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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Fic: Love Contrat - Autora: Sakuraxjapan (Geovanna) - Capítulo 6


Capitulo 6 “Casablanca”

Estávamos Claude e eu sozinhos num quarto de uma pousada na cidade de Águas da Prata. O plano era visitarmos o túmulo dos meus pais e retornamos no mesmo dia. Mas, fomos pegos de surpresa por uma forte tempestade que nos obrigou a passamos a noite nessa cidade. E por ironia do Destino, no mesmo quarto. Claude havia pedido algo para comermos acompanhado de um vinho. Não demorou 15 minutos até o serviço de quarto trazer o nosso pedido.
- Nossa! Esse fondue parece gostoso. – Comentei ao me aproximar da bandeja.
- Vamos comer, Cherry? – Ele sugeriu. Assenti com a cabeça concordando. Claude pegou a bandeja e fomos sentar perto da lareira. Havíamos forrado o chão com um cobertor.
- Que tal um brinde? – Ele sugeriu levantando sua taça cheia de vinho em minha direção. Sorrir sem graça.
- Mais pelo que brindaremos?- Perguntei receosa. Essa situação toda era desconfortável. Não sabia como agir ou o que falar.
- Por essa noite. – Ele murmurou com um leve tom rouco em sua voz, me fazendo corar em seguida.
- Por essa noite? O que tem de especial nessa noite, além do fato de estamos presos numa cidade pequena em meio a uma tempestade com alerta de inundações? – Rebati rapidamente, tentando mostrar indiferença. Queria corta o clima romântico. Ele deu apenas um sorriso torto e rebateu delicadamente.
-Que tal ver o lado bom disso, Cherry?
- E qual seria esse lado? – Argumentei.
- Pelo menos estamos tendo uma oportunidade de nos conhecermos melhor. – Ele respondeu. Suspirei Fundo. O que de fato ele queria? Ele foi o primeiro a me proibir de me apaixonar por ele, e agora ficava agindo dessa maneira tão irresistivelmente sedutora. Apoiei a taça de vinho que ainda tinha em mãos sobre o chão e me levantei dando as costas para ele. Claude fez o mesmo, se levantou e veio em minha direção pousando levemente sua mão sobre meu ombro.
- O que foi Rosa?
- Nada. Só estou cansada. – Respondi não me dando o trabalho de me virar em sua direção. Não queria encará-lo. Eu estava nervosa. Assustava-me sentir o que estava sentindo por Claude. Fazia poucos dias que eu havia retornado para o Brasil, mais o suficiente para me fazer crer que eu estava começando a me apaixonar pro ele. Para tentar evitá-lo o máximo possível, resolvi me trancar no banheiro e tomar um longo e relaxante banho. Apesar de ser impossível relaxar sabendo que ele estava tão próximo. Foi meia hora no banho até eu tomar coragem de sair. Ao sair me deparei com Claude mexendo em uns DVD’s que tinha sobre o rack ao lado de uma modesta TV. Não falei nada e me sentei sobre a cama. Segundos depois ele se aproximou de onde eu estava e me entregou um DVD que tinha em mãos.
- Vamos assistir? – Ele sugeriu. Foi então que eu li o titulo do filme. Era Casablanca. Casablanca? Seria coincidência demais. Esse filme tinha uma importância muito grande na minha vida. Há uns anos atrás logo depois que Julio me deixou, eu havia decidido ir embora do Brasil. Mais não sabia para onde. Foi então que mexendo nas coisas da minha mãe, encontrei uma velha caixa e dentro dela havia uma foto rasgada ao meio da minha mãe em frente à torre Eiffel, na certa devia ter mais alguém na outra metade da foto. E no lado inverso dessa fotografia havia algo escrito. “Nós sempre teremos Paris”.
A primeira vez que eu li essa frase, não sabia o que ela queria dizer. Foi então que nessa mesma caixa havia também um VHS de um filme chamado Casablanca. Era um filme que foi gravado nos anos 40 ainda em preto em branco. A curiosidade me fez querer assisti-lo. Ele contava uma historia de amor que se passou na Segunda Guerra Mundial, do casal Ilse e Rick. Eles se conheceram em Paris e lá viveram um belo romance. Mas, acabaram separando-se e cada um seguiu caminhos diferentes. Depois de uns anos, o destino voltou a juntá-los novamente, mas dessa vez em Casablanca, que era a rota obrigatória para fugir dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. O único problema era que ela estava casada e por ironia do destino, a ida do seu marido estava nas mãos de Rick, seu antigo amor. Ilse precisava que ele arranjasse passagens para que ela e seu marido pudessem fugir. E em um certo momento do filme Rick nega-lhe ajuda. Ele a amava, e ela também continuava amando-o. E ao perceber que esse amor ainda existia, ela decide fugir com Rick e não com o marido. Mas, na última hora, Rick a convence de que o melhor para ela seria ir com o marido e não com ele. E é neste momento, os dois travam o diálogo mais emocionante do filme onde a frase dessa foto finalmente aparece.
"E nós, Rick?”, Indaga ela, referindo ao fato de Rick ter sugerido dela fugir com o marido e não com ele. “Nós sempre teremos Paris”, ele responde. Ao que me parece, o que Rick quis dizer com isso, foi que apesar de não prosseguirem juntos, a memória do romance que viveram em Paris continuaria acessa pelo resto dos seus dias. Ninguém jamais conseguiria apagar. Sempre haveria Paris para Rick e Ilse. E foi por isso que eu decidir ir morar na França. Talvez eu ainda sonhasse em escutar de alguém “Nós sempre teremos Paris”.


- Rosa? – Claude me chamou, me tirando assim dos meus devaneios. – Você non gosta desse filme? Se quiser posso escolher outro. – Ele sugeriu.
- Não, tudo bem.- Balancei a cabeça negativamente. - Podemos assistir esse. – Concordei. Claude colocou o filme no aparelho de DVD, pegou o controle e logo em seguida sentou-se sobre a cama ao meu lado. Por mais que eu quisesse manter distância dele, isso parecia estar fora do meu controle. Ele percebeu o meu constrangimento sobre o fato de estamos tão próximo e logo sugeriu.
- Cherry, se quiser, posso me sentar na poltrona. – Ele disse já se levantando.
- Não! Fica. – Disparei rapidamente ao segurar uma de suas mãos, o impedindo de sair da cama. Acabei agindo por impulso. Claude sorriu em resposta e logo em seguida acomodou-se ao meu lado. E ficamos os dois juntos sobre a cama assistir ao filme na qual eu simplesmente amava. Tudo parecia tão mágico, tão romântico. Era como se o universo conspirasse ao nosso favor. Primeiro ficamos presos no elevador, depois foi essa viagem com essa chuva nos obrigando a passarmos a noite aqui sozinhos e agora o esse filme na qual eu tinha um significado muito importante para mim. Isso tudo seria apena conseqüência do acaso? Ou seria mesmo o destino? Não trocamos nenhuma palavra até que finalmente chegou à cena na qual eu esperava. Era a cena final, na qual Rick fazia Ilse fugir com o marido e não com ele. Sempre me emocionava nessa parte.
N/A: A cena final do filme.


“E nós Rick?” Perguntou Ilse."Nós sempre teremos Paris” – Eu sussurrei baixinho a frase acompanhando a resposta do Rick. Claude percebeu o quão essa cena mexia comigo e então disparou:
- Você e Ilsa tem algo em comum. – Observou Claude.
- Ilsa e eu? E o que seria? – Perguntei curiosa ao encará-lo.
- Ambas eston presa no passado, mais ao contrario de você, isso non impediu que Ilse deixasse de olhar para o seu futuro. Ela seguiu em frente e você deveria fazer o mesmo. – Indagou Claude, referindo-se ao fato de eu ainda sofrer por ter sido abandonada.
- Você está errado. Não estou presa em passado nenhum. – Disparei na defensiva.
- Você tem que convencer a você mesma disso, e non a mim. – Ele rebateu. Claude estava certo e ele sabia disso. Já fazia cinco longos anos desde o acontecimento. Mais para mim era como se tivesse sido ontem. A dor era a mesma, talvez até maior. – Julio non merece todo esse seu sofrimento. Talvez ele tenha te feito um favor ao non se casar com você. – Ele completou.
- Por que diz isso?
- Por que ele era um cafajeste. – Ele justificou com uma veracidade, como se conhece o Julio.
- Com que direito afirmar isso? – O repreendi. Por mais que eu odiasse Julio. Ele havia me deixado por ter se apaixonado por outra e isso não o tornava um cafajeste ou o tornava? – Você nem o conheceu. – retruquei irritada. Me incomodava esse ar de dono da verdade que o Claude tinha.
- Eu non, mais seu avô sim. E ele nunca foi com a cara do Julio. – Claude se explicou rapidamente. Consegui perceber uma leve alteração no tom de sua voz.
- Meu avô era um ciumento. – rebati.
- Non. Ele era cuidadoso. E isso bem diferente. – Claude me corrigiu.
- Acho melhor dormirmos. – Repliquei rapidamente, tentando mudar o foco da conversa. Claude percebeu que eu não queria fala mais nesse assunto, e ele parecia também não querer mais falar nisso. Então apenas assentiu com a cabeça positivamente.
- Temos um problema. – Comentei.
- O que? – Ele perguntou.
- Só tem uma cama nesse quarto. – Observei. Havia só uma cama e éramos dois.
- Dormirei perto da lareira. – Ele disse ao pegar uns cobertores. Claude pretendia dormir no chão. Eu não poderia permitir isso. Seria desumano da minha parte.
- Está louco Claude? Não vou deixar que você durma no chão. – Ressaltei decidida.
- Enton como resolveremos isso? – Ele perguntou.
- Tenho uma idéia. – Respondi. Peguei todas as almofadas que tinha no quarto e fiz uma barreira no meio da cama. Ele apenas observava a cena com uma expressão divertida no rosto. – Pronto. Você dorme desse lado e eu nesse. E ninguém invade o espaço do outro. – O adverti.
- Tem certeza? – ele arqueou um das sobrancelhas em um gesto apreensivo.
- Tenho. – Respondi. Na verdade eu não tinha certeza de nada. Mas também não poderia permitir tal sacrifício por parte dele.
- Se você insisti. – Ele disse ao deita-se em um dos lados. Ele parecia cansado. E eu fiz o mesmo.
- Boa Noite Rosa. – Me desejou Claude.
- Boa Noite Claude. – Correspondi educadamente.
Dizia Bertrand Russell que temer o amor é temer a vida e os que temem a vida já estão meio mortos. Eu definitivamente temia o amor. Temia me envolver novamente e sair ferida. Julio havia matado metade de minhas ilusões. Havia me feito enxergar o mundo pelo seu lado obscuro. Foram cinco longos anos de solidão e raiva. E eu não culpava só ele por isso, mais também todos ao meu redor. Havia desacreditado nos bons sentimentos. Para mim todas as pessoas eram ruins. E queria continuar a acreditar nisso. Queria permanecer presa a essa solidão, a qual me servia como uma armadura, para me afastar das demais pessoas.


Chances- Five For Fighting (tradução)


Provavelmente, quando tudo estiver decidido
Quem serão os sortudos
Quem irá sobreviver ao percurso todo?
Apesar de você dizer que eu poderia ser a sua resposta
Nada dura para sempre
Não importa como se sinta hoje
Provavelmente encontraremos uma nova equação
As chances rolam para longe de mim
As possibilidades são tudo o que eles esperam ser

Não me interprete mal, eu nunca diria nunca
Porque apesar de o amor poder mudar o tempo
Nenhum ato de Deus pode me afastar de você
Eu sou apenas um homem realista
Uma garrafa cheia de conchas e areia
Com medo de amar além do que eu posso perder quando se trata de você
E embora eu nos leve até o fim, yeah

Provavelmente encontraremos dois destinos
As chances rolam pra longe de mim
Ainda assim chances são mais do que expectativas
As possibilidades
Sobre mim
É uma luta de dois para um
Coloque o seu dinheiro no sol
Até você falhar o que você fez?
Existe uma aposta melhor do que o amor?
Você é apenas o que respira
Você tem que chorar antes de cantar
Chances, chances

Chances perdidas são as páginas da esperança rasgadas
Talvez desta vez
Provavelmente seremos a combinação
As chances vem e me levam
As chances estão esperando para serem tomadas
E eu posso ver
As possibilidades são as fascinações
As chances não vão escapar de mim
As possibilidades são apenas o que fazemos delas
E tudo que de que preciso

O fato de saber que Claude eu dividíamos a mesma cama não me deixou pregar os olhos. E não era por medo dele me atacar no meio da noite, longe de pensar isso do Claude. Mas sim por essa nossa proximidade. Sei que o que eu falarei soará meio estranho, mas eu nos auge dos meus 30 anos ainda era virgem. Nunca havia dividido a cama com nenhum homem, e por essa minha inexperiência, eu não sabia como agir. Tudo era novo para mim.
Sentei-me na cama e fiquei a observar o Claude por uns segundos. Ele parecia um anjo dormindo. Por que o Claude vovô? Por que? Perguntei mentalmente enquanto o observava dormir. Será que tinha alguma explicação lógica para meu avô ter escolhido logo o Claude para ser meu marido?
- Você non consegue dormi? – Perguntou Claude ao abrir os olhos, me pegando de surpresa enquanto eu ainda o observava.
- Na... Não. – respondi envergonhada ao virar rapidamente à cabeça na outra direção tentando disfarçar. Será que ele havia percebido que eu estava olhando-o enquanto dormia?
- Eu também non. – Ele confessou ao sentar-se na cama. Eu apenas sorri sem graça. O que eu mais queria era que essa noite acabasse logo. – Então por que não conversamos um pouco, já que ambos estamos sem sono? – ele sugeriu.
- Unhum! – Assenti timidamente com a cabeça, concordo com a sugestão. Segundos depois fomos interrompidos pelo celular do Claude que começou a chamar insistentemente. Ele deu uma leve olhada no numero e desligou o aparelho em seguida. Parecia não querer atender, pelo menos não na minha frente. Sua expressão parecia ter mudado radicalmente da água para o vinho. – Quem era? – Perguntei curiosa. Mais já o conhecendo, como eu o conhecia, tinha certeza que ele não me responderia.
- O Frazon. – Ele respondeu nada convincente ao se levantar da cama. – Volto já. – Ele disse já com menção de sair do quarto. Dessa vez eu não ia deixá-lo fugir. Fui mais rápida e fiquei na frente da porta impedindo sua passagem.
- Dessa vez você não vai sair sem me dar uma explicação. – Disparei seriamente.
- De que explicaçon você esta falando? – Ele fingiu não saber do que eu me referia.
- Claude, chega dessa palhaçada. Sei muito bem que não era o Frazão nesse celular. Exijo explicações agora. Não só dessa ligação, mais também sobre o fato de você visitar o túmulo dos meus pais mais de uma vez por ano. O que significa tudo isso? – Perguntei, colocando-o contra a parede. Ele não me respondeu nada, e ficou me encarando por uns segundos. – Vai ficar parado aí em silencio? – Insisti. Claude já ia começar a falar algo quando fomos interrompidos novamente. Mas dessa vez era o meu celular que estava chamando. Percebi o quão nervoso Claude ficou o constatar isso. Ele correu rapidamente para onde estava minha bolsa, pegando meu celular antes de mim.
- Claude, não sei se percebeu, mais esse celular é o meu. – Esbravejei irritada. Ele me ignorou e desligou o meu celular. – Está louco? Por que não me deixou atender?
- Non era ninguém. – Ele respondeu secamente. Claude parecia atordoado.
- Como assim não era ninguém? Claude me devolve esse celular agora. – Exigi ao ir para cima dele tentando pegar meu celular de suas mãos. Mais foi em vão. Claude segurou firmemente meus punhos para que eu não conseguisse tomar o celular dele e assim me deixando imóvel.
- Rosa! Pára com isso. – Ele me fez encará-lo. - Confia em mim. Non era ninguém com quem você devesse falar. – Ele disse ao tentar inutilmente me acalmar.
- Ninguém que eu devesse falar? Desde quando você escolhe com que falo? Me solta Claude. – Esbravejei. Ele ainda segurava meus punhos. Claude me soltou delicadamente. Respirei fundo e voltei a encará-lo seriamente. – O que é tudo isso Claude? – Supliquei por resposta. Resposta que ele não me dava. – Quem era que estava me ligando?
- Ninguém. – Ele insistia nessa palhaçada.
- Como ninguém? Se não fosse ninguém, meu celular não tinha chamado. – Rebati irônica. Claude ignorou meu comentário e foi até a janela e jogou meu celular de lá.
- Ficou louco? – Gritei ao correr rapidamente para onde ele estava. – Por que jogou meu celular pela janela? Sabe quanto custou esse aparelho?
- Non tem problema. Te dou outro de presente. – Ele respondeu. Como se a questão fosse só essa.
- Não quero outro. Quero esse. Com que direito você faz isso?
- Tudo seria ton mais fácil se você com fiasse em mim. – Ele replicou, rispidamente.
- Tudo seria tão mais fácil se você pelo menos me desse motivos para confiar em você. – Rebati em um tom sarcástico. Ele me exigia confiança, mas a única coisa que conseguia era me deixar mais desconfiada ainda dele. Segundos depois alguém bate na porta. O ignorei e fui ver de quem se tratava. Era uma camareira da pousada.
- Desculpa incomodar a senhora há essa hora. Mais é que deixaram isso para vocês na portaria. E disseram que tinha que ser entregue agora. Espero que não tenha acordado vocês. – Ela disse envergonhada, ao me entregar um vinho e um bilhete e saindo logo em seguida. Claude rapidamente se apressou em minha direção. Acho que ele não queria que eu lesse o bilhete. Mas antes que ele pudesse me impedir, eu abri o bilhete e li o que estava escrito.
“Mando esse vinho como um presente de casamento. E espero que você tenha gostado também do vestido.Rosa.”
- Presente de casamento? Como assim? Claude alguém saber desse nosso casamento fora a gente? – Perguntei confusa ao encará-lo seriamente. A expressão do rosto dele era indecifrável. Parecia uma mistura de angustia, medo e raiva. Ele engoliu seco. – Claude!- Voltei a chamá-lo.
- De que vestido esse bilhete fala, Rosa? – Ele perguntou autoritário.
- Não sei. O único vestido que ganhei esses dias foi o que tu me deu para usar no casamento. – Respondi calmamente.
- Que eu te dei? Como assim? Non te dei vestido nenhum. – Ele afirmou. Claude estava confuso.
- Não? Pois me mandaram um vestido para eu usar no casamento. Pensei que tivesse sido você. – Eu expliquei. Percebi que Claude se esforçava para manter a calma. – Isso está muito estranho. Claude quem foi que mandou esse vinho e o vestido? – Supliquei por respostas, nas quais eu não tive. Ele saiu do quarto sem falar uma palavra. Parecia que a situação piorava cada vez mais. Era mais do que eu podia suportar. Esperei o Claude voltar para esclarecer as coisas. Passaram-se 15 minutos e nada dele retornar. Já estava cansada de toda essa situação. Para tentar me acalmar um pouco, abri o vinho que haviam mandado e comecei a beber. Já que haviam mandado mesmo né? O ruim do vinho é que quando você bebe, você não sente a diferença. Você só vai perceber que está bêbada quando tentar se levantar e não conseguir. E foi isso que aconteceu comigo. Já passava das duas da madrugada quando Claude resolveu dar as caras. Ele levou susto ao me encontrar sentada ao lado da lareira com a garrafa do vinho quase vazia do meu lado.
- Ficou maluca? Hãn? Você bebeu tudo isso? – Claude se aproximou de mim e pegou a garrafa quase vazia do vinho.
- Não é da sua conta. – Retruquei irritada.
- Tudo isso é para chamar atençon?
- E de quem eu chamaria a atenção? A sua? Não me faça rir. – Disparei irônica. Tentei me levantar, mas fui quase de encontro ao chão, se não fosse o Claude que me aparou a tempo, me impedindo de cair.
- Bebeu tanto, que nem consegue ficar de pé. – Disse Claude com um tom sarcástico na voz, ao me ajudar a chegar até a cama.
- Claude você não tem nada haver com a minha vida. – O repreendi.
- Somos casados agora, esqueceu?
- Pois bem, se somos casados,  que tal me dizer de onde está vindo? – Exigi explicações. Mas como sempre, ele desconversou.
- Acho melhor dormirmos. Vamos sair bem cedinho amanhã. – Ele disse, ignorando minha pergunta de segundos antes. Respirei fundo. Precisava manter a calma para não voar no pescoço desse francesinho de quinta.
- Concordo. Mas você vai dormir no chão. – Resmunguei, jogando-lhe as almofadas e um cobertor em sua direção.
- Por mim tudo bem. – Claude respondeu indiferente. E sinceramente? Bem feito para ele. Eu tento ser compreensiva ao máximo. E o que ganho em troca? NADA! Claude não merecia minha compreensão e minhas gentilezas. Então que ele durma no chão frio e duro. Só assim me sentirei vingada pelo meu celular que ele fez o favor de jogar pela janela. A noite finalmente passou. A pousada que estávamos hospedados era cercada por muito verde. Acordei com o barulho dos pássaros na janela. Ao me espreguiçar na cama, dei uma leve conferida ao redor do quarto. Claude não estava. Que novidade isso não? Ele sempre desaparecia. - Ai que dor de cabeça!!!- Resmunguei. Beber sozinha aquela garrafa de vinho não tinha sido uma boa idéia. Até o cantar dos pássaros estava me incomodando, tamanha era minha ressaca. No caminho do banheiro, encontrei sobre a cômoda um copo d’água e um comprimido e com ele um bilhete.
“Tome isso. Vai te ajudar com a RESSACA. E depois desça para tomar o café da manhã.”
- Tome isso? Quem ele pensa que é para me dar ordens? E para que destacar a palavra ressaca? Não sei se foi impressão minha, mas sentir um certo ar de reprovação nesse bilhete. Como se ele tivesse o direito de me repreender por alguma coisa. E essas gentilezas dele não me convenciam. 15 minutos depois desci para tomar o café da manhã. E adivinhem? Encontrei Claude falando misteriosamente no celular. Assim que me avistou, ele deu um discreto aceno em minha direção. Eu lógico, fingi que não o vi. Ao terminar de falar, ele veio até a mesa em que eu estava e sentou-se logo ao meu lado.
- Rosa, assim que terminar seu café da manhã iremos pegar a estrada, tudo bem para você? – Ele perguntou calmamente, como se nada tivesse acontecido nessa madrugada. Essa facilidade dele de fingir naturalidade em certas ocasiões me irritava. Fingi que não o escutei e continuei a comer.
- Vou entender esse silêncio como um sim. – Ele comentou ao se levantar da mesa.
O que há por trás do Claude? Que mistério é esse que ele me esconde? Quem estava me ligando ontem à noite? E pior, quem me mandou o vestido de noiva e o vinho como presente de casamento? São tantas perguntas, sem respostas. Perguntas que estavam me deixando louca. Claude poderia até tentar me esconder algo, mais não conseguiria isso por muito tempo. Decidi investigar por conta própria tudo que aconteceu depois que fui embora para França. E como ponto de partida, eu tinha que descobrir como Claude e o vovô se conheceram. E isso não seria fácil.
- Podemos ir? – Perguntou Claude. Já estávamos no quarto. Tínhamos terminado de tomar o café da manhã. Voltei a não responder. Claude revirou os olhos em um gesto impaciente.
- Oh mon dieu! Você está parecendo uma criança mimada, fazendo birra. – Disparou ele levemente incomodado com a minha frieza.
- Antes um criança mimada, do que um criminoso. – Rebati irônica. Pela expressão que o Claude fez, percebi que eu não tinha sido feliz na escolha das palavras.
- Você acha mesmo que eu sou um criminoso? – Ele perguntou seriamente ao se aproximar de mim, me obrigando a encará-lo.
- Se eu acho?- Dei uma risada debochada e depois completei. - Tenho certeza disso. – Confirmei. Dei as costas para ele. Não me agradava olhá-lo nos olhos. Sentia-me intimidada. Sei que peguei pesado ao falar isso. Mas o que Claude queria que eu pensasse dele ao vê-lo agindo de uma forma tão misteriosa?
- Pois bem, non quero que você ande com um criminoso. Volte de ônibus para São Paulo. – Ele retrucou levemente sentido ao sair do quarto.
- Pois eu prefiro voltar de ônibus mesmo. – Rebati.
Ele não teria coragem de ir e me deixar sozinha aqui. Teria? Corri rapidamente para o estacionamento atrás dele. Claude já estava dentro do carro, pronto para dá a partida. Será que ele estava falando sério? Ele não ousaria me deixar aqui. Corri até o carro. Assim que me avistou, Claude abaixou o vidro da janela. Sua expressão ainda era tensa.
- Entra no carro. – Ordenou ele. Não gostei do tom autoritário de sua voz. Mas não convinha reclamar. Não nesse momento. Minha cota de agressões verbais já tinha terminado por hoje. Fomos o caminho todo em silêncio. Claude parecia realmente magoado. Tenho que aprender a pensar antes de falar. Não fui justa ao chamá-lo de criminoso sem provas. Depois de horas de um silêncio instigante, finalmente havíamos chegamos a São Paulo. Precisamente em casa. Rodrigo, que era o motorista do meu avô, aproximou-se rapidamente do carro assim que Claude estacionou e fez gentileza de abrir porta do carro para mim.
- Obrigada Rodrigo. – Agradeci educadamente, ao descer do carro.
- De nada, Dona Rosa.
Entrei na casa sem esperar por Claude. Depois de ontem, não queria vê-lo tão cedo. Resolvi ir imediatamente para meu quarto. Mais Dadi me parou no meio do caminho, atrás de novidades sobre a viagem.
- Como foi à viagem, Dona Rosa? Gostou? – Ela perguntou animada.
- Odiei. – Disparei irritada e continuei a caminhar em direção do meu quarto, ignorando todos os demais que estavam perto de mim. Esse é um dos meus defeitos, quando me irrito, acabo descontando em quem não tem nada haver com isso. Tomei um longo e relaxante banho. Precisava me acalmar para pensar como eu começaria minhas investigações. Escutei alguém batendo na porta do meu quarto.
- Posso entrar?
- Entra Dadi! – Respondi, ao reconhecer a voz dela. Dadi entrou um pouco desconfiada. Acho que temia que eu ainda gritasse com ela. Eu precisava me desculpar. Não gostava que as pessoas sentissem medo de mim. – Dadi queria pedir desculpas por agora a pouco. É que eu não estou nos meus melhores dias. – Me justifiquei. Ela logo abriu um sorriso em resposta.
- Tudo bem, dona Rosa! Desculpa incomodá-la, sei que está cansada. Mas é que o Dr Frazão está lá embaixo a sua espera. – Ela me comunicou.
- O Frazão? E o que ele quer? – Perguntei
- Falar com a senhora e o Dr Claudes. – Ela respondeu.
- Tudo bem. Diz para ele que já desço.
E agora, o que é que o Frazão queria? Tomara que ele não me venha com mais surpresas. Ser obrigada a casar com aquele francês já foi demais para mim. Desci para o escritório onde Frazão e Claude me esperavam.
- Ora, ora! Os amigos estão jogando conversa fora enquanto me esperam é? – Disparei ao entrar na sala e encontrá-los conversando animadamente. Eles realmente pareciam muito próximos. Será que eu deveria mesmo confiar no Frazão? Mas do que amigos, eles me pareciam cúmplices. E isso não era bom.
- Dona Rosa! Não a vi chegar. Venha, senta-se aqui. – Disse Frazão educadamente, ao puxar uma cadeira para mim.
- Obrigada! – Respondi ao me sentar na cadeira. Ignorei totalmente a presença do Claude na sala. – Então? Sobre o que você quer falar, Frazão?
- Então, Dona Rosa, já que a senhora e o Claude já cumpriram uma das cláusulas do testamento, sinto informar que tem outros pequenos detalhes a serem esclarecidos. – Disse Frazão enquanto pegava uns envelopes de dentro de sua mala.
- QUE!!!!!- Exclamei irritada. - O que é dessa vez? – Perguntei já impaciente.
- O primeiro passo para vocês receberem a herança já foi cumprido. Vocês já estão casados. Agora para ter posse de verdade da herança, vocês ainda terão que ficar o mínimo seis meses casados. – Disse Frazão ao nos entregar uns envelopes. Dentro de cada envelopes havia 10 mil reais.
- Mas isso você já tinha dito. E para que esse dinheiro? – Perguntei confusa.
- Já disse, mas não esclareci tudo. Esse envelope que acabei de entregar a cada um de vocês tem 10 mil reais. E será só essa quantia que vocês receberão por mês durante esse período que passarem casados.
- Como assim? Ainda não consegui entender, Frazão. – Retruquei ainda mais confusa. Parecia que ele falava grego.
- Vou explicar, Dona Rosa. Todas as contas de bancos do seu avô estão bloqueadas. Vocês só poderão mexer nelas depois desse tempo mínimo que terão que ficar casados. Cada um de vocês terá direito a apenas 10 mil reais por mês desse dinheiro. – Explicou Frazão
- Está brincando né? – Eu dei uma leve risada de nervoso. Não dava para acreditar nisso tudo. Meu avô não faria isso.
- Desculpa, Dona Rosa. Mas são ordens restritas do seu falecido avô. – Respondeu Frazão.
- Mas meu avô me dava o triplo disso por mês de mesada. – Argumentei.
- Eu sei disso Dona Rosa. Mas agora é outra historia. Essas são regras que seu avô impôs, e que a senhora será obrigada a cumpri caso queira receber a herança. – Disse Frazão. Claude permanecia calado.
- Se o dinheiro está bloqueando. Quem pagará as contas dessa casa, dos empregados? – Perguntei receosa.
- Dona Rosa, o Claude e a senhora terão que viver com 20 mil reais por mês e terão que entrar num acordo como casal para pagar as contas da casa e os salários dos empregados. – Frazão voltou a explicar. Era só o que me faltava.
- Mas esse dinheiro não vai dar. – Disparei irritada.
- Bom, o Claude além dos 10 mil reais, ainda recebe o salário de presidente na construtora do seu avô. Acho que se vocês entrarem num acordo, poderão viver confortavelmente bem com esse dinheiro.
- Salário? Quer dizer que alem desses 10 mil ele terá direito a um salário?
- Eu trabalho na construtora. Mais do que justo receber pelos meus serviços non acha, Dona Rosa? – Rebateu Claude ironicamente. Fingi que não o escutei.
- E quanto esse senhor recebe de salário? – Perguntei curiosa.
- Desculpa, Dona Rosa. Mais isso não posso falar. Se quiser saber, tem que peguntar diretamente para o Claude. E ele está ao seu lado. – Respondeu Frazão.
- Não, obrigada. Não estou falando com ele. Com licença. – Disse ao me retirar da sala.
- Espera, Dona Rosa. Tem mais uma coisa. – Disse Frazão me impedindo de sair.
- A não! Mais? O que é dessa vez?
- Dessa vez é sobre a construtora.
- O que é? Vai dizer que ela está com problema financeiro? – Disparei iônica.
- Ainda não. Mas... – Disse Frazão antes de ser interrompido.
- Ainda non? O que você quer dizer com isso Frazon? – Agora foi à vez de o Claude interrogar Frazão. Até então ele ainda não havia se manifestado.
- Claude, como você já sabe, contamos com o investimento de 10 milhões de dólares de um empresário americano para o projeto das casas populares. Só que aconteceu um imprevisto, que pode levar à falência a empresa. – Explicou Frazão.
- Non estou entendendo Frazon. Esses 10 milhões já estão garantidos non? Seu Geovanni mesmo me disse.
- Indagou Claude.
- Estavam. Mas o Mr Smith ficou sabendo da morte do Seu Geovanni. E agora como você ficou responsável pela construtora, o americano e sua esposa Misses Smith, querem te conhecer Claude.
- Mas isso tem algum problema deles conhecerem o Claude? – Perguntei.
- Não Rosa. O problema é que infelizmente esses americanos já sabem que o Claude se casou, e querem vir ao Brasil para conhecer não só o ele, mas também a sua esposa, que no caso é a senhora. – Respondeu Frazão apontado para mim, ao falar a palavra esposa.
- Descobriram? Como? – Perguntei assustada. – Pensei que só nós sabíamos desse casamento. - Retruquei. Percebi que Claude e Frazão se entreolharam, após minhas palavras. – Estou esperando uma resposta.
- Não sabemos Dona Rosa. A questão é que, eles não podem descobrir que esse casamento não passa de um contrato.
- E por que não?
- Por que a esposa desse americano é muito rigorosa quando o assunto é casamento. E se ela descobre que essa união de vocês é estritamente comercial, ela desisti na hora de investir os 10 milhões. E a dona do dinheiro na verdade é ela e não o Mr Smith. – Disse Frazão, com um tom preocupado na voz.
- E o que você quer que eu faça?
- Bom! Os americanos estão chegando dentro de uma semana, e seria bom que na estadia deles aqui no Brasil vocês pudessem fingir que estão realmente casados. – Respondeu Frazão.
- Peraí! O que você quis dizer com fingir que estamos realmente casados?
- Que na frente deles vocês evitem brigarem, se matarem, se xingarem. Peguem na mão um do outro. Dêem beijinhos e... – Interrompi bruscamente Frazão.
- E nada. Nunca, e nem em um milhão de anos, eu vou fazer isso. Me humilhar a essa ponto por 10 milhões de dólares? Nunca mesmo. Meu avô tem mais dinheiro do que isso. Para que precisamos chegar a esse ponto?
- Por que o dinheiro do seu avô está bloqueado, e teríamos que esperar seis meses para voltar a movimentar a conta dele. E esse projeto não pode esperar todo esse tempo. – Frazão explicou.
- Querem saber o que eu realmente penso sobre isso tudo?
- Claro, Dona Rosa. – Disse Frazão agora atento.
- Pois bem! Quero que essa construtora se exploda. Não vou me submeter a isso. Meu avô tem dinheiro suficiente para eu não depender dessa construtora. Pois que ela vá à falência. – disparei. Ao ouvi minhas palavras, Claude se levantou rapidamente da cadeira que instantes antes estava sentando e saiu do escritório em passos largos, batendo a porta fortemente em seguida. – O que deu nele? - Perguntei assustada ao encarar o Frazão.
- Não sei. – Ele deu de ombro. - Dona Rosa, tenho que ir agora. Peço que pense com calma em tudo que eu falei. – Disse Frazão ao se despedir de mim. O acompanhei até a saída.
- Pensarei. – Respondi, com um forçado sorriso. Pois para mim, não tinha nada em que pensar. A minha decisão já tinha sido tomada.
O que será que deu no Claude? Ficou chateado só por que eu falei aquilo? Tudo isso era o medo de ficar desempregado? Com o que ele receberia da herança, ele não precisaria trabalhar por muito tempo. Quer dizer, nem trabalhar mais ele precisaria.
- Precisa de alguma coisa, Dona Rosa? – Disse Dadi ao se aproximar de mim.
- Não Dadi, obrigada!- Respondi. Mas antes que ela pudesse voltar para a conzinha, resolvi perguntar do Claude para ela.
- E o Claude? Sabe onde ele está?- Perguntei, fingindo desinteresse.
- Dona Rosa, ele pegou a chave do carro e saiu. – Respondeu Dadi.
- Sabe para onde ele foi? – Voltei a perguntar.
- Não! Ele não me disse.
- Tudo bem, Dadi. Pode ir. – A dispensei.
Claude não estava em casa. Essa era a oportunidade que eu estava esperando. Ia começar minhas investigações agora. Iria aproveitar que ele havia saído, para ir ao quarto dele, e quem sabe assim, encontrar algo que possa me ajudar a saciar essa minha sede por informações.


Via Tennessee – Daughtry (tradução)

Eu abro meus pulmões
para respirar na bondade e amor
Me assombrando agora,
lembrando como eu costumava ser
E nesse caminho,
os problemas da vida sem duvida nos perseguem
Olhando pela janela
lá fora o sofrimento,mesmo que eu saiba onde eu quero ir
Então eu quero somente dirigir...

No meu caminho a L.A.,
olhando no retrovisor,
como os caminhos desbotam ao longe
Eu tenho jurado distante do meu passado,
a primeira á última chamada ruim,
que eu sempre farei
E me conte como fazer certo,
todos os erros que eu tenho aprendido
Então isso pode terminar hoje a noite
Via Tennessee apenas muda minha mente,
bem, isso é meu coração querendo seguir neste momento
Quem teria sabido,
que orgulho é tão difícil de engolir
E como me apoio na direção,
de um caminho reservado
Com o problema que eu possuo
então eu quero somente dirigir
No meu caminho a L.A.,
olhando no retrovisor,
como os caminhos desbotam ao longe
Eu tenho jurado distante do meu passado,
a primeira á última chamada ruim,
que eu sempre farei
E me conte como fazer certo,
todos os erros que eu tenho aprendido
Então isso pode terminar hoje a noite
Via Tennessee apenas mudou a minha mente,
Bom, eu vou seguir o meu coração desta vez.

Eu sei eu devo estar fazendo alguma coisa certa
Em direção a outro caminho,
voltar de onde comecei
Peço a mim mesmo poder mudar tudo tudo ao meu redor hoje a noite
E parar de viver com dúvidas
Yeah, Yeah...

No meu caminho a L.A.,
olhando no retrovisor,
como os caminhos desbotam ao longe
Eu tenho jurado distante do meu passado
a primeira até última chamada ruim,
Que eu fiz.
E me conte como fazer certo
Todos os erros que eu tenho aprendido
Então isso pode terminar hoje a noite.
Via Tennessee apenas mudou a minha mente,
Bom, eu vou seguir o meu coração desta vez.

Eu tenho jurado distante do meu passado
a primeira á última chamada ruim,
que eu sempre farei
(Bem, seguirei meu coração desta vez...)

N/A: Espero que gostem desse capitulo. Desculpa a demora. =)
Ps: Sugiro que assistam a esse filme. “Casablanca” Muito lindo ele.
E entre na comunidade dessa fic. =)
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Meu twitter: https://twitter.com/Geovanna_Mag
Até o proximo capitulo. =)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

THE POWER OF LOVE - A HISTÓRIA DE UMA ROSA... E SEUS ESPINHOS - PARTE 11 - FINAL - AUTORA: FERNANDA FREITAS RAMOS

Horas depois...
C:Como foi? – levanta abruptamente,seguido de Rosa e Miguel.
Ma:Um verdadeiro sucesso. – responde,sorrindo.
R:Graças a Deus! – diz,emocionada.
Rosa percebe que a médica parou de sorrir e pôs uma expressão de estranheza no rosto.
R:O que foi? – pergunta,apreensiva.
Marcela faz sinal com a cabeça pra que Rosa olhe pra trás.
Claude e Miguel estavam abraçados,um chorando no ombro do outro.
Rosa fica boqueaberta e sorri em seguida,se juntando ao abraço.
Marcela não podia evitar o encantamento que sentia por Miguel.
‘’Meu Deus,tão lindo e tão sensível...’’ – pensava.
Miguel se desvencilhou do abraço que compartilhava com o casal Geraldy e se aproximou da médica.
M:Muito obrigado. – diz,segurando as mãos de Marcela e sorrindo.
Ma:Eu só cumpri com meu dever.
Ainda devemos esperar pra ver como a sua filha irá reagir. – responde,corada.
M:Tenho certeza de que dará tudo certo.
E quando minha filha abrir os olhos pro mundo,eu terei que te agradecer de alguma forma.
Ma:Conversamos sobre isso depois. – diz,lançando um olhar maroto,que Miguel retribui.
C:Com licença,não queremos atrapalhar... – diz,irônico – mas quando podemos ver nossa filha?
Ma:Ela já está sendo transferida de volta ao quarto.
Logo poderão vê-la.
R:Ah,que bom. – diz,suspirando e apoiando a cabeça no ombro de Claude,que entrelaça os braços ao redor dela.
Chega o dia seguinte,assim como o momento de tirar a venda dos olhos de Vitória.
Ma:Muito bem,Esperança,quando eu terminar de desenrolar a faixa,você vai abrir seus olhinhos bem devagar,entendeu?
VE:Entendi. – diz,com as mãozinhas entrelaçadas às da mãe,que estava do seu lado.
Ma:Muito bem,pode abrir...
Bem devagar,querida.
Antes de abrir os olhos,Vitória vira a cabeça pra onde a mãe estava,esperando que a primeira coisa que veria seria seu rosto.
Ela começa a abrir os olhinhos medrosa,bem devagar,até que os abre por completo,dando duas piscadas fortes e caindo no choro em seguida.
R:O que foi,meu amor? – pergunta,aflita.
Claude e Miguel também se aflijem.
Miguel abaixa a cabeça com as mãos cobrindo o rosto,e Claude dá um soco na porta,movido pela frustração.
VE:Você é linda,mamãe. – diz,colocando as mãozinhas no rosto da mãe.
Ao ouvir aquilo,Rosa ri alto de emoção e cai no choro em seguida,abraçando a filha.
Claude e Miguel também riem,emocionados.
Esperança olha por cima do ombro da mãe e vê os dois,porém encara Claude com mais intensidade.
VE:Papai! – grita,se soltando dos braços da mãe e correndo pros braços de Claude.
Claude se abaixa e abraça a filha,chorando com a cabeça apoiada no seu ombrinho.
VE:Papai,você também é lindo! – diz,passando as mãos nos cabelos de Claude,que ri com lágrimas nos olhos.
A menina olha pra cima em seguida,encontrando o olhar carinhoso do outro pai,que também se abaixa diante dela.
VE:Você é o meu papai Miguel,não é? – pergunta,dando um sorriso largo.
M:Sou sim,meu amor. – responde soluçando.
VE:Você é como eu sempre imagino meu anjo da guarda. – diz,acariciando o rosto do pai.
C:É porque é isso que ele sempre foi,minha vida.
Seu anjo da guarda. – diz,apoiando a mão no ombro de Miguel e olhando pra ele com respeito e gratidão.
Miguel retribui o gesto com um tapinha nas costas de Claude,voltando a atenção à filha em seguida.
M:E qual dos dois é o mais bonito,hein? – pergunta,brincando.
A menina encara os dois e dá a resposta mais sincera e conveniente que poderia:
VE:É a mesma coisa que perguntar se eu gosto mais de sorvete ou chocolate.
Não dá pra escolher,porque os dois são as coisas mais gostosas do mundo.
Rosa e Marcela riem com a resposta inteligente de Vitória,pensando que a menina tinha toda a razão.
Claude e Miguel também riem,abraçando a filha ao mesmo tempo.
Ma:Ah,já chega de tantos abraços,eu tenho que examinar esses olhinhos. – diz,pegando a menina no colo e a sentando de volta na cama.
Marcela examinava minuciosamente os olhos de Vitória com uma luzinha,sob o olhar atento de Rosa,Claude e Miguel.
VE:Você também é muito bonita. – diz,sorrindo pra médica,que retribui o sorriso docemente.
Ma:Bom,você já elogiou a beleza de todos aqui,não é?
Agora que tal conhecer o rosto mais lindo de todos? – pergunta,pegando um espelho e colocando na frente da menina.
Ela fica se observando,curiosa.
Passa as mãos pelo rostinho e pelos cabelos,como se estivesse tentando se decifrar.
VE:Meu cabelo é igual o seu,mamãe. – diz,sorrindo.
R:É sim,meu amor. – responde também sorridente.
C:Claro,tá vendo porque você é a menina mais linda do mundo?
É igualzinha a sua mãe. – diz,com os braços cruzados,logo em seguida imaginando os futuros pretendentes da filha e murchando um pouco o sorriso.
Os mesmos pensamentos invadem a mente de Miguel,que coça a cabeça tentando espantá-los.
Rosa e Marcela,percebendo a situação,riem dos dois.
VE:O que foi?
R:Nada,meu amor. – diz,beijando a testa da filha.
C:Cherie,eu já volto,hã? – diz com um olhar de cumplicidade.
R:Ah tá,meu amor. – responde,sorrindo ao captar a mensagem.
M:Mas e então,doutora,como ela está?
Ma:A visão ainda está meio embaçada,mas é normal.
Sua filha está maravilhosamente bem.
M:Obrigado,muito obrigado. – responde sorrindo e abraçando a médica em seguida,que fica sem jeito,mas retribui o abraço.
M:Lembra da nossa pendência? – pergunta,lançando o mesmo olhar do dia anterior.
Ma:Sim,não se preocupe. – responde,corando novamente.
Momentos depois,Claude adentra o quarto de mãos dadas com os filhos.
As três crianças se encaram sorrindo.Vitória levanta da cama e vai ao encontro dos irmãos,segurando as mãozinhas deles lentamente,como se soubesse que aquilo era um reencontro.Na verdade,ela sabia.Os três sabiam,era evidente pelo brilho de seus seis olhinhos.
Claude e Rosa assistiam a cena abraçados e maravilhados.
C:Olha,meu amor.
Como ela sabe,se não contamos nada dos irmãozinhos?
R:Ela também te reconheceu,Claude.
Só tem uma explicação pra isso:Amor.
Os trigêmeos se abraçavam carinhosamente,com os rostinhos iluminados,sob o olhar emocionado dos pais,de Miguel e também de Marcela.
Assim que Vitória teve alta,a família foi levar flores ao túmulo de Manuela.
Claude e Rosa estavam sentados,de mãos dadas,olhando fixamente pra escritura da lápide da filha:
‘’Foi um verdadeiro anjo que partiu desse mundo,deixando um presente sem tamanho à outro que ainda aqui permanece.’’
Um secava as lágrimas do outro,quando uma linda borboleta azul pousou sobre a lápide,chamando a atenção de todos.
VE:Olha que linda,mamãe!
R:É sim,meu amor. – responde,sorrindo.
CJ:Papai,será que ao invés de anjo,a Manu não virou uma borboleta?
P:Ou será que agora ela pode ser tudo o que quiser?
C:É...
Por que não?Ela pode ser tudo o que quiser. – responde,olhando atentamente pra borboleta,que bate as asas suavemente,levantando vôo em seguida.
Ao chegarem em casa,Claude recebe um telefonema da delegacia de polícia.
R:O que foi,meu amor?
C:A Nara...
Ela se suicidou no hospital psiquiátrico.
R:Meu Deus...
Como?
C:Parece que ela se enforcou com um lençol.
R:Ela não aguentou o tormento de ter matado a nossa Manu,não foi?
C:Nara colheu o que plantou,cherie.
Rosa olha pro marido,concordando e indo em direção à ele,buscando um abraço.
Três meses depois,na festa de aniversário dos trigêmeos...
VE:Mamãe,olha o que o Jr. fez no meu vestido! – diz,correndo em direção à mãe,seguida dos irmãos.
R:Ah,mas você só podia se chamar Claude mesmo... – diz,apertando de brincadeira a bochecha do filho.
C:O que é que a sra. está falando aí,hã?
P:Papai,ela disse que o Jr. é tonto que nem você. – diz,rindo.
Claude faz cara de birra,provocando risos na família.
R:Ô meu amor,não foi nada disso,vem cá... – diz,se aproximando do marido e lhe dando um beijo longo e carinhoso.
G:Olha o espetáculo na frente dos meus netos!
A:Giovanni,por favor,não começa.
M:Mas eu concordo plenamente com o sr.,seu Giovanni.
Eu sim sou um exemplo de pai,nunca faço essas coisas na frente da minha filha.
C:Mas por trás,em compensação... – diz,irônico,apontando pra barriga da noiva do cubano.
VE:Eu vou ter um irmãozinho? – pergunta,sorridente.
R:Claude!
Nesse momento,Sérgio,Roberta,Frazão e Alabá se aproximam.
F:O que acontece aqui,meus queridos?
M:Esse seu amigo francês estragou nossa surpresa.
VE:Oba,oba,eu vou ter um irmãozinho,eu vou ter um irmãozinho! – sai pulando e espalhando a notícia por todo o jardim.
G:Mas vocês são apressadinhos,hã?
Nem casaram ainda! – diz,indignado.
R:Papai!
A:Giovanni,não se mete na vida dos outros. – diz,escondendo o rosto de vergonha.
C:Pois agora quem concorda com o meu sogro sou eu.
F:Ah é,francês?
Pois eu duvido que se seu casamento não tivesse sido às pressas,vocês...
Claude olha feio pro amigo,que,percebendo a cara do velho Giovanni,entende o recado e fica quieto.
RV:Meninas,vamos nos retocar?
Quero saber as novidades.
Ma:Eu ia sugerir isso agora,tô louca pra conversar sobre os preparativos do meu casamento.
M:Do nosso casamento,você quer dizer,não é?
Ma:Enquanto só eu estiver cuidando dos preparativos,é MEU casamento. – diz,puxando Rosa pelo braço e caminhando em direção ao toilete,acompanhadas por Roberta e Alabá,que olhavam pra trás rindo.
S:É melhor não discutir com mulher grávida,acredite.
C e F:Eu que o diga...
Minutos depois,as quatro mulheres voltam ao jardim,seguidas por Vitória,que vinha correndo ofegante.
VE:Papai,papai!
Minha mamãe vai me dar um irmãozinho!
M:Nós já sabemos disso,meu amor. – diz,rindo da filha.
VE:Acontece que eu tô falando com o meu outro papai.
C:O QUE?
R:Vitória!
Tinha que ser filha do seu pai,né?
Estragou a surpresa.
C:Isso é verdade,cherie? – pergunta,sorrindo.
R:É sim,meu amor. – responde,sorrindo de volta.
Ao ouvir a confirmação da notícia,Claude pega a esposa nos braços e começa a rodopiar.
R:Claude,pára com isso,desse jeito eu vou ficar tonta! – diz,rindo.
C:Eu te amo,sabia? – diz,colocando-a de volta no chão.
R:Claro que sabia.
Você fez tanto por mim,pelos nossos filhos...
Eu também te amo,meu francês carrancudo. – diz,acariciando o rosto do marido e o beijando em seguida.
F:Cuidado pra não ter mais de um de novo,hein?
Olha que já são quatro. – diz,rindo.
C:Por mim,que venham mais vinte!
A:Iih,tá ferrada,Rosa.
R:Meu amor,não exagera! – responde,encabulada.
M:Tô contigo,francês!
Ma:Miguel,por favor!
S:Pois eu,tô fora dessa.
A Gabi já tá de bom tamanho,né,meu amor?
RV:É verdade.
F:Eu tô com o Sérgio! – diz,sorridente,até que olha pra cara da esposa,que não parecia muito satisfeita com a ideia de não ter mais filhos.
A:É mesmo,é? – pergunta,com os braços cruzados.
F:Ô minha deusa,eu só tava brincando...
Que venham quantos Deus quiser mandar. – diz,abraçando a esposa e rezando em pensamento pra que não viessem muitos.
D:Olha o champanhe,minha gente!
C:Suco pras mamães e pras crianças,Dádi,por favor.
D:Tá aqui,dr. Claudes,já tô esperta! – diz,servindo as taças de Rosa e Marcela com suco de laranja,e em seguida os copos dos meninos com a limonada que só ela sabia fazer,e que eles tanto adoravam.
C:Um brinde à minha família maravilhosa e aos nossos amigos! – diz,levantando a taça,seguido por todos.
R:Só acrescentando:
Um brinde à nossa família maravilhosa,aos nossos amigos,e à coisa mais bela que existe:o amor...
C:...e sua força! – completa,sorrindo pra esposa.
‘’TIM TIM!’’
VE:Olha,mamãe! – diz,apontando pra barriga de Rosa.
Todos olham curiosamente a linda borboleta azul que ali pousava.
CJ:Eu não disse,papai?
É a Manu! – diz,olhando sorridente pra barriga da mãe.
Rosa e Claude sentem os olhos lacrimejarem.
R:Será um sinal?
C:E por que não,minha vida?
Por que não? – diz,se aproximando e beijando Rosa delicadamente,enquanto todos assistiam emocionados a linda borboleta levantar vôo e sumir no horizonte.
FIM

terça-feira, 21 de setembro de 2010

THE POWER OF LOVE - A HISTÓRIA DE UMA ROSA... E SEUS ESPINHOS - PARTE 10 - AUTORA: FERNANDA FREITAS RAMOS

O dia finalmente havia chegado.
Miguel já estava aguardando o início do julgamento há algum tempo.Tinha chegado cedo,movido pela ansiedade.
Um tempo depois,Claude e Rosa chegaram acompanhados de uma das melhores advogadas do país.
Porém Miguel,também disposto a ganhar,estava tão bem munido quanto eles.
Adv(a)(Advogada):Teremos uma batalha e tanto pela frente... – diz em voz baixa pro casal Geraldy.
Adv(o)(Advogado):Isso não será tão fácil quanto pensei... – diz usando o mesmo tom que a advogada da parte adversária.
Miguel se aproxima,cumprimenta Rosa civilizadamente e,percebendo o olhar desafiante de Claude,se coloca na mesma posição.
M:Não tenha muitas esperanças. – diz,durante o aperto de mão.
C:Tenha a certeza de que eu terei muito mais do que esperança.Eu terei vitória.
O aperto de mão desafiador é interrompido quando são avisados de que a audiência vai começar.
Horas depois...
J:Considerando a situação,eu determino a guarda alternada da menor.
C:O QUE?
NÃO,EU NÃO VOU ACEITAR ISSO!
M:EU MUITO MENOS!
J:Srs.,se acalmem,por favor!
R:Claude,por favor!
C:Sr. juiz,a Vitória é minha filha e de minha esposa!
Ela foi roubada,não temos porque dividí-la com outra pessoa!
M:O nome da MINHA filha é ESPERANÇA!
E ela não conhece outro pai além de mim!
Você pode ser pai biológico,mas eu sou por direito!
Adv(o):Sr. Ramírez,por favor,não piore as coisas. – diz,tentando acalmar o cliente.
Adv(a):Sr. juiz,perdoe meu cliente,por favor.
Ele já está mais calmo...Não é mesmo,sr. Geraldy? – diz,olhando pro francês com cara de ‘’Não estrague tudo,idiota...’’.
C:Oui. – diz,com cara de emburrado.
Adv(a):Sr. juiz,é entendido que o uso da guarda partilhada vem sendo abolido de nossos tribunais,pelo bem-estar psicológico do menor,estou certa?
J:Sim,sra. advogada,mas pra esse caso,traçaremos um esquema especial.
Adv(o):Que esquema seria esse,sr. juiz?
J:A menor deverá permanecer uma semana em cada lar,e as partes deverão se comprometer em educá-la e tratá-la da mesma maneira,pra que não hajam conflitos na mente da menina.
Claude e Miguel saíram resmungando,mas não tinham outra saída a não ser aceitar.
Rosa estava feliz e satisfeita,assim como os advogados.
Momentos depois...
R:Acho que não tem muito o que ser discutido aqui,afinal,o Miguel está criando nossa filha do mesmo jeito que nós estaríamos fazendo.
Vocês concordam?
Miguel olha pra Claude orgulhoso,enquanto o francês retribui com um olhar murcho.
C:D’accord,cherie.
Mas eu tenho uma exigência:
Nossa filha também tem que se chamar Vitória,hã?
R:Ai sim Miguel,eu também queria pedir isso...
A escolha desse nome foi feita com muito amor,e significa muito pra nós.
M:Eu entendo.
Também escolhi Esperança simbolicamente,e com muito amor.
Por mim tudo bem. – diz,colocando uma das mãos sobre a de Rosa e acariciando-a.
R:Obrigada. – diz,sorrindo com os olhos marejados.
Miguel sorri de volta,enquanto Claude olhava furioso.
C:Tudo bem,então,hã? – diz,tirando a mão da esposa debaixo da de Miguel e segurando-a.
Na primeira semana,Esperança permaneceria com Miguel,até porque ele precisava prepará-la pra entrar naquela nova vida que a esperava.
M:Meu amor,o que você acha de se chamar Esperança Vitória?
E:Papai,eu achei esquisito...
M:E Vitória Esperança?
Esse foi sugestão da Serafina.
E:Desse eu gostei,papai. – diz,sorrindo.
M:Então de agora em diante,você vai se chamar Vitória Esperança Ramírez de Geraldy.
E:E por que agora eu tenho que ter um nome tão grande,papai?
M:Porque agora a família aumentou,meu bem...
Você vai ter dois papais e uma mamãe.
E:Sério,papai? – diz,dando pulinhos.
M:Sério,meu amor. – diz,rindo de alívio pela filha ter reagido tão bem.
E:Eu quero que os meus novos papais sejam a Serafina e o Claude,eu gosto deles...
Por favor,papai... – diz,implorando com as mãozinhas juntas ao queixo.
M:Seu desejo é uma ordem,srta. Vitória Esperança.
Eles serão seus novos papais.
E:Obrigada,papai! – diz,pulando com mais vigor que antes.
M:Calma,meu amor,você vai se machucar. – diz,rindo,pegando-a no colo e enchendo-a de beijos.
M:Meu amor,nunca se esqueça de que eu te amo muito. – diz,acariciando a cabeça da filha.
E:Não se preocupa,papai.
Eu também te amo muito,pra sempre. – diz,acariciando os cabelos louros do pai.
M:Muito obrigado,minha vida. – diz,abraçando-a.
Mais tarde,na casa dos Geraldy...
D:Dr. Claudes,telefone pro senhor.
C:Quem é,Dádi?
D:É da delegacia.
C:Mon Dieu,será que aconteceu alguma coisa com a minha filha? – diz,pegando o telefone preocupado.
C:Alô?
Rosa estava descendo as escadas,quando escutou a voz preocupada de Claude ao telefone.
R:Dádi,o que foi?
D:O delegado no telefone,D. Rosa.
Rosa observa o marido ao telefone atenta e aflita.
C:Como assim,ela escapou?
Como isso pode ter acontecido?
N:Acontecendo,idiota! – diz Nara,invadindo a casa com a ajuda de dois homens armados.
C:O que você quer aqui,Nara? – diz,entrando na frente de Rosa pra protegê-la.
N:EU VIM PEGAR MEU BEBÊ DE VOLTA,MALDITOS! – diz,apontando uma arma em direção ao casal.
R:Nara,você não está em condições de cuidar de uma criança agora.
Calma,nós vamos te ajudar...
N:CALA A BOCA,VAGABUNDA!
C:NARA,SE ACALME,POR FAVOR!
VÁ EMBORA DA NOSSA CASA AGORA MESMO,VOCÊ NÃO TEM NADA PRA FAZER AQUI!
N:EU VOU LEVAR MINHA FILHA E NINGUÉM VAI ME IMPEDIR! – diz,subindo as escadas,enquanto os bandidos ameaçavam Claude e Rosa com suas armas.
O delegado,que ouviu tudo pelo telefone,não demorou a chegar na casa,levando reforços:
‘’MÃOS PRA CIMA,VAMOS!’’ – diz,surpreendendo os comparsas de Nara.
Enquanto eles eram algemados,se ouve um grito de menina vindo do andar de cima:
‘’MAMÃE,MAMÃE,SOCORRO!’’
Ao escutar sua filha lhe chamando,Rosa se solta dos braços do marido e sai em disparada ao encontro da filha.
C:SERAFINA,ESPERA!
ELA TÁ ARMADA! - diz Claude,correndo atrás da esposa,seguido pelo delegado.
Chegando ao quarto de Manuela,Rosa encontra Nara com a menina nos braços,se preparando pra fugir.Ela tranca a porta imediatamente,impedindo a vilã de sair.
R:SOLTA A MINHA FILHA,DESGRAÇADA! – diz,partindo pra cima de Nara,que acaba derrubando a criança no chão.
As duas lutam tentando conseguir a posse da arma,mas Nara é mais forte e empurra Rosa pra longe,fazendo com que ela batesse a cabeça na cômoda e desmaiasse.
N:Agora sim chegou a sua hora,maldita! – diz,começando a apertar o gatilho.
Manuela sempre havia sido fria,indiferente e muitas vezes agressiva por causa da doença,mas diante daquela situação,seu coraçãozinho falou mais alto que sua mente perturbada.
Ao ver que Rosa estava em perigo,correu em direção à ela,se abaixando e tentando despertá-la:
‘’MAMÃE,MAMÃE!’’- grita,sacudindo-a.
Neste momento,o som de um tiro ecoa pela casa,seguido de um grito:
‘’NÃÃÃÃÃOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!’’
C:ROSA,ABRE ESSA PORTA! – grita,desesperado.
D:SE AFASTE,POR FAVOR! – diz o delegado,arrombando a porta em seguida.
Ao adentrarem o quarto,a cena que encontram é perturbadora.
Rosa estava caída no chão,desmaiada,enquanto Nara,ajoelhada,abraçava o corpo imóvel da filha,fazendo movimentos de ninar,enquanto chorava descontroladamente.
N:Essa maldita me fez matar o meu bebê! – diz,em tom desequilibrado.
C:O QUE VOCÊ FEZ COM A MINHA MULHER E COM A MINHA FILHA,SUA CRETINA? – diz,avançando no pescoço de Nara.
D:Acalme-se,por favor! – diz,segurando Claude.
A situação era desesperadora.
Claude não sabia se acudia à esposa ou à filha primeiro.
Naquele momento Rosa começa a despertar,e ao ver a filha,sente o desespero e a dor tomarem conta do seu corpo.
R:Minha filha... – diz,num fio de voz,se arrastando em direção à menina.
Rosa se aproxima e repousa a cabeça no peito de Manuela.Ao não ouvir seu coração batendo,sente o céu cair sobre sua cabeça:
‘’Minha filha...
Minha filha não... ‘’ – chora compulsivamente,com a cabeça ainda deitada sobre a menina.
Claude,tão baqueado quanto a esposa,se ajoelha do outro lado da filha e pousa a cabeça sobre a de Rosa.
E assim,os dois permanecem,chorando sobre o corpinho de Manuela,enquanto o delegado algema Nara,que,em choque,só lança um olhar atormentado à filha antes de ser levada dali.
Momentos depois,uma ambulância chegou,levando o corpo de Manu pra que fossem realizados os procedimentos pertinentes.Claude e Rosa foram junto com a filha,enquanto Frazão e Alabá,que assim que souberam foram correndo até a casa dos amigos,ficaram com os meninos,acompanhados também por Dádi.
Logo que chegam,encontram Miguel:
M:Eu liguei pra casa de vocês e...
Ah Serafina,eu sinto muito...
Miguel se aproxima de Rosa e lhe dá um abraço intenso,sob o olhar desconfiado,mas ao mesmo tempo compreensivo de Claude.
Após dar os pêsames à amiga,Miguel se aproxima de Claude.
M:Claude,eu sinto muito... – diz,pousando a mão sobre o ombro do francês e lhe dando um abraço de consolo.
C:Obrigado. – diz,retribuindo o abraço.
M:Será que eu poderia falar com vocês por um minuto?
R:Algum problema com a Vitória? – pergunta,aflita.
M:Não,ela tá bem,não se preocupe.
C:Pode falar,o que foi? – pergunta,ligeiramente preocupado.
M:Bom,eu sei que não é um bom momento pra falar disso,mas é necessário.
Vocês já decidiram se vão doar os órgãos da Manu?
C:Realmente,não é um bom momento.
Como você acha que nós poderíamos estar pensando nisso agora,hã?
R:Calma,Claude. – diz,respirando fundo e secando suas lágrimas.
Claude também respira fundo,tentando se acalmar.
R:Por que a pergunta,Miguel?
M:Porque uma pequena parte da Manu pode trazer de volta a luz pros olhos da nossa Esperança.
Claude e Rosa se olham esperançosos,segurando forte as mãos um do outro.
R:Você quer dizer...
M:Vocês sabem que a história que eu contei pra nossa filha sobre a cegueira dela foi inventada...
C:Sim,a verdade é forte demais pra uma criança tão pequena.
M:Por negligência das pessoas daquele orfanato,ela tentou alcançar a garrafa de um produto de limpeza destampada que estava encima de uma mesa,e...
Bom,vocês já sabem.
R:Coitadinha da minha filha,tão pequena e teve que passar por isso. – diz,tapando a boca e voltando a chorar.
C:Calma,cherie.
Já passou,ela não se lembra,hã? – diz,engolindo o próprio choro e abraçando a esposa.
M:Bom,voltando...
Vocês sabem que desde que a adotei,a coloquei na fila de espera.Neste momento,ela é a próxima da fila,só estamos esperando uma doação.Se vocês decidirem doar os órgãos da Manu,as córneas dela podem servir pro transplante da nossa Vitória Esperança.Vocês entendem?
Nosso bebê voltaria a enxergar. – diz,com os olhos marejados pela emoção.
Claude e Rosa também estavam emocionados com a possibilidade.
Em meio à toda aquela dor pela morte de uma filha,poderia nascer uma luz,que iluminaria a vida da outra.
C:Cherie,você decide. – diz,acariciando o rosto de Rosa.
Rosa respira fundo,olha pros dois e diz:
‘’Nossa filha não se chama mais somente Esperança...
Agora que ela também se chama Vitória,é isso o que ela será novamente:
Uma vitoriosa.’’
C e M:Então... – indagam,emocionados.
R:A morte da nossa Manu não será em vão.
Ela vai ajudar a trazer a luz dos olhos da irmãzinha de volta. – diz,chorando ao pensar na morte da filha,mas ao mesmo tempo sorrindo pela esperança que nascia ali.
C:Eu tenho certeza de que,esteja ela onde estiver,vai ficar muito feliz,minha vida. – diz,abraçando a esposa.
R:Eu sei,meu amor. – diz,chorando no ombro do marido.
Miguel também sorri,emocionado.
Ele imediatamente se lembra de algo que ouvira de um padre,quando,ainda menino,perdeu a mãe:
‘’Deus escreve certo por linhas tortas.Quando Ele tirar,não devemos questionar,porque Ele pegará nossas lágrimas de tristeza,e as transformará em lágrimas de alegria muito antes do que possamos imaginar.’’
‘’Agora eu entendi.’’ – pensa,fechando os olhos,enquanto sentia uma paz enorme invadir seu corpo.
No dia seguinte,no velório...
CJ:Papai,a Manu não vai mais voltar? – pergunta,choroso.
C:Não,meu filho.
Agora ela é um anjinho,e vai cuidar de nós lá do céu.
P:Ela tá com Deus,papai?
C:Claro que sim,Pedrinho.
Ao se ouvir,Claude suspira aliviado,percebendo que as palavras que acabara de dizer pra confortar os filhos haviam causado o mesmo efeito nele.
‘’É,meu anjinho tá com Deus agora...’’ – pensava com os olhos fechados e a cabeça apoiada na do filho.
Rosa se aproxima e dá um beijo carinhoso na cabeça do marido,enquanto acaricia seus cabelos.
R:Ah meus amores,o que eu faria sem vocês aqui?
CJ:Mamãe,é verdade que a Manu virou um anjo? – pergunta,fascinado.
R:É sim,meu amor.- diz,pegando o filho no colo.
C:E tem mais.
Ela vai nos ajudar a trazer a luz dos olhos da outra irmãzinha de vocês de volta.
P:Quando nós vamos conhecer ela,papai?
Claude e Rosa se olham com cara de interrogação.
Com as coisas acontecendo tão repentinamente,eles nem haviam tido como reunir os trigêmeos novamente.
C:Logo,meu bem.
Muito em breve vocês conhecerão a Vitória.
CJ:Que bom,porque ela faz falta,não é,Pedrinho?
P:É sim. – diz,dando a mão pro irmãozinho e indo ao encontro dos ‘’tios’’ Sérgio e Roberta.
C:Você entendeu,meu amor?
R:Se dizem que gêmeos tem uma forte ligação espiritual,imagine trigêmeos... – diz,acariciando o rosto do marido e lhe dando um beijo terno em seguida.
C:É,você tem razão. – diz,suspirando,enquanto olha em direção à quarta filha.
O olhar de Rosa segue o do marido em seguida.
Os dois levantam,se aproximam do caixão e ficam ali,abraçados,vendo Manuela pela última vez.
Dois dias depois,Vitória já estava hospitalizada,e faltavam apenas alguns minutos pra realização da cirurgia.
VE:Papai,eu tô com medo.
C e M:Eu tô aqui,meu amor. – dizem ao mesmo tempo,cada um de um lado,segurando uma mãozinha da filha.
Rosa olha torto pros dois,prevendo outra discussão.
Claude e Miguel pareciam dois lobos disputando a liderança da matilha.
C:Ela tava falando comigo,hã?
M:Claro que não,era comigo.
Eu sou o pai dela desde antes.
C:Ah é?
Tem certeza? – pergunta,irônico.
M:Eu quero dizer que ela me conhece como pai desde antes.
E você entendeu,apesar de ser meio lerdo.
C:Como é que é? – pergunta,franzindo a testa.
M:Olha aí,não falei? – diz,com um sorrisinho sarcástico.
R:Eu não acredito que vocês estão tendo essa discussão aqui e agora! – diz,irritada.
C:Pardón,cherie. – diz,olhando pra baixo e beijando a mãozinha da filha com cara de menino levado.
M:É,Serafina,perdão. – diz,segurando a outra mão da filha,enquanto ao mesmo tempo pega a mão de Rosa do outro lado e a beija.
Claude encara o cubano possesso,mas olha pra filha e se controla.
VE:Mamãe,os meninos não crescem nunca,né?
R:Como assim,filha?
Por que essa pergunta?
VE:Porque os meus papais brigam igualzinho os meninos da escola.
Claude e Miguel se olham corados pelo comentário da filha,enquanto Rosa tapa a boca,segurando o riso.
R:Você tem razão,meu amor,os meninos não crescem nunca.
M:Espero que a srta. continue com esse pensamento quando ficar mocinha e os pretendentes começarem a aparecer.
C:É isso mesmo,hã?
Rosa e a filha fazem cara de estranheza ao perceber a repentina cumplicidade dos dois.
R:Vocês tinham que concordar justo nisso,né?
C:Claro,cherie.É o nosso dever.
M:Isso mesmo,nenhum marmanjo vai se aproximar da nossa garotinha.
Essa vai sofrer mais do que eu na mão do velho Giovanni... – pensava Rosa.
Dra.:Bom dia,princesa! – diz a oftalmologista,entrando no quarto.
VE:Oi,é você que vai fazer me fazer ver?
Dra.:Eu vou dar tudo de mim pra que assim seja,Vitória. – diz,se aproximando e acariciando o rosto da menina.
Miguel sorri,ao perceber a ternura da médica com sua filha.
Neste momento, ele se dá conta de que nem tinha notado como Marcela era linda:


(eu e minha mania de fotos hehe J).
Ela parece um anjo. – pensa,encarando-a maravilhado.
Rosa e Claude,percebendo a situação,trocam olhares e sorrisos maliciosos.
M:Você parece ser tão novinha,doutora...
Desculpe a pergunta,mas quantos anos você tem?
Ma:Tenho 28.
Não se preocupe,apesar de não parecer,eu já tenho os meus anos de profissão.
Sua filha está em boas mãos.
M:Disso eu tenho certeza.
Os dois se olham fixamente por alguns segundos,quando chega uma enfermeira e os desperta do transe:
‘’Dra.,já está tudo preparado.’’
Ma:Ok,obrigada.
Bem,eu vou dar um minutinho pra vocês com a paciente. – diz,encarando Miguel mais uma vez antes de sair.
Rosa e Claude se aproximam da filha,um de cada lado da cama.
Miguel olha os três e,entendendo que aquele momento era só deles,resolve esperar no corredor.
R:Meu amor,agora você vai dormir,e quando acordar,tudo vai ser diferente. – diz,beijando o rostinho da filha.
VE:Eu só quero ver você e os meus papais um pouco.Depois,não faz mal se eu ficar cega pra sempre,mamãe. – diz,buscando os rostos dos pais com as mãozinhas no ar.
Cada um guia a mão que está ao seu lado em direção ao rosto,sentindo o carinho da filha.
VE:Vocês tão chorando de novo?
R:É um choro bom,meu amor.
VE:Se eu continuar cega e vocês não quiserem mais ser meus papais,tudo bem.
Claude e Rosa se olham,lembrando de uma cena semelhante:
‘’R:Meu amor,eu sei que você se casou comigo achando que eu ia voltar a andar,e se não for assim,eu te deixo livre pra se divorciar de mim...’’
Claude olha emocionado pras duas,e responde à filha exatamente como havia respondido à esposa anos atrás:
C:O que é isso,Vitória Esperança Ramírez de Geraldy,tá maluca?
Nem pense que vai se livrar assim tão facilmente desse francês carrancudo. – diz,beijando e fazendo cócegas na barriguinha da filha.
R:Nós sempre vamos te querer e te amar,minha vida. – diz,acariciando os cabelos da menina.
C:É isso mesmo,você é a nossa Vitória...- neste momento,faz uma pausa e olha pra Rosa - ...E a nossa Esperança também. – completa,sorrindo.
Rosa sorri de volta,acariciando os rostos dos dois.
Neste momento,a enfermeira chega:
‘’Nós temos que levar essa princesinha agora.
Se despeçam,papais.’’
VE:Abraço de três. – diz,estendendo os bracinhos.
Rosa e Claude a abraçam,chorando de emoção e de temor pela filha ao mesmo tempo.
VE:E o meu outro papai?
E:Ele está logo aqui,no corredor.
Nós já vamos passar por ele. – diz,colocando a menina na maca e saindo do quarto a empurrando,seguida por Rosa e Claude.
VE:Papai?
M:Eu tô aqui,meu amor. – diz,pegando na mãozinha da filha.
VE:Eu te amo,papai.
M:Eu também. – diz,beijando a testa da filha.
Rosa,que segurava a mão de Claude,olha Miguel com um sorriso carinhoso,lhe oferecendo sua outra mão.
E assim,os três ficam de mãos dadas observando a filha ser encaminhada até a sala de cirurgia,com os olhos marejados.

domingo, 19 de setembro de 2010

Fic: Love Contrat - Autora: Sakuraxjapan (Geovanna) - Capítulo 5


- Não é nada disso que vocês estão pensando. – Disparei rapidamente, tentando cortar quaisquer pensamentos maldosos que os dois funcionários e ao Frazão pudessem chegar a terem após presenciarem a tal cena constrangedora entre Claude e eu de instantes antes.
- Calma Rosa. Não estamos pensando em nada. – Disse Frazão com um sorriso cínico no rosto. É obvio que pela expressão dele, Frazão estava pensando sim no que não devia. Suspirei fundo. Ajeitei meu vestido que estava todo amassado e sai no elevador com a cabeça erguida, como se eu não me importasse em ser o centro das atenções.
- Rosa, espera! – Claude me chamou, se aproximando rapidamente de mim. Queria ignorá-lo, deixá-lo falando sozinho como eu sempre fazia. Mais a situação agora era diferente. Tive meu minuto de loucura e não poderia simplesmente fugir das conseqüências.
- O que foi Claude? – Perguntei me virando para encará-lo. Tentei ao máximo agir naturalmente. Não sei o que me fez querer beijá-lo. Mais tenho que confessar que eu gostei. Havia imposto uma regra proibindo qualquer tipo de contanto físico entre nós. E acabei sendo eu a quebrar essa regra.
- Desculpa. – Ele murmurou ao se aproximar mais ainda de mim, para que só eu pudesse ouvi-lo.
- Pelo que? – perguntei confusa. Ele não tinha motivo para se desculpar. Eu que havia o beijado e não o contrário. Claude não me respondeu. Apenas me guiou para longe dos olhares curiosos que as pessoas que nos observavam tinham desde que saímos do elevador. Ele me levou para uma varanda do andar que estávamos. A visão era linda. Já tinha anoitecido por completo. Percebi que Claude estava tenso.
- Pelo que se desculpou? Se foi eu que te beijei. – insisti em saber o que estava acontecendo.
- Você non pode se apaixonar por mim. – Ele confessou entre os dentes. O tom de sua voz soou preocupado. Como ele poderia ter tanta certeza que eu estava me apaixonando por ele?
- Não me faça rir. – Tentei indiferença. Ele continuou sério.
- Lembra da ultima regra do contrato que você me fez assinar? – ele perguntou.
- Claro que eu lembro. Por quê? - Por que é nessa regra que nos proibi de nos apaixonarmos um pelo outro e quero que essa regra siga intacta até o final desse casamento. – ele respondeu convicto. Claude parecia ter certeza que nos apaixonaríamos, mais do que certeza ele demonstrava medo. Mais o porquê desse medo?
- E por que não podemos nos apaixonar? – perguntei confusa.
- Não que eu esteja dizendo que isso possa acontecer. – completei rapidamente, para que ele não me interpretasse mal. Claude suspirou. Percebi que queria falar algo, mas hesitou.
– Por que você nunca responde o que eu te pergunto? – insisti.
- Non sou o homem certo para você. – Ele disparou num único suspiro.
- E eu nunca disse o contrario. Não gosto de você Claude. Não te suporto. - Me esforcei para que esse meu comentário soasse convincente. Já fazia um tempinho que a presença dele não incomodava tanto como antes. E ele estava começando a perceber isso. Mas também um beijo não significava que eu estava morrendo de amores por ele.
- Pois continue a non me suportar. Será o melhor para nós. – Ele replicou me dando as costas com a menção de sair. Mais fui mais rápida e o segurei por um dos seus braços o impedindo de continuar a andar. - O que você esconde Claude? - O tom da minha voz soou firme. Já estava cansada dele sempre falar comigo por partes. Ele não me respondeu. Nessa hora foi à vez dele de me ignorar. Claude se soltou de mim e saiu sem falar nada. Ele sempre fugia quando eu o colocava contra a parede. O que de tão grave ele me escondia? Será que ele não percebia que agindo assim ele só me assustava? Claude havia ido embora. Eu voltei para o restaurante. Frazão continuou a me fazer companhia. Eu havia bebido uma garrafa de champanhe praticamente sozinha. O gerente do restaurante havia me dado de cortesia em compensação pelo estresse que eu havia passado em ficar presa no elevador. Nunca fui de beber, mas também nunca fui tão fraca ao ponto de me embriagar com apenas uma garrafa de champanhe. O álcool acabou fazendo efeito mais rápido do que devia por causa do calmante que eu havia tomado antes do casamento. Então Frazão teve de me carregar para casa. Eu havia praticamente desmaiado no carro dele. Só acordei no dia seguinte com uma baita dor de cabeça e com a Dadi batendo insistentemente na porta do meu quarto.
- Dona Rosa posso entrar? – Perguntou Dadi. Não respondi. Estava cansada demais. Fingi não escutá-la e me cobri ainda mais com o meu cobertor. Dadi entrou mesmo sem minha autorização. E em seguida abriu as cortina das janelas deixando a claridade entrar no meu quarto rapidamente. Suspirei. Não dava mais para dormir. Então me sentei na cama e peguei o despertador para ver as horas.
- Dadi sabe que hora são agora? - Exclamei irritada assim que constatei as horas. Não era nem sete horas da manhã ainda. Para que ela estava me acordando tão cedo assim?
- Desculpa Dona Rosa, mas foi ordem do Doutor Claudes. – Ela se justiçou. Quer dizer que mal tínhamos nos casado e ele já estava agindo como o “dono” da casa.
- Pois saiba você que a sua patroa sou eu. Quem te dá ordens sou eu e não aquele francês. – A repreendi. Ela apenas assentiu sem graça com a cabeça.
- Non briga com ela Rosa. A culpa foi minha. – Ressoou um voz vindo da entrada do meu quarto. Era o Claude.
- E o que você quer a essa hora no meu quarto? – Indaguei irritada. Ele se aproximou de mim e me entregou um copo de água e um comprimido.
- O que é isso? – Perguntei.
- Um remédio para ressaca. Depois do que bebeu ontem creio que non esteja bem. – Ele ressaltou, insinuando minha leve bebedeira de ontem à noite. E para falar a verdade Claude tinha toda razão. Minha cabeça estava a ponto de explodir. Então acabei me rendendo a sua gentileza e aceitei o comprimido que ele havia me oferecido.
- Por que me acordou tão cedo? – O questionei.
- Tenho planos para nós agora. – Ele se explicou.
- Planos? Que planos? – Perguntei receosa. Ele deu um sorriso torto e começou a falar.
- Vamos fazer uma pequena viagem.
- Viagem? Que viagem? Para onde? – Perguntei rapidamente. Como pode ter passado pela cabeça dele de viajarmos juntos. Ele estava bem querendo ter uma viagem de lua de mel é? Nem em um milhão de anos.
- Não pense besteira cherry. – Ele interrompeu meus pensamentos, como se soubesse no que eu tinha pensado e prosseguiu.
- Iremos para Águas da Prata. - É lá que...- Que seus pais eston enterrados. - Ele completou.
- Hoje é o aniversário de morte deles. E seu avô e eu sempre íamos visitá-los nessa época. – Ele respondeu. Hoje fazia mais um ano de morte dos meus pais. Nem me lembrava. Antes de ir embora do Brasil era eu quem acompanhava meu avô a Águas da Prata para visitar o tumulo dos meus pais. Mais depois que fui abandonada, é como se eu tivesse me desligado de tudo que me importava aqui no Brasil. Fui abandonada por quem amava e em conseqüência disso acabei abandonando quem eu própria amava.
- Iremos só nos dois? - Perguntei receosa. - Sim. Mais voltaremos ainda hoje. Antes do anoitecer. – Ele respondeu. Respirei fundo e assenti com a cabeça concordando com tudo isso. Não queria viajar sozinha com ele depois do que aconteceu ontem à noite. Mais eu queria visitar meus pais, estava com saudades. Águas da Prata é a cidade onde eles cresceram e onde foram enterrados. Minha família tinha uma certa ligação com essa pequena cidade. Pode parecer meio ridículo o que eu vou falar, mais sempre sonhei em passar meus primeiros dias de casada lá. Dizia para o Julio, que antes da nossa viagem de lua de mel eu queria ir primeiro para Águas da Prata. Ele sempre achou isso ridículo. E agora por ironia do destino esse meu pensamento irá se concretizar de uma forma indireta. Pois queira eu ou não, hoje não deixa de ser o meu primeiro dia de casada. E para onde estou indo com o Claude? Para Águas da Prata.


Em meia hora eu já estava pronta para viajar com ele. Claude iria dirigindo.
- Já está pronta cherry? – Claude perguntou surpreso assim que me viu descer as escadas.
- Sim por quê? Não era para estar?
- Pedi que Dadi te acordasse bem cedo, por que acreditei que você precisaria de no mínimo umas duas horas para se arrumar. – Ele se explicou sem graça.
- Que exagero. – Resmunguei, revirando os olhos. Ele deu apenas um sorriso em resposta.
-Então vamos?
- Sim. – Respondi. E fomos para frente da casa, o carro já estava a nossa espera. E adivinhem? Antes que eu tivesse a menção de abrir a porta do carro, Claude já tinha feito por mim. - Pode entrar Cherry. – Ele disse apontando para dentro do carro. Revirei os olhos e foi o que eu fiz. Claude foi para o banco do motorista. Antes de começar a dirigir ele colocou uma musica para tocar. Como se fosse à trilha sonora de nossa primeira viagem juntos.

Nunca Vai Estar Sozinha (tradução)

O tempo está passando
Muito mais rápido do que eu
E eu estou começando a me arrepender de não passá-lo com você
Agora eu estou imaginando porque deixei isso preso dentro de mim
Então, estou começando a me arrepender de não ter dito tudo para você
Então, se eu ainda não o fiz, tenho que deixar você saber

Você nunca vai estar sozinha
De agora em diante
Mesmo que você pense em desistir
Não vou deixá-la cair
Você nunca vai estar sozinha
Vou te abraçar até a dor passar
E agora, enquanto eu puder
Estarei te segurando com ambas as mãos
Pois sempre acreditei
Que não há nada que eu precise a não ser você
Então, se eu ainda não o fiz,
Tenho que deixar você saber
Você nunca vai estar sozinha
De agora em diante
Mesmo que você pense em desistir
Não vou deixá-la cair
Quando toda a esperança tiver desaparecido

Eu sei que você pode continuar
Vamos ver o mundo sozinhos
Vou te abraçar até a dor passar
Você tem que viver cada dia
Como se fosse o únicoE se o amanhã nunca chegar?
Não o deixe escapar, poderia ser a nosso único dia
Você sabe que apenas começou
Cada dia, pode ser nosso únicoE se o amanhã nunca chegar?
Amanhã nunca vai chegar?
O tempo, está passando
Muito mais rápido do que eu
Estou começando a me arrepender de não ter dito tudo para você
Você nunca vai estar sozinha
De agora em diante
Mesmo que você pense em desistir
Não vou deixá-la cair
Quando toda a esperança se for
Eu sei que você pode continuar
Vamos ver o mundo sozinhos
Vou te abraçar até a dor passar
Eu estarei lá de qualquer forma
Não vou desperdiçar mais nenhum dia
Eu estarei lá de qualquer forma
Não vou desperdiçar mais nenhum dia

Não sei o que está acontecendo comigo. Sinto que estou me deixando envolver mais do que devia em toda essa historia. Que a barreira que eu demorei cinco anos para construir em volta do meu coração está começando a desmoronar vagarosamente pelas pequenas atitudes do Claude. O meu avô sempre foi muito astuto. Acho que já havia previsto isto. Claude é o tipo de homem apaixonável. Mais eu não posso e nem quero me envolver novamente. Já sofri o suficiente no passado. Mas a imagem do beijo de ontem a noite no elevador parecia não querer mais sair da minha cabeça. É como se fosse um DVD arranhado que insistia em não sair da mesma cena. Quanto mais eu tentava não pensar nisso, mais eu pensava. Queria entender o porquê do Claude ter me proibido de me apaixonar por ele. Por que ele havia me dito que não era o homem certo para mim? Perguntas, perguntas e mais perguntas. E nenhuma resposta. Queria colocá-lo contra a parede e obrigá-lo a me esclarecer tudo isso. Mais sinto que ainda não é o momento certo para fazer isso. Nossa viagem estava sendo tranqüila. Claude estava calado. Mal nos falávamos. A música era a única a quebrar o silêncio que a falta de nossas palavras ocasionava. Já estávamos na metade do caminho quando senti vontade de ir ao banheiro.
- Claude você pode parar na próxima parada? – Perguntei meio envergonhada.
- Banheiro? – Ele olhou para mim e perguntou.
- Sim. – Respondi sem graça.
Não demorou nem 10 minutos até Claude parar o carro em um posto de gasolina. Eu desci e fui até banheiro. Não era o mais limpo que eu já tinha usado, mas estava tão apertada que nem liguei para isso. Quando voltava para o carro, percebi que Claude conversava com um caminhoneiro.
- Já voltou cherry. – Disse Claude assim que me aproximei dele.
- Algum problema? – Perguntei curiosa. Claude parecia preocupado.
- Non. É que esse senhor acabou de me dizer que está previsto uma tempestade lá para o lado de Águas da Prata. – Respondeu Claude receoso.
- Sério? Então devemos voltar? – Perguntei.
- Non. Se já estamos aqui, vamos prosseguir. – Respondeu Claude confiante.
E também já estávamos na metade do caminho. Não tinha cabimento voltarmos. Então retornamos para a estrada.Continuamos a viagem calados, sem proferir sequer uma palavra. Parecia que não tínhamos assunto ou talvez Claude estivesse evitando conversar comigo. Até que finalmente chegamos. Águas da Prata era uma cidade linda. Com muito verde. Lembrava-me muito minha infância. Antes de irmos ao cemitério, passamos numa lojinha para comprar dois guarda chuvas, pois já tinha começando a chover levemente e Claude aproveitou para comprar também umas rosas para colocamos sobre o túmulo de meus pais.
- Só isso? – Perguntou a vendedora referindo-se a compras.
- Sim. – Afirmou Claude. - Obrigada e volte sempre. – Ela agradeceu.
Dessa lojinha fomos direito para o cemitério, não tínhamos muito tempo até a chuva engrossar. Não sei se era impressão minha mas Claude não me parecia bem. Estava agindo estranhamente, não que isso fosse uma novidade. Mas é que agora a sua atitude se tornava ainda mais intrigante. Claude tinha uma expressão triste no rosto. Ele estacionou o carro na entrada do cemitério. E ficou parado com as mãos ainda sobre o volante enquanto eu descia.
- Você não vai? – Perguntei ao notar que ele nem fez menção de sair.
- Vá na frente. Já estou indo. – Ele respondeu secamente.
E foi o que eu fiz. Peguei as rosas que ele tinha comprado instante antes e com o guarda chuva em uma das minhas mãos para me proteger da leve chuva que insistia em cair, fui em direção ao local onde o túmulo dos meus pais estava localizado. De longe dava para perceber que era o túmulo mais bonito e bem cuidado de todo cemitério. Estava limpo e ao seu redor tinha muitas flores. Acho que meu avô pagava para alguém preservá-lo. O cemitério era aquele que tinha muitas construções antigas. Cada túmulo era uma obra de arte. Infelizmente tinha uns abandonados. Respirei fundo e aproximei-me lentamente de onde meus pais estavam enterrados e por mais que eu quisesse ser forte, não conseguir segurar o choro. Há cinco anos eu não os visitava. Que tipo de filha eu era? Que havia esquecido totalmente dos próprios pais por causa de uma desilusão amorosa. Coloquei as rosas que eu tinha ainda em mãos, dentro de um jarro que estava ao lado e em seguida me ajoelhei. Queria rezar, desabafar, chorar e acima de tudo queria matar a saudades. Queria compensar todos os anos de ausência. Já tinha se passado uns minutos e nada do Claude aparecer. A chuva estava começando a engrossar. Então achei melhor ir atrás dele. Mas ao me levantar tive uma surpresa. Claude já estava atrás de mim. Ele tinha um olhar fixo no túmulo. Seus olhos estavam marejados e seus punhos cerrados. E para piorar, ele estava debaixo da chuva sem qualquer proteção. O que estava acontecendo com e ele? Claude parecia de verdade sofrer, mas pelo que? Se ele nem sequer chegou a conhecer os meus pais. Eu própria mal cheguei a conhecê-los. Quando eles morreram, eu ainda era muito nova. Aproximei-me rapidamente do Claude, para assim dividir o meu guarda chuva com ele. Claude já estava ensopado.
- Tá maluco? Cadê seu guarda chuva? – Perguntei aflita. Ele não me respondeu.
– Claude estou falando com você.- Insisti com um tom autoritário. Mas ele parecia não me ouvir. É como se estivesse anestesiado. Sequer piscava os olhos. Envolvi um dos seus punhos ainda cerrados com uma das minhas mãos. E ao sentir o meu toque seus olhos desviaram finalmente do túmulo em minha direção.
– O que está acontecendo Claude? – Perguntei angustiada. Ele ficou uns segundos me olhando profundamente e em seguida me abraçou me pegando de surpresa. Acabei deixando o guarda chuva cair nos deixando a mercê da agora forte chuva. Ele afogou seu rosto em meus cabelos. Abraçando-me ainda mais forte.
- Claude! O que está acontecendo? – Insisti em sussurro. Ele não me respondeu. Ficamos abraçados por uns segundos debaixo de chuva até que fomos interrompidos pelo coveiro.
- Vocês vão pegar um resfriado se continuarem assim. – Ele nos alertou ao se aproximar de onde estávamos. Claude se soltou do meu abraço rapidamente.
- Tem razon. Vamos Rosa. – Disse Claude pegando o guarda chuva que eu tinha deixado cair segundos antes e colocando sobre mim.
– Vamos voltar para o carro. – Claude ordenou. Apenas assenti com a cabeça. Estava sem graça. Voltamos para o local onde o carro estava estacionado.
- Você não pretende ficar com essas roupa molhadas né? – Indagou o coveiro referindo-se ao estado em que nos encontrávamos. Estávamos totalmente molhados.
- Tem algum lugar que possamos nos trocar? – Claude perguntou para ele.
- Tem a minha cabana. Se quiser Doutor Geraldy.
– Ofereceu gentilmente o funcionário do cemitério. Ele já conhecia o Claude? Por que o chamou pelo sobre nome?
- Queremos sim. – Respondeu Claude.
– Rosa você trouxe roupas? Hã? - Claro que não. Você disse que não íamos passar a noite. – Esbravejei.
- Nem eu. Acho melhor voltamos para a cidade mesmo, e lá passamos por qualquer loja e compramos roupas secas antes de voltar para São Paulo. – Claude sugeriu. Concordei. Então entramos no carro. Mas ante de sair o coveiro falou algo que me deixou confusa.
- Espera Doutor! Aconteceu alguma coisa? Já faz dois meses que o senhor não aparece por aqui. – Perguntou o coveiro preocupado. Como assim dois meses que o Claude não aparecia? Pensei que ele só viesse uma vez no ano e no aniversário de morte dos meus pais e para acompanhar o meu avô. Olhei para Claude esperando a resposta que ele daria, mas ele deu apenas um sorriso sem graça e deu partida no carro, saindo sem responder nada.
- Por que não respondeu o que aquele homem perguntou? – Indaguei firmemente
- Esse coveiro, ele é meio maluco. Non sabe o que fala. – Claude se explicou. Percebi o tanto que ele se esforçou para tentar ser convincente.
- Ah! Sei. – Exclamei fingindo acreditar em sua mentira. E ele fingiu acreditar que eu acreditei. Confuso não? Paramos em uma loja para comprar roupas. E foi lá que recebemos a má noticia.
- Como assim as estradas estão interditadas? – Perguntei aflita. A vendedora acabara de me informar isso.
- Rosa, calma. Deve ser um engano. – Disse Claude, que tentava me acalmar.
- Desculpe senhor, mas não é engano. Como podem ver, a chuva está muito forte. Foram dados alertas de inundações. Há muitos rios nessa cidade. Os responsáveis pela segurança informaram que ninguém entra e ninguém sair. Pelo menos não hoje. – Esclareceu a vendedora.
Claude passou a mão pela cabeça num gesto impaciente.
- Rosa espera aqui. Non saia dessa loja. Volto já. Aproveita e escolhe logo uma roupa seca se non vai acabar ficando doente. – Ordenou Claude. Ele foi atrás de saber mais informações. Quase meia hora depois ele retornou e pela cara dele, as notícias não eram das melhores.
- E aí? Podemos ou não sair? – Perguntei não me contendo de ansiedade. Ele deu de ombro e balançou negativamente a cabeça. Respirei fundo. Não podia acreditar.
- Eu avisei. E acho melhor vocês irem logo atrás de uma pousada. Pois muitos foram pegos de surpresa por essa tempestade. Se demorarem, é capaz de não ter nem onde dormir. – A vendedora nos alertou.
Era só o que nos faltava. Não ter onde dormir. Compramos umas roupas e fomos direto atrás de alguma pousada. A vendedora estava certa. Todos os lugares que paramos estavam lotados.
- E agora Claude? Onde vamos dormir? – Perguntei angustiada. Já tínhamos parado em 10 lugares e nenhum tinha quarto vago.
- Calma cherry. Vamos achar vaga em algum lugar. – Respondeu Claude esperançoso. Revirei os olhos impaciente. Depois de 10 minutos avistamos outra pousada.
- Quer apostar como essa está lotada também? – Repliquei com um tom irônico na voz.
- Oh mon dieu! Se você continuar com esse pessimismo. Non duvido nada. – Ele rebateu irritado. Descemos do carro e fomo direto ao hall da pousada. - Boa tarde. Em que posso ajudar? – Perguntou a atendente gentilmente.
- Boa tarde. Queremos um quarto. – Disse Claude confiante.
A atendente sorriu. Isso era um bom sinal.
- O senhor tem sorte. Ainda temos um quarto vago. – Ela respondeu educadamente. Claude respirou aliviado.
- Mas na verdade nós queríamos dois quartos. – Disparei rapidamente. Eu não queria ficar a sós com ele.
- Dois?- A atendente me olhou surpresa. Percebi que seus olhos percorreram pelas alianças que Claude e eu usávamos.
- Cherry non fale bobagem. – Claude murmurou entre os dentes para que só eu escutasse. E sorriu para atendente.
- Vamos querer o quarto. Claude preencheu toda a papelada e recebeu a chave.
- Vamos cherry?
- Fazer o que né? – Resmunguei. E fomos para o quarto.
- Por que essa cara de quem comeu e non gostou? – Claude perguntou ao me encarar.
- Por quê? Adivinha. – Rebati irritada. Ele revirou os olhos me ignorando e abriu a porta do quarto.- Primeiro as damas.
– Ele disse apontando para dentro do recinto. Eu entrei.
- Até que não é nada mal. – Comentei enquanto analisava o lugar. O quarto era bem aconchegante. Havia uma lareira. Joguei minha bolsa em cima da cama.
- É tão ruim assim ficar a sós comigo? – Perguntou Claude ao fechar a porta. Não respondi. Na verdade não sabia o que responder. Ele se aproximou de mim.
- Pardon Cherry. Tudo isso é minha culpa. Mesmo sabendo da tempestade eu insisti para que viéssemos. – Ele se desculpou.
- Também não precisa se desculpar. Toda essa confusão teve uma motivação boa. – Respondi gentilmente. Eu tinha que parar de reclamar. Não era culpa do Claude se o mundo estava caindo lá fora.
– Mas... Eu tenho uma pergunta para fazer. – Disse seriamente ao encará-lo.
- Eu sei. Mais seria demais pedir para non fazê-la? – Ele estava apreensivo. Respirei fundo. Aquele não era o momento certo de cobranças. Assenti com a cabeça.
- Tudo bem Claude. Agora não é o momento.
– Concordei, ele sorriu em resposta.
- Você deve está com fome non? – Ele perguntou mais animado ao se aproximar do telefone.
- Morrendo. – Respondi alisando minha barriga. Com toda essa confusão havia esquecido que não tinha comido nada o dia todo. - O que você quer que eu peça para comer?
- Qualquer coisa, mais que seja logo. – Respondi ansiosa. Ele havia pedido fondue de chocolate e um vinho para acompanhar.
- Espero que não demore muito. Estou faminta- Comentei ao me sentar sobre cama.
- Non vai demorar. – Ele respondeu após acender a lareira.
– Vem cherry. Você precisa se esquentar. – Ele me chamou para sentar ao seu lado. Espera aí, era impressão minha ou clima estava romântico demais para meu gosto? Chuva, frio, lareira, fondue e vinho. Isso tudo não era uma combinação muito confiável. Ai meu Deus, onde eu fui me meter? Eu estava a ponto de ter um colapso de tão nervosa, ao contrário de Claude que aparentava estar bem à vontade. Será que ele ainda não tinha percebido a real situação em que nos encontrávamos? Éramos um homem e uma mulher em um único quarto. E detalhe, tínhamos nos casado ontem. Definitivamente, dividir o quarto com o Claude nesse momento não tinha sido uma boa idéia.

Continua...