quinta-feira, 24 de maio de 2018

SESSÃO LEITURA - A VIDA EM OBLIVION (OS TRÊS LIVROS) - MONTEIRO LOBATO

O texto abaixo é de autoria de Monteiro Lobato.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: https://www.ebiografia.com/monteiro_lobato/.
Boa leitura!

A VIDA EM OBLIVION (OS TRÊS LIVROS)

1908
A cidadezinha onde moro lembra soldado que fraqueasse na marcha e, não podendo acompanhar o batalhão, à beira do caminho se deixasse ficar, exausto e só, com os olhos saudosos pousados na nuvem de poeira erguida além. Desviou-se dela a civilização. O telégrafo não a põe à fala com o resto do mundo, nem as estradas de ferro se lembram de uni-la à rede por intermédio de humilde ramalzinho.
O mundo esqueceu Oblivion, que já foi rica e lépida, como os homens esquecem a atriz famosa logo que se lhe desbota a mocidade. E sua vida de vovó entrevada, sem netos, sem esperança, é humilde e quieta como a do urupê escondido no sombrio dos grotões.
Trazem-lhe os jornais o rumor do mundo, e Oblivion comenta-o com discreto parecer. Mas como os jornais vêm apenas para meia dúzia de pessoas, formam estas a aristocracia mental da cidade. São “Os Que Sabem”. Lembra o primado dos Dez de Veneza, esta sabedoria dos Seis de Oblivion.
Atraídos pelas terras novas, de feracidade sedutora, abandonaram-na seus filhos; só permaneceram os de vontade anemiada, débeis, faquirianos. “Mesmeiros”, que todos os dias fazem as mesmas coisas, dormem o mesmo sono, sonham os mesmos sonhos, comem as mesmas comidas, comentam os mesmos assuntos, esperam o mesmo correio, gabam a passada prosperidade, lamuriam do presente e pitam – pitam longos cigarrões de palha, matadores do tempo.
Entre as originalidades de Oblivion uma pede narrativa: o como da sua educação literária.
Promovem-se três livros venerandos, encardidos pelo uso, com as capas sujas, consteladas de pingos de vela – lidos e relidos que foram em longos serões familiares por sucessivas gerações. São eles: La mare d’Auteuil, de Paulo de Kock, para o uso dos conhecedores do francês; uns volumes truncados do Rocambole, para enlevo das imaginações femininas; e Ilha maldita, de Bernardo Guimarães, para deleite dos paladares nacionalistas. O dono primitivo seria talvez algum padre morto sem herdeiros. Depois, à força de girarem de déu em déu, esses livros forraram-se à propriedade individual. Quem, por exemplo, deseja ler o Rocambole diz na rodinha da farmácia:
– Onde andará o Rocambole?
Informam-no logo, e o candidato toma-o das mãos do detentor último, ficando desde esse momento como o seu novo depositário. Processo sumaríssimo e inteligente.
Quando se esgotou a minha provisão de livros e, ignorante ainda da riqueza literária da terra, deliberei decorrer ao estoque local, dirigi-me a um dos Seis. O homem enfunou-se de legítimo orgulho ao dar-me os informes pedidos.
– Temos obras de fôlego, poucas mas boas, e para todos os paladares. Gênero pândego, para divertir, temos, “por exemplo”, La mare d’Auteuil, de Paulo de Kock. Impagável!
– Obrigado. De Kock, nem a tuberculina.
– Temos o célebre Rocambole, “gênero imaginoso”; infelizmente está incompleto; faltam uns dezessete volumes.
– Não me serve o resto.
– E temos uma obra-prima nacional, a Ilha maldita, do “nosso” Bernardo Guimarães.
Parando aí o catálogo, era forçoso escolher.
No concerto dos nossos romancistas, onde Alencar é o piano querido das moças e Macedo a sensaboria relambória dum flautim piegas, Bernardo é a sanfona. Lê-lo é ir para o mato, para a roça – mas uma roça adjetivada por menina de Sion, onde os prados são amenos, os vergéis floridos, os rios caudalosos, as matas viridentes, os píncaros altíssimos, os sabiás sonorosos, as rolinhas meigas. Bernardo descreve a natureza como um cego que ouvisse contar e reproduzisse as paisagens com os qualificativos surrados do mau contador. Não existe nele o vinco enérgico da impressão pessoal. Vinte vergéis que descreva são vinte perfeitas e invariáveis amenidades. Nossas desajeitadíssimas caipiras são sempre lindas morenas cor de jambo.
Bernardo falsifica o nosso mato. Onde toda a gente vê carrapatos, pernilongos, espinhos, Bernardo aponta doçuras, insetos maviosos, flores olentes. Bernardo mente.
Mas como mente menos que o Paulo de Kock ou o truculento Ponson, pai do Rocambole, escolhi-o.
Veio o livro. Volume velho como um monumento egípcio e como ele revestido de inscrições. Cada leitor que passava ia deixando o rastro gravado a lápis.
“Li e gostei”, dizia um, “Li e apreciei”, afirmava certa senhorita. Inscrição quase em cuneiforme rezava “Fulano leu e apreciou o talento do grande escritor brasileiro”. Outro versificava: “Já foi lido – Pelo Walfrido”. Tal moça notara parcimoniosamente: “Li” e assinou. Um amigo da ordem inversa pôs: “Li e muito gostei”.
Houve quem discordasse. “Li e não gostei”, declarou um fulano. O patriotismo literário dum anônimo saiu a campo em prol do autor: “Os porcos preferem milho a pérolas”, escreveu ele embaixo. Monograma complicadíssimo subscrevia isto: “O Rocambole diverte mais”.
E assim, por quanto espaço em branco tinha o livro, margens ou fins de capítulo, as apreciações se alastravam com levíssimas variantes ao sóbrio “Li e gostei” inicial. Havia nomes bem antigos, de pessoas falecidas, e nomes das meninas casadeiras da época.
Os intelectuais de Oblivion bebiam à farta naquela veneranda fonte. Em Bernardo abeberavam-se de “estilo e boa linguagem”, conforme afirmou um; no Rocambole truncado exercitavam os músculos da imaginativa; e no Paulo de Kock, os eleitos, os Sumos (os que sabiam francês!) fartavam-se da grivoiserie permitida a espíritos superiores.
Essa trindade impressa bastava à educação literária da cidade. Feliz cidade! Se é de temer o homem que só conhece um livro, a cidade que só conhece três é de venerar. Veneração, entretanto, que não virá, porque o mundo desconhece totalmente a pobrezinha da Oblivion…

SESSÃO ABERTURA DE NOVELA - MARCAS DA PAIXÃO

A novela Marcas da Paixão foi apresentada pela Rede Record no horário das 20h15 de 8 de maio a 18 de novembro de 2000.
O tema musical de abertura era Marcas da Paixão, interpretado por Gian e Giovani.
Para maiores informações sobre a novela, favor acessar: http://teledramaturgia.com.br/marcas-da-paixao/.
Boa diversão!



LETRA

MARCAS DA PAIXÃO

Compositores: Fátima Leão e Netto

As marcas da paixão
O tempo não apaga
O prazer da sedução
Não é feito risco nágua
É reprodução de um sonho
Sobre pele, carne e osso
Não é feito uma fruta
Que se finda no caroço

As marcas da paixão
Vão de norte a sul do peito
Entre o amor e a solidão
Coração dá sempre um jeito
De juntar as duas pontas
Nesse laço que enfeita
Uma rica esperança
Por uma paz perfeita

As marcas da paixão
Vão de norte a sul do peito
Entre o amor e a solidão
Coração dá sempre um jeito
De juntar as duas pontas
Nesse laço que enfeita
Uma rica esperança
Por uma paz perfeita

Vai-se a luva
E ficam os dedos
Vai-se o ouro
E vem o anel
Passa a lua, passa estrela
Passa o dia e fica o céu
Vão se os homens
Vem a história
Vai-se a água
E fica o chão
Vai o medo
E fica a vida
São as marcas da paixão

Vai-se a luva
E ficam os dedos
Vai-se o ouro
E vem o anel
Passa a lua, passa estrela
Passa o dia e fica o céu
Vão se os homens
Vem a história
Vai-se a água
E fica o chão
Vai o medo
E fica a vida
São as marcas da paixão

quarta-feira, 23 de maio de 2018

SESSÃO SAUDADE - DONA IVONE LARA

Apreciamos muito o samba e, sempre que possível, gostamos de lembrar grandes nomes desse ritmo musical, como é o caso de nossa homenageada desta semana: Dona Ivone Lara.
Compositora e cantora de grande talento, firmou seu nome entre as grandes estrelas da constelação do samba.
Obrigado, Dona Ivone Lara, por tantos anos de poesia da mais alta qualidade que colocou nas letras de suas composições e por tantas interpretações agradáveis!
Vai fazer uma imensa falta em nossa música!
Descanse em paz!
Para saber mais sobre essa artista, favor acessar: dicionariompb.com.br/dona-ivone-lara.
Com o objetivo de homenageá-la, reproduzimos abaixo duas de suas composições de sucesso. A primeira é Sonho Meu, na interpretação de Maria Bethânia, e a segunda é Alguém me Avisou, na interpretação de nossa homenageada.

PRIMEIRO VÍDEO



LETRA

SONHO MEU

Compositores: Délcio Carvalho e Dona Ivone Lara

Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe
Sonho meu
Vai mostrar esta saudade

Sonho meu
Com a sua liberdade
Sonho meu
No meu céu a estrela guia se perdeu
A madrugada fria só me traz melancolia
Sonho meu

Sinto o canto da noite
Na boca do vento
Fazer a dança das flores
No meu pensamento

Traz a pureza de um samba
Sentido, marcado de mágoas de amor
Um samba que mexe o corpo da gente
E o vento vadio embalando a flor


SEGUNDO VÍDEO



LETRA

ALGUÉM ME AVISOU

Compositora: Dona Ivone Lara

Eu vim de lá, eu vim de lá pequenininho
Mas eu vim de lá pequenininho
Alguém me avisou
Pra pisar nesse chão devagarinho
Alguém me avisou
Pra pisar nesse chão devagarinho

Sempre fui obediente
Mas não pude resistir
Foi numa roda de samba
Que eu juntei-me aos bambas
Pra me distrair
Quando eu voltar à Bahia
Terei muito que contar
Ó padrinho não se zangue
Que eu nasci no samba
Não posso parar

Foram me chamar
Eu estou aqui, o que é que há

Fonte: https://www.letras.mus.br/dona-ivone-lara/45561/

SESSÃO HUMOR

- Joãozinho, como se diz em inglês "O gato caiu na água e se afogou."?
- Essa é fácil, professora! The cat catrapum in the water glugluglu and no more miau miau!


terça-feira, 22 de maio de 2018

SESSÃO REMAKE MUSICAL - OMBRO AMIGO - MARKINHOS MOURA E ZEZÉ MOTTA

A canção Ombro Amigo, cuja intérprete original é Leci Brandão, é apresentada no vídeo abaixo por Markinhos Moura e Zezé Motta.
Boa diversão!



LETRA

OMBRO AMIGO

Composição: Leci Brandão

Você vive se escondendo
Sempre respondendo
Com certo temor
Eu sei que as pessoas lhe agridem
E até mesmo proíbem
Sua forma de amor
E você tem que ir pra boate
pra bater um papo
ou desabafar
e quando a saudade lhe bate,
surge um ombro amigo
pra você chorar.
La, laia, laia
Laia, lalaiê iê
La, lalaiala, lalalalaia, lalalalaia.
Num dia sem tal covardia
Você poderá com seu amor sair
Agora ainda não é hora
De você, amigo, poder assumir
Por isso tem que vir pra boate
pra bater um papo
ou desabafar
e quando a saudade lhe bate,
surge um ombro amigo
pra você chorar.
La, laia, laia
Laia, ralaiê iê
La, lalaiala, laralalaia, laralalaia.

SESSÃO TÚNEL DO TEMPO MUSICAL - OMBRO AMIGO - LECI BRANDÃO

A canção Ombro Amigo, interpretada por Leci Brandão, fez parte da trilha sonora da novela Espelho Mágico, apresentada pela Rede Globo no horário das 20h de 14 de junho a 5 de dezembro de 1977.
Para maiores informações sobre a novela, favor acessar: http://teledramaturgia.com.br/espelho-magico/.
Boa diversão!



LETRA

OMBRO AMIGO

Composição: Leci Brandão

Você vive se escondendo
Sempre respondendo
Com certo temor
Eu sei que as pessoas lhe agridem
E até mesmo proíbem
Sua forma de amor
E você tem que ir pra boate
pra bater um papo
ou desabafar
e quando a saudade lhe bate,
surge um ombro amigo
pra você chorar.
La, laia, laia
Laia, lalaiê iê
La, lalaiala, lalalalaia, lalalalaia.
Num dia sem tal covardia
Você poderá com seu amor sair
Agora ainda não é hora
De você, amigo, poder assumir
Por isso tem que vir pra boate
pra bater um papo
ou desabafar
e quando a saudade lhe bate,
surge um ombro amigo
pra você chorar.
La, laia, laia
Laia, ralaiê iê
La, lalaiala, laralalaia, laralalaia.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

SESSÃO RETRÔ - VARIEDADES - FRANCISCO DI FRANCO

A reportagem abaixo foi publicada na revista Ilusão nr. 246, publicada em 16/08/76.
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Boa diversão!