -  CASA DE ESTER  -  COZINHA  -  INTERIOR  -  NOITE

JÚLIA ADMIROU-SE COM A PRESENÇA DE CESÁRIO QUE FORÇARA A PORTA DOS FUNDOS, ANTES DE PENETRAR NA RESIDENCIA. APONTAVA UMA ARMA PARA A ESPOSA.

JÚLIA  -  Está fugindo de alguma coisa?

CESÁRIO  -  Tou, tou sim! A polícia vem aí pra me agarrar e eu vim buscar o dinheiro que minha mãe te entregou pra guardá!

JÚLIA  -  Ah, a policia está aí pra te agarrar?

CESÁRIO  - (encostando o cano do revólver na cabeça de Júlia) Me dá meu dinheiro ou eu te arrebento os miolos!

JÚLIA  -  (afastando o cano com a palma da mão) Calma... Eu vou dar o seu dinheiro...

ATRAVESSOU O QUARTO E RETIROU UMA MALETA DO ALTO DO GUARDA-ROUPA.

JÚLIA  -  Está tudo aí...

CESÁRIO ABRIU A MALA E CONSTATOU QUE ESTAVA ENTUPIDA DE NOTAS.

CESÁRIO  -  Tudinho?

OUVIU A SIRENE DO CARRO DA POLICIA.

CESÁRIO  -  São eles! Depressa!

A SIRENE APROXIMAVA-SE CADA VEZ MAIS.

CESÁRIO AGARROU A MALETA E PULOU A JANELA.

JÚLIA  -  Corra, delegado! (gritou, avisando o policial que acabava de bater à porta) O senhor o encontra, correndo com o dinheiro pela estrada!

O CARRO DA POLÍCIA DISPAROU NA DIREÇÃO REVELADA, LATERAL À RESIDENCIA DE ESTER. NUMA MANOBRA HÁBIL, O MOTORISTA DOBROU A ESQUINA QUASE EM ÂNGULO RETO E PARTIU VELOZMENTE À CATA DO FUGITIVO.

CESÁRIO CORRIA DESESPERADO E MAL TEVE TEMPO DE PRESSENTIR O PERIGO. VIU APENAS DUAS LUZES FORTES SURGINDO DENTRE A NÉVOA DA MADRUGADA E O  BANDIDO SE ENQUADROU NA ZONA DE OFUSCAÇÃO, INTEIRAMENTE NEUTRO PARA A VISÃO DOS MOTORISTAS.

O PESADO AUTOMÓVEL ALCANÇOU-O EM CHEIO, ATIRANDO-O CONTRA O ASFALTO ÚMIDO. UM MINUTO MAIS E CESÁRIO TERIA ENCONTRADO A PROTEÇÃO DE UM TERRENO BALDIO. AGORA ERA UM CORPO QUEBRADO, BANHADO DE SANGUE, CONFUNDINDO-SE COM MILHARES DE NOTAS QUE O VENTO LEVAVA PARA LONGE, SUJAS PELO SANGUE QUE ESCORRIA DE SEUS FERIMENTOS.

A VIATURA POLICIAL ESTACOU E O DELEGADO, ACOMPANHADO DE VÁRIOS SOLDADOS, APROXIMOU-SE DO PISTOLEIRO. MESMO SERIAMENTE FERIDO, CESÁRIO BERRAVA NO SILÊNCIO DA MADRUGADA QUE MORRIA.

CESÁRIO  -  Me soltem! Ladrões! Vocês querem me roubar o meu dinheiro! Meu dinheiro! Meu dinheiro! Ladrões! Ladrões!

JÚLIA APROXIMOU-SE, SORRINDO, ENQUANTO OS POLICIAIS JOGAVAM O HOMEM NO INTERIOR DO CARRO E PARTIAM RUMO AO HOSPITAL. HAVIA UM AR DE TRIUNFO NO ROSTO FELIZ DE JÚLIA. UM AR DE MULHER VINGADA.

CORTA PARA:

CENA 3 -  PORTO AZUL  -  CASA DE D. BÁRBARA  -  SALA  -  INTERIOR  -  DIA

DEZENAS DE AMIGOS PROCURARAM LOGO CEDO A RESIDÊNCIA DE CYRO VALDEZ PARA FELICITÁ-LO. MESTRE JONAS SUGERIU UM BRINDE À PAZ QUE VOLTARA.

MIAMOTO ENTROU, ESBAFORIDO.

MIAMOTO  -  Dr. Cyro! Dr. Cyro! Vem depressa!

CYRO  -  O que foi, Miamoto?

O JAPONÊS NÃO SABIA SE FALAVA EM SUA LÍNGUA OU EM PORTUGUÊS. ESTAVA VISIVELMENTE AGITADO.

MIAMOTO  -  Dona Ester... ela ir embora! Ir fugir! Non quer ver senhor!

CYRO  -  Para onde, Miamoto?

MIAMOTO  -  Para Son Paulo, no? Paraná, no? Muito lugar!

CYRO VESTIU APRESSADAMENTE O PALETÓ E PULOU NO CARRO.

VANDA  -  Isso não podia acontecer!

BABY  -  (levantou uma taça de champanha, feliz, ao ver o amigo partir) Um brinde a um final feliz!

VANDA  -  (vociferou, desconsolada) Amigo-da-onça!

RICARDO  -  (aproximou-se) Quero te dar uma palavrinha, Vanda...

VANDA  -  (fez um muxoxo) Já sei! Já sei de tudo! Olhe... eu vou dar no pé e não é por sua causa não. Nem por medo de suas ameaças. Vou sumir porque acho que não há outra solução... pra mim. Não pense que estou ligando! Nem um pouco! (a voz começava a embargar-se e as lágrimas a embaçarem-lhe os olhos. Mas Vanda continuou firme) Comigo é assim: comeu não leu, pau comeu! Chuto pro alto! Que me importa? Ele não gosta de mim! Preferiu a Esterzinha! Pomba! Que vá pro inferno, ou pro céu, com ela! Já me enchi... não tenho queda pra Amélia! Bem. Tchau, gente! Tchau, Mestre Jonas! O senhor foi o cara mais legal que eu já conheci em toda a minha vida... ele também, viu? Mas... não tem culpa... se não gosta... de mim. Isso é assim mesmo. Tchau!

CORTA PARA:

CENA  4  -  PORTO AZUL  -  PRAIA  -  EXTERIOR  -  DIA

CYRO TINHA CHEGADO A TEMPO. ESTER SE DIRIGIA PARA A PRAIA. UM ÚLTIMO ADEUS AO MAR, ÀS AREIAS, A UM PESADELO... OU A UM SONHO QUE FINDAVA PARA SEMPRE. A MULHER MAL TEVE TEMPO DE VIRAR-SE PARA VER QUEM A AGARRAVA COM TAMANHA FORÇA. SENTIU OS LÁBIOS QUENTES E ANSIOSOS QUE BUSCAVAM OS SEUS. AS DUAS MALETAS CAÍRAM NA AREIA BRANCA, DIANTE DO MAR.

ESTER  -  (afastando-se do marido) Você não merece!

CYRO  -  Por que está zangada?

ESTER  -  Onde está Vanda? Não acompanhou você?

CYRO  -  Como você é ciumenta! Ester, compreenda. Eu não posso chutar Vanda como um traste... um utensílio que não se usa mais e só atrapalha! Ela merece o respeito humano! Respeito por tudo o que ela é e representou na minha vida!

ESTER  -  Então... confessa! Ela representou alguma coisa!

CYRO  -  Muita coisa, Ester! Você sabe disso! Mas eu não pude amá-la. Se a amasse, não estaria aqui, pedindo a você para voltar pra mim... porque é a você que eu amo... é você a única mulher da minha vida! (beijou-lhe o rosto, as mãos, o pescoço) Ester, Ester... é a você que eu amo! Só a você!

CORTA PARA:
ELENCO

CENA  5  -  FLORIANÓPOLIS  -  CENTRO DE ESTUDOS ESPACIAIS  -  INTERIOR  -  DIA

O PROFESSOR ZACARIAS TINHA REUNIDO OS ESPECIALISTAS NO CENTRO DE ESTUDOS.

PROF. ZACARIAS  -  Esperávamos apenas a sua presença, Dr. Cyro, para iniciar a sessão. Tenha a bondade, por favor. Sente-se aqui. Temos em mãos o resultado da análise do meteorito achado no mar, nas proximidades de Porto Azul. Aqui está.

UM ESTRANHO HOMEM COM VESTES ESPACIAIS ACOMODOU-SE NO FUNDO DA SALA. RICARDO VIU-O E SE PERTURBOU.

PROF. ZACARIAS  -  (prosseguiu) A composição do meteorito coincide com a da pedra oferecida ao falecido André pelo homem do espaço. Ambas vieram do mesmo mundo. Houve realmente manifestação extraterrestre nos raios que atingiram Dona Orjana, quando estava grávida do Dr. Cyro Valdez. Sobre isso, ele tem alguma coisa a dizer.

FEZ-SE SILENCIO, ANTES DE CYRO VALDEZ FALAR.

CYRO  -  Não creio que haja mais nada a dizer. Tudo já foi dito pelos meus atos e minha conduta. O homem não vale pelo poder que tem nas mãos e sim pelo bem que é capaz de fazer. É possível que existam outros mundos habitados por seres superiores que devem ter eliminado os preconceitos e as guerras, os ódios e a exploração de seus semelhantes. Os homens valem pelo amor que conseguem dar...

OS OLHOS DE CYRO ILUMINARAM-SE E CRUZARAM COM OS DO SER QUE PERMANECIA DE PÉ NO EXTREMO DA SALA.

CORTA PARA:

CENA 6  -  PORTO AZUL  -  PRAIA  -  ESTERIOR  -  DIA

O MAR BEIJAVA A AREIA, A BRANCA E PURA AREIA DE PORTO AZUL. MAIS AO LONGE, NO HORIZONTE, A LUA EMERGIA DO OCEANO, VERMELHA. CYRO E ESTER PARARAM DE CORRER.

ESTER  -  O homem desapareceu...

CYRO  -  Não faz mal.

DEITOU-A NA PRAIA DESERTA E BEIJOU-A SOFREGAMENTE.

CYRO  -  Vamos ficar aqui, assim...

A MANHÃ SE INSINUAVA POR ENTRE AS NUVENS ARROXEADAS, QUANDO A ESTRANHA VISÃO PERTURBOU A MULHER. DORMIA? SONHAVA? VIU NITIDAMENTE QUANDO CYRO VALDEZ SE ENCAMINHOU PARA O SER ESPACIAL. AMBOS SE APROXIMARAM EM PASSADAS LENTAS. ESTER ESTENDEU OS BRAÇOS PARA O MARIDO QUE SE AFASTAVA COM O HOMEM DO DESCONHECIDO. CYRO OUVIU OS GRITOS DA MULHER E SE VOLTOU. CYRO E O HOMEM SE DESPEDIRAM NUM ABRAÇO DERRADEIRO. ESTER ABRIU OS OLHOS E DEPAROU COM O MARIDO AO SEU LADO. ERA DIA.

CYRO  -  Já amanheceu, vamos embora?

ESTER  -  Tive um sonho... ou não foi um sonho? Aquele homem apareceu... e você o seguiu. Ele ia levando você embora... e você ia me deixar...

CYRO  -  Realmente, eu fui falar com ele. Um estrangeiro que queria que eu fosse para outro lugar... para fazer o mesmo que fiz aqui... quero dizer: curas... e mensagens de fé.

ESTER  -  No meu sonho, ele impôs uma condição para você ficar...

CYRO  -  Qual?

ESTER  -  Você permaneceria na Terra, mas perderia seus poderes. Seria um homem comum.

CYRO SORRIU E A CARREGOU NO COLO.

ESTER  -  Isso é verdade?

CYRO  -  Você tem o direito de imaginar o que quiser...

ESTER  -  Então me diga: nosso filho será homem ou mulher?

CYRO  -  Não tenho mais poderes. Não posso adivinhar. Agora sou um homem comum. Apenas um médico. Preferi ficar na Terra, assim... tudo por amor à minha mulher. Sabe? Eu vou aceitar o cargo de Diretor do Hospital de Porto Azul. Acho que ainda serei um bom médico.... um bom marido... um bom pai!

MUITO AO LONGE, O ESTRANHO, BANHADO PELA LUZ DO SOL, APRECIAVA A CENA. DE REPENTE, VOLTOU-SE PARA O CÉU, ABRIU OS BRAÇOS E DESAPARECEU. CYRO ERGUEU OS OLHOS PARA O INFINITO E PERMANECEU ESTÁTICO POR ALGUNS SEGUNDOS. REALIDADE OU SONHO? OS CAMINHOS POR ONDE PASSAVA CONTINUARIAM FECHADOS AOS HOMENS COMUNS.

FIM

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O HOMEM QUE DEVE MORRER - CAPÍTULO 119 - TONI FIGUEIRA


Novela de Janete Clair

Adaptação de Toni Figueira

CAPÍTULO 119

penúltimo capítulo!

Participam deste capítulo

Cyro  -  Tarcísio Meira
Ester  -  Glória Menezes
Vanda  -  Dina Sfat
Lia  -  Arlete Salles
Catarina  -  Lídia Mattos
Paulus  -  Emiliano Queiroz
Valter  -  Dary Reis
Delegado  -  Vinícius Salvatori
Inspetor
Baby  -  Cláudio Cavalcanti



CENA 1  -  PORTO AZUL  -  DELEGACIA  -  INTERIOR  -  NOITE

CYRO  - Boa noite, Dr. Miguez!

INSPETOR  -  (inteiriçou-se ao ver o rapaz) Dr. Cyro! Julgávamos que estivesse morto.

VALTER  -  E que eu o tivesse matado...

INSPETOR  -  Exato. Que você o tivesse matado.

CYRO  - (abraçou o ex-inimigo com gesto carinhoso) Valter veio comigo... e eu faço questão de dizer que ele me salvou a vida. Aceitou a ordem para me eliminar... e sua intenção foi apenas impedir que outros o fizessem.

VALTER  -  Eu não fiz mais do que minha obrigação.

CYRO  -  Bem, Dr. Miguez... Dr. Moreira... eu estou às ordens de ambos. Voltei porque tenho muita coisa a esclarecer... mas voltei, também, para deslindar meu caso com a justiça.

INSPETOR  -  O senhor nada deve à justiça.

CYRO  -  (atônito) Como assim?

DELEGADO  -  Os culpados já confessaram os seus crimes.

VANDA  -  (abraçou-o, alegre) Puxa! Que bacana! Então... ele está livre?

INSPETOR  -  Será levado a julgamento, apesar de tudo, mas as novas provas irão absolvê-lo.

CYRO  -  Obrigado... isso me alegra... era aí que eu queria chegar... embora falte ainda alguma coisa... talvez o mais importante para ser esclarecido. Eu me refiro à morte de Ivanzinho, o filho de Ester.

DELEGADO  -  (aproximou-se do médico, fisionomia grave) O senhor sabe quem matou o menino?

CYRO  -  (fez uma pausa de alguns segundos, antes de responder) Sim... eu sei. E sei também quem deu a ordem para matá-lo.

DELEGADO  -  Para matar o menino?!

CYRO  -   Exatamente. Aquele tiro não era para mim. Era para a criança.

A VOZ NERVOSA DA MULHER DO PREFEITO ECOOU NA SALA E LIA APARECEU CAMBALEANTE, MAL RESPIRAVA.

LIA  -  Cyro!

CYRO  -  Lia!

OS DOIS ABRAÇARAM-SE.

LIA  -  Venha comigo! Precisamos de você! Telefonaram do hospital e disseram que Otto acabou de morrer! Eu não acredito! Você chegou e pode salvar a vida dele!

VANDA  -  (intercedeu, mostrando as costas do médico) Cyro também está muito ferido. Olhem... vejam as costas dele. Estão em carne viva! Seu Otto mandou matar Cyro e querem que Cyro vá até lá pra salvar sua vida! Essa não!

CYRO  -  (falou tranquilo) Espere, Vanda! Os outros médicos tem capacidade de salvá-lo. É só seguirem o que o Dr. Max vinha fazendo...

LIA  -  (insistiu) Não podemos perder tempo!

VANDA  -  (berrou) Cyro! Você ainda vai salvar a vida desse assassino?

CORTA PARA:

CENA 2  -  HOSPITAL  -  QUARTO DE OTTO  -  INTERIOR  -  NOITE

DONA CATARINA CONTINUAVA ABRAÇADA SOBRE O CORPO DO FILHO. A PORTA SE ABRIU E CYRO ENTROU EM COMPANHIA DA ESPOSA DO PREFEITO. ESTER FICOU PARALISADA.

ESTER  -  Cyro!

O JOVEM ABRAÇOU-A APERTADAMENTE, ENQUANTO IDENTIFICAVA, UM A UM, TODOS OS PRESENTES: PADRE MIGUEL E SEU LIVRO DE ORAÇÕES, CATARINA, TULA, DONA CONCEIÇÃO, A NEGRA, OS MÉDICOS E RICARDO.

LIA  -  (balançou, excitada, o corpo da mãe em desespero) Dona Catarina... Cyro chegou. Cyro vai salvar Otto!

CATARINA  -  (levantou-se molemente, liberando o corpo) Veja... se é possível... ainda... se fazer alguma coisa.

CYRO APROXIMOU-SE DO LEITO E EXAMINOU, COM MÃOS HÁBEIS, OS OLHOS DO MORTO. BAIXOU A CABEÇA, PENALIZADO.

CYRO  -  Não há mais nada a fazer! Eu faria alguma coisa se tivesse chegado a tempo.

ESTER  -  Mesmo sabendo que ele mandou dar cabo de sua vida?

CYRO  -  Ele não era responsável por tudo. Não que eu queira inocentá-lo. Não... era um temperamental... doentio e perigoso. Por isso mesmo, fácil de ser manejado. As pessoas que o cercavam o orientavam mal.

ESTER  -  Mas deve existir um responsável!

CYRO  -  E existe! Ester... eu quero que venha comigo até a cadeia. Você vai saber tudo a respeito da morte de Ivanzinho.

A MULHER ESTREMECEU. SAÍRAM JUNTOS.

QUATRO VELAS JÁ ILUMINAVAM O CORPO DO PREFEITO DE PORTO AZUL.

CORTA PARA:


CENA 3  -  PORTO AZUL  -  DELEGACIA  -  INTERIOR  -  NOITE

DELEGADO  -  Espere aí!

PAULUS, ABORRECIDO, ESFREGAVA OS OLHOS, SONOLENTO. PASSAVA DAS DUAS HORAS DA MADRUGADA.

PAULUS  -  Para que me trouxeram para cá? O que querem de mim a esta hora?

CYRO  -  Achei que Ester devia estar presente, inspetor.

PAULUS ESTREMECEU AO OUVIR A VOZ DO HOMEM QUE ACREDITAVA MORTO E ENTERRADO.

CYRO  -  venha, Ester... eu quero que você olhe bem para esse homem (apontou o advogado) Você não está diante de gente... Está diante de um monstro. Ele mandou atirar na praça, naquele domingo, depois da missa. (Paulus esbugalhou os olhos) O tiro não era para mim. Era para seu filho, porque ele sabia que, se o menino morresse, você se voltaria contra mim... e o menino representava um empecilho aos desejos dele. Sabia que poderia convencê-la de que eu era indiretamente culpado. Sabia que você se tornaria um joguete em suas mãos. Ele premeditou tudo.

ESTER ESTAVA HORRORIZADA E SUAS FEIÇÕES LEMBRAVAM UMA MÁSCARA MORTUÁRIA DE UM TORTURADO.

ESTER  -  A ordem... então... era para matar Ivan?

CYRO  -  Era.

ESTER  -  Você não se defende, Paulus?

O ADVOGADO MANTINHA A CABEÇA ABAIXADA CONTRA O PEITO, ARRASADO.

CYRO  -  Ele não tem defesa!

ESTER  -  (descontrolou-se e investiu contra o bandido) Monstro! Assassino! Assassino!

CYRO AGARROU-A COM FORÇA E ABRAÇOU-A. ESTER SOLUÇAVA AGARRADA A ELE.

PAULUS  -  (insensível diante do quadro) Deixem-me ir embora. Não há mais nada a dizer, não é?

INSPETOR  -  Ainda há, sim. Existem dois crimes, também hediondos, que precisam ser esclarecidos.

CYRO  -  Baby está aí?

DELEGADO -  Está.

CYRO  -  Pois, faça-o entrar, por favor.

O RAPAZ DEU ENTRADA NO RECINTO E ABRAÇOU O AMIGO.

BABY  -  Que bom ver você de volta são e salvo, Cyro!

INSPETOR  -  O Dr. Cyro fez questão de sua presença.

CYRO  -  É a nossa hora da verdade, Baby, e eu quero que você saiba quem mandou acender o estopim da dinamite que ocasionou a morte dos mineiros.

BABY  -  (olhou para Paulus com ódio) Eu tenho uma desconfiança de que foi ele.

CYRO  -  Você não se enganou!

PAULUS  -  Eu só cumpria ordens de Otto e Von Muller. Foram eles que me forçaram a mandar a mina pelos ares!

BABY  -  Para jogarem a culpa sobre mim?

PAULUS  -  Eu não tinha nada contra você, Baby!

BABY  -  Miserável!

O DELEGADO MAL TEVE TEMPO DE CONTER O JOVEM. O SEU PUNHO JÁ HAVIA ATINGIDO VIOLENTAMENTE A CARA DO ADVOGADO. PAULUS CAIU AO CHÃO COM A BOCA CHEIA DE SANGUE.

DELEGADO  -  (gritou) Espere! Não pode ser assim!

INSPETOR  -  (manuseando as anotações) Existe ainda a morte de Pedrão. Resta esta explicação. Também tem resposta para isto, Dr. Cyro?

CYRO  -  Foi a mesma pessoa que o matou... o executor das ordens de Paulus. Aquela bala era para mim, mas acertou no meu amigo.

DURANTE ALGUNS SEGUNDOS, UM SILENCIO DESAGRADÁVEL CAIU SOBRE A SALA. TODOS ESPERAVAM A SOLUÇÃO DO MISTÉRIO, A PALAVRA FINAL, O NOME DO EXECUTOR.

BABY  -  (transtornado) Quem é esse miserável pistoleiro, Cyro?

CYRO APONTOU PARA O DR. PAULUS, QUE LIMPAVA O SANGUE QUE LHE ESCORRIA DO FERIMENTO. UM DENTE ESTAVA PARTIDO.

O DR. MOREIRA DEU TRÊS PASSOS E SEGUROU FIRME O BRAÇO DO DR. PAULUS. TODOS OS OLHARES FIXAVAM-SE NO ADVOGADO. PAULUS DEMOROU A ATENDER A ORDEM QUE O DELEGADO ACABARA DE LHE DAR.

DELEGADO  -  Vamos, diga quem era o carrasco que executava suas ordens,Dr. Paulus!

PAULUS  -  Era... Cesário!

O INSPETOR PROCUROU DE IMEDIATO O OLHAR DO COMPANHEIRO DE TRABALHO. FEZ UM SINAL IMPERCEPTÍVEL.

ESTER  -  Cesário!

PAULUS  -  Sempre foi pago para isso... Regiamente pago.

INSPETOR  -  Prenda esse sujeito, imediatamente!

CYRO  -  Sabem onde ele está?

DELEGADO  -  Sim, nós sabemos! Está na casa de Dona Bárbara, dormindo no quarto dos fundos.

CYRO  -  (adiantou-se e pediu aos policiais) Eu quero falar com ele. Você pode me esperar, Ester?

A MULHER ESTAVA PÁLIDA E QUASE DESFALECENDO.

INSPETOR  -  (preocupado) Está sentindo alguma coisa, Dona Ester?

ESTER  -  Não, Dr. Miguez. Apenas nojo... na presença desse homem, sinto ânsias de vomitar de horror.

BABY OFERECEU-SE PARA LEVÁ-LA EM CASA.

FIM DO CAPÍTULO 119

E NESTA SEXTA, NÃO PERCA O ÚLTIMO CAPÍTULO!