quarta-feira, 27 de março de 2013

SESSÃO SAUDADE - EMÍLIO SANTIAGO

Emílio Santiago não era daqueles cantores extremamente populares, que vendem muitos discos e que, algumas vezes, não têm talento algum, sendo apenas produto de marketing intenso.
Ele sabia cantar e interpretar, além de não se prender a um ritmo ou estilo só.
Por essas e outras, vai fazer muita com seu estilo diferenciado.
Para saber mais sobre esse artista, favor consultar: http://www.dicionariompb.com.br/emilio-santiago.
Com o objetivo de homenageá-lo, reproduzimos abaixo um de seus grandes sucessos: a canção Saigon.
Que descanse em paz!



LETRA

SAIGON

Tantas palavras
Meias palavras
Nosso apartamento
Um pedaço de Saigon
Me disse adeus
No espelho com batom

Vai minha estrela
Iluminando
Toda esta cidade
Como um céu
De luz neon

Seu brilho silencia
Todo som
Às vezes
Você anda por aí
Brinca de se entregar
Sonha pra não dormir

E quase sempre
Eu penso em te deixar
E é só você chegar
Pra eu esquecer de mim

Anoiteceu!
Olho pro céu
E vejo como é bom
Ver as estrelas
Na escuridão
Espero você voltar
Pra Saigon

Tantas palavras
Meias palavras
Nosso apartamento
Um pedaço de Saigon
Me disse adeus
No espelho com batom

Vai minha estrela
Iluminando
Toda esta cidade
Como um céu
De luz neon

Seu brilho silencia
Todo som
Às vezes
Você anda por aí
Brinca de se entregar
Sonha pra não dormir

E quase sempre
Eu penso em te deixar
E é só você chegar
Pra eu esquecer de mim

Anoiteceu!
Olho pro céu
E vejo como é bom
Ver as estrelas
Na escuridão
Espero você voltar
Pra Saigon

Fonte: http://letras.mus.br/emilio-santiago/45700/

SESSÃO HUMOR - COLABORAÇÃO: MARI DO MURAL DA URCA

As secretárias de alguns médicos devem crer que são doutoras. Sempre perguntam, quando chegas a uma consulta, a razão da tua visita e tens de responder, diante de todos, às perguntas que te fazem, o que, às vezes, é muito desagradável.
Não há nada pior que uma recepcionista que te pede para dizer o que está se passando contigo numa sala de espera cheia de pacientes.
Uma vez, entrei para uma consulta e me aproximei de uma recepcionista pouco simpática.
- Bom dia, senhorita!
A recepcionista me disse:
- Bom dia, senhor, o que o senhor está sentindo? Por que quer ver o doutor?
- Tenho um problema com meu pênis, respondi.
Como alguns dos presentes riram, a recepcionista se irritou e me disse:
- Você não deveria dizer coisas como estas diante das pessoas.
- Por que não? Você me perguntou o que eu estava sentindo e eu respondi.
A recepcionista, sem jeito, me disse:
- Poderia ter sido mais dissimulado e dizer, por exemplo, que teria uma irritação no ouvido e discutir o real problema com o doutor, mais tarde e em particular.
Ao que eu respondi:
- E você não deveria fazer perguntas diante de estranhos, se a resposta pode incomodar.
Então sorri, saí e voltei a entrar:
- Bom dia Senhorita!
A recepcionista sorriu meio sem jeito e perguntou:
- Sim?
- Tenho problemas com meu ouvido.
A recepcionista assentiu e sorriu, vendo que havia seguido seu conselho e voltou a me perguntar:
- E o que acontece com o seu ouvido, senhor?
- Arde quando eu mijo.

terça-feira, 26 de março de 2013

FIC - BORBOLETAS NO CORAÇÃO - CAPÍTULO 15 - AUTORA: SÔNIA FINARDI


XV

Na manhã seguinte, quando Rosa acorda, Claude  está com a  máquina entre as mãos.
- Suas fotos ficaram muito boas! Magnifique! Tia Elisabeth tem razon, você devia expor suas fotografias. E o vídeo também, oui?
- Isso é só um passatempo! Obrigada pela máquina, não era preciso, eu sei que fui a maior responsável  pela nossa queda... Se eu não tivesse ido tão dentro da pista...
- Voilá! Mas devo admitir que também fui culpado, hã? Quanto à máquina, era preciso sim... Senon, como explicar  aos nossos filhos que  quebrei a máquina da mãe deles e por isso ela não pôde fotografá-los? – Diz sorrindo.
- Filhos? – Pergunta Rosa surpresa.
- É o que geralmente acontece quando duas pessoas se amam e...  fazem amor. Filhos primeiro, com o tempo chegam os netos e quem sabe se tiverem sorte , bisnetos.  Non pensou que te ofereceria menos, pensou? – Fala, colocando a máquina de lado e voltando-se para ela.
- Pra falar a verdade... – Começa a dizer – Eu pensei que você quisesse apenas ficar comigo durante algum tempo. O tempo da obra...  – E desvia seu olhar, virando a cabeça para o lado.
- Mon Dieu, minha reputaçon está abalada! O que foi que a Janete andou falando sobre mim, hã?
- Não muita coisa.  – Rosa tenta olhar para alguma parte do rosto dele que não fossem os olhos - Mas ela disse que se tinha alguém que podia enfrentar e domar você esse alguém era eu.
- Nisso eu tenho que concordar com ela. Você conseguiu enfrentar meu mau humor como uma veterana. Que mais ela disse?
- Mais nada...  – Sua voz sai insegura.
- Tem certeza?
- Bem... Ela disse algo sobre uma ex-noiva francesa...
- Nara foi um grande erro em minha vida. E na verdade non chegamos a noivar.  Era uma relaçon baseada unicamente em sexo. Mas, voltando ao motivo de nossa conversa, vai querer ser a mãe dos meus filhos, non vai?
- Eu... - Começa a falar, mas Claude a impede de continuar.
Aproveitando seus lábios entreabertos, os lábios dele  abafam o som de suas palavras e  boa parte daquela manhã foi cheia de suspiros e frases doces, entrecortados por momentos silenciosos, onde apenas seus corpos falavam a inexplicável linguagem do prazer, que chegou impetuosamente em ondas de tremor incontroláveis, tal qual as ondas de um mar  bravio...
Horas mais tarde...
Rosa está na varanda, observando a paisagem, completamente encantada com a exuberância da natureza do pantanal.
- Pronta? – Pergunta Claude, abraçando-a por trás carinhosamente e encostando seu rosto ao dela.
- Pronta. Quem diria que ontem choveu daquele jeito? Toda nossa roupa secou rapidamente nesta manhã ensolarada.
- Uma pena. Você estava muito provocante toda molhadinha de chuva. – Fala, subindo suas mãos pelo corpo dela, sensualmente.
- Claudeee... Se continuar com isso, vamos nos atrasar...
- Non seria uma má ideia, gatinha! Porém, você tem razon. Vamos?
- È só o tempo de fechar as janelas e poderemos ir.
Minutos depois, estão ajeitando as mochilas. Rosa pega seu capacete e enrola o cabelo para colocá-lo.
- O dia não está perfeito? – Pergunta sorrindo.
- D’accord! Mas só está perfeito porque estou contigo. – Ele devolve o sorriso. - Espera, non coloca o capacete ainda.
- Por quê? O que houve?
- Porque com capacete non dá pra te beijar, hã?
Depois de um beijo suave e arrebatador, ele se afasta dizendo:
- Melhor nos apressarmos ou perderemos o almoço na Estância Mimosa. Non quero abusar da cordialidade de Freitas. Nem da boa vontade do Pimpinone.
- Pimpinone? Vamos encontrar com ele? – Fala, subindo na moto e segurando em Claude.
- Oui. Ele vai estar lá por dois motivos. Primeiro, porque tenho que entregar a chave diretamente para ele e segundo, porque ele quer conhecer você, gatinha...
Rosa ia perguntar o porquê, mas Claude já descia a trilha estreita e ela achou melhor não desviar sua atenção.
Fizeram o caminho de volta sem paradas, até chegarem à Estância. Pimpinone já os aguardava e depois das apresentações, os três se acomodam para almoçar.
Depois de almoçarem, Claude se ausenta até o banheiro e na volta acaba parando para falar com Freitas.
Rosa se encanta com jeito do velho Pimpinone. Sua fala é calma, daquelas de quem tem a sabedoria da vida na alma. Sua voz é firme, mas não ríspida.
E o sorriso, ah! O sorriso dele era algo contagiante, transmitia uma alegria imensa.
Era isso, pensava Rosa. Ele era feliz! Apesar de tudo, ele era feliz.  A felicidade dele consistia em fazer os outros felizes e por isso sua presença era tão significativa.
Pimpinone também “aprovou” Rosa e quando soube do seu apreço pelas borboletas e mariposas, emocionou-se profundamente.
- Minha falecida esposa também adorava borboletas e mariposas. Ficava horas observando-as pousar de flor em flor, principalmente depois que a doença tomou-lhe o organismo todo. Foi aí que resolvemos vir pra cá. Construí aquela cabana para ela. Foi onde passamos uma grande temporada até ela ter que ser hospitalizada, pois as dores eram insuportáveis...
- Eu sinto muito... – diz Rosa – O senhor devia amá-la muito.
- Tanto quanto esse francês a ama. Ou melhor, tanto quanto se juntássemos o amor que existe entre vocês dois. Sabe, Rosa, seus olhos são muito expressivos. Eu pude ler neles que você o ama, mas está com receio de que esse amor seja apenas atração física por parte dele. Muito embora, ele já deva ter confessado que a ama.
- Céus! O senhor lê pensamentos?
- Não – diz com uma risada leve e autêntica – Eu vivi praticamente a mesma história. Só que no meu caso, ela não era estrangeira, mas era de uma família tradicional e rica. Eu tinha uma boa situação, uma casa confortável, um bom emprego. Mas era... sou negro.
- E o que isso tem a ver?
- Há quase trinta anos atrás? Meu bem você nunca assistiu “Adivinhe quem vem para o jantar” na Sessão da Tarde?
- Muitas vezes! E chorava na mesma parte todas as vezes... É história de uma jovem branca que começa um romance com um renomado médico afro-americano...  O senhor era médico! - Rosa exclama, perplexa. – Deus, que coincidência!
- Uma tremenda brincadeira do destino! Assim como no filme, nossos pais se chocaram ao saber que estávamos noivos. Um negro, noivo de uma branca, não era algo comum ou bem visto pela sociedade.
- Mas quando nos apaixonamos, o coração não difere cor, nacionalidade, condição social...
- O coração não, mas há tanto preconceito por aí, minha querida! Enfrentamos os mais absurdos preconceitos, não apenas dos pais dela, mas dos meus também. E também de outros brancos e de outros negros, amigos e parentes de ambos os lados. Foram tentativas e tentativas de encontrar algo desabonador em mim,  que servisse  para nos afastar.
- Mas só descobriram qualidades morais e profissionais acima da média. Tenho certeza! – Fala Rosa, suavemente, colocando sua mão sobre a dele, ao perceber lágrimas nos olhos dele.
- Pimpinone foi um apelido que ela me deu.  É o nome de uma ópera cômica italiana. E pegou... rsrrs – Sorri tristemente, como se tentasse afastar a lembrança de algo.
- O senhor cuidou dela até os últimos minutos, não foi?
- Foi... Quando ela partiu, eu a tinha em meus braços! E pensar que eu quase desisti do nosso amor!
- E o que fez com que não desistisse?
- Uma história que ela me contou. Uma lenda eu creio. Quer ouvi-la?
- Ficarei honrada por me contar uma coisa tão pessoal...
Pimpinone respira profundamente antes de começar.
- Sabe, eu creio que vai servir pra você se decidir também...  É uma história simples, mas tem uma moral, nos dá uma lição incrível. Você vai gostar...

O Sábio e a Borboleta

Havia um pai que morava com suas duas jovens filhas, meninas muito curiosas e inteligentes. Suas filhas sempre lhe faziam muitas perguntas. Algumas ele sabia responder, outras não fazia a mínima ideia da resposta.
Como pretendia oferecer a melhor educação para suas filhas, as enviou para passar as férias com um velho sábio que morava no alto de uma colina.
Este, por sua vez, respondia todas as perguntas sem hesitar.  Já muito impacientes com essa situação, pois constataram que o tal velho era realmente sábio, resolveram inventar uma pergunta que o sábio não saberia responder.
Passaram-se alguns dias e uma das meninas apareceu com uma linda borboleta azul e exclamou para a sua irmã:
- Dessa vez, o sábio não vai saber a resposta!
- O que você vai fazer? - perguntou a outra menina.
- Tenho uma borboleta azul em minhas mãos. Vou perguntar para o sábio se a borboleta está viva ou morta. Se ele disser que ela está morta, vou abrir minhas mãos e deixá-la voar para o céu. Se ele disser que ela está viva, vou apertá-la rapidamente, esmagá-la e assim matá-la. Como consequência, qualquer resposta que o velho nos der vai estar errada.
As duas meninas foram, então, ao encontro do sábio, que se encontrava meditando sob um eucalipto na montanha. A menina aproximou-se e perguntou:
- Tenho aqui uma borboleta azul. Diga-me, sábio, ela está viva ou morta?
Calmamente o sábio sorriu e respondeu:
- Depende de você. Ela está em suas mãos...

Antes

- Que linda história... quem é o autor?
- Desconhecemos o autor...  – Continua Pimpinone – Mas assim é a nossa vida, o nosso presente e o nosso futuro. Não devemos culpar ninguém porque algo deu errado. O insucesso é apenas uma oportunidade de começar novamente com mais inteligência. Somos nós os responsáveis por aquilo que conquistamos ou não. Nossa vida está em nossas mãos, como uma borboleta azul... Cabe a nós escolher o que fazer com ela, só a nós. Por isso, não deixe nada, nem ninguém interferir na sua felicidade, Rosa. Nunca...
- Eu não vou deixar, prometo! – Rosa diz, emocionada.
- O que você não vai deixar, gatinha? – Pergunta Claude, sentando-se e passando os braços pelos ombros dela.
- De lembrar que as borboletas azuis estão em minhas mãos. – Diz, trocando um olhar e um sorriso com Pimpinone...

Continua...

SESSÃO REMAKE MUSICAL - LUA BRANCA - MARIA BETHÂNIA

A música Lua Branca, que teve como uma das intérpretes Verônica Sabino, é apresentada no vídeo abaixo por Maria Bethânia.
Para ouvir a versão de Verônica Sabino, favor acessar: http://biscoitocafeenovela.blogspot.com.br/2013/03/sessao-tunel-do-tempo-musical-lua.html.
Boa diversão!



Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=ZeRUZQiXfa0


SESSÃO TÚNEL DO TEMPO MUSICAL - LUA BRANCA - VERÔNICA SABINO

A música Lua Branca, interpretada por Verônica Sabino, fez parte da trilha sonora da novela O Cravo e a Rosa, apresentada pela Rede Globo no horário das 18h de 26 de junho de 2000 a 10 de março de 2001.
Para maiores informações sobre a novela, favor acessar: www.teledramaturgia.com.br/tele/cravo.asp.
Boa diversão!



LETRA

LUA BRANCA

Ó, lua branca de encantos e fulgores
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo
Vem tirar dos olhos meus o pranto
Ó, vem matar esta paixão que anda comigo

Ah! Por quem és, desce do céu, ó, lua branca
Essa amargura do meu peito, vem, arrancar
Dá-me o luar de tua compaixão
Ó, vem, por deus, iluminar meu coração

E tantas vezes lá no céu aparecias
A brilhar em noite calma e constelada
A tua luz, então, me surpreendias
Ajoelhada junto aos pés da minha amada

E ela a chorar, a soluçar, cheia de pejo
Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo
Ela partiu, me abandonou assim
Ó, lua branca, por quem és, tem dó de mim

Fonte: http://letras.mus.br/veronica-sabino/523515/

segunda-feira, 25 de março de 2013

WEBNOVELA - LAÇOS - CAPÍTULO 3 - AUTORA: JULIANA SOUSA

3° CAPÍTULO – Passado

Já haviam se passado duas semanas desde a última visita do Dr. Tarcísio à mansão. O Dr. Otávio esperava ansiosamente por uma resposta do seu advogado. Enquanto estava no escritório lendo as últimas notícias da economia do país, o telefone tocou. Era o advogado pedindo para encontrar-se com o empresário a fim de lhe contar os resultados das investigações.
Passou-se quase uma hora até que o advogado chegasse. Como sempre foi logo encaminhado para o escritório, onde os dois poderiam ter uma conversa particular sem serem incomodados.
Sente-se, por favor, Dr. Tarcísio. Pela a sua urgência em me encontrar, acredito que o senhor já conseguiu algum resultado.
O Dr. Tarcísio sentou-se. E apesar de estar confortado, Otávio pode perceber certa preocupação no rosto do advogado.
Bem, as investigações não poderiam ter acontecido melhor... O endereço escrito na carta ajudou muito. Nós conseguimos chegar a um resultado. No entanto, não foi exatamente o resultado que esperávamos.
Dr. Otávio pareceu confuso com a afirmação do advogado.
Mas por que diz isso? Não me diga que a criança não sobreviveu... Ou mais sério do que isso, ela na verdade não existe...
O advogado estava sério.
Não, não é isso, Dr. Otávio... Estou dizendo que existem coisas muito estranhas em relação a essa carta. Além do fato de que ela só foi encontrada agora... Há algo que não foi citado na carta. E sinceramente, não entendo o porquê de tal omissão.
O que exatamente? - perguntou Otávio intrigado.
Segundo a carta, que o senhor mesmo leu, uma mulher que supostamente tinha um relacionamento com seu filho Jorge, engravidou e perdeu a vida logo após o parto. A pessoa que escreveu disse que se tratava apenas de uma criança, e que o pai, nesse caso, o Jorge, deveria vê-la...
O Dr. Otávio que estava sentado em sua poltrona olhando para a janela próxima a ela, virou-se surpreso para o advogado.
O que o senhor quis dizer com apenas? Não me diga...
É exatamente isso que o senhor está pensando. Não se trata apenas de uma criança, e sim duas. Irmãs... Irmãs gêmeas.
A expressão facial do Dr. Otávio se tornou mais séria. Aquela notícia o pegou de surpresa.
Sinceramente, eu não sei o que pensar. - disse ele - É realmente algo que eu não esperava...
Otávio ficou calado por um instante. Ele nunca imaginara que nessa altura da vida coisas como essas aconteceriam.
Mas, me diga. Como elas vivem? Você tem informações sobre a vida dessas meninas?
O advogado abriu a pasta que carregava e tirou de lá alguns papéis. Pareciam ser relatórios.
— Bem, a história delas é um pouco complicada, mas quero que escute isso. Segundo o que foi descoberto, a mãe biológica se chamava Letícia. Não pudemos descobrir quase nada sobre ela, pois, de acordo com as pessoas que a conheceram, ela nunca falava sobre sua própria vida. Letícia faleceu após dar à luz as duas meninas. Logo depois, as gêmeas foram criadas por uma colega de profissão da mãe delas...
Dr. Otávio pareceu confuso.
Colega de profissão?
Sim. Como eu posso dizer... Letícia era uma garota de programa.
Dr. Otávio não acreditava no que ouvira.
Meu filho envolvido com uma garota de programa?
Devo prosseguir? – perguntou o advogado.
Claro. Prossiga, por favor.
O advogado olhou mais uma vez para os papéis em sua mão.
As duas foram criadas por essa colega, uma mulher chamada Tânia, e por um homem chamado Rogério, até os 7 anos. Tânia foi presa por tráfico de drogas. Então, elas foram levadas para outra amiga da mãe chamada Rebeca, essa era ex-garota de programa, que as criou durante um ano. Foi quando houve um incidente.
Dr. Otávio estava tentando digerir todas aquelas informações, quando foi pego pela pausa, até um pouco dramática, do advogado.
Que incidente?
Dr. Tarcísio limpou a garganta e prosseguiu.
Rebeca foi assassinada. – e continuando - Eu consegui com um amigo da polícia uma cópia do arquivo da investigação do caso naquela época, mas segundo o próprio relatório, não havia suspeitos ou razão para alguém querer matá-la. E como ela era uma ex-prostituta, eles resolveram arquivar o caso.
E não houve uma testemunha? Nada?
O advogado pareceu pensativo.
Para dizer que não houve... Houve sim uma. Uma das gêmeas. Ela foi encontrada desmaiada perto do corpo ensanguentado de Rebeca. Mas, segundo o relatório da polícia, a menina não podia se lembrar de nada daquele dia. Os médicos associaram a perda de memória ao trauma psicológico que ela deve ter sofrido. – fez uma pequena pausa - Bem, depois disso as duas foram para um abrigo, e há dois meses, por já terem completado 18 anos, vivem por conta própria.
O olhar do Dr. Otávio parecia muito sério. Ele agora se encontrava de pé junto a janela de seu escritório que dava para o jardim.
Elas devem ter sofrido muito. Sendo jogadas de um lado para o outro... Passando por tantas coisas...
— O que o senhor pretende fazer?
Otávio parecia pensativo.
De um lado eu tenho a opinião pública... Afinal, essa história é um prato cheio para a mídia. De outro lado, tem a possibilidade de que essas duas garotas sejam minhas netas de verdade, apesar de serem filhas de um tipo de mulher que não me agrada.
O advogado sorriu.
Parece que o senhor já tomou uma decisão.
Você me conhece há algum tempo, meu caro amigo... Tem razão. Não sei como ou quando... – disse pensativo – Eu preciso me encontrar com essas meninas.
Dr. Otávio parecia preocupado. O advogado percebeu isso.
Parece que algo o preocupa.
Dr. Otávio olhou para o amigo.
— Tem razão. Estou pensando na reação da minha família. Não importa como isso seja dito, alguns deles não vão reagir muito bem. – Otávio olhou para Tarcísio. – Enquanto isso... Gostaria que me mantivesse informado acerca delas.  Não entre em contato com elas ainda, apenas as observe por um tempo, para me manter atualizado sobre a situação delas.
Claro, Dr. Otávio, vou mantê-lo informado sobre tudo.
O advogado saiu.

Viviane estava conversando com Verônica no intervalo das aulas. As duas estavam sentadas em cadeiras da lanchonete da faculdade.
— Ah, ia esquecendo. – disse Verônica pegando algo dentro da bolsa. – O seu livro. Ajudou muito na cadeira que estou fazendo agora.
Vivi pegou o livro e guardou.
— Mas, me diz uma coisa... – disse Verônica curiosa. – E aquela carta daquele dia?
— Ah... A carta? Eu entreguei para o vovô.
— E?
— E nada.
Verônica parecia surpresa.
— E você não perguntou a ele o que era? – perguntou boquiaberta. – Nem parece você.
— Você acha que eu não perguntei?
— E ele?
— Nada.
— Que estranho...
Viviane assoprou. Verônica percebeu que ela estava de mau humor.
— O meu avô anda muito estranho ultimamente... – disse Viviane, semicerrando os olhos. – Alguma coisa está acontecendo, eu tenho certeza...
Verônica tomou um pouco de suco.
— Você acha que aquela carta era de alguma antiga namorada?
Vivi quase pulou da cadeira.
— Você está maluca?
Verônica se assustou com a reação da amiga.
— Ai, por quê?
Viviane olhou para a Verônica um pouco irritada.
— O meu avô não está mais na idade de romance, Verônica. E além do mais, eu não ia permitir isso.
— Ué? Por quê? Você não acha que o seu avô merece ser feliz também?
— Não é isso. É só que eu não quero ter que dividir o amor do meu avô com outra pessoa. Você sabe que ele além de meu avô, ele é meu pai, meu irmão, minha mãe. Eu não vou deixar que ninguém me tire isso.
— Ai, Vivi. Falando assim até parece uma pessoa totalmente possessiva. Ainda bem que sou sua amiga, né? Mas, vamos mudar de assunto, sim? Está rolando um boato de que você ficou com alguém naquela festa. Por que não me disse nada?
Que festa?
A festa da Yasmim há três semanas atrás.
Viviane riu.
— Não é verdade, as pessoas falam muito. – e falando como para si mesma. – Aquilo não foi nada...
Verônica arregalou os olhos.
— Aquilo o quê?
— Nada. Você não ouviu? – e mudando de assunto. – Mas, me diz uma coisa, eu também ouvi alguns boatos por aí.
Verônica olhou para Viviane confusa.
— Que boatos?
Viviane olhou para os lados se certificando que ninguém estava prestando atenção nas duas.
— Sobre o seu irmão.
— O Fabrício?
— Quem mais, você tem algum outro irmão que eu não saiba?
Verônica ficou séria de repente.
— Ah...
— É verdade? – perguntou Vivi curiosa.
— Eu não sei... Mas, outro dia, ele chegou em casa quase 4 da manhã. Parecia que tinha se envolvido em alguma briga. Eu não sei o que está acontecendo com ele, mas se o nosso pai descobrir...
Viviane percebeu que Verônica estava mais preocupada com o irmão do que com a reação do pai.

Emanuela chegou em casa um pouco cansada. Acordar muito cedo todos os dias a estava deixando bastante sobrecarregada. Logo ao chegar, uma vizinha, dona Heloísa a chamou.
— Olá, dona Helô. – disse se aproximando da senhora - Tudo bem com a senhora?
— Olá, querida... Você está chegando agora?
— Sim. Mas o que a senhora queria comigo?
Dona Helô era uma senhora nos seus 50 anos, e era conhecida por ser a maior fofoqueira do bairro. Quando Emanuela se aproximou, a vizinha olhou para os lados se certificando de que ninguém estava ouvindo a conversa.
— Eu não te contei, mas há alguns dias, veio um homem e perguntou por vocês... Ele não parecia ser um conhecido.
Emanuela tentou disfarçar sua preocupação.
— E o que ele queria? - perguntou Emanuela um pouco preocupada.
— Eu não sei. Mas fez perguntas estranhas. Ele sabia que vocês vieram do orfanato... Perguntou também onde vocês trabalhavam...
— E a senhora respondeu?
— Não. Eu não confio em qualquer pessoa. Mas quero que vocês tomem cuidado. Vocês moram sozinhas... Bem, qualquer coisa é só pedir minha ajuda.
Manu sorriu.
— Muito obrigada, dona Helô. Mas não precisa se preocupar tanto... A senhora já tem tantos problemas. Eu me sinto mal por ser um incômodo.
Dona Heloísa sorriu.
— De maneira alguma. Mesmo que eu conheça vocês há pouco tempo, eu me preocupo muito.
Nesse momento, Mariana também chegou. Ela vinha da casa de Dona Francinete, a locatária da casa das duas.
— Oi, Manu! Você me parece tão cansada!- disse Mariana olhando para a irmã, e falando com Dona Heloísa - Olá, dona Helô!
— Oi minha filha, como vai? Cheguei quase agora também do trabalho. E você está vindo da onde?
Mariana suspirou.
— Fui ajudar a dona Francinete, já que a filha dela tem me ajudado com os estudos...
Dona Helô se preparou para entrar em casa.
— Bem, eu vou entrando. Daqui a pouco a Vanessa também chega do estágio. Aquela menina chega com uma fome que vou te contar.
As meninas riram enquanto viram Dona Heloísa entrando em casa. De repente, Emanuela ficou um pouco mais séria.
— Você sabe o que a dona Helô falou?
— Sei. Toda vizinhança está falando a mesma coisa.
Emanuela olhou para a irmã.
— Fico preocupada com você ficando sozinha em casa...
— Não se preocupe tanto. Eu também não fico o dia todo em casa. Dou minhas aulas de reforço.
As duas começaram a andar em direção ao portão da casa onde moravam. Emanuela ficou calada de repente. Ficou pensando como as duas haviam passado por momentos difíceis. Às vezes, desejava que tudo fosse diferente.
Mariana pareceu adivinhar o pensamento da irmã.
— Vai ficar tudo bem!
Emanuela sorriu.
Eu sei. Só estava pensando em tudo o que a gente passou.

Mariana olhou para a irmã.

— Às vezes, eu também fico pensando besteiras...
— Besteiras?
Mariana sorriu.
— Besteiras do tipo "e se". E se nossa mãe não tivesse morrido, e se conhecêssemos nosso pai... Mas, eu afasto esses pensamentos. E penso que enquanto estivermos juntas vai estar tudo bem. Acho que a vida é muito curta para a gente ficar desperdiçando com pensamentos desse tipo.
— É bem como você disse... – disse Emanuela distante - A gente combinou sorrir não importa o que aconteça, né?
Mariana riu alto.
— O que foi?
— Desculpa, é que por um momento fiquei em crise de identidade. Você falou como se fosse eu. Então, eu pensei que se você sou eu, e eu sou você... Então, eu não estava sendo eu, que é você, o tempo todo!
Emanuela olhou para a irmã e sorriu.
— Às vezes, eu tenho esses tipos de pensamento também...
— Sobre o quê? Em você ser eu e eu ser você? – perguntou Mariana curiosa.
— Não. Às vezes, eu penso que você não existe. Que é fruto da minha imaginação.
Mariana caiu na gargalhada.
— Mari, você não é normal! – disse Emanuela tentando não rir.
— Quem disse que tem que ser normal para ser feliz, hein?
Emanuela tentou ficar séria.
— Você estudou hoje?
Mariana fez um gesto afirmativo com a cabeça.
— Tem certeza? – perguntou a irmã inquiridora.
Mariana fez um muxoxo.
— É claro que estudei, né? Você não acredita na minha palavra?
De repente, Emanuela começou a rir.
— Ué? O que foi agora? – perguntou Mariana não entendendo a risada da irmã.
— Nada. Eu só pensei que se você passar no vestibular, eu deixo você ir para a Coréia!
É sério? Oppa Gangnam Style! – disse imitando a coreografia tão conhecida.
Emanuela não se aguentou e caiu na gargalhada.
As duas riram. Não sabiam o porquê de tanta alegria, mas sabiam que enquanto tivessem uma a outra tudo estaria bem.

No dia seguinte, pela manhã, Viviane foi chamada pelo avô assim que se aprontou para ir à faculdade.
Logo que entrou no escritório do avô, Viviane viu o quanto ele estava ocupado.
Bom dia, vovô! A minha mãe disse que o senhor queria falar comigo. Sobre o que é?
Dr. Otávio que já estava sentado na poltrona não respondeu. Estava muito concentrado no que estava fazendo.
Vovô! - insistiu Viviane.
Otávio pareceu acordar de repente. E se sentiu menos pressionado ao ver o rosto sorridente da neta.
Bom dia, Vivi. Como vai a minha neta preferida?
Viviane sorriu.
Assim não vale! Esqueceu que sou sua única neta?
Otávio ficou um pouco sério. Havia pensado muito sobre como diria a família sobre o conteúdo da carta.
Viviane, eu tenho um assunto delicado para conversar com a família, você poderia pedir para que todos se reunissem? Você pode ver como está a agenda de todos? Assim posso conversar com eles.
Posso... Mas, do que se trata? Não pode me adiantar alguma coisa?
 Otávio parece indeciso por um momento.
Não. É melhor quando todos estiverem reunidos.
Viviane ficou preocupada. A última vez que o vira sério daquele jeito foi quando o casamento de Fabiano havia sido cancelado.