segunda-feira, 26 de junho de 2017

CHAMADA - SESSÃO RETRÔ - NOVELAS

O Casarão, Irmãos Coragem (primeira versão), O Primeiro Amor, O Terceiro Pecado, grandes novelas que estarão em breve em cartaz na Sessão Retrô - Novelas!
Não percam!

SESSÃO RETRÔ - VARIEDADES - CÉLIO ROBERTO

A reportagem abaixo foi publicada na revista Super Melodias nr. 218, publicada em 1976.
Para ler esta ou outra matéria em tamanho maior, caso use o Explorer ou Chrome, clique sobre a figura com o botão direito do mouse e selecione a opção "abrir link em uma nova guia". Na nova guia, clique com o botão esquerdo do mouse e, pronto, terá acesso a uma ampliação da página. Caso o navegador seja o Firefox, clique sobre a figura com o botão direito do mouse e selecione a opção "abrir em nova aba". Em seguida, proceda como no caso dos dois outros navegadores citados.
Boa diversão!


SESSÃO RETRÔ - COMERCIAIS - TÊNIS BAMBA (ANOS 80)

video

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=BT_YOd8fyBw&index=14&list=PLv2yBGQZ_zg9QjY1K1z-Gs6OO4b4fIJbJ

sábado, 24 de junho de 2017

PARA MEDITAR



SESSÃO FOTONOVELA - AMADA AMANTE

A fotonovela abaixo pertence à revista Super Melodias nr. 218, publicada em 1976.
Para ler esta ou outra matéria em tamanho maior, caso use o Explorer ou Chrome, clique sobre a figura com o botão direito do mouse e selecione a opção "abrir link em uma nova guia". Na nova guia, clique com o botão esquerdo do mouse e, pronto, terá acesso a uma ampliação da página. Caso o navegador seja o Firefox, clique sobre a figura com o botão direito do mouse e selecione a opção "abrir em nova aba". Em seguida, proceda como no caso dos dois outros navegadores citados.
Boa leitura!

















sexta-feira, 23 de junho de 2017

SESSÃO CAPAS E PÔSTERES

A capa pertence à revista Super Melodias nr. 218, publicada em 1976.
Já o pôster à revista Contigo nr. 246, que foi às bancas em 17/02/78.
Boa diversão!



SESSÃO FOTO QUIZ

A foto da semana passada pertence ao ator, DJ e apresentador de televisão André Marques.
Agora tentem descobrir quem é o garoto da foto.
Eis algumas pistas:
1) Este ator, ainda vivo, nasceu na capital paulista no ano de 1981.
2) Em teledramaturgia, estreou na novela Estrela Guia, na Rede Globo, no ano de 2001.
3) Participou de novelas como: Cobras & Lagartos e Paraíso Tropical, na Rede Globo e Os Dez Mandamentos, na Rede Record.
Boa diversão!


quinta-feira, 22 de junho de 2017

SESSÃO LEITURA - ASSOMBROS - AFONSO ROMANO DE SANT'ANNA

O texto abaixo é da autoria de Afonso Romano de Sant’Anna.
Boa leitura!

ASSOMBROS

Às vezes, pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.
Fora, não se dão conta os desatentos.

Entre a aorta e a omoplata rolam
alquebrados sentimentos.

Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.

Os mais íntimos
já me viram remexendo escombros.
Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro.

SESSÃO ABERTURA DE NOVELA - CÚMPLICES DE UM RESGATE

A novela Cúmplices de Um Resgate foi apresentada pelo SBT no horário das 20h30 de 3 de agosto de 2015 a 13 de dezembro de 2016.
O tema musical de abertura era Cúmplices, interpretada por Cúmplices de Um Resgate.
Para maiores informações sobre essa novela, favor acessar: http://www.teledramaturgia.com.br/cumplices-de-um-resgate/.
Boa diversão!

video


LETRA

CÚMPLICES

Você parece tanto comigo
Te ter por perto me deixa feliz
Você e eu somos tão iguais
E ninguém irá nos separar

Mas com amor
Nada nos poderá nos derrubar
Juntos seremos enfim
Como cúmplices do amor

Cúmplices (cúmplices, oh!)
De um resgate do amor
Cúmplices (cúmplices, oh!)
De um resgate pelo amor
Cúmplices (cúmplices, oh!)
De um resgate desse amor
Cúmplices (cúmplices, oh!)
De um resgate com amor

Você e eu podemos começar
Uma nova vida um novo caminhar
Você e eu somos tão iguais
E ninguém irá nos separar

Mais com amor
Nada poderá nos derrubar
Juntos seremos enfim
Como cúmplices de amor

Cúmplices (cúmplices, oh!)
De um resgate do amor
Cúmplices (cúmplices, oh!)
De um resgate pelo amor
Cúmplices (cúmplices, oh!)
De um resgate desse amor
Cúmplices (cúmplices, oh!)
De um resgate com amor

Cúmplices (cúmplices,oh!)
De um resgate do amor
Cúmplices (cúmplices, oh!)
De um resgate pelo amor
Cúmplices (cúmplices,oh!)
De um resgate desse amor
Cúmplices (cúmplices,oh!)
De um resgate com amor

Fonte: https://www.letras.mus.br/cumplices-de-um-resgate/cumplices/

quarta-feira, 21 de junho de 2017

SESSÃO SAUDADE - JOÃO ELIAS

Um turco pão-duro que vivia às turras com um judeu.
Foi com esse personagem que se celebrizou nosso homenageado da semana: João Elias.
Durante várias temporadas e em mais de um programa – Escolinha do Professor Raimundo e Escolinha do Barulho -, o humorista trouxe alegria até os nossos lares.
Obrigado, João Elias, por não ter economizado em talento para nos divertir!
Descanse em paz!
Para maiores informações sobre esse artista, favor acessar: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Elias.
Com o objetivo de homenageá-lo, reproduzimos abaixo dois vídeos da Escolinha do Professor Raimundo da década de 90.

PRIMEIRO VÍDEO

video


SEGUNDO VÍDEO

video




SESSÃO HUMOR

Um advogado tinha 12 filhos, precisava sair da casa onde morava e alugar outra, mas não conseguia por causa do monte de crianças.
Quando ele dizia que tinha 12 filhos, ninguém queria alugar porque sabiam que a criançada iria destruir a casa e ele não podia dizer que não tinha filhos, porque não queria mentir.
Ele estava ficando desesperado, o prazo para se mudar estava se esgotando.
Daí teve uma ideia: mandou a mulher ir passear no cemitério com 11 dos filhos.
Pegou o filho que sobrou e foi ver casas junto com o agente da imobiliária.
Gostou de uma e o agente perguntou quantos filhos ele tinha.
Ele respondeu que tinha 12.
Daí o agente perguntou:
- Mas onde estão os outros?
E ele respondeu, com um ar muito triste:
- Estão no cemitério, junto com a mamãe deles.
E foi assim que ele conseguiu alugar uma casa sem mentir.

terça-feira, 20 de junho de 2017

SESSÃO REMAKE MUSICAL - MAR DE COPACABANA - ROSA PASSOS

A canção Mar de Copacabana, originalmente interpretada por Gilberto Gil, é apresentada no vídeo abaixo por Rosa Passos.
Boa diversão!

video


LETRA

MAR DE COPACABANA

Compositor: Gilberto Gil

Já mandei lhe entregar o mar
Que você viu
Que você pediu pra eu dar
Outro dia em Copacabana
Talvez leve uma semana pra chegar
Talvez entreguem amanhã de manhã
Manhã bem seda tecida de sol
Lençol de seda dourada
Envolvendo a madrugada toda azul

Quando eu fui encomendar o mar
O anjo riu
E me pediu pra aguardar
Muita gente quer Copacabana
Talvez leve uma semana pra chegar
Assim que der, ele traz pra você
O mar azul com que você sonhou
No seu caminhão que desce
Do infinito e que abastece o nosso amor

Se o anjo não trouxer o mar
Há mais de mil
Coisas que ele pode achar
Tão lindas quanto Copacabana
Talvez tão bacanas que vão lhe agradar
São tantas bijuterias de Deus
Os sonhos, todos os desejos seus
Um mar azul mais distante
E a estrela mais brilhante lá do céu

Fonte: https://www.letras.mus.br/gilberto-gil/1204732/

SESSÃO TÚNEL DO TEMPO MUSICAL - MAR DE COPACABANA - GILBERTO GIL

A canção Mar de Copacabana, interpretada por Gilberto Gil, fez parte da trilha sonora da novela O Outro, apresentada pela Rede Globo no horário das 20h de 23 de março a 10 de outubro de 1987.
Para maiores informações sobre a novela, favor acessar: http://www.teledramaturgia.com.br/o-outro/.
Boa diversão!

video


LETRA

MAR DE COPACABANA

Compositor: Gilberto Gil

Já mandei lhe entregar o mar
Que você viu
Que você pediu pra eu dar
Outro dia em Copacabana
Talvez leve uma semana pra chegar
Talvez entreguem amanhã de manhã
Manhã bem seda tecida de sol
Lençol de seda dourada
Envolvendo a madrugada toda azul

Quando eu fui encomendar o mar
O anjo riu
E me pediu pra aguardar
Muita gente quer Copacabana
Talvez leve uma semana pra chegar
Assim que der, ele traz pra você
O mar azul com que você sonhou
No seu caminhão que desce
Do infinito e que abastece o nosso amor

Se o anjo não trouxer o mar
Há mais de mil
Coisas que ele pode achar
Tão lindas quanto Copacabana
Talvez tão bacanas que vão lhe agradar
São tantas bijuterias de Deus
Os sonhos, todos os desejos seus
Um mar azul mais distante
E a estrela mais brilhante lá do céu

Fonte: https://www.letras.mus.br/gilberto-gil/1204732/

segunda-feira, 19 de junho de 2017

SESSÃO RETRÔ - VARIEDADES - NEI GONÇALVES DIAS

A reportagem abaixo foi publicada na revista Super Melodias nr. 214, publicada em 1975.
Para ler esta ou outra matéria em tamanho maior, caso use o Explorer ou Chrome, clique sobre a figura com o botão direito do mouse e selecione a opção "abrir link em uma nova guia". Na nova guia, clique com o botão esquerdo do mouse e, pronto, terá acesso a uma ampliação da página. Caso o navegador seja o Firefox, clique sobre a figura com o botão direito do mouse e selecione a opção "abrir em nova aba". Em seguida, proceda como no caso dos dois outros navegadores citados.
Boa diversão!


domingo, 18 de junho de 2017

SESSÃO RETRÔ - NOVELAS - OS APÓSTOLOS DE JUDAS

A reportagem abaixo foi publicada na revista Super Melodias nr. 218, que foi às bancas em 1976.
A novela Os Apóstolos de Judas foi apresentada pela Rede Tupi no horário das 19h de 31 de maio a 27 de novembro de 1976.
Para saber mais sobre essa novela, favor consultar: http://www.teledramaturgia.com.br/os-apostolos-de-judas/.
Se quiserem ver alguns capítulos dessa novela, sugerimos acessar os seguintes links: https://www.youtube.com/watch?v=emMsbfhIEhc&t=69s, https://www.youtube.com/watch?v=J3upqQOUx_Y&t=48s e https://www.youtube.com/watch?v=0Ye0GWUllSo&t=369s (último capítulo).
Para ler esta ou outra matéria em tamanho maior, caso use o Explorer ou Chrome, clique sobre a figura com o botão direito do mouse e selecione a opção "abrir link em uma nova guia". Na nova guia, clique com o botão esquerdo do mouse e, pronto, terá acesso a uma ampliação da página. Caso o navegador seja o Firefox, clique sobre a figura com o botão direito do mouse e selecione a opção "abrir em nova aba". Em seguida, proceda como no caso dos dois outros navegadores citados.
Boa leitura!


PARA MEDITAR



SESSÃO BISCOITINHOS - AS NOVAS AVENTURAS DO ZORRO

video


sábado, 17 de junho de 2017

PARA MEDITAR



SESSÃO FOTONOVELA - VOLTE AMOR!

A fotonovela abaixo pertence à revista Super Melodias nr. 214, publicada em 1975.
Para ler esta ou outra matéria em tamanho maior, caso use o Explorer ou Chrome, clique sobre a figura com o botão direito do mouse e selecione a opção "abrir link em uma nova guia". Na nova guia, clique com o botão esquerdo do mouse e, pronto, terá acesso a uma ampliação da página. Caso o navegador seja o Firefox, clique sobre a figura com o botão direito do mouse e selecione a opção "abrir em nova aba". Em seguida, proceda como no caso dos dois outros navegadores citados.
Boa leitura!

















sexta-feira, 16 de junho de 2017

SESSÃO CAPAS E PÔSTERES

A capa pertence à revista Super Melodias nr. 214, publicada em 1975.
Já o pôster à revista Contigo nr. 246, que foi às bancas em 17/02/78.
Boa diversão!



SESSÃO FOTO QUIZ

A foto da semana passada pertence à atriz Ísis Valverde.
Agora tentem descobrir quem é o garoto da foto.
Eis algumas pistas:
1) Este ator, DJ e apresentador de televisão, ainda vivo, nasceu no interior do Rio de Janeiro no ano de 1979.
2) Em teledramaturgia, estreou na série Malhação, na Rede Globo, no ano de 1995, e participou de várias temporadas desse programa.
3) Como apresentador, comandou durante vários anos o Vídeo Show da Rede Globo de Televisão.
Boa diversão!


quinta-feira, 15 de junho de 2017

SESSÃO LEITURA - UM CINTURÃO - GRACILIANO RAMOS

O texto abaixo é de autoria de Graciliano Ramos.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: https://www.ebiografia.com/graciliano_ramos/.
Boa leitura!

UM CINTURÃO

As minhas primeiras relações com a justiça foram dolorosas e deixaram-me funda impressão. Eu devia ter quatro ou cinco anos, por aí, e figurei na qualidade de réu. Certamente já me haviam feito representar esse papel, mas ninguém me dera a entender que se tratava de julgamento. Batiam-me porque podiam bater-me, e isto era natural.
Os golpes que recebi antes do caso do cinturão, puramente físicos, desapareciam quando findava a dor. Certa vez minha mãe surrou-me com uma corda nodosa que me pintou as costas de manchas sangrentas. Moído, virando a cabeça com dificuldade, eu distinguia nas costelas grandes lanhos vermelhos. Deitaram-me, enrolaram-me em panos molhados com água de sal – e houve uma discussão na família. Minha avó, que nos visitava, condenou o procedimento da filha e esta afligiu-se. Irritada, ferira-me à toa, sem querer. Não guardei ódio a minha mãe: o culpado era o nó. Se não fosse ele, a flagelação me haveria causado menor estrago. E estaria esquecida. A história do cinturão, que veio pouco depois, avivou-a.
Meu pai dormia na rede, armada na sala enorme. Tudo é nebuloso. Paredes extraordinariamente afastadas, rede infinita, os armadores longe, e meu pai acordando, levantando-se de mau humor, batendo com os chinelos no chão, a cara enferrujada. Naturalmente não me lembro da ferrugem, das rugas, da voz áspera, do tempo que ele consumiu rosnando uma exigência. Sei que estava bastante zangado, e isto me trouxe a covardia habitual. Desejei vê-lo dirigir-se a minha mãe e a José Baía, pessoas grandes, que não levavam pancada. Tentei ansiosamente fixar-me nessa esperança frágil. A força de meu pai encontraria resistência e gastar-se-ia em palavras.
Débil e ignorante, incapaz de conversa ou defesa, fui encolher-me num canto, para lá dos caixões verdes. Se o pavor não me segurasse, tentaria escapulir-me: pela porta da frente chegaria ao açude, pela do corredor acharia o pé do turco. Devo ter pensado nisso, imóvel, atrás dos caixões. Só queria que minha mãe, sinhá Leopoldina, Amaro e José Baía surgissem de repente, me livrassem daquele perigo.
Ninguém veio, meu pai me descobriu acocorado e sem fôlego, colado ao muro, e arrancou-me dali violentamente, reclamando um cinturão. Onde estava o cinturão? Eu não sabia, mas era difícil explicar-me: atrapalhava-me, gaguejava, embrutecido, sem atinar com o motivo da raiva. Os modos brutais, coléricos, atavam-me; os sons duros morriam, desprovidos de significação.
Não consigo reproduzir toda a cena. Juntando vagas lembranças dela a fatos que se deram depois, imagino os berros de meu pai, a zanga terrível, a minha tremura infeliz. Provavelmente fui sacudido. O assombro gelava-me o sangue, escancarava-me os olhos.
Onde estava o cinturão? Impossível responder. Ainda que tivesse escondido o infame objeto, emudeceria, tão apavorado me achava. Situações deste gênero constituíram as maiores torturas da minha infância, e as consequências delas me acompanharam.
O homem não me perguntava se eu tinha guardado a miserável correia: ordenava que a entregasse imediatamente. Os seus gritos me entravam na cabeça, nunca ninguém se esgoelou de semelhante maneira.
Onde estava o cinturão? Hoje não posso ouvir uma pessoa falar alto. O coração bate-me forte, desanima, como se fosse parar, a voz emperra, a vista escurece, uma cólera doida agita coisas adormecidas cá dentro. A horrível sensação de que me furam os tímpanos com pontas de ferro.
Onde estava o cinturão? A pergunta repisada ficou-me na lembrança: parece que foi pregada a martelo.
A fúria louca ia aumentar, causar-me sério desgosto. Conservar-me-ia ali desmaiado, encolhido, movendo os dedos frios, os beiços trêmulos e silenciosos. Se o moleque José ou um cachorro entrasse na sala, talvez as pancadas se transferissem. O moleque e os cachorros eram inocentes, mas não se tratava disto. Responsabilizando qualquer deles, meu pai me esqueceria, deixar-me-ia fugir, esconder-me na beira do açude ou no quintal. Minha mãe, José Baía, Amaro, sinhá Leopoldina, o moleque e os cachorros da fazenda abandonaram-me. Aperto na garganta, a casa a girar, o meu corpo a cair lento, voando, abelhas de todos os cortiços enchendo-me os ouvidos – e, nesse zunzum, a pergunta medonha. Náusea, sono. Onde estava o cinturão? Dormir muito, atrás de caixões, livre do martírio.
Havia uma neblina, e não percebi direito os movimentos de meu pai. Não o vi aproximar-se do torno e pegar o chicote. A mão cabeluda prendeu-me, arrastou-me para o meio da sala, a folha de couro fustigou-me as costas. Uivos, alarido inútil, estertor. Já então eu devia saber que gogos e adulações exasperavam o algoz. Nenhum socorro. José Baía, meu amigo, era um pobre-diabo.
Achava-me num deserto. A casa escura, triste; as pessoas tristes. Penso com horror nesse ermo, recordo-me de cemitérios e de ruínas mal-assombradas. Cerravam-se as portas e as janelas, do teto negro pendiam teias de aranha. Nos quartos lúgubres minha irmãzinha engatinhava, começava a aprendizagem dolorosa.
Junto de mim, um homem furioso, segurando-me um braço, açoitando-me. Talvez as vergastadas não fossem muito fortes: comparadas ao que senti depois, quando me ensinaram a carta de A B C, valiam pouco. Certamente o meu choro, os saltos, as tentativas para rodopiar na sala como carrapeta eram menos um sinal de dor que a explosão do medo reprimido. Estivera sem bulir, quase sem respirar. Agora esvaziava os pulmões, movia-me num desespero.
O suplício durou bastante, mas, por muito prolongado que tenha sido, não igualava a mortificação da fase preparatória: o olho duro a magnetizar-me, os gestos ameaçadores, a voz rouca a mastigar uma interrogação incompreensível.
Solto, fui enroscar-me perto dos caixões, coçar as pisaduras, engolir soluços, gemer baixinho e embalar-me com os gemidos. Antes de adormecer, cansado, vi meu pai dirigir-se à rede, afastar as varandas, sentar-se e logo se levantar, agarrando uma tira de sola, o maldito cinturão, a que desprendera a fivela quando se deitara. Resmungou e entrou a passear agitado. Tive a impressão de que ia falar-me: baixou a cabeça, a cara enrugada serenou, os olhos esmoreceram, procuraram o refúgio onde me abatia, aniquilado.
Pareceu-me que a figura imponente minguava – e a minha desgraça diminuiu. Se meu pai se tivesse chegado a mim, eu o teria recebido sem o arrepio que a presença dele sempre me deu. Não se aproximou: conservou-se longe, rondando, inquieto. Depois se afastou.
Sozinho, vi-o de novo cruel e forte, soprando, espumando. E ali permaneci, miúdo, insignificante, tão insignificante e miúdo como as aranhas que trabalhavam na telha negra.
Foi esse o primeiro contato que tive com a justiça.