quinta-feira, 26 de março de 2020

SESSÃO LEITURA - CHEGOU O OUTONO - RUBEM BRAGA

O texto abaixo é de autoria de Rubem Braga.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: https://www.ebiografia.com/rubem_braga/.
Boa leitura!

CHEGOU O OUTONO

Não consigo me lembrar exatamente o dia em que o outono começou no Rio de Janeiro neste 1935. Antes de começar na folhinha ele começou na Rua Marquês de Abrantes. Talvez no dia 12 de março. Sei que estava com Miguel em um reboque do bonde Praia Vermelha. Nunca precisei usar sistematicamente o bonde Praia Vermelha, mas sempre fui simpatizante. É o bonde dos soldados do Exército e dos estudantes de Medicina.
Raras mulatas no reboque; liberdade de colocar os pés e mesmo esticar as pernas sobre o banco da frente. Os condutores são amenos. Fatigaram-se naturalmente de advertir os soldados e estudantes; quando acontece alguma coisa eles suspiram e tocam o bonde. Também os loucos mansos viajam ali, rumo do hospício. Nunca viajou naquele bonde um empregado da City Improvements Company: Praia Vermelha não tem esgotos. Oh, a City! Assim mesmo se vive na Praia Vermelha. Essenciais são os esgotos da alma. Nossa pobre alma inesgotável! Mesmo depois do corpo dar com o rabo na cerca e parar no buraco do chão para ficar podre, ela, segundo consta, fica esvoaçando pra cá, pra lá. Umas vão ouvir Francesca da Rimini declamar versos de Dante, outras preferem a harpa de Santa Cecília. A maioria vai para o Purgatório. Outras perambulam pelas sessões espíritas, outras à meia-noite puxam o vosso pé, outras no firmamento viram estrelinhas. Os soldados do Exército não podem olhar as estrelas: lembram-se dos generais. Lá no céu tem três estrelas, todas três em carreirinha. Uma é minha, outra é sua. O cantor tem pena da que vai ficar sozinha. Que faremos, oh meu grande e velho amor, da estrela disponível? Que ela fique sendo propriedade das almas errantes. Nossas pobres almas erradas!
Eu ia no reboque, e o reboque tem vantagens e desvantagens. Vantagem é poder saltar ou subir de qualquer lado, e também a melhor ventilação. Desvantagem é o encosto reduzido. Além disso os vossos joelhos podem tocar o corpo da pessoa que vai no banco da frente; e isso tanto pode ser doce vantagem Como triste desvantagem. Eu havia tomado o bonde na Praça José de Alencar; e quando entramos na Rua Marquês de Abrantes, rumo de Botafogo, o outono invadiu o reboque. Invadiu e bateu no lado esquerdo de minha cara sob a forma de uma folha seca. Atrás dessa folha veio um vento, e era o vento do outono. Muitos passageiros do bonde suavam.
No Rio de Janeiro faz tanto calor que depois que acaba o calor a população continua a suar gratuitamente e por força do hábito durante quatro ou cinco semanas ainda.
Percebi com uma rapidez espantosa que o outono havia chegado. Mas eu não tinha relógio, nem Miguel. Tentei espiar as horas no interior de um botequim, nada conseguindo. Olhei para o lado. Ao lado estava um homem decentemente vestido, com cara de possuidor de relógio.
– O senhor pode ter a gentileza de me dar as horas?
Ele espantou-se um pouco e, embora sem nenhum ar gentil, me deu as horas: 13:48. Agradeci e murmurei: “chegou o outono”. Ele deve ter ouvido essa frase tão lapidar, mas aparentemente não ficou comovido. Era um homem simples e tudo o que esperava era que o bonde chegasse a um determinado poste.
Chegara o outono. Vinha talvez do mar e, passando pelo nosso reboque, dirigia-se apressadamente ao centro da cidade, ainda ocupado pelo verão. Ele não vinha soluçando les sanglois longs des violons de Verlaine, vinha com tosse, na quaresma da cidade gripada.
As folhas secas davam pulinhos ao longo da sarjeta; e o vento era quase frio, quase morno, na Rua Marquês de Abrantes. E as folhas eram amarelas, e meu coração soluçava, e o bonde roncava.
Passamos diante de um edifício de apartamentos cuja construção está paralisada no mínimo desde 1930. Era iminente a entrada em Botafogo; penso que o resto da viagem não interessa ao grosso público. O próprio começo da viagem creio que também não interessou. Que bem me importa. O necessário é que todos saibam que chegou o outono. Chegou às 13:48 horas, na Rua Marquês de Abrantes, e continua em vigor. Em vista do que, ponhamo-nos melancólicos.

Rio de Janeiro, 1935.

SESSÃO ABERTURA DE SÉRIE - TUDO NOVO DE NOVO

A série Tudo Novo de Novo foi apresentada pela Rede Globo no horário das 23h15 de 17 de abril a 3 de julho de 2009.
O tema musical de abertura era Tudo Novo de Novo, interpretado por Paulinho Moska.
Para maiores informações sobre a série, favor acessar: http://teledramaturgia.com.br/tudo-novo-de-novo/.
Boa diversão!


Fonte: Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=36--gKnUdss

LETRA

TUDO NOVO DE NOVO

Compositor: Moska

Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim

Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim

É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou

E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou

Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

Fonte: http://teledramaturgia.com.br/tudo-novo-de-novo/

quarta-feira, 25 de março de 2020

SESSÃO SAUDADE - MOACYR DOS SANTOS

A música sertaneja de raiz possui muitos compositores de valor, como o nosso homenageado da semana: Moacyr dos Santos.

Resultado de imagem para MOACYR DOS SANTOS COMPOSITOR SERTANEJO

Fonte: https://www.google.com/url?sa=i&url=http%3A%2F%2Fmomentodepoesiasertaneja.blogspot.com%2F2013%2F06%2Fmoacyr-dos-santos.html&psig=AOvVaw1sNk0O0Dl_LscmfSbBRWtp&ust=1584562836422000&source=images&cd=vfe&ved=0CAIQjRxqFwoTCIDBr9mqougCFQAAAAAdAAAAABAD

Parceiro de sertanejos famosos, Sulino, Jacó, Jacozinho e Paraíso, só para se mencionar alguns, deixou muitos sucessos que fazem a alegria dos fãs da verdadeira música caipira.
Obrigado, Moacyr dos Santos, por seu legado de grande importância para nossa música do campo!
Descanse em paz!
Para saber mais sobre este artista, favor acessar: http://dicionariompb.com.br/moacyr-dos-santos.
Com o objetivo de homenageá-lo, reproduzimos abaixo dois de seus grandes sucessos: Terra Bruta e Peão da Cidade nas vozes dos saudosos Jacó e Jacozinho.

PRIMEIRO VÍDEO



LETRA

TERRA BRUTA

Compositores: Moacyr dos Santos e Jacozinho

Você vê essa cidade que agora está de pé
O meu pai aqui plantou milhões de pés de café
A primeira casa erguida foi seu rancho de sapé
O velho chegou sozinho pro que der o que vier
Com amor e muita luta, enfrentou a terra bruta
Com coragem e muita fé

Quando os índios atacavam gritando lá das fronteiras
Meu pai manobrava firme carabina e cartucheira
Os bicho ferozes das matas também morreu na chumbeira
pros bandidos e assaltantes o meu pai foi a barreira
Pra defender esta terra, o velho fez uma guerra
Sem precisar de trincheira

Eu passo nessa cidade e vejo a população
Movimento de transporte cereais e algodão
Vejo escola e ginásio e uma fina educação
Ao ver uma carabina já me dói o coração
Quem lutou por tudo isto, sofreu igual Jesus Cristo
E não teve compensação

Dessa história do meu pai me lembro e pego a chorar
Lutou por uma cidade e não pode aproveitar
Ele morreu na miséria dentro de um rico lugar
É como diz o ditado pra vocês eu vou falar
Morre o homem e fica a fama, lutando ele fez a cama
Pra outros poder deitar


SEGUNDO VÍDEO



LETRA

PEÃO DA CIDADE

Compositores: Sulino e Moacyr dos Santos

Eu vi com meus próprios olhos
Foi num circo de rodeio
Na chegada dos peões
Que vieram pro torneio
Soltaram tanto foguete
Que fizeram um bombardeio
Na hora da montaria
Que o negócio ficou feio
Soltaram um burro famoso
Que nem sei de onde veio
Era só sentar no lombo
Cada pulo era um tombo
Ninguém esquentou o arreio

Surgiu um moço granfino
Do meio da multidão
Pelo traje eu que era
Um homem de posição
Cabelos bem penteados
E roupa de exportação
As unhas todas esmaltadas
E anel de ouro na mão
Pra montar naquele burro
Foi pedindo permissão
Pode ser que eu também caia
Mas pretendo dar trabalho
Pra fama desse burrão

Os "peão" que beijou a terra
Falaram com precisão
Os granfinos da cidade
Quando "quer" bancar o peão
Não "pára" nem amarrado
No lombo de um pagão
Se esse granfino montar
Pode preparar o caixão
O burro tirou do lombo
Barbado da profissão
Não foi um e nem foi dois
Vamos ver o pó de arroz
Bater a cara no chão

O granfino entrou na arena
Calçou a espora de prata
Jogou o paletó na cerca
E apertou bem a reata
Sentou no lombo do burro
Bambeou o nó da gravata
Cortou o burro na espora
E foi batendo de chibata
O burrão caiu de costas
Levantou as quatro patas
O moço saltou de lado
E o burro ficou deitado
Entregue para as baratas

Ganhou aplausos do povo
Ganhou beijo das meninas
O granfino contou a vida
Bebendo numa cantina
Eu já fui peão de fama
Lá no Estado de Minas
O dinheiro do papai
Que mudou a minha sina
Eu tenho na minha casa
Diploma de medicina
Tô morando na cidade
Mas sinto grande saudade
Que até hoje me domina

SESSÃO HUMOR

A filha entra no escritório do pai, com o marido a tiracolo, e indaga sem rodeios:
– Papai, por que você não coloca meu marido no lugar do seu sócio que acaba de falecer?
E o pai, com um sorriso no rosto, responde de imediato:
– Por mim, está tudo bem.  Mas converse com o pessoal da funerária antes.

terça-feira, 24 de março de 2020

SESSÃO REMAKE MUSICAL - TANTO AMAR - CHICO BUARQUE

A canção Tanto Amar, que teve como um dos intérpretes Ney Matogrosso, é apresentado no vídeo abaixo por Chico Buarque.
Boa diversão!



LETRA

TANTO AMAR

Compositor: Chico Buarque

Amo tanto e de tanto amar, acho que ela é bonita.
Tem um olho sempre a boiar e outro que agita.
Tem um olho que não está, meus olhares evita.
E outro olho a me arregalar sua pepita.
A metade do seu olhar está chamando pra luta, aflita.
E metade quer madrugar na bodeguita.
Se os seus olhos eu for cantar, um seu olho me atura
E outro olho vai desmanchar toda a pintura.
Ela pode rodopiar e mudar de figura.
A paloma do seu mirar vira miúra.
É na soma do seu olhar que eu vou me conhecer inteiro.
Se nasci pra enfrentar o mar ou faroleiro.
Amo tanto e de tanto amar acho que ela acredita.
Tem um olho a pestanejar e outro me fita.
Suas pernas vão me enroscar num balé esquisito.
Seus dois olhos vão se encontrar no infinito.
Amo tanto e de tanto amar em Manágua temos um "chico".
Já pensamos em nos casar em "Puerto" Rico.

Fonte: https://www.letras.mus.br/ney-matogrosso/47738/

SESSÃO TÚNEL DO TEMPO MUSICAL - TANTO AMAR - NEY MATOGROSSO

A canção Tanto Amar, interpretada por Ney Matogrosso, fez parte da trilha sonora da novela Sabor de Mel, apresentada pela Rede Bandeirantes no horário das 20h de 4 de abril a 22 de julho de 1983.
Para maiores informações sobre a novela, favor acessar: http://teledramaturgia.com.br/sabor-de-mel/.
Boa diversão!



LETRA

TANTO AMAR

Compositor: Chico Buarque

Amo tanto e de tanto amar, acho que ela é bonita.
Tem um olho sempre a boiar e outro que agita.
Tem um olho que não está, meus olhares evita.
E outro olho a me arregalar sua pepita.
A metade do seu olhar está chamando pra luta, aflita.
E metade quer madrugar na bodeguita.
Se os seus olhos eu for cantar, um seu olho me atura
E outro olho vai desmanchar toda a pintura.
Ela pode rodopiar e mudar de figura.
A paloma do seu mirar vira miúra.
É na soma do seu olhar que eu vou me conhecer inteiro.
Se nasci pra enfrentar o mar ou faroleiro.
Amo tanto e de tanto amar acho que ela acredita.
Tem um olho a pestanejar e outro me fita.
Suas pernas vão me enroscar num balé esquisito.
Seus dois olhos vão se encontrar no infinito.
Amo tanto e de tanto amar em Manágua temos um "chico".
Já pensamos em nos casar em "Puerto" Rico.

Fonte: https://www.letras.mus.br/ney-matogrosso/47738/

segunda-feira, 23 de março de 2020

SESSÃO RETRÔ - VARIEDADES - DÊNIS CARVALHO

A reportagem abaixo foi publicada na revista Melodias nr. 156, publicada em 1970.
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Boa diversão!