quinta-feira, 28 de agosto de 2014

SESSÃO LEITURA - VELHICE - GUILHERME DE ALMEIDA

O texto abaixo é da autoria do poeta brasileiro Guilherme de Almeida.
Boa leitura!

VELHICE

Uma folha morta.
Um galho no céu grisalho.
Fecho a minha porta.

SESSÃO ABERTURA DE NOVELA - QUEM É VOCÊ

A novela Quem é Você foi apresentada pela Rede Globo no horário das 18h de 4 de março a 7 de setembro de 1996.
O tema musical de abertura era Noite dos Mascarados, interpretado por Emílio Santiago.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: www.teledramaturgia.com.br/tele/quem.asp.
Boa diversão!


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=bAcE714nh_0

LETRA

NOITE DOS MASCARADOS

Quem é você?
Adivinhe, se gosta de mim
Hoje os dois mascarados
Procuram os seus namorados
Perguntando assim:
Quem é você, diga logo
Que eu quero saber o seu jogo
Que eu quero morrer no seu bloco
Que eu quero me arder no seu fogo

Eu sou seresteiro
Poeta e cantor
O meu tempo inteiro
Só zombo do amor
Eu tenho um pandeiro
Só quero violão
Eu nado em dinheiro
Não tenho um tostão
Fui porta-estandarte
Não sei mais dançar
Eu, modéstia à parte
Nasci pra sambar
Eu sou tão menina
Meu tempo passou
Eu sou Colombina
Eu sou Pierrot

Mas é carnaval
Não me diga mais quem é você
Amanhã, tudo volta ao normal
Deixe a festa acabar
Deixe o barco correr
Deixe o dia raiar
Que hoje eu sou
Da maneira que você me quer
O que você pedir
Eu lhe dou
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser

Fonte: http://letras.mus.br/emilio-santiago/285981/

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

SEGREDOS - CAPÍTULO 9 - AUTOR: LUCAS C. RIBEIRO

CAPÍTULO 9

CASA DE RAIMUNDO

Michel: Chegou mensagem.
Raimundo: Talvez seja minha filha.
Michel: É da Paula, ela sequestrou a Débora e levou para a casa dela.
Raimundo: Ai, meu Deus, será que vai acontecer alguma coisa com ela?
Michel: Eu vou lá, se eu não aparecer dentro de duas horas, você liga para a polícia.

Michel sai.

Raimundo: Senhor, não deixe que nada de ruim aconteça com minha filha.

CASA DE FÁTIMA

Fora

Amanda chega.
Pedro observa ela entrando na casa de Fátima.

Pedro: Então, é aqui que a desgraçada está ficando.

Dentro

Amanda: Pedro descobriu que a gente fugiu da cadeia.
Bheatriz: Não se preocupe, Amanda, ele não vai fazer nada.
Amanda: Será?

Pedro bate na porta.
Sem saber quem é, Fátima abre a porta.

Pedro: Eu quero vê a Amanda.

Pedro vai entrando, ele vê Amanda e Bheatriz.

Pedro: Então, é aqui que estão as duas.
Bheatriz: Pedro!
Amanda: O que você faz aqui? Seu desgraçado.
Pedro: Vocês estão foragidas da polícia, não é? Vocês vão voltar para lá hoje mesmo.
Amanda: Por quê? Vai ligar para a polícia, é?
Pedro: Não, eu não preciso. Já liguei.

Três policias entram.

Pedro: Elas estão bem aqui.

CASA DE GERALDO

Geraldo: Filho.
Jorge: Pai.

Geraldo: Eu vou te falar uma coisa.

Geraldo fala algo no ouvido de Jorge.

Jorge: Não, pai.

Jorge começa a chorar.

Geraldo: Guarde isso bem guardado, Jorge, você voltará para o orfanato.
Jorge: O que é isso, pai?
Geraldo: É o testamento. Guarde bem guardado, filho.

Geraldo sai.

Jorge: Pai! Pai!

Jorge continua chorando.

CASA DE PAULA

Paula: Já está quase na hora de ficarmos torradas.
Débora: Deve ter algum lugar aqui que eu possa fugir.

Débora vai para o quarto no segundo andar.

Michel chega.

Michel: Cadê a Débora?
Paula: Esse foi o fim dela. Ela está morta.
Michel: Desgraçada!
Paula: Que bom que você está aqui, Michel. Vamos morrer juntos.

Débora chega.

Débora: Michel.
Michel: Paula, sua desgraçada mentirosa!
Paula: Você caiu bem direitinho.
Michel: Vamos sair daqui!
Paula: Ninguém vai sair daqui!
Michel: Por que não?
Paula: Vejam.

Michel e Débora olham para a porta.

Michel: Está tudo pegando fogo, até a gente chegar lá, a gente morreria.
Paula: Esse é o nosso fim. A gente poderia brindar, mas não há nenhum líquido nessa casa.
Débora: E agora, Michel?
Michel: Não sei, o fogo se espalhou pela casa toda.

Os bombeiros chegam do lado de fora da casa.

Bombeiro 1: Temos que apagar isso logo! Vamos, pessoal!

Dentro da casa.

Michel: Os bombeiros chegaram.
Débora: Graças a Deus!
Paula: Chegaram tarde. Afinal, eu imaginei que eles viriam. Por isso, instalei uma bomba na casa, lá no segundo andar, ela vai explodir daqui a pouco.
Débora: Você está mentindo.

Fora da casa.

Raimundo chega.

Raimundo(desesperado): Vocês têm que salvar minha filha. Ela está lá dentro.
Bombeiro 2: Calma, senhor, nós vamos fazer tudo o que for possível.

ORFANATO

Jorge é levado para o orfanato.
Jorge chora.

Jorge (pensando): Por que meu pai foi se matar? Eu preferia ter ele vivo comigo do que ficar nesse orfanato, mesmo tendo aquela droga de herança.

Pâmela chega.

Pâmela: Olá, meu nome é Pâmela.
Jorge: O meu é Jorge.
Pâmela: Oi, Jorge, você quer ser meu amigo?
Jorge: Claro.
Pâmela: Nós vamos ser grandes amigos.

Pâmela abraça Jorge.

CASA DE PAULA

Dentro.

Paula: Esse é o nosso momento final. Chegou a hora da nossa morte.
Débora: Você está doida.
Paula: Eu falei com vocês, ou o Michel era meu, ou eu acabava com vocês.

Michel vê que o armário vai cair.

Michel: Cuidado.

O armário cai em cima de Débora e Paula.

CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO

Michel: Eu lamento pela morte de Débora.
Raimundo: Eu sei que você não teve culpa.
Michel: Eu tentei salvá-la.

Michel abraça Raimundo.


SANTA CASA DE MISERICÓRDIA

Enfermeiro 1 está vendo a televisão.

Televisão: Estamos acompanhando agora uma casa que pegou fogo, onde duas moças e um rapaz estão dentro da casa.

Enfermeiro 1: Nossa Senhora.

Mostra-se a foto dos três na televisão.
Enfermeiro 2, passando por perto, vê as fotos.

Enfermeiro 2: Débora!
Enfermeiro 1: Você conhece ela?
Enfermeiro 2: Débora e Michel.

SESSÃO SAUDADE - METRÔ

Os anos 80, no Brasil, foram marcados pelo sucesso do rock nacional. Muitas bandas surgiram, estouraram e, posteriormente, desapareceram.
Uma dessas bandas foi o grupo Metrô, cuja vocalista era uma encantadora francesinha de nome Virginie.
O grupo rapidamente emplacou sucessos como Beat Acelerado, Johnny Love, Tudo Pode Acontecer, dentre outros.
Para saber mais sobre o grupo, favor acessar: pt.wikipedia.org/wiki/Metrô_(banda).
Obrigado, Metrô, por ter alegrado a vida de tanta gente nos dourados anos 80!
Saudade!
Com o objetivo de homenagear o conjunto, reproduzimos abaixo dois de seus grandes sucessos: Beat Acelerado e Tudo Pode Mudar.

PRIMEIRO VÍDEO


LETRA

BEAT ACELERADO

Minha mãe me falou
Que eu preciso casar
Pois eu já fiquei
Mocinha...

Procurei um alguém
E lhe disse:
Meu bem!
Você quer entrar
Na minha?...

Acontece porém
Que eu não sei me entregar
A um amor somente
Quando ando nas ruas
Fico só namorando
E olhando prá toda gente...

Coração ligado
Beat Acelerado...(3x)

Meu amor se zangou
De ciúme chorou
Não quer ficar mais
Ao meu lado
E hoje eu sigo sozinha
Sempre no meu caminho
Solta e apaixonada...

Coração ligado
Beat Acelerado...(3x)(final 4x)

(Repetir a letra)


SEGUNDO VÍDEO



LETRA

TUDO PODE MUDAR

Nada ultrapassa
A velocidade do amor
Venha de onde vier
Seja como for
Subitamente o tempo
Parece parar
Nada acontece distante
Do teu olhar...

E eu aqui sozinha
Esperando você chegar
Enquanto o digital do relógio
Parece avisar
Ah! Ah!...

Que no balanço das horas
Tudo pode mudar
Que no balanço das horas
Tudo pode mudar...

Eu acho que ele não vem
(Não! Não! Não! Não!)
Ele não vem não!
(Não! Não! Não! Não!)
Ou será que virá?
Ah! Ah! Ah!...

Volto para casa
Fazendo trapaças prá dor
Seja o que Deus quiser
Seja o que for
Me ligo na televisão
Pro tempo passar
Mas todos os anúncios afirmam
Que é bom amar...

E dentro do meu peito
Não tem jeito bate paixão
São dez prá ficar louca
Daqui a pouco posso pirar
Ah! Ah! Uauuu!...

E no balanço das horas
Tudo pode mudar
E no balanço das horas
Tudo pode mudar...

Eu acho que ele não vem
(Não! Não! Não! Não!)
Ele não vem não!
(Não! Não! Não! Não!)
Ou será que virá?
Ah! Ah! Ah!...

E dentro do meu peito
Não tem jeito bate paixão
São dez prá ficar louca
Daqui a pouco posso pirar
Ah! Ah! Uauuu!...

E no balanço das horas
Tudo pode mudar
Oh! Oh!
E no balanço das horas
Tudo pode mudar
Ah! Ah! Au!
E no balanço das horas
Tudo pode mudar
Oh! Oh!
E no balanço das horas
Tudo pode mudar...

Eu acho que ele não vem
(Não! Não! Não! Não!)
Ele não vem não!
(Não! Não! Não! Não!)
Ou será que virá?
Ah! Ah! Ah!
-Será?

Fonte: http://letras.mus.br/metro/68963/

SESSÃO HUMOR

A mulher chega para o marido e diz:   
- Amor, temos que avisar ao nosso filho para não se casar com aquela bruxa que ele namora!                                                                                            
O marido responde:
- Não vou dizer nada, quando foi minha vez ninguém avisou!

Fonte: http://www.piadas.com.br/piadas/piadas-de-casamento/piada-da-namorada-bruxa-do-filho.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

O HOMEM QUE DEVE MORRER - CAPÍTULO 49 - TONI FIGUEIRA


Novela de Janete Clair

Adaptação de Toni Figueira

CAPÍTULO 49

Participam deste capítulo

Cyro  -  Tarcísio Meira
Ester  -  Gloria Menezes
Baby  -  Claudio Cavalcanti
Ricardo  -  Edney Giovenazzi
Otto  -  Jardel Filho
Lia  -  Arlete Sales
Catarina  -  Lidia Mattos
Paulus  -  Emiliano Queiroz
Dr. Avelar  -  Álvaro Aguiar
Dr. Roberto  -  Paulo Cesar Pereio

CENA 1  -  PALACETE DO COMENDADOR LIBERATO  -  QUARTO DE BABY  -  INTERIOR  -  DIA

RICARDO APARECEU CEDINHO NO PALACETE DOS LIBERATO E JÁ ENCONTROU BABY DE PÉ, APRONTANDO-SE PARA SAIR. SOBRE A CAMA UMA MALA DE VIAGEM, ENTUPIDA DE TERNOS E ROUPAS BRANCAS. O ENGENHEIRO COMPREENDEU O PORQUÊ DAQUILO.

RICARDO  -  Vai fugir para não se casar com Inês?

BABY  -  Que que você acha? Devo ficar pra me amarrar nela? Isso tem graça?

RICARDO  -  Já pensou como vai ficar sua situação diante dos seus empregados?

BABY  -  E pra ficar bem diante deles, vou fazer uma burrada destas, velho! Tenha paciência!

RICARDO  -  Você gosta da Inês?

BABY  -  (pensou um pouco) Sei lá se gosto! Eu não me entendo! Às vezes, sinto falta dela. Fico gamado por ela. Outras vezes, ela me enche a paciência. Você sabe que sou meio aloprado. Não me prendo a coisa nenhuma. E depois, pensando bem, o casamento com Inês vai ser um disparate. Você já pensou?!

RICARDO  -  Coitada dessa moça...

BABY  -  Imagina os problemas  que essa situação pode trazer. Em absoluto, não sinto receio de confessar toda a história ao meu pai, apesar do trauma que, certamente, vai abalar o velho. Orgulhoso, rico, o Comendador Liberato jamais aceitaria o casamento do único herdeiro com a filha de um humilde pescador. Mas isso não impede de me decidir. Sabe que até acho interessante dar um susto no velho, casando com a jovem sem estudos e pobre? O mais sério, Ricardo, é que não se trata de casamento por amor, nem paixão. E não estou disposto a me sacrificar pra ficar quite com a sociedade! Nada disso! Eu quero sombra e água fresca!

RICARDO  -  Eu sei. Inês servia pra curar suas bebedeiras.

BABY  -  Pois é. Mas ela tirou proveito de uma delas. Foi depois de uma que me levaram direitinho no bico. Mas não tem problema. Eu me mando daqui por alguns dias. Você vai lá e avisa que tive de fazer uma viagem de negócios. Quando eu voltar, a vontade de casar comigo já terá esfriado. (bateu nas costas do amigo) Tá?

RICARDO  -  Eu não vou me prestar a isso, Baby. Mande outra pessoa dar esse recado.

VIROU AS COSTAS PARA SAIR. BABY CORREU A AGARRÁ-LO.

BABY  -  Vem cá. Você tem de me ajudar!

RICARDO  -  Olha, Baby... você vai desfazer tudo o que conseguiu entre os mineiros; a simpatia, a confiança, tudo! Sabe o que vão pensar da sua atitude? Que você não passa de um moleque! Ótima propaganda para quem está exercendo a sua posição numa luta de morte contra Otto Muller!

BABY BAIXOU A CABEÇA, SEM RESPONDER.

CORTA PARA:

CENA 2  -  HOSPITAL  -  SALA DOS MÉDICOS  -  INTERIOR  -  DIA

FRENTE A FRENTE, SENTADOS EM BANQUETAS DE FERRO CROMADO, OS DOIS MÉDICOS DISCUTIAM A QUESTÃO DO TRANSPLANTE.

CYRO  -  Sou da opinião que nada impede o êxito da operação. Não temos outra alternativa. Ou transplante ou Otto Muller já era.

DR. ROBERTO  -  Bem, eu não sou tão crédulo como você. Sou a favor de uma intervenção de caráter recuperador. Mas, como especialista, sei de antemão que o caso é desesperador. Uma possibilidade em mil de sucesso operatório. E parece que a mãe é contra. Reagiu muito mal diante da hipótese do transplante.

CYRO  -  Não podemos forçar.

A PORTA SE ABRIU E A ENFERMEIRA ENTROU.

ENFERMEIRA  -  (dirigiu-se a Cyro) Com licença. Doutor! A mãe do senhor Otto Muller deseja falar com o senhor. Ela está aí fora.

CYRO  -  (olhou significativamente para o colega) Pode deixá-la entrar.

DONA CATARINA VINHA COM A FACE ENRUGADA, PROFUNDAS OLHEIRAS. DENOTAVA CANSAÇO.

CATARINA  -  Doutor... quero saber o que vão fazer com o meu filho.

CYRO  -  Não operaremos sem o seu consentimento.

CATARINA  -  (estremeceu) Eu me horrorizo só de pensar que meu filho terá em seu peito o coração de outra pessoa!

CYRO  -  A senhora não é obrigada a aceitar isso como solução.

CATARINA  -  (segurou as mãos do médico, humilde) Responda, francamente: é uma solução?

CYRO  -  (demorou um pouco a responder) No caso dele, talvez seja. Porque é um caso perdido. (Catarina pôs a mão em concha sobre a boca) Não posso garantir à senhora que vamos salvar sua vida. É uma tentativa com 50% de probabilidades.

CATARINA  -  E se ele não se operar?

CYRO  -  Não vai resistir.

SEM LEVANTAR O ROSTO, DOS OLHOS DE CATARINA ESCORRIAM GROSSAS LÁGRIMAS.

CATARINA  -  Pode chamar aqui meu irmão e Dona Lia Sanches? Estão aí ao lado, na sala de espera.

CORTA PARA:

CENA 3  -  HOSPITAL  -  QUARTO DE OTTO  -  INTERIOR  -  NOITE

NA MEIA LUZ DO QUARTO, COM AS PERSIANAS BAIXADAS, OTTO DORMIA INCONSCIENTE. RESPIRAÇÃO ARFANTE. DO ALTO DE UMA ARMAÇÃO DE FERRO, DESCIA O SORO QUE SE INJETAVA, GOTA A GOTA, EM SUAS VEIAS.

CYRO  -  Acho conveniente que a família decida logo. Cada minuto representa um passo a mais em direção à morte. O transplante pode ser a solução.

DONA CATARINA MELHORARA. TRANQUILIZAVA-SE ANTE O IRREMEDIÁVEL. ENCAMINHOU DE VEZ O ASSUNTO.

CATARINA  -  Gostaria que todos vocês se interessassem pela vida de meu filho e tomassem comigo esta decisão importante. Chamem Dr. Paulus e Ester, que estão no quarto ao lado.

CYRO  -  (ordenou à enfermeira) Chame Dona Ester Keller aqui e o Dr. Paulus, que está com ela.

UM SILENCIO DESAGRADÁVEL CAIU SOBRE O QUARTO, QUEBRADO APENAS PELA RESPIRAÇÃO OFEGANTE DO HOMEM CONDENADO À MORTE.

CORTA PARA:
Otto e Ester

CENA 4  -  FLORIANÓPOLIS  -  RODOVIA  -  EXTERIOR  -  NOITE

O CARRO-ESPORTE VARAVA AS ESTRADAS A MAIS DE 100 POR HORA. BABY DIVISAVA DE UM LADO A LINHA DO HORIZONTE, NO MAR, E DE OUTRO O VERDE VIVO DAS MONTANHAS. A DECISÃO FORA INFLEXÍVEL. FUGIA DOS AMIGOS E DO CASAMENTO INDESEJÁVEL. DE UM COMPROMISSO SELADO COM A INSENSATEZ DO ÁLCOOL. MAS A CONSCIÊNCIA COMEÇAVA A ENERVÁ-LO. E A VOZ DE TODOS QUANTO O ESTIMAVAM SOAVA AOS SEUS OUVIDOS, MARTIRIZANDO-O.

VIA O ROSTO DE INÊS, BELO, CONFIANTE.

INÊS  -  (off) “Não quero nada pra mim, não te peço nada. Só quero você mesmo. Pra que você seja um sujeito de bem.”

DESPRENDIMENTO. BONDADE. O CARRO GEMIA NAS CURVAS.

E DANIEL? OUVIRA SUA OPINIÃO, SEM QUE ELE SOUBESSE, NO DIA EM QUE RESOLVERA DIVIDIR OS GRUPOS DE MINEIROS. E TINHA SIDO FIEL.

DANIEL  -  (off) “Uma coisa tem de ficar clara: Seu Baby foi macho pra burro, com a gente. Aconteça o que acontecer, a gente tá do lado dele. E lutamos com ele. Se a Companhia vai se dividir, nós nos dividimos também. Somos nós contra os que ficam do lado do careca...”

FIDELIDADE. RECONHECIMENTO.

E PÉ-NA-COVA, NEGRO LEAL, SINCERO.

PÉ-NA-COVA  -  (off)  “A gente tá disposto até a dar a vida por ele. Seu Baby é um cara legal às pampa...”

INÊS  -  (off) “Eles te adoram, Baby...”

MESTRE JONAS  -  (off) “Deus lhe abençoe...”

INÊS  -  (off)  “Eles te adoram...”

ERA COMO SE TIVESSE ENVELHECIDO 10 ANOS, EM UMA HORA. BABY NÃO SE RECONHECEU AO OLHAR-SE NO RETROVISOR DO AUTOMÓVEL. SUA FISIONOMIA ERA A DE UM HOMEM EM LUTA CONTRA SI MESMO. CONTRA O QUE HÁ DE BOM NO INTERIOR DO SER HUMANO. AS PALAVRAS DAQUELA GENTE NÃO O DEIXAVAM DIRIGIR SOSSEGADO.

O CARRO ERA UM PONTO DE METAL VERMELHO DESLOCANDO-SE PELO ASFALTO ESCURO DA RODOVIA.

CORTA PARA:

CENA 5  -  HOSPITAL  -  ANTE-SALA  -  INTERIOR  -  NOITE.

ESTAVAM, FINALMENTE, TODOS REUNIDOS NA ANTE-SALA DO APARTAMENTO 16. NO QUARTO EM PENUMBRA, OTTO INCONSCIENTE. LIA ABRIU A CONVERSA.

LIA  -  Otto vai morrer (olhou com ódio para Ester à sua frente) e os médicos aqui, Dr. Cyro, Dr. Roberto e Dr. Avelar estão pensando em recorrer ao último recurso: um transplante de coração.

PAULUS  -  Pode salvar a vida dele?

DR. AVELAR  -  Há 50 por cento de probabilidades.

PAULUS  -  Bem... neste caso... devemos optar pelo único recurso que resta! É como se eu fosse defender um assassino condenado à morte e a única saída fosse... a prisão perpétua. Não há opção. Por mim, que se faça o transplante!

COMENDADOR LIBERATO  -  Sou da mesma opinião.

LIA  -  Eu também. Tenho absoluta confiança no Dr. Cyro.

CYRO  -  Obrigado! Será uma tentativa. Faremos tudo pelo êxito... mas não devemos esperar milagres.

ESTER  -  (ante os olhares furiosos de Lia e Dona Catarina) Deve-se tentar tudo o que for possível. Se a única alternativa é o transplante, devem realizá-lo.

COMENDADOR LIBERATO  -  E você, Catarina? A sua opinião é que vai prevalecer.

CATARINA  -  Se Deus quis assim... se as coisas foram encaminhadas para que se passassem assim... como posso impedir... que seja cumprido esse destino? Eu... eu... dou meu consentimento... para que o transplante seja realizado.

OS MÉDICOS SE ENTREOLHARAM.

CYRO  -  Obrigado, Dona Catarina. É uma prova de confiança. (levantou-se, encaminhando-se para o Dr. Avelar) Colega, temos que tomar todas as providencias.

PAULUS  -  (apreensivo) O mais importante. Conseguir um doador.

DONA CATARINA VIROU O ROSTO, REPUGNADA.

CYRO  -  Um doador que deve ser jovem e ter morrido sem ser portador de moléstia infecto-contagiosa. O coração deve ter o tamanho aproximado do receptor. Além disso, o transplante tem de ser feito logo no momento em que se constatar a ausência de qualquer estímulo cerebral. Isto é... o cérebro do paciente está morto, embora o coração ainda tenha vida. E mais: com a aquiescência dos familiares do morto. Só com sua autorização o coração pode ser tirado.

DR. AVELAR  -  (dirigiu-se para a porta) Vou avisar aos hospitais de pronto-socorro. Qualquer acidentado que dê entrada nestas condições, devemos ser avisados.

FIM DO CAPÍTULO  49

... E NA PRÓXIMA QUINTA, CAPÍTULO INÉDITO!