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quinta-feira, 5 de março de 2026

SESSÃO LEITURA - UMA HISTÓRIA A MAIS - ANTÔNIO MARIA

A crônica abaixo foi escrita por Antônio Maria.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: http://www.releituras.com/antoniomaria_bio.asp.
Boa leitura!

UMA HISTÓRIA A MAIS

Como cheguei ali, até hoje não sei. Lembro-me de que desci de um táxi e comecei a andar. À minha frente, os Andes, envoltos em nuvens espessas, eram tão irreais que pareciam cenário de fotógrafo. Fazia frio e a maioria das casas estava de janelas fechadas. Hoje, não sei dizer se era praça ou avenida, mas havia árvores em fileiras certas e um passarinho ou outro piava, sem alegria, uma vez mais perto, outras vezes mais longe de mim. Por muito tempo, fui a única pessoa existindo naquele bairro de Santiago do Chile, caminhando sem rumo ou pressa e, em seguida, sentada num banco de pedra. Depois, passou um ônibus com alguns poucos passageiros e um deles, que havia feito sinal para descer, arrependeu-se e mandou o chofer continuar.
O mugido da máquina em primeira marcha quebrou, de certo modo, a integração a que eu me dera no silêncio e no abandono da rua. De repente, apontou uma mulher na esquina, vestindo calças e suéter negros, com as mãos nos bolsos, andando com um jeito largado. Não ia para canto nenhum. Vinha andando, somente. Mais de perto, pude ver que tinha cabelos castanhos, olhos claros e era bonita. Dava-se-lhe mais de 30 anos ou, se tivesse menos, a melancolia do olhar e os vincos da face deviam ser marcas de algum desencanto. Passou e disse "olá", olhando-me com desinteresse. Atravessou a rua devagar, voltou da metade e, parando à minha frente, quis saber se tinha cigarros, se eram negros ou rubros. Os meus eram negros, feitos com um fumo ardoso e molhado. Recusou e sentou-se ao meu lado. Seu nome era Silvia, Maria Silvia. Viera menina de Buenos Aires e seu pai tinha negócios em Sur de Chile. Depois ficou pobre, depois Silvia foi trabalhar numa vindima, depois casou e, quando fez dois anos, o marido adoeceu e morreu de tísica. Achava que a vida era lenta e sem grandes alegrias. De bom grado, cortaria os pulsos ou beberia um veneno forte, se não tivesse uma filha. A filha começou a descrever, rindo de leve à flor dos lábios – “tem os meus olhos e o meu nariz; no resto, é igual ao pai”. Baixou a cabeça e começou a riscar o chão com um galho seco que não escrevia nada. De repente, jogando os cabelos para trás, encarou-me e perguntou se eu queria ver a menina. A casa ficava a duas quadras do banco de pedra onde estávamos. Era mais um apelo que um convite. Fui.
No caminho, dissemos poucas coisas e certamente não rimos de nada. Paramos em frente a um portão de ferro gasto e, num gesto suave, pediu-me que entrasse. Atravessamos um pequenino e maltratado jardim, subimos quatro degraus e esperei, no terraço, que ela abrisse a porta. Experimentou uma primeira chave – não era. A segunda, também não, e a terceira não havia (era). Desculpou-se, confessando distração eterna, calcou uma campainha e uma mucama morena nos abriu a porta. Dessa vez entrou primeiro e apontou a cadeira onde eu devia esperar. Foi para um quarto ao lado e, instantes depois, chamava dizendo: “Senhor, por favor”. Silvia estava em pé à beira de uma caminha de criança. Pareceu-me mais pálida e os vincos do seu rosto mais acentuados. Apontou a cama e disse, baixando os olhos: “Es esta”. Olhei, os lençóis estavam desarrumados e não havia nenhuma criança naquela cama. Num instante, compreendi que não devia perguntar nada, nem estranhar coisa alguma. E ficamos os dois, de olhos baixos, até que ela andou em direção à sala, pedindo, com um gesto de cabeça que eu também fosse.
Não havia mais nada a dizer. Era urgente sair dali, sozinho, ganhar a rua, livrar-me depressa de tudo aquilo que era realmente ruim para a minha sensibilidade. Eu não queria saber de nada, como foi, por que tinha sido. Mas era importante e necessário sair sem transparecer o que eu estava sentindo ou pensando, em respeito ao drama que aquela mulher me entregava, fazendo certa questão que eu compartilhasse dele.
Era importante que eu saísse com a serenidade que trouxera e não tentar consolar, nem fazer apelos de resignação. E saí, deixando um olhar de calma sobre o rosto de Silvia, que ainda era belo. Vira antes, sobre a mesa num quadrinho, o retrato de uma menina rindo.

Fonte: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/17818/uma-historia-a-mais.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

SESSÃO LEITURA - PREVISÃO À MANEIRA PRÉVERT - ANTÔNIO MARIA

A crônica abaixo foi escrita por Antônio Maria.
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PREVISÃO À MANEIRA PRÉVERT

Sua casa deve ser pequena, não mais que um quarto e uma sala. Teria ainda uma cozinha, um banheiro e um terracinho ao fundo, com o lavador de roupa. Quanto aos móveis, os da sala seriam: um sofá, duas poltronas, uma mesinha baixa de centro e outra, desmontável, dessas que ficam pela metade e são encostadas na parede. Sobre esta mesa, um jarro de flores e um retrato de parente: uma mesa para almoçar e jantar, se fosse coisa que viesse gente de fora. Na mesinha baixa de centro, dois cinzeiros, como nome de uma boate. Sobre o assoalho, sem tomá-lo todo, um tapete branco de cordão grosso. Haveria ainda uma vitrola portátil e os discos estariam na cadeira ao lado. Nas paredes, duas ou três reproduções (uma de Gauguin) e mais um quadrinho pequeno, de pintor nacional. Agora, por exemplo, se são duas da tarde, a moça estaria tomando uma xícara de café, em cima de um guardanapo de matéria plástica, ocupando só uma ponta da mesa encostada, tendo apenas afastado o retrato do parente. Mexeria o café no fundo da xícara. As flores ficariam onde estavam. Bebe sem olhar para a xícara; ou estaria olhando uma pequenina mancha da parede e ficará olhando um tempo enorme para esse ponto sem importância, porque só se pode olhar demoradamente para o que não tem importância ou beleza ou poder. Estaria vestida como dormiu, porque mora sozinha e gosta de ficar nesse deus-dará, até que lhe chegue coragem de tomar banho, vestir-se etc. Ontem, mais um homem lhe disseque a amava e confessou que tinha mandado as tais rosas. Lembra-se deque sorriu, agradeceu, sorriu, agradeceu de novo, disse que as rosas estavam lindas mas não passou disso, durante o agradecimento. Os homens se acham formidáveis. Aliás, as rosas, três estavam no jarro da mesa, uma no banheiro (num copo) e as restantes (oito) dera à mulher do zelador. Numa casa de quarto e sala, não pode haver mais que quatro ou cinco rosas. Passou disso, já fica fúnebre, já lembra enterro. Minha infância (pensa) está cheia de enterros... e de flores. Quanto ao dia de hoje, tinha que ir à cidade, pagar o aluguel (aproveitaria para buscar o relógio no conserto) e voltaria com tempo de ir ao cabeleireiro. Mas já avançou duzentos no dinheiro do aluguel. Não é caro este apartamento (pensa),por 4.500 cruzeiros, com telefone e móveis. Não vale a pena vestir-se por causa do relógio. O homem da joalheria (pensa) vai outra vez pegar-me a mão (diz baixo) com a sua mão suada. Nisso, o telefone toca. O telefone é no quarto, na mesinha de cabeceira. E ela resiste aos três primeiros trinados. A quarta chamada já lhe dá nos nervos. Levanta, anda, senta na cama, tira o fone do gancho e diz o número automaticamente. Do outro pergunta se a pessoa não tem nada o que fazer e desliga. Seria, provavelmente, o homem das rosas. Mas, admitindo a possibilidade de ser o de quem ela gosta, ou gostou (pensa), gosta, vá lá, foi que disse os quatro "alôs", em tonalidades diferentes, sendo o primeiro brando e o quarto enervado. Ou, talvez, suplicante. Sobe os pés na cama e encosta a cabeça no espaldar. Depois, abraça-se aos joelhos e acha engraçado ter ficado, de repente, uma pessoa muito menor. Sente que emagreceu um pouco. Onde devia, não. Lamenta ser uma mulher que não fuma, porque um cigarro lhe daria um ar melhor. Defronte, na penteadeira, um aviso de banco e uma conta de luz e gás. O vidro de perfume, nas últimas. Existir é difícil. Matar-se ou prosperar. No chão, revistas, quase todas com fotografias de Teresinha Morango. Noutra, várias poses de Colette Marchand. A angústia e a inutilidade dos tímidos. Gostaria de ser beijada silenciosamente na fronte. Gostaria de entender o seu misticismo. Gostaria de ter um amigo íntimo. Gostaria de ter a vida menos minha (dize pensa), não sei intimidade nenhuma. Lembra-se de um certo cidadão que a ama, ou a amou. Se ele entrasse, ela fecharia os olhos. Se ele a beijasse na fronte, ela seria grata. Mas não lhe passaria o braço pela nuca. Que horas seriam no mundo? Cinco, seis, sete? Que notícias estariam fazendo sucesso? O certo é não fazer notícias. E pensa: um gesto materno me faria bem. Novamente, o telefone. Novamente, o silêncio do outro lado da linha. Agora o coitado respirou fundo, quase suspirando, sem causar a menor emoção. E pensa que devia ser casada, leviana, trivial, eficiente, fecunda, morna, solene e gorda. Todavia, agora, mais que tudo, queria ser beijada silenciosamente na fronte. O sal do sono arde em seus olhos. Matar-se ou prosperar: A mão do sono passa de leve sobre o seu ventre. Todas as pessoas se distanciam e agora nenhuma é mais amada ou mais desimportante. Todas são distantes e sem som. Nenhuma tem relevos fisionômicos especiais. Ninguém é feio e ninguém é bonito. Todos são perdoáveis. Ninguém precisa ser motivo de outra causa, que não seja o silêncio.

Fonte: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/5836/previsao-a-maneira-prevert.

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

SESSÃO LEITURA - NÓS E OS DOURADOS - ANTÔNIO MARIA

A crônica abaixo foi escrita por Antônio Maria.
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NÓS E OS DOURADOS

Tínhamos que atingir um ponto do mar de onde fosse possível ver a silhueta completa do Pão de Açúcar, à direita da Ilha Rasa. E à esquerda do barco, além da Ilha Redonda, as Tijucas, desanuviadas e distintas. Chegamos, depois de umas duas horas de motor Panther. Estamos acerca de quatro milhas ao sul do farol. No barco, além de quem vos conta a história, Chico Brito, Pescocinho (por não tê-lo), Noca, um senhor enjoando (por isso, dele, revelamos apenas as iniciais, O. B.) e o timoneiro Braga — este último de Cachoeiro de Itapemirim. Motivo: cardume de dourados. Viemos corricando desde a pedra do Forte e as iscas chegaram intatas. Lanço minha linha de estreante sem grandes esperanças e, de repente, alguma coisa me puxa para fora do barco. Resisto, dou linha, cobro a margem de passeio que lhe dei, o bicho pula um metro em cima da onda (é grande e verde!) e, finalmente, dá o seu último show de valentia, no fundo do barco, levando é o Braga às voltas com o segundo peixe. Repete-se a luta, a ferroada do bicheiro e o dourado número dois é apunhalado aos nossos pés. Chico Brito é senhor desses mares e desses peixes. Fez-se um grande íntimo dos ventos e das correntes marinhas. Salta, diz nomes feios, xinga a tripulação, embarca o peixe, muda as sardinhas do anzol, tudo com autoridade. O mar está azul e as águas, muito límpidas, mostram o fundo abismo de Janaína, onde o risco e a morte têm silêncio de flor e som de cantiga. O sol arde no rosto, nas costas e nas pernas aprazando uma noite de Picrato de Butesin. De repente, vindo por debaixo do barco, maior que o barco (uns três metros e meio), um bicho marrom com a cabeça de martelo, nadando em macio. Ninguém disse nada antes de olhar para Chico Brito. Depois, os seis, como uns loucos, começaram a xingar o tubarão de tudo o que era nome. O bicho volteou o barco e só de piada deu uma cabeçada no motor de popa. Nessa altura dois dourados comeram nossos anzóis e o tubarão resolve comê-los antes de nos comer em juventude. O seu nado é uma beleza. Uma negaceada do dourado fê-lo dar uma grande virada de piscina — sem botar as mãos. Sua nadadeira, fora d'água, assovia na tona e conduz minha linha. Em seguida, numa deitada de desprezo, corta o arame do meu anzol e passa roçando o barco a um palmo de mim. Cuspo nele. Depois circunda o barco num raio de três metros e vem, de cara, em grande velocidade, em nossa um cronista. O bicho leva a ferroada no lombo, dá outra virada de piscina e quer levar o Braga pra ele. No barco, todos são contra. A ponta do bicheiro abriu e o tubarão soltou-se. Chico Brito prepara a espingarda. Vai ser um tiro certo. Vamos chegar aos Marimbás rebocando três metros e meio de tubarão. Mas, nessa altura dos acontecimentos, o grande seláquio resolve cuidar de outros interesses e some a boreste, cortando água, singrando onda com o leque das costas. Voltamos aos dourados. O sol esfria. Parece que saímos do pesqueiro porque a posição das três Tijucas, em relação à Ilha Redonda, já não é a mesma. O vento está ficando úmido. O nosso companheiro O. B. enjoa, coitado, e ressona agarrado no caniço. Voltamos à praia, com oito dourados e uma história de tubarão para contar.

quinta-feira, 17 de julho de 2025

SESSÃO LEITURA - A NOITE É UMA LEMBRANÇA - ANTÔNIO MARIA

A crônica abaixo foi escrita por Antônio Maria.
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A NOITE É UMA LEMBRANÇA

BOA VIAGEM, FEVEREIRO. É de principiante isto de o cronista escrever que está numa janela de hotel, vendo a noite e fumando um cigarro. Mesmo havendo mar e sendo Boa Viagem um encontro muito desejado, não gosto da sem-cerimônia com que me faço personagem de mais uma crônica, como se eu, a noite e o cigarro ainda fôssemos novidade.
Entretanto, alguns acontecimentos espirituais do homem podem ser contados e explicados, desde que esse homem seja capaz de transmitir a alguém a beleza de sua solidão. Que ninguém se queixe de falta de ocorrências para escrever melhor. E sim de incapacidade para gritar o seu grande mundo interior.
Eu vim à janela porque conheci uma moça e estou preocupado em como a venho pensando, há um enorme tempo. O cabelo, os olhos, a boca, as mãos e o silêncio. Também a palavra vagarosa, que perguntava de vez em quando sobre uma verdade já velha ou sobre uma mentira mais em moda. Se confiasse em cada um de nós, explicaria à sua maneira o Homem, o Amor, o rio Capibaribe e o compositor João Sebastião Bach. Mas para isso, além de ser preciso confiar, teria que pedir a palavra e se imponentizar de tal maneira que nos assustaria à sua volta, após assustar-se consigo mesma. O que dizia eram curtas perguntas. O que fazia era pouco e casual. Mesmo assim eu a adivinhava sábia e corajosa.
Mais das vezes se escreve assim de uma mulher quando por ela se sente uma dessas súbitas emoções, muito parecidas com o chamado amor à primeira vista. Mas, em meu caso, essas impressões já não me confundem. Uma mulher me empolga assim que a sinto gente; e nela me perco, de descoberta em descoberta, sem me consentir a mínima desconfiança de estar amando-a, em qualquer das maneiras antigas ou atuais de amar alguém. Uma mulher-gente nos atrai aos seus mistérios e, no tempo em que procuramos desvendá-los, só acrescentamos dúvidas à nossa ignorância inicial.
Apesar disso, é dever do homem-gente deixar que o seu pensamento se demore nas lembranças de sua conhecida recente. Amor é outra coisa. Amor a gente espera, como o pescador espera o seu peixe, ou o devoto espera o seu milagre: em silêncio, sem se impacientar com a demora. E o amor a gente não conta pelo jornal a não ser quando quando o sentimento trai a frase, juntando palavras que deviam estar sempre separadas.
Cá estou, porém, nesta janela que não me deixa mentir, em frente à noite de que sou uma espécie de filho de criação, a repassar lembranças de uma moça que, de mim, se muito recordar, recordará meu nome. Eu também a esquecerei, mas daqui a duas ou três mulheres importantes. Agora, faz-me bem, inclusive, sofrê-la um pouco. É tarde. Deveria ir para a cama. Todavia, não seria  direito. Numa moça, a gente pensa na janela.

Fonte: https://panorama-direitoliteratura.blogspot.com/2016/03/cronica-antonio-maria-noite-e-uma.html.

quinta-feira, 27 de março de 2025

SESSÃO LEITURA - BILHETE FRATERNAL, TALVEZ ÚTIL - ANTÔNIO MARIA

A crônica abaixo foi escrita por Antônio Maria.
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BILHETE FRATERNAL, TALVEZ ÚTIL

Minha prezada Maísa:
 
Sabe você com que cores se costuma pintar os maus momentos e as aflições alheias. Ontem, por exemplo, disseram-me, na rua, que você, num só desespero, além de cortar os pulsos, abrira o gás do banheiro e ingerira uma dose violentíssima de certos comprimidos tóxicos. Era a notícia que corria em Copacabana, depois das seis da tarde. Mais tarde, nas boates, todos diziam que o seu estado era desesperador, aguardando-se o desenlace para cada momento.
Comentei com amigos o desperdício dos suicídios e, no seu caso especial, o absurdo de uma jovem tão bonita, tão artista, tão cheia de êxitos, tender, constantemente, para a desistência do bem essencial a todos os bens, que é a vida. Hoje, graças a Deus, os noticiários da imprensa contaram a história direito, explicando que você apenas tomara um pileque maior e alguns comprimidos além de Miltown.
Contra os pileques, não tenho nada a reclamar. Também os tomo, e só Cristo sabe com que desgosto lamento os erros a que eles me levam. Mas no beber há um mistério, uma sabedoria e, além disso, um certo recolhimento, que nos levam sempre aos copos, com independência e estado de graça. Não fosse a ameaça futura de ter um fígado transformado em pâté maison e não pesassem outras ameaças sobre os devotados do álcool, os sábios e doutores aconselhariam que a humanidade bebesse o mais possível ― isto, na constatação de não nos ter o Criador concedido nascer bêbados, o que seria, além de nobre, muito mais barato.
Mas, minha prezada Maísa, o que me leva a este bilhete não é aconselhá-la à perseverança do scotch e seus substitutivos. Queria conversar sobre a morte, dentro da verdade irrefutável de que a vida, mesmo quando não chega a ser uma delícia, é uma fascinante experiência de luta e coragem, bela não só nos momentos de intensa felicidade, como, e mais ainda, nos transes dolorosos, de que saímos mais livres e fortes. Não quero dizer com isso que sofrer seja bom. Boa é a nossa convicção de sobrevivência a todas as injustiças que nos fazem à carne e à alma.
O suicídio contém uma desforra, e este é o seu lado fascinante. Mas o suicídio contém a morte, e este é o seu defeito irreparável. Nunca morrer hoje, quando se pode morrer amanhã... ou daqui a cem anos. Há muito o que ver e sentir, há muito o que amar! Em mim e em meus semelhantes mais intranquilos haverá, um dia, aquela manhã clara e azul, e, com os olhos da alma sossegada, veremos toda a beleza da rosa, toda a luz do lago duro e prisioneiro, o sopro da manhã cheia de pássaros, o convite do amor no ser que passa.
Quantas vezes estive cansado, infeliz da minha completa impossibilidade, cativo da hora improtelável, faltado de todo o bem-querer humano, faltoso a todos os meus compromissos e, mesmo assim, estive certo dessa manhã que nos aguarda a todos. Há uma série de acontecimentos recentes em minha vida, que só por eles jamais cometeria a ingratidão de me matar. Poderia enumerar alguns: o caminho de Versalhes, a descida do Tejo, a estrada de Teresópolis, a noite que acabo de dormir, pesadamente. Em tudo isto quanto apego a esta minha vida sem método, por este destino sem porto de chegada, pelo meu coração, que só deseja o acaso dos homens e das coisas! Que incontida necessidade de confiar! Que lúcida noção de todas as minhas falhas... E, mesmo assim, viver! Ninguém recebeu o conselho dos mortos. Por isso, ninguém se deve matar.
Minha jovem amiga, abra uma janela de sua casa ― a que dá para o mar ou para a montanha. Procure o mundo e dê-se por perdida. Viva, sem a nervosia de procurar-se a si mesma, porque cada um de nós é um perdido, um ilustre perdido na humanidade vária e numerosa. Viva, que no fim dá certo. É o seu amigo, A.M.

Fonte: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13366/bilhete-fraternal-talvez-util.

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

SESSÃO LEITURA - AMANHECER EM COPACABANA - ANTÔNIO MARIA

A crônica abaixo foi escrita por Antônio Maria.
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AMANHECER EM COPACABANA

Amanhece, em Copacabana, e estamos todos cansados. Todos, no mesmo banco de praia. Todos, que somos eu, meus olhos, meus braços e minhas pernas, meu pensamento e minha vontade. O coração, se não está vazio, sobra lugar que não acaba mais. Ah, que coisa insuportável, a lucidez das pessoas fatigadas! Mil vezes a obscuridade dos que amam, dos que cegam de ciúmes, dos que sentem falta e saudade. Nós somos um imenso vácuo, que o pensamento ocupa friamente. E, isso, no amanhecer de Copacabana.
As pessoas e as coisas começaram a movimentar-se. A moça feia, com o seu caniche de olhos ternos. O homem de roupão, que desce à praia e faz ginástica sueca. O bêbado, que vem caminhando com um esparadrapo na boca e a lapela suja de sangue. Automóveis, com oficiais do Exército Nacional, a caminho da batalha. Ônibus colegiais e, lá dentro, os nossos filhos, com cara de sono. O banhista gordo, de pernas brancas, vai ao mar cedinho, porque as pessoas da manhã são poucas e enfrentam, sem receios, o seu aspecto. Um automóvel deixou uma mulher à porta do prédio de apartamentos — pelo estado em que se encontra a maquillage, andou fazendo o que não devia. Os ruídos crescem e se misturam. Bondes, lotações, lambretas e, do mar, que se vinha escutando algum rumor, não se tem o que ouvir.
Enerva-me o tom de ironia que não consigo evitar nestas anotações. Em vezes outras, quando aqui estive, no lugar destas censuras, achei sempre que tudo estava lindo e não descobri os receios do homem gordo, que vem à praia de manhã cedinho. E Copacabana é a mesma. Nós é que estamos burríssimos aqui, neste banco de praia. Nós é que estamos velhíssimos, à beira-mar. Nós é que estamos sem ressonância para a beleza e perdemos o poder de descobrir o lado interessante de cada banalidade. Um homem assim não tem direito ao amanhecer de sua cidade. Deve levantar-se do banco de praia e ir-se embora, para não entediar os outros, com a descabida má-vontade dos seus ares.

Rio, 12/09/59

Fonte: https://rubem.wordpress.com/2023/02/22/amanhecer-em-copacabana-antonio-maria/.

quinta-feira, 27 de maio de 2021

SESSÃO LEITURA - CAFÉ COM LEITE - ANTÔNIO MARIA

O texto abaixo é de autoria de Antônio Maria.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa7522/antonio-maria.
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CAFÉ COM LEITE

É preciso amar, sabe? Ter-se uma mulher a quem se chegue, como o barco fatigado à sua enseada de retorno. O corpo lasso e confortável, de noite, pede um cais. A mulher a quem se chega, exausto e, com a força do cansaço, dá-se o espiritualíssimo amor do corpo.
Como deve ser triste a vida dos homens que têm mulheres de tarde, em apartamentos de chaves emprestadas, nos lençóis dos outros!  Como é possível deixar que a pele da amada toque os lençóis dos outros! Quem assim procede (o tom é bíblico e verdadeiro) divide a mulher com quem empresta as chaves.
Para os chamados “grandes homens”, a mulher é sempre uma aventura. De tarde, sempre. Aquela mulher, que chega se desculpando; e se despe, desculpando-se; e se crispa, ao ser tocada, e cerra os olhos, com toda força, com todo desgosto, enquanto dura o compromisso. É melhor ser-se um “pequeno homem”.
Amor não tem nada a ver com essas coisas. Amor não é de tarde, a não ser em alguns dias santos. Só é legítimo quando, depois, se pega no sono. E há um complemento venturoso, do qual alguns se descuidam. O café com leite, de manhã. O lento café com leite dos amantes, com a satisfação do dever cumprido.
No mais, tudo é menor. O socialismo, a astrofísica, a especulação imobiliária, a ioga, todo ascetismo da ioga... tudo é menor. O homem só tem duas missões importantes: amar e escrever à máquina. Escrever com dois dedos e amar com a vida inteira.

Fonte: https://panorama-direitoliteratura.blogspot.com/2014/01/cronica-antonio-maria-cafe-com-leite.html.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

SESSÃO LEITURA - O MAR - ANTÔNIO MARIA

A crônica abaixo foi escrita por Antônio Maria.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: http://www.releituras.com/antoniomaria_bio.asp.
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O MAR

Banho de mar no Recife era “banho salgado”, e só se tomava com ordem médica, das cinco às sete da manhã. Antes do sol.
As roupas de banho das mulheres começavam numa touca, seguindo-se um casaco-sunga escuro (com aplicações róseas ou azuis) até os joelhos e sapatos de borracha.
Não devia confessar, mas sou do tempo do “banho salgado”. Acordávamos com a noite fechada, entrávamos em nossas roupas de banho e partíamos. De carro, para a Boa Viagem. Em jejum. Ai de quem tomasse café e caísse no mar. Contavam-se casos de pessoas que envesgaram ou ficaram com a boca torta. Tinha que ser em jejum como o da comunhão. Nem água.
A família só descia do automóvel  depois que o chofer, pessoa de confiança, fizesse um reconhecimento da área e garantisse que não havia ninguém (homem) ali por perto.
Na praia, a pessoa mais velha mandava  que todos fizesse o “pelo sinal” e tirava uma ave-maria, a que todos respondiam, encomendando a alma a Deus, no caso de afogamento ou congestão.
– Botaram algodão nos ouvidos?
– Botamos.
Davam-se as mãos, moços e crianças, entravam no mar, até a cintura.
– Um, dois três ... e já!
E mergulhavam agoniados, de mãos dadas, olhos, ouvidos, boca e nariz tapados.
Essas minhas lembranças vêm de 1928. Apenas 33 anos.  Mas o mar era uma novidade. Um desconhecido. Fazia-se cerimônia com ele.  Tinha-se medo dele.  Mar de 1928 era ainda o mar de Castro Alves. Soleníssimo: “Stamos em pleno mar!” Fazia medo. O mar de hoje é o de Caymmi. Abrandou. Tornou-se íntimo. Ninguém respeita.

É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar...

Daquele mar do Recife, ficou uma lembrança: o cheiro dos sargaços. A quem os teve, sargaços na infância, por mais que ande, por mais feliz que esteja, faltará alguma coisa.

18/11/1961

Fonte: https://panorama-direitoliteratura.blogspot.com/2015/07/cronica-antonio-maria-o-mar.html.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

SESSÃO LEITURA - FRASES DE DEZEMBRO - ANTÔNIO MARIA

O texto abaixo é de autoria de Antônio Maria.
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FRASES DE DEZEMBRO

Dezembro é o mês de uma infinidade de frases, que se repetem em todos os anos, sempre as mesmas. Vamos lembrar algumas, que estão sendo ditas, desde o dia 1º.:
"O ano passou num abrir e fechar de olhos"
"Você reparou quanta gente conhecida morreu este ano?"
"E todas quando a gente menos esperava"
"Eu espero que o ano que vem seja um pouquinho melhor"
"Pois eu, minha filha, não tenho nada que me queixar. Luís Mário passou de ano"
"Nunca houve um ano tão ruim para negócios"
"Vocês já viram quanto está custando um quilo de castanhas?"
"Minha filha, com a vida pelo preço que está, nós não vamos fazer nada.    Mas,  se você quiser aparecer lá em casa, com as crianças, só nos dará prazer"
"Eu tenho horror a datas... se não fossem as crianças..."
"Natal de pobre é no dia 26"
"Se o Dagoberto não estivesse tão atropelado, eu ia pedir para ir, com as crianças, passar Natal nos Estados Unidos"
"Olhe, Daniel, como eu sei que os seus negócios não vão bem, vou deixar os brincos de esmeraldas para o ano que vem"
"Mamãe, o Luís Otávio falou que Papai Noel é o pai da gente"
"Olhe, se você não comer o ovinho todo, Papai Noel vai ficar tão triste que é capaz de não vir"
"Deixa passar esse negócio de Natal e Ano-Bom, que eu vou estudar uma maneira de ir pagando devagarzinho"
"Bom, o regime eu só vou começar depois do ano"
"Você não vai encontrar banco nenhum que desconte este título, a não ser depois do dia 1º."
"Eu quero ver se, de janeiro em diante, paro de fumar e de beber"
"Este ano só quem mandou presente foi o armazém e, assim mesmo, uma garrafinha de vinho do Porto"
"Eu já avisei a todo mundo, que não quero nada, porque não tenho para dar a ninguém"
"Logo que as crianças terminarem os exames, eu boto tudo num automóvel e levo lá para um sitiozinho que eu tenho em Thiago de Melo"
"Vocês sabiam que, no Norte, eles chamam rabanadas de fatias paridas?"
"O que é que você mais desejaria que o Ano Novo lhe trouxesse?"
"Minha filha, eu e as crianças estando com saúde, não preciso de mais nada"
"Minha mulher é uma santa. Ela falou que tudo o que eu tivesse de dar de Natal, desse às crianças"
"Falaram tanto dessas cestas! Você viu o que veio dentro?"
"Pois olhe, lá em Portugal, um quilo de castanhas custa três escudos"
"Mas, hoje em dia, qual é a diferença que existe entre o champagne nacional e o francês?"
"Com este, faz não sei quantos natais que eu não como uma fatia de peru"
"Você acha que, com as coisas como estão, este Governo aguenta até o fim do ano?"

Texto extraído do livro "O Jornal de Antônio Maria", Editora Saga - Rio de Janeiro, 1968, pág. 74.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

SESSÃO LEITURA - MULHER DOS OUTROS - ANTÔNIO MARIA

O texto abaixo é de autoria de Antônio Maria.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: http://www.releituras.com/antoniomaria_bio.asp.
Boa leitura!

MULHER DOS OUTROS

Dia claro. Primeiras horas do dia claro. Havíamos bebido e procurávamos um café aberto, para uma média, com pão-canoa. Quase todos estavam fechados ou não tinham ainda leite ou pão. Fomos parar em Ipanema, num cafezinho, cujo dono era um português e nos conhecia de nome de notícia. Propôs-nos, em vez de café, um vinho maduro, que recebera de sua terra, "uma terrinha (como disse) ao pé de Braga". Não se recusa um vinho maduro, sejam quais forem as circunstâncias. Aceitamo-lo. Nossa grata homenagem a José Manuel Pereira, que nos deu seu vinho.
Nesse café, além de nós, havia um casal, aos beijos. As garrafas vazias (de cerveja) eram quatro sobre a mesa e seis sob. Beijavam-se, bebiam sua cervejinha e voltavam a beijar-se. Não olhavam para nós e pouco estavam ligando para o resto do mundo. Em dado momento, entraram dois rapazes e pediram aguardente no balcão. Ambos disseram palavrões, em voz alta. O casal dos beijos e da cerveja parou com as duas coisas. Outros palavrões e o cabeça do casal protestou:
— Para com isso, que tem senhora aqui!
Um dos rapazes dos palavrões:
— Não chateia!
— Não chateia o quê? Para com isso agora!
Um dos rapazes do palavrão:
— E essa mulher é tua mulher?
— Não é, mas é mulher de um amigo meu!
A briga não foi adiante. Todos rimos. O dono da casa, os rapazes dos palavrões, o casal. Está provado que: quem sai aos beijos com mulher de amigo não tem direito a reclamar coisa alguma.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

SESSÃO RETRÔ - NOVELAS - ANTÔNIO MARIA - TRECHOS DE SCRIPTS - PARTE 7 (FINAL)

Tempos atrás tivemos a oportunidade de publicar algumas páginas do livro Momentos Maravilhosos de Antônio Maria, que podem ser acessadas em: http://biscoitocafeenovela.blogspot.com/2010/07/antonio-maria.html.
A primeira versão da novela Antônio Maria foi apresentada pela TV Tupi, no horário das 19 h, de julho de 1968 a 30 de abril de 1969.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: http://www.teledramaturgia.com.br/tele/antonio68.asp.
Com essa publicação, estamos encerrando as postagens sobre o livro acima citado.
Na próxima semana, reproduziremos reportagem sobre a novela Jerônimo, o Herói do Sertão, apresentada na Rede Tupi, em 1972.
Boa recordação!



segunda-feira, 30 de abril de 2012

SESSÃO RETRÔ - NOVELAS - ANTÔNIO MARIA - TRECHOS DE SCRIPTS - PARTE 6

Tempos atrás tivemos a oportunidade de publicar algumas páginas do livro Momentos Maravilhosos de Antônio Maria, que podem ser acessadas em: http://biscoitocafeenovela.blogspot.com/2010/07/antonio-maria.html.
Continuamos agora a apresentar os materiais desse livro.
A primeira versão da novela Antônio Maria foi apresentada pela TV Tupi, no horário das 19 h, de julho de 1968 a 30 de abril de 1969.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: http://www.teledramaturgia.com.br/tele/antonio68.asp.
Boa recordação!





segunda-feira, 23 de abril de 2012

SESSÃO RETRÔ - NOVELAS - ANTÔNIO MARIA - TRECHOS DE SCRIPTS - PARTE 5

Tempos atrás tivemos a oportunidade de publicar algumas páginas do livro Momentos Maravilhosos de Antônio Maria, que podem ser acessadas em: http://biscoitocafeenovela.blogspot.com/2010/07/antonio-maria.html.
Continuamos agora a apresentar os materiais desse livro.
A primeira versão da novela Antônio Maria foi apresentada pela TV Tupi, no horário das 19 h, de julho de 1968 a 30 de abril de 1969.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: http://www.teledramaturgia.com.br/tele/antonio68.asp.
Boa recordação!





segunda-feira, 16 de abril de 2012

SESSÃO RETRÔ - NOVELAS - ANTÔNIO MARIA - TRECHOS DE SCRIPTS - PARTE 4

Tempos atrás tivemos a oportunidade de publicar algumas páginas do livro Momentos Maravilhosos de Antônio Maria, que podem ser acessadas em: http://biscoitocafeenovela.blogspot.com/2010/07/antonio-maria.html.
Continuamos agora a apresentar os materiais desse livro.
A primeira versão da novela Antônio Maria foi apresentada pela TV Tupi, no horário das 19 h, de julho de 1968 a 30 de abril de 1969.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: http://www.teledramaturgia.com.br/tele/antonio68.asp.
Boa recordação!




segunda-feira, 9 de abril de 2012

SESSÃO RETRÔ - NOVELAS - ANTÔNIO MARIA - TRECHOS DE SCRIPTS - PARTE 3

Tempos atrás tivemos a oportunidade de publicar algumas páginas do livro Momentos Maravilhosos de Antônio Maria, que podem ser acessadas em: http://biscoitocafeenovela.blogspot.com/2010/07/antonio-maria.html.
Continuamos agora a apresentar os materiais desse livro.
A primeira versão da novela Antônio Maria foi apresentada pela TV Tupi, no horário das 19 h, de julho de 1968 a 30 de abril de 1969.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: http://www.teledramaturgia.com.br/tele/antonio68.asp.
Boa recordação!





segunda-feira, 2 de abril de 2012

SESSÃO RETRÔ - NOVELAS - ANTÔNIO MARIA - TRECHOS DE SCRIPTS - PARTE 2

Tempos atrás tivemos a oportunidade de publicar algumas páginas do livro Momentos Maravilhosos de Antônio Maria, que podem ser acessadas em: http://biscoitocafeenovela.blogspot.com/2010/07/antonio-maria.html.
Continuamos agora a apresentar os materiais desse livro.
A primeira versão da novela Antônio Maria foi apresentada pela TV Tupi, no horário das 19 h, de julho de 1968 a 30 de abril de 1969.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: http://www.teledramaturgia.com.br/tele/antonio68.asp.
Boa recordação!




segunda-feira, 26 de março de 2012

SESSÃO RETRÔ - NOVELAS - ANTÔNIO MARIA - TRECHOS DE SCRIPTS - PARTE 1

Tempos atrás tivemos a oportunidade de publicar algumas páginas do livro Momentos Maravilhosos de Antônio Maria, que podem ser acessadas em: http://biscoitocafeenovela.blogspot.com/2010/07/antonio-maria.html.
Continuamos agora a apresentar os materiais desse livro.
A primeira versão da novela Antônio Maria foi apresentada pela TV Tupi, no horário das 19 h, de julho de 1968 a 30 de abril de 1969.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: http://www.teledramaturgia.com.br/tele/antonio68.asp.
Boa recordação!

 





segunda-feira, 19 de março de 2012

SESSÃO RETRÔ - NOVELAS - ANTÔNIO MARIA - DIRETOR, SONOPLASTIA E EQUIPE TÉCNICA

Tempos atrás tivemos a oportunidade de publicar algumas páginas do livro Momentos Maravilhosos de Antônio Maria, que podem ser acessadas em: http://biscoitocafeenovela.blogspot.com/2010/07/antonio-maria.html.
Continuamos agora a apresentar os materiais desse livro.
A primeira versão da novela Antônio Maria foi apresentada pela TV Tupi, no horário das 19 h, de julho de 1968 a 30 de abril de 1969.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: http://www.teledramaturgia.com.br/tele/antonio68.asp.
Boa recordação!



segunda-feira, 12 de março de 2012

SESSÃO RETRÔ - NOVELAS - ANTÔNIO MARIA - ATORES E PERSONAGENS - PARTE 7 (FINAL)

Tempos atrás tivemos a oportunidade de publicar algumas páginas do livro Momentos Maravilhosos de Antônio Maria, que podem ser acessadas em: http://biscoitocafeenovela.blogspot.com/2010/07/antonio-maria.html.
Continuamos agora a apresentar os materiais desse livro.
A primeira versão da novela Antônio Maria foi apresentada pela TV Tupi, no horário das 19 h, de julho de 1968 a 30 de abril de 1969.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: http://www.teledramaturgia.com.br/tele/antonio68.asp.
Boa recordação!





segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

SESSÃO RETRÔ - NOVELAS - ANTÔNIO MARIA - ATORES E PERSONAGENS - PARTE 5

Tempos atrás tivemos a oportunidade de publicar algumas páginas do livro Momentos Maravilhosos de Antônio Maria, que podem ser acessadas em: http://biscoitocafeenovela.blogspot.com/2010/07/antonio-maria.html.
Continuamos agora a apresentar os materiais desse livro.
Inicialmente, nas próximas semanas, apresentaremos os personagens e os atores que os interpretaram.
A primeira versão da novela Antônio Maria foi apresentada pela TV Tupi, no horário das 19 h, de julho de 1968 a 30 de abril de 1969.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: http://www.teledramaturgia.com.br/tele/antonio68.asp.
Boa recordação!