sexta-feira, 6 de abril de 2012

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU - CAPÍTULO 29 - AUTOR: TONI FIGUEIRA

Novela de Antonio Figueira
Inspirada na Obra de Dias Gomes


http://youtu.be/zIuryHGvAVc

CAPÍTULO 29

Participam deste capítulo:

JOANINHA (Susana Moraes)
SAMUCA (Paulo José)
HELÔ (Dina Sfat)
VÍTOR (Francisco Cuoco)
SUSI (Maria Cláudia)
RENATÃO (Jardel Filho)
MARISA (Maria Pompeu)
EMILIANO (Paulo Padilha)
MARIETA (Wanda Lacerda)
ZÉ GREGÓRIO (Adalberto Silva)
D. DIDI (Gracinda Freire)
MARIA LÚCIA (Aizita Nascimento)
OLIVEIRA RAMOS (Mario Lago)
RICARDINHO (Carlos Vereza)
JUREMA (Arlete Salles)
ALBERTO

CENA 1  -  BÚZIOS  -  PRAIA DE GERIBÁ  -  EXT.  -  TARDE.

Continuação Imediata da Última Cena do Capítulo Anterior

HELÔ  -  (tentando disfarçar a emoção) Vítor... como me encontrou aqui? Você não devia  ter vindo. Por favor, vá embora. Eu... eu  não quero me machucar mais uma vez!...

VÍTOR  -  (segurou-a pelos ombros e olhou-a nos olhos) Escuta, Helô: pare de agir como uma criança mimada! Você tem que me ouvir!

HELÔ  -  (irredutível) Eu não quero! Eu decidi que vou tirar você da minha vida. Por isso chamei meus amigos pra passar uns dias comigo... eles vieram dispostos a me ajudar... e quando tento me convencer que tenho que parar de pensar em você, você aparece, de repente, e me pede em casamento! Olha aqui: você não tem o direito de brincar com meus sentimentos! Você não pode...

NUM IMPULSO, VÍTOR TOMOU-A NOS BRAÇOS E BEIJOU-A NOS LÁBIOS. HELÔ, A PRINCÍPIO, TENTOU RESISTIR, MAS AOS POUCOS, ENTREGOU-SE.

VÍTOR  -  (segurou-a pelos cabelos, com delicadeza) Eu não vim a Búzios; não fiz uma viagem de ônibus de mais de duas horas pra brincar com seus sentimentos. Vou repetir: Heloísa Oliveira Ramos, você quer se casar comigo?

HELÔ  -  (ainda desconfiada) Você... tá falando sério?

VÍTOR  -  Como nunca falei em toda a minha vida! E então... aceita?

O ROSTO DE HELÔ DESANUVIOU-SE. AOS POUCOS, DEIXOU-SE TOMAR PELA EMOÇÃO.

HELÔ  -  (sorriu, feliz) Aceito. É o que mais quero nesta vida. Eu te amo, Vítor. Te amo como nunca amei ninguém. 

VÍTOR ABRAÇOU-A E BEIJARAM-SE OUTRA VEZ, TENDO COMO CENÁRIO O MAR AZUL DE BÚZIOS DAQUELE FIM DE TARDE.

CORTA PARA:

CENA 2  - APARTAMENTO DE RENATÃO  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

MARISA ERA UMA MULHER DE 30 ANOS, MUITO BONITA E EXCEPCIONALMENTE ELEGANTE. MANEIRAS SOFISTICADAS, DE QUEM SABE-SE IRRESISTÍVEL. DIANTE DELA, RENATÃO ERA OUTRO HOMEM. TÍMIDO, QUASE ANGUSTIADO. ELA O ESMAGAVA COM SEU CHARME, SEU AR IRÔNICO.

MARISA  -  Onde está Carlinha?

RENATÃO  -  Eu não pude trazê-la... É verdade. Ela está doente. Nada grave, mas está febril.

MARISA  -  Ah, é assim... Pois bem, eu vou agora mesmo à casa do juiz. Você se recusa a cumprir o que ele determinou.

A MULHER FEZ MENÇÃO DE LEVANTAR-SE. RENATÃO A IMPEDIU COM UM GESTO.

RENATÃO  -  Marisa, vamos conversar. Eu preciso lhe explicar umas coisas... Você saiu daqui há oito anos, depois de fazer o que fez comigo...

MARISA  -  (cortou)  E agora você quer se vingar!

RENATÃO  -  Não. É que eu disse a Carlinha que a mãe dela morreu. Afinal, o que eu poderia fazer...quando você se mandou? A verdade era muito pior! Agora você está morta! Entendeu isso? Morta!

MARISA  -  (indignada)  Você não tinha esse direito, Renatão! Não podia fazer isso comigo!

RENATÃO  -  Minha cara, se tem alguém aqui que não pode usar as palavras “direitos e deveres”, esse alguém é você! Abandonou sua filha há quase sete anos, casou pela quinta vez com o tal armador sueco, ficou podre de rica! Eu nem esperava vê-la outra vez. Agora volta, de repente, falando em direitos?

MARISA  -  Nada disso importa agora (decidida)  O que quero é ver minha filha! Nem que, para isso, tenha que meter você na cadeia!

MARISA SAIU, FURIOSA, DEIXANDO RENATÃO PARADO NO MEIO DA SALA, BOQUIABERTO.

CORTA PARA:

CENA 3  -  BOATE  -  PISTA DE DANÇA  -  INT.  -  NOITE. 

SEQUENCIA MOSTRANDO, NA BOATE LOTADA, A CHEGADA DE OLIVEIRA RAMOS E SUSI. ELA, MUITO ANIMADA, PUXANDO O BANQUEIRO PARA A PISTA. OLIVEIRA SE RECUSANDO, NO INÍCIO, MAS DEPOIS FOI CEDENDO. DANÇAVA DESAJEITADAMENTE, FORA DO RITMO, APENAS PARA AGRADAR A NOIVA.

CORTA PARA:

CENA 4  -  CLUBE  -  SAUNA  -  INT.  -  DIA.
 
OLIVEIRA RAMOS E MAIS DOIS SENHORES TOMAVAM UMA SAUNA, QUANDO RENATÃO ENTROU. O BANQUEIRO SAIU DA SALA ENFUMAÇADA PARA FALAR COM O PLAYBOY.

RENATÃO  -  Bom dia, doutor Oliveira! Lembra daquele medicamento japonês que lhe prometi?

OLIVEIRA RAMOS  - (vivamente interessado) Ah, sim, conseguiu?

RENATÃO  -  (entregando-lhe duas caixas de medicamento)  Lógico! Não prometi?

OLIVEIRA RAMOS  -  Graças a Deus! Sabe que eu não aguento mais! Toda noite, boate. No fim de semana, escalar montanhas... Só um filho, um filho é a solução!

RENATÃO  -  É um remédio à base de hormônios. A última palavra da ciência. Sei de um caso de um amigo, jovem ainda, casado há cinco anos, sempre esperando um filho e nada... Ele julgava que a culpa era da mulher e não era, era dele. Hoje, tem gêmeos.

OLIVEIRA RAMOS  -  (excitado)  Eu não ambiciono tanto. Um bastava. Vou começar hoje mesmo, porque ou essa criança nasce, ou eu morro!

CORTA PARA:

CENA  5 -  APARTAMENTO DE JUREMA  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

A CAMPAINHA TOCOU. JUREMA ABRIU A PORTA E RICARDINHO ENTROU. BEIJOU-A NO ROSTO E DESABOU NO SOFÁ.

JUREMA  -  Finalmente! Faz uma semana que você não aparece.

RICARDINHO  -  Fala, mulher. O que você tem de tão urgente pra falar comigo?
 
JUREMA  -  Você sabe que o inquérito já está na mão do promotor? Sabe que você é indiciado? Sabe que pode ser preso?

RICARDINHO  -  (fitou-a, desconfiado)  Como você soube disso?

JUREMA  -  Foi seu pai, Leopoldo, que me disse. Apesar de você pouco se importar com ele, vem sempre aqui saber notícias suas...

RICARDINHO  -  E agora... o que vamos fazer?

JUREMA  -  (fazendo um gesto de desânimo)  Se você quiser, a gente se manda daqui. Pra qualquer lugar, antes que eles te peguem!

RICARDINHO  -  Não, não concordo com isso. Se a gente fizer isso, eu tou perdido. É o mesmo que confessar. Não, não vou fugir. Vamos, isto sim, andar por aí?

JUREMA  - Pra onde?

RICARDINHO  -  Sei lá, dar umas voltas de moto. No caminho, a gente vê...

CORTA PARA:

CENA 6  -  APARTAMENTO DE EMILIANO   -  SALA  -  INT.  -  NOITE.

EMILIANO GIROU A CHAVE NA FECHADURA E ENTROU.  MARIETA ESTRANHOU A EXPRESSÃO DE PREOCUPAÇÃO DO MARIDO.

MARIETA  -  Que cara é essa, homem?

EMILIANO  -  Vítor pediu Helô em casamento.

MARIETA  -  (chocada)  O quê?! Não pode ser...
   
EMILIANO  -  Foi o Dr. Oliveira Ramos que me disse. O noivado já é oficial.

MARIETA  -  E por que ele não nos comunicou?

EMILIANO  -  Talvez esteja constrangido ou envergonhado!

MARIETA  -  Sim, porque só tem cinco meses que Nívea morreu! Mas logo com essa  Helô?! Com tanta mulher no mundo...

DE REPENTE, A PORTA SE ABRIU E VÍTOR ENTROU. EMILIANO FEZ SINAL PARA MARIETA CALAR.

VÍTOR  -  (sentindo o clima estranho)  Boa noite!

MARIETA VIROU-LHE O ROSTO. VÍTOR HESITOU UM POUCO, E DIRIGIU-SE PARA O QUARTO.

MARIETA  -  E nós recebemos ele aqui em nossa casa como um filho... pra ele fazer isso conosco. Essa sujeita! Ele me decepcionou e vou dizer-lhe isso na cara!

GERMANO  -  (tentou detê-la) Marieta! Espere! Não faça...

ERA TARDE. MARIETA BATEU NA PORTA E ENTROU NO QUARTO DE VÍTOR.

CORTA PARA:

CENA 7  -  APARTAMENTO DE EMILIANO  -  QUARTO DE VÍTOR  -  INT.  -  NOITE.

VÍTOR ESTAVA DE COSTAS E VOLTOU-SE AO VER MARIETA ENTRAR. ERA ALGO CONSTRANGEDOR. A RELAÇÃO ENTRE AMBOS TINHA ALGO DE INCESTUOSO DA PARTE DELA. CLARO, ELE NÃO ERA SEU FILHO, MAS ELA ASSUMIRA ESSA MATERNIDADE AO MESMO TEMPO EM QUE, INCONSCIENTEMENTE,   O  DESEJAVA   COMO  HOMEM.  POR ISSO, A SUA INDIGNAÇÃO ERA MAIS DE MULHER TRAÍDA DO QUE A DE MÃE-SOGRA.

MARIETA  -  Eu soube... Emiliano me contou... você e Helô...

VÍTOR  - É verdade. Nós vamos nos casar. Eu ia dizer a vocês. Estava esperando criar coragem.

MARIETA  -  Coragem?... Por quê? Porque você tem consciência do erro que vai cometer!

VÍTOR  -  A senhora acha que está errado?

MARIETA  -  Acho que você não tinha o direito de fazer isso. Com Nívea, comigo, com você mesmo! Você nos traiu! Você nos traiu a todos!

VÍTOR  -  D. Marieta, eu posso explicar... Eu não vou me casar por amor. É porque Helô precisa de mim. E no fundo, ainda é Nívea, em parte, que me prende a ela.

MARIETA  -  (perplexa) Mas isso é um absurdo!

EMILIANO ENTROU NO QUARTO.

EMILIANO  -  Marieta, tenha calma! Afinal, Vítor não é nosso filho, nem genro, e mesmo que fôsse, nós não teríamos o direito de interferir!

MARIETA BALANÇOU A CABEÇA, DESOLADA E RETIROU-SE DO QUARTO.

VÍTOR  -  Seu Emiliano, eu lamento muito...

EMILIANO  -  (tranquilizou-o) Eu é que peço desculpas pela reação de Marieta. Fique tranquilo, rapaz. Ela está de cabeça quente. Precisa de um tempo para compreender...

CORTA PARA:

CENA 8  -  PENSÃO PRIMAVERA  -  REFEITÓRIO  -  INT.  -  DIA.

SENTADO A UMA MESA AO LADO DE ALBERTO, COM A ATENÇÃO VOLTADA PARA O RADINHO DE PILHA, SAMUCA NEM PISCAVA.

LOCUTOR  -  (off)  “E atenção, senhores ouvintes. Para os resultados dos jogos de hoje. Coríntians 1 x Santos 1; Ponte Preta 0 x Portuguesa 1; Flamengo 0 x Vasco 1; Botafogo 3 x Santos 1...”    

À PROPORÇÃO QUE O LOCUTOR ANUNCIAVA, SAMUCA CONFERIA NO SEU CARTÃO E A EUFORIA IA TOMANDO CONTA DO SEU ROSTO. ATÉ QUE ELE QUIS GRITAR E NÃO CONSEGUIU.

ALBERTO  -  Minha Nossa Senhora, gente! Ei, vem alguém aqui! Samuca tá tendo um troço! Depressa!

JOANINHA ENTROU CORRENDO NA SALA, SEGUIDA DE D. DIDI, ZÉ GREGÓRIO E MARIA LÚCIA.

JOANINHA  -  Samuca, meu amor!... Que foi?...

ALBERTO  -  Não sei, dona! Ele tava aqui, conversando comigo, ouvindo o rádio, de repente esbugalhou os olhos e perdeu a fala!

JOANINHA  -  Samuca! Fale! Será que ele vai morrer de novo! Samuca, fale, o que foi?... A Loteria Esportiva...

SAMUCA  -  Acertei! (gritou, voltando a si) Fiz treze pontos! Treze pontos! Ganhei a bolada! Tou bilionário!

SAMUCA PARECIA UM LOUCO. LEVANTOU-SE E COMEÇOU A QUEBRAR OS MÓVEIS, A LOUÇA, TUDO...

SAMUCA  -  Posso quebrar tudo o que quiser! Vamos quebrar a pensão! Eu pagarei, sou rico, tenho dez milhões!

DONA DIDI, ZÉ GREGÓRIO, MARIA LÚCIA E JOANINHA ASSISTIAM ESTARRECIDOS. A LOUCURA TINHA SE APOSSADO DO RAPAZ, DE SEUS AMIGOS, DE TODOS.

SAMUCA  -  Quebrem tudo! Essa velharia, esses móveis, eu pago! Vamos tocar fogo na casa!...

D. DIDI  -  Meu Deus!.... Gente, parem com isso!... Que loucura!

MARIA LÚCIA  -  Gente do Céu... o Samuca pirou!

CORTA PARA:

CENA  9  -  PENSÃO PRIMAVERA  -  SALA  -  INT.  -  NOITE.

JÁ ERA BASTANTE TARDE, OS MAIORES DESATINOS HAVIAM SIDO COMETIDOS NA PENSÃO PRIMAVERA, QUANDO O TELEFONE TOCOU.

EMPREGADO – Pro senhor, doutor Samuca.

O RAPAZ FEZ MENÇÃO DE LEVANTAR-SE.

D. DIDI  -  Não se incomode, eu levo o telefone até aí.

D. DIDI LEVOU O APARELHO ATÉ A MESA. SAMUCA ATENDEU. SÚBITO, COMEÇOU A FICAR VERDE.

SAMUCA  -  Não!... Não pode ser!... (e caiu no chão, desmaiado).

ZÉ GREGÓRIO PEGOU O TELEFONE, TROCOU ALGUMAS PALAVRAS COM O INTERLOCUTOR E DESLIGOU, ENCARANDO A  TODOS COM OS OLHOS ARREGALADOS.

ZÉ GREGÓRIO  -  Gente... vinte mil pessoas acertaram na Loteria Esportiva! Sabe quanto vai dar para cada um? Nem trezentos contos...
 

FIM DO CAPÍTULO 29

  
 e no próximo capítulo...
*** As reportagens sobre a "Santa de Ipanema" provocam as mais diversas reações em nossos personagens: ciúmes em Helô, o temor de Leopoldo que seu filho Ricardinho se encrenque ainda mais e a busca da verdade por Vítor.

*** Depois do quebra-quebra promovido na Pensão Primavera, Samuca é expulso a sapatadas por D. Didi e Maria Lúcia!

*** Marisa procura Renatão, disposta a tudo para ver a filha!

NÃO PERCA O CAPÍTULO 30 DE


SESSÃO CAPAS E PÔSTERES

A capa que reproduzimos abaixo foi publicada na revista Contigo, nr. 271, provavelmente no início de 1979.
Nossos agradecimentos ao amigo Césio Vital Gaudereto pela remessa do material.
Boa diversão!



SESSÃO FOTO QUIZ

A foto da semana passada é da atriz Lucélia Santos.
Agora, tentem descobrir quem é o garoto da foto.
Eis algumas pistas:
1) Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1964.
2) Sua primeira novela foi Roque Santeiro, na Rede Globo.
3) Participou de novelas como: O Mapa da Mina e O Profeta, na Rede Globo e Louca Paixão, na Rede Record.
Boa diversão!



quinta-feira, 5 de abril de 2012

SESSÃO LEITURA - LIRA XIX - TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA

O poema que reproduzimos abaixo é da autoria de Tomás Antônio Gonzaga.
Para maiores informações sobre o autor, favor consultar: www.jornaldepoesia.jor.br/tomaz.html.
Boa leitura!

Lira XIX

Enquanto pasta alegre o manso gado,
minha bela Marília, nos sentemos
à sombra deste cedro levantado.
Um pouco meditemos
na regular beleza,
que em tudo quanto vive nos descobre
a sábia Natureza.

Atende como aquela vaca preta
o novilhinho seu dos mais separa,
e o lambe, enquanto chupa a lisa teta.
Atende mais, ó cara,
como a ruiva cadela
suporta que lhe morda o filho o corpo,
e salte em cima dela.

Repara como, cheia de ternura,
entre as asas ao filho essa ave aquenta,
como aquela esgravata a terra dura,
e os seus assim sustenta;
como se encoleriza,
e salta sem receio a todo o vulto,
que junto dele pisa.

Que gosto não terá a esposa amante,
quando der ao filhinho o peito brando
e refletir então no seu semblante!
Quando, Marília, quando
disser consigo: "É esta
de teu querido pai a mesma barba,
a mesma boca e testa."

SESSÃO ABERTURA DE NOVELA - AMOR COM AMOR SE PAGA

A novela Amor com Amor se Paga foi apresentada pela Rede Globo, no horário das 18h, de 19 de março a 15 de setembro de 1984.
O tema musical de abertura era Levantar o Astral, interpretado pelo conjunto Santa Cruz.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: www.teledramaturgia.com.br/tele/amorcom.asp.
Boa diversão!



quarta-feira, 4 de abril de 2012

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU - CAPÍTULO 28 - AUTOR: TONI FIGUEIRA

Novela de Antonio Figueira
Inspirada na Obra de Dias Gomes


http://youtu.be/zIuryHGvAVc

CAPÍTULO 28

Participam deste capítulo:

HELÔ (Dina Sfat)
VÍTOR (Francisco Cuoco)
MARIA LÚCIA (Aizita Nascimento)
D. DIDI (Gracinda Freire)
SAMUCA (Paulo José)
TIA COLÓ (Henriqueta Brieba)
RENATÃO (Jardel Filho)
OLIVEIRA RAMOS (Mario Lago)
MISS JULY (Lidia Mattos)
ARAKEN TEIXEIRA (Ivan Cândido)
GOUVEIA NETO (Fernando José)
DELEGADO FONTOURA (Urbano Lóes)
ADELAIDE (Agnes Fontoura)
RICARDINHO (Carlos Vereza)
MARIO MALUCO (Osmar Prado)
VERINHA (Djenane Machado)
CRIADA

CENA 1  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  QUARTO DE HELÔ  -  INT.  -  DIA.
FIM DE TARDE. O SOL COLORIA AS ÁGUAS DO MAR DE DOURADO, ANUNCIANDO SUA DESPEDIDA. HELÔ ESTAVA DE PÉ DIANTE DA JANELA, MAS PARECIA NÃO VER TODA A BELEZA QUE SE DESCORTINAVA DIANTE DE SEUS OLHOS. UM SÓ PENSAMENTO POVOAVA SUA CABEÇA – VÍTOR.

HELÔ  -  (murmurou)  A essas horas ele já deve estar em São Paulo...

LIMPOU UMA LÁGRIMA QUE, TEIMOSAMENTE, INSISTIA EM MOLHAR-LHE A FACE. MISS JULY BATEU LEVEMENTE NA PORTA E ENTROU.

MISS JULY  -  (com ar de mistério e um brilho de alegria no olhar)  Querida... visita para você!

HELÔ  -  (voltou-se) Quem é?

MISS JULY  -  Surpresa! Você nem imagina...

HELÔ  -  Fala de uma vez, Miss July, que hoje não estou para...

VÍTOR  -  (cortou, entrando)  Com licença. Sou eu, Helô. Preciso falar com você. Pode ser aqui mesmo, no seu quarto?

HELÔ ARREGALOU OS OLHOS, TOMADA PELA EMOÇÃO.

HELÔ  -  Vítor! Você aqui? Mas você... não viajou?

VÍTOR  -  Não. Mudei de idéia. Podemos conversar agora?

MISS JULY  -  (animada)  Vou me retirar para vocês conversarem à vontade! Com licença!

MISS JULY SAIU, FECHANDO A PORTA ATRÁS DE SI. VÍTOR E HELÔ ESTAVAM PARADOS, FRENTE À FRENTE.

HELÔ  -  Você disse que quer falar comigo...

VÍTOR  -  Helô, eu soube o que aconteceu com você, ontem. O acidente. Fiquei muito preocupado.

HELÔ  -  Como soube? Pensei que nem estava mais no Rio...

VÍTOR  -  Isso não importa. Eu pensei melhor... e vou esperar mais um pouco... pensar mais... para não tomar uma decisão precipitada.

HELÔ  -  (com altivez, a voz pausada)  Vítor, eu posso entender que você não me ama e sou obrigada a aceitar isso... Agora a sua piedade, eu não vou suportar. Por favor, vai embora.

VÍTOR  -  Escuta, Helô, não é nada disso...  Eu pensei melhor e vi que estava agindo levianamente. Eu decidi que quero te conhecer melhor, conviver mais com você...

HELÔ  -  (seca)  Foi meu pai, não foi? Foi ele que procurou você e pediu um pouco de piedade para a filha coitadinha, desmiolada e suicida... Pois eu te liberto desta missão triste e maçante! Por favor, sai.

VÍTOR  -  (súplice)  Helô, não é nada disso, você está enganada. Eu não sinto pena de você!

HELÔ  -  (mal podia segurar as lágrimas)  Você está sendo patético, Vítor Mariano. (dirigiu-se para a porta e abriu) Por favor...

VÍTOR  -  (insistiu) Por favor, seja razoável. Vamos conversar...

HELÔ  -  (irredutível) Vá em-bo-ra! Sai do meu quarto!

VÍTOR PERCEBEU QUE NÃO HAVIA MAIS NADA A FAZER ALI E RETIROU-SE.

CORTA PARA:

CENA  2  -  BANCO OLIVEIRA RAMOS  -  SALA DE OLIVEIRA   -  INT.  -   NOITE.

FIM DE EXPEDIENTE.  OLIVEIRA RAMOS PREPARAVA-SE PARA IR EMBORA, QUANDO A SECRETÁRIA ANUNCIOU A CHEGADA DE RENATÃO.

OLIVEIRA RAMOS  -  (no interfone) Renatão? Mas a esta hora, D. Virgínia? Não, não, espere... está bem, mande-o entrar.

RENATÃO ENTROU, AFLITO.

RENATÃO  -  Doutor Oliveira, mil perdões! Sei que já encerrou o expediente, mas é urgente! Estou desesperado!

OLIVEIRA RAMOS  -  O que aconteceu? Você está tão nervoso, rapaz!

RENATÃO  -  Trata-se de Carlinha, minha filha de sete anos que mora em Niterói com a avó. Recebi uma intimação judicial. É para dar a Madame X o direito de vê-la!

OLIVEIRA RAMOS  -  Quem é essa Madame X?

RENATÃO  - É Marisa, minha ex-mulher. Abandonou a menina, ainda um bebê, e foi morar na Europa. Carlinha acredita que a mãe está morta e agora, ela está de volta, procurando seus direitos! Isso é uma coisa que eu não posso permitir. De jeito nenhum! Vou preso, mas não obedeço! Por favor, me ajude, Oliveira!

CORTA PARA:

CENA 3  -  CASTELINHO  -  INT.  -  NOITE.

ÀQUELA HORA, O MOVIMENTO NO CASTELINHO ERA INTENSO. ARAKEN  PEDIU  MAIS  UM  CHOPE  E CONSULTOU O RELOGIO. EM SEGUIDA, DIVISOU, COM ALÍVIO, A CHEGADA DE VÍTOR QUE, AO AVISTÁ-LO, APROXIMOU-SE E SENTOU À SUA MESA.

VÍTOR  -  Boa noite, seu Araken Teixeira. O senhor queria falar comigo?

ARAKEN -  Obrigado por ter vindo, padre. Eu preciso sim, falar com o senhor.

VÍTOR  -  Por favor, não me chame de padre. Eu, agora, sou um cidadão como qualquer outro...

ARAKEN  -  Desculpe, eu não sabia.

VÍTOR  -  Tudo bem. Mas me diga... em que posso ajudá-lo?

ARAKEN  -  Eu sou jornalista. Trabalho para a “Folha do Rio” e estamos iniciando uma série de reportagens sobre Nívea Louzada. Eu gostaria de entrevistá-lo.

VÍTOR  -  Que tipo de reportagem?

ARAKEN  -   O senhor sabia que o local onde a moça foi encontrada morta recebe inúmeras visitas todos os dias e que tem gente que acredita que ela é uma santa? Como religioso, eu gostaria de saber sua opinião a respeito...

VÍTOR FITOU O JORNALISTA NOS OLHOS, COM TRISTEZA E INDIGNAÇÃO.

VÍTOR  -  É inacreditável até que ponto o ser humano pode chegar. Como pôde crer que eu contribuiria para esse desrespeito, para essa exploração sensacionalista à memória de Nívea? Seu Araken, apesar da sua deformação profissional, espero que tenha um mínimo de consciência e desista dessa matéria sórdida! Não tenho mais nada a fazer aqui. Com licença.

VÍTOR LEVANTOU-SE E RETIROU-SE DO LOCAL.

CORTA PARA:

CENA 4  -  FOLHA DO RIO  -  SALA DE GOUVEIA NETO  -  INT.  -  DIA.
GOUVEIA NETO  -  Araken, meus parabéns! Excelente a primeira reportagem sobre Nívea, a santa de Ipanema. Qual foi a reação dos entrevistados?

ARAKEN  -  Ontem estive com o padre, e me senti muito mal diante dele. É um sujeito impressionante. Ele me olhou dentro dos olhos e parece que viu até o fundo da minha alma. Me senti nu diante dele. Nu e envergonhado. Falando com franqueza, acho que ele percebeu toda a tramóia que nós estamos preparando...

CORTA PARA:

CENA 5  -  NITERÓI  -  CASA DA TIA COLÓ  -  SALA - INT.  -  DIA.     

TIA COLÓ  -  Renatinho, que bom que você veio, meu filho! Carlinha nem queria ir pra escola, ansiosa pelo passeio que você prometeu a ela!

RENATÃO  -  Ela já chegou?

TIA COLÓ  -  Ainda não, mas deve chegar a qualquer momento. É só esperar um pouquinho.

RENATÃO  -  Eu mudei de idéia. Não vou mais levar Carlinha a esse passeio.

TIA COLÓ   -  Mas por quê? Ela estava tão feliz...

RENATÃO  -  Bem, eu ia levar minha filha pra falar com uma pessoa e acho melhor a senhora saber. Marisa voltou. E quer ver Carlinha.

TIA COLÓ  -  Meu Deus! Então ela voltou!

RENATÃO  -  Pois é, julguei que ela nunca mais voltasse. Há quase sete anos que estava fora do Brasil.

TIA COLÓ  -  Mas ela não tem direito nenhum!...

RENATÃO  -  O juiz acha que tem. E resolveu que ela deve visitar a menina uma vez por semana.

TIA COLÓ  -  Como mãe dela?

RENATÃO  -  Pois é! Aí é que tá o problema!

CORTA PARA:

CENA 6  -  PRAIA DE IPANEMA  -  CALÇADÃO  -  EXT.  – DIA. 

VÍTOR  CAMINHAVA, DISTRAÍDO PELO CALÇADÃO. COMO FLASHES DE UM FILME, REVIA HELÔ CAMINHANDO A SEU LADO EM TERESÓPOLIS;  NO CARRO, QUANDO COMUNICAVA A ELA SUA IDA PARA SÃO PAULO E NO QUARTO DA JOVEM, QUANDO ELA, SEGURANDO-SE PARA NÃO CHORAR, PEDIU-LHE PARA IR EMBORA.

CORTA PARA:

CENA 7  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  SALA   -  INT.  -  DIA.

A CAMPAINHA TOCOU. MISS JULY ABRIU A PORTA. ERA VÍTOR.

VÍTOR  -  Desculpe, Miss July. Eu preciso ver Helô. Estou muito preocupado com ela. Sabe me dizer se... ela está mais calma?

MISS JULY  -  Helô não está em casa, Vítor. Ela viajou.

VÍTOR  -  (surpreso) Viajou? Mas... quando? Para onde?

MISS JULY  -  Bem... ela disse que não nasceu para viver sofrendo por quem não merece... e ligou para as antigas amizades... que, aqui entre nós, eu preferia que se mantivessem bem longe dela!

VÍTOR  -  Que... que amizades?

MISS JULY  -  Um tal de Ricardinho, Mario Maluco, Verinha e outras companhias nada recomendáveis, do tipo que só arrumam confusão. Até detida pela polícia, junto com eles, ela já foi!

VÍTOR  -  (cenho franzido, ar de preocupação)  Sabe para onde eles foram, Miss July?

MISS JULY  -  Para Búzios. O doutor Oliveira tem uma casa na praia de Geribá. Eles foram para lá.

CORTA PARA:

CENA  8  -  APARTAMENTO DO DELEGADO FONTOURA  -  SALA  -  INT.   -  DIA

DELEGADO FONTOURA  -  Mas eles foram com quem?

ADELAIDE   -  Com uma turma de moças e rapazes, Zélio. Vera disse que iam para a casa de Helô, em Búzios.

DELEGADO FONTOURA  -  E o pai de Helô, a família, está lá?

ADELAIDE  -  Isso eu não sei. Sei apenas que Verinha foi com o irmão.

DELEGADO FONTOURA  -  Mas é outro irresponsável! Sabe como é que ele é conhecido nas rodas de Ipanema? Por Mario Maluco. Seu filho.

ADELAIDE  -  Mas isso é apelido.

DELEGADO FONTOURA  -  Todo apelido tem uma razão de ser. E imagine você a minha situação: eu, o Delegado Zélio Fontoura, tenho um filho que é conhecido por Mario Maluco. Eu, que faço campanha contra os loucos do volante, os doidinhos da motocicleta e marginais que infestam o bairro. Muita gente há de dizer: mas por que ele não começa por sua própria casa?

ADELAIDE  -  Ah, relaxa, homem. Deixa eles se divertirem. O que pode acontecer de mal?

CORTA PARA:

CENA  9  -  PENSÃO PRIMAVERA  -  SALA DE JANTAR  -  INT.  -  DIA.

SAMUCA TINHA ACABADO DE ALMOÇAR E CONFERIA O SEU TALÃO DE MEGA-SENA.

SAMUCA  -  ... 23, 35, 47, 49...  Puxa vida! Que azar! (deu um murro na mesa que assustou D. Didi do outro lado do balcão).

D. DIDI  -  (gritou) Cuidado pra não quebrar a mesa, seu Samuca!

SAMUCA COÇOU A CABEÇA, ENQUANTO D. DIDI E MARIA LÚCIA RIAM, DIVERTIDAS.

MARIA LÚCIA  -  Nunca vi ninguém tão obcecado pra ficar rico!

D. DIDI  -  Conhece aquele ditado: “água mole em pedra dura”? Pois eu aposto que, um dia, ele consegue!

CORTA PARA:

CENA  10  -  BÚZIOS  -  CASA DE OLIVEIRA RAMOS  -  EXT.  -  DIA.
VÍTOR ADMIROU, POR SOBRE OS MUROS, A BELEZA DO IMÓVEL À BEIRA-MAR. TOCOU A CAMPAINHA E UMA CRIADA VEIO ATENDER. DO PORTÃO ABERTO, VÍTOR VIU QUANDO RICARDINHO E MARIO MALUCO DAVAM SALTOS - MORTAIS NA MAIOR ALGAZARRA, NA ENORME PISCINA.

VÍTOR  -  Boa tarde. Helô está?

A CRIADA FEZ QUE NÃO COM A CABEÇA E APONTOU A PRAIA A POUCOS METROS DE DISTANCIA DA CASA.

CORTA PARA:

CENA  11  -  BÚZIOS  -  PRAIA DE GERIBÁ  -  EXT.  -  TARDE.

HELÔ FECHOU OS OLHOS E RESPIROU FUNDO, RELAXADA, SENTINDO A BRISA DO MAR ACARICIAR SEU CORPO. A VOZ A FEZ VOLTAR-SE, COMO UMA ALUCINAÇÃO.

VÍTOR  -  Você está linda assim, sabia?

HELÔ  -  Vítor!

VÍTOR  -  Eu precisava vir, Helô! Estou aqui... para pedir sua mão em casamento. Você aceita?

FIM DO CAPÍTULO 28




e no próximo capítulo...


*** Helô tenta resistir ao pedido de casamento, com medo de sofrer mais uma vez! Conseguirá Vítor dobrá-la e mostrar que está sendo sincero?

*** Jurema propõe a Ricardinho que fujam, pois ele está prestes a ser preso pelo assasinato de Nívea!

*** Samuca, o sempre atrapalhado Samuca, com sua idéia fixa de enriquecer, mete-se desta vez numa "baita" e muito divertida encrenca!

NÃO PERCA O CAPÍTULO 29 DE



SESSÃO SAUDADE - ZACARIAS

A homenagem de hoje vai para o mineirinho Mauro Faccio Gonçalves ou Zacarias, como ficou mais conhecido.
Humorista, cuja marca registrada era a risada fina e característica, Mauro durante anos trouxe alegria a adultos e crianças como parte do quarteto Os Trapalhões, quer no cinema, quer na TV.
Em tempos de humor agressivo e que se diverte machucando os outros, faz falta o humor inocente e de circo do nosso querido Zacarias.
Quanta saudade!
Para saber mais sobre Mauro Faccio Gonçalves, favor consultar: www.museudatv.com.br/biografias/Zacarias.htm.
Com o objetivo de recordar esse humorista tão querido, reproduzimos abaixo vídeo feito em homenagem a ele.
Que descanse em paz!
Boa recordação!