Mostrando postagens com marcador LOVE CONTRAT. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador LOVE CONTRAT. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Fic: Love Contrat - Autora: Sakuraxjapan (Geovanna) - Capítulo 6


Capitulo 6 “Casablanca”

Estávamos Claude e eu sozinhos num quarto de uma pousada na cidade de Águas da Prata. O plano era visitarmos o túmulo dos meus pais e retornamos no mesmo dia. Mas, fomos pegos de surpresa por uma forte tempestade que nos obrigou a passamos a noite nessa cidade. E por ironia do Destino, no mesmo quarto. Claude havia pedido algo para comermos acompanhado de um vinho. Não demorou 15 minutos até o serviço de quarto trazer o nosso pedido.
- Nossa! Esse fondue parece gostoso. – Comentei ao me aproximar da bandeja.
- Vamos comer, Cherry? – Ele sugeriu. Assenti com a cabeça concordando. Claude pegou a bandeja e fomos sentar perto da lareira. Havíamos forrado o chão com um cobertor.
- Que tal um brinde? – Ele sugeriu levantando sua taça cheia de vinho em minha direção. Sorrir sem graça.
- Mais pelo que brindaremos?- Perguntei receosa. Essa situação toda era desconfortável. Não sabia como agir ou o que falar.
- Por essa noite. – Ele murmurou com um leve tom rouco em sua voz, me fazendo corar em seguida.
- Por essa noite? O que tem de especial nessa noite, além do fato de estamos presos numa cidade pequena em meio a uma tempestade com alerta de inundações? – Rebati rapidamente, tentando mostrar indiferença. Queria corta o clima romântico. Ele deu apenas um sorriso torto e rebateu delicadamente.
-Que tal ver o lado bom disso, Cherry?
- E qual seria esse lado? – Argumentei.
- Pelo menos estamos tendo uma oportunidade de nos conhecermos melhor. – Ele respondeu. Suspirei Fundo. O que de fato ele queria? Ele foi o primeiro a me proibir de me apaixonar por ele, e agora ficava agindo dessa maneira tão irresistivelmente sedutora. Apoiei a taça de vinho que ainda tinha em mãos sobre o chão e me levantei dando as costas para ele. Claude fez o mesmo, se levantou e veio em minha direção pousando levemente sua mão sobre meu ombro.
- O que foi Rosa?
- Nada. Só estou cansada. – Respondi não me dando o trabalho de me virar em sua direção. Não queria encará-lo. Eu estava nervosa. Assustava-me sentir o que estava sentindo por Claude. Fazia poucos dias que eu havia retornado para o Brasil, mais o suficiente para me fazer crer que eu estava começando a me apaixonar pro ele. Para tentar evitá-lo o máximo possível, resolvi me trancar no banheiro e tomar um longo e relaxante banho. Apesar de ser impossível relaxar sabendo que ele estava tão próximo. Foi meia hora no banho até eu tomar coragem de sair. Ao sair me deparei com Claude mexendo em uns DVD’s que tinha sobre o rack ao lado de uma modesta TV. Não falei nada e me sentei sobre a cama. Segundos depois ele se aproximou de onde eu estava e me entregou um DVD que tinha em mãos.
- Vamos assistir? – Ele sugeriu. Foi então que eu li o titulo do filme. Era Casablanca. Casablanca? Seria coincidência demais. Esse filme tinha uma importância muito grande na minha vida. Há uns anos atrás logo depois que Julio me deixou, eu havia decidido ir embora do Brasil. Mais não sabia para onde. Foi então que mexendo nas coisas da minha mãe, encontrei uma velha caixa e dentro dela havia uma foto rasgada ao meio da minha mãe em frente à torre Eiffel, na certa devia ter mais alguém na outra metade da foto. E no lado inverso dessa fotografia havia algo escrito. “Nós sempre teremos Paris”.
A primeira vez que eu li essa frase, não sabia o que ela queria dizer. Foi então que nessa mesma caixa havia também um VHS de um filme chamado Casablanca. Era um filme que foi gravado nos anos 40 ainda em preto em branco. A curiosidade me fez querer assisti-lo. Ele contava uma historia de amor que se passou na Segunda Guerra Mundial, do casal Ilse e Rick. Eles se conheceram em Paris e lá viveram um belo romance. Mas, acabaram separando-se e cada um seguiu caminhos diferentes. Depois de uns anos, o destino voltou a juntá-los novamente, mas dessa vez em Casablanca, que era a rota obrigatória para fugir dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. O único problema era que ela estava casada e por ironia do destino, a ida do seu marido estava nas mãos de Rick, seu antigo amor. Ilse precisava que ele arranjasse passagens para que ela e seu marido pudessem fugir. E em um certo momento do filme Rick nega-lhe ajuda. Ele a amava, e ela também continuava amando-o. E ao perceber que esse amor ainda existia, ela decide fugir com Rick e não com o marido. Mas, na última hora, Rick a convence de que o melhor para ela seria ir com o marido e não com ele. E é neste momento, os dois travam o diálogo mais emocionante do filme onde a frase dessa foto finalmente aparece.
"E nós, Rick?”, Indaga ela, referindo ao fato de Rick ter sugerido dela fugir com o marido e não com ele. “Nós sempre teremos Paris”, ele responde. Ao que me parece, o que Rick quis dizer com isso, foi que apesar de não prosseguirem juntos, a memória do romance que viveram em Paris continuaria acessa pelo resto dos seus dias. Ninguém jamais conseguiria apagar. Sempre haveria Paris para Rick e Ilse. E foi por isso que eu decidir ir morar na França. Talvez eu ainda sonhasse em escutar de alguém “Nós sempre teremos Paris”.


- Rosa? – Claude me chamou, me tirando assim dos meus devaneios. – Você non gosta desse filme? Se quiser posso escolher outro. – Ele sugeriu.
- Não, tudo bem.- Balancei a cabeça negativamente. - Podemos assistir esse. – Concordei. Claude colocou o filme no aparelho de DVD, pegou o controle e logo em seguida sentou-se sobre a cama ao meu lado. Por mais que eu quisesse manter distância dele, isso parecia estar fora do meu controle. Ele percebeu o meu constrangimento sobre o fato de estamos tão próximo e logo sugeriu.
- Cherry, se quiser, posso me sentar na poltrona. – Ele disse já se levantando.
- Não! Fica. – Disparei rapidamente ao segurar uma de suas mãos, o impedindo de sair da cama. Acabei agindo por impulso. Claude sorriu em resposta e logo em seguida acomodou-se ao meu lado. E ficamos os dois juntos sobre a cama assistir ao filme na qual eu simplesmente amava. Tudo parecia tão mágico, tão romântico. Era como se o universo conspirasse ao nosso favor. Primeiro ficamos presos no elevador, depois foi essa viagem com essa chuva nos obrigando a passarmos a noite aqui sozinhos e agora o esse filme na qual eu tinha um significado muito importante para mim. Isso tudo seria apena conseqüência do acaso? Ou seria mesmo o destino? Não trocamos nenhuma palavra até que finalmente chegou à cena na qual eu esperava. Era a cena final, na qual Rick fazia Ilse fugir com o marido e não com ele. Sempre me emocionava nessa parte.
N/A: A cena final do filme.


“E nós Rick?” Perguntou Ilse."Nós sempre teremos Paris” – Eu sussurrei baixinho a frase acompanhando a resposta do Rick. Claude percebeu o quão essa cena mexia comigo e então disparou:
- Você e Ilsa tem algo em comum. – Observou Claude.
- Ilsa e eu? E o que seria? – Perguntei curiosa ao encará-lo.
- Ambas eston presa no passado, mais ao contrario de você, isso non impediu que Ilse deixasse de olhar para o seu futuro. Ela seguiu em frente e você deveria fazer o mesmo. – Indagou Claude, referindo-se ao fato de eu ainda sofrer por ter sido abandonada.
- Você está errado. Não estou presa em passado nenhum. – Disparei na defensiva.
- Você tem que convencer a você mesma disso, e non a mim. – Ele rebateu. Claude estava certo e ele sabia disso. Já fazia cinco longos anos desde o acontecimento. Mais para mim era como se tivesse sido ontem. A dor era a mesma, talvez até maior. – Julio non merece todo esse seu sofrimento. Talvez ele tenha te feito um favor ao non se casar com você. – Ele completou.
- Por que diz isso?
- Por que ele era um cafajeste. – Ele justificou com uma veracidade, como se conhece o Julio.
- Com que direito afirmar isso? – O repreendi. Por mais que eu odiasse Julio. Ele havia me deixado por ter se apaixonado por outra e isso não o tornava um cafajeste ou o tornava? – Você nem o conheceu. – retruquei irritada. Me incomodava esse ar de dono da verdade que o Claude tinha.
- Eu non, mais seu avô sim. E ele nunca foi com a cara do Julio. – Claude se explicou rapidamente. Consegui perceber uma leve alteração no tom de sua voz.
- Meu avô era um ciumento. – rebati.
- Non. Ele era cuidadoso. E isso bem diferente. – Claude me corrigiu.
- Acho melhor dormirmos. – Repliquei rapidamente, tentando mudar o foco da conversa. Claude percebeu que eu não queria fala mais nesse assunto, e ele parecia também não querer mais falar nisso. Então apenas assentiu com a cabeça positivamente.
- Temos um problema. – Comentei.
- O que? – Ele perguntou.
- Só tem uma cama nesse quarto. – Observei. Havia só uma cama e éramos dois.
- Dormirei perto da lareira. – Ele disse ao pegar uns cobertores. Claude pretendia dormir no chão. Eu não poderia permitir isso. Seria desumano da minha parte.
- Está louco Claude? Não vou deixar que você durma no chão. – Ressaltei decidida.
- Enton como resolveremos isso? – Ele perguntou.
- Tenho uma idéia. – Respondi. Peguei todas as almofadas que tinha no quarto e fiz uma barreira no meio da cama. Ele apenas observava a cena com uma expressão divertida no rosto. – Pronto. Você dorme desse lado e eu nesse. E ninguém invade o espaço do outro. – O adverti.
- Tem certeza? – ele arqueou um das sobrancelhas em um gesto apreensivo.
- Tenho. – Respondi. Na verdade eu não tinha certeza de nada. Mas também não poderia permitir tal sacrifício por parte dele.
- Se você insisti. – Ele disse ao deita-se em um dos lados. Ele parecia cansado. E eu fiz o mesmo.
- Boa Noite Rosa. – Me desejou Claude.
- Boa Noite Claude. – Correspondi educadamente.
Dizia Bertrand Russell que temer o amor é temer a vida e os que temem a vida já estão meio mortos. Eu definitivamente temia o amor. Temia me envolver novamente e sair ferida. Julio havia matado metade de minhas ilusões. Havia me feito enxergar o mundo pelo seu lado obscuro. Foram cinco longos anos de solidão e raiva. E eu não culpava só ele por isso, mais também todos ao meu redor. Havia desacreditado nos bons sentimentos. Para mim todas as pessoas eram ruins. E queria continuar a acreditar nisso. Queria permanecer presa a essa solidão, a qual me servia como uma armadura, para me afastar das demais pessoas.


Chances- Five For Fighting (tradução)


Provavelmente, quando tudo estiver decidido
Quem serão os sortudos
Quem irá sobreviver ao percurso todo?
Apesar de você dizer que eu poderia ser a sua resposta
Nada dura para sempre
Não importa como se sinta hoje
Provavelmente encontraremos uma nova equação
As chances rolam para longe de mim
As possibilidades são tudo o que eles esperam ser

Não me interprete mal, eu nunca diria nunca
Porque apesar de o amor poder mudar o tempo
Nenhum ato de Deus pode me afastar de você
Eu sou apenas um homem realista
Uma garrafa cheia de conchas e areia
Com medo de amar além do que eu posso perder quando se trata de você
E embora eu nos leve até o fim, yeah

Provavelmente encontraremos dois destinos
As chances rolam pra longe de mim
Ainda assim chances são mais do que expectativas
As possibilidades
Sobre mim
É uma luta de dois para um
Coloque o seu dinheiro no sol
Até você falhar o que você fez?
Existe uma aposta melhor do que o amor?
Você é apenas o que respira
Você tem que chorar antes de cantar
Chances, chances

Chances perdidas são as páginas da esperança rasgadas
Talvez desta vez
Provavelmente seremos a combinação
As chances vem e me levam
As chances estão esperando para serem tomadas
E eu posso ver
As possibilidades são as fascinações
As chances não vão escapar de mim
As possibilidades são apenas o que fazemos delas
E tudo que de que preciso

O fato de saber que Claude eu dividíamos a mesma cama não me deixou pregar os olhos. E não era por medo dele me atacar no meio da noite, longe de pensar isso do Claude. Mas sim por essa nossa proximidade. Sei que o que eu falarei soará meio estranho, mas eu nos auge dos meus 30 anos ainda era virgem. Nunca havia dividido a cama com nenhum homem, e por essa minha inexperiência, eu não sabia como agir. Tudo era novo para mim.
Sentei-me na cama e fiquei a observar o Claude por uns segundos. Ele parecia um anjo dormindo. Por que o Claude vovô? Por que? Perguntei mentalmente enquanto o observava dormir. Será que tinha alguma explicação lógica para meu avô ter escolhido logo o Claude para ser meu marido?
- Você non consegue dormi? – Perguntou Claude ao abrir os olhos, me pegando de surpresa enquanto eu ainda o observava.
- Na... Não. – respondi envergonhada ao virar rapidamente à cabeça na outra direção tentando disfarçar. Será que ele havia percebido que eu estava olhando-o enquanto dormia?
- Eu também non. – Ele confessou ao sentar-se na cama. Eu apenas sorri sem graça. O que eu mais queria era que essa noite acabasse logo. – Então por que não conversamos um pouco, já que ambos estamos sem sono? – ele sugeriu.
- Unhum! – Assenti timidamente com a cabeça, concordo com a sugestão. Segundos depois fomos interrompidos pelo celular do Claude que começou a chamar insistentemente. Ele deu uma leve olhada no numero e desligou o aparelho em seguida. Parecia não querer atender, pelo menos não na minha frente. Sua expressão parecia ter mudado radicalmente da água para o vinho. – Quem era? – Perguntei curiosa. Mais já o conhecendo, como eu o conhecia, tinha certeza que ele não me responderia.
- O Frazon. – Ele respondeu nada convincente ao se levantar da cama. – Volto já. – Ele disse já com menção de sair do quarto. Dessa vez eu não ia deixá-lo fugir. Fui mais rápida e fiquei na frente da porta impedindo sua passagem.
- Dessa vez você não vai sair sem me dar uma explicação. – Disparei seriamente.
- De que explicaçon você esta falando? – Ele fingiu não saber do que eu me referia.
- Claude, chega dessa palhaçada. Sei muito bem que não era o Frazão nesse celular. Exijo explicações agora. Não só dessa ligação, mais também sobre o fato de você visitar o túmulo dos meus pais mais de uma vez por ano. O que significa tudo isso? – Perguntei, colocando-o contra a parede. Ele não me respondeu nada, e ficou me encarando por uns segundos. – Vai ficar parado aí em silencio? – Insisti. Claude já ia começar a falar algo quando fomos interrompidos novamente. Mas dessa vez era o meu celular que estava chamando. Percebi o quão nervoso Claude ficou o constatar isso. Ele correu rapidamente para onde estava minha bolsa, pegando meu celular antes de mim.
- Claude, não sei se percebeu, mais esse celular é o meu. – Esbravejei irritada. Ele me ignorou e desligou o meu celular. – Está louco? Por que não me deixou atender?
- Non era ninguém. – Ele respondeu secamente. Claude parecia atordoado.
- Como assim não era ninguém? Claude me devolve esse celular agora. – Exigi ao ir para cima dele tentando pegar meu celular de suas mãos. Mais foi em vão. Claude segurou firmemente meus punhos para que eu não conseguisse tomar o celular dele e assim me deixando imóvel.
- Rosa! Pára com isso. – Ele me fez encará-lo. - Confia em mim. Non era ninguém com quem você devesse falar. – Ele disse ao tentar inutilmente me acalmar.
- Ninguém que eu devesse falar? Desde quando você escolhe com que falo? Me solta Claude. – Esbravejei. Ele ainda segurava meus punhos. Claude me soltou delicadamente. Respirei fundo e voltei a encará-lo seriamente. – O que é tudo isso Claude? – Supliquei por resposta. Resposta que ele não me dava. – Quem era que estava me ligando?
- Ninguém. – Ele insistia nessa palhaçada.
- Como ninguém? Se não fosse ninguém, meu celular não tinha chamado. – Rebati irônica. Claude ignorou meu comentário e foi até a janela e jogou meu celular de lá.
- Ficou louco? – Gritei ao correr rapidamente para onde ele estava. – Por que jogou meu celular pela janela? Sabe quanto custou esse aparelho?
- Non tem problema. Te dou outro de presente. – Ele respondeu. Como se a questão fosse só essa.
- Não quero outro. Quero esse. Com que direito você faz isso?
- Tudo seria ton mais fácil se você com fiasse em mim. – Ele replicou, rispidamente.
- Tudo seria tão mais fácil se você pelo menos me desse motivos para confiar em você. – Rebati em um tom sarcástico. Ele me exigia confiança, mas a única coisa que conseguia era me deixar mais desconfiada ainda dele. Segundos depois alguém bate na porta. O ignorei e fui ver de quem se tratava. Era uma camareira da pousada.
- Desculpa incomodar a senhora há essa hora. Mais é que deixaram isso para vocês na portaria. E disseram que tinha que ser entregue agora. Espero que não tenha acordado vocês. – Ela disse envergonhada, ao me entregar um vinho e um bilhete e saindo logo em seguida. Claude rapidamente se apressou em minha direção. Acho que ele não queria que eu lesse o bilhete. Mas antes que ele pudesse me impedir, eu abri o bilhete e li o que estava escrito.
“Mando esse vinho como um presente de casamento. E espero que você tenha gostado também do vestido.Rosa.”
- Presente de casamento? Como assim? Claude alguém saber desse nosso casamento fora a gente? – Perguntei confusa ao encará-lo seriamente. A expressão do rosto dele era indecifrável. Parecia uma mistura de angustia, medo e raiva. Ele engoliu seco. – Claude!- Voltei a chamá-lo.
- De que vestido esse bilhete fala, Rosa? – Ele perguntou autoritário.
- Não sei. O único vestido que ganhei esses dias foi o que tu me deu para usar no casamento. – Respondi calmamente.
- Que eu te dei? Como assim? Non te dei vestido nenhum. – Ele afirmou. Claude estava confuso.
- Não? Pois me mandaram um vestido para eu usar no casamento. Pensei que tivesse sido você. – Eu expliquei. Percebi que Claude se esforçava para manter a calma. – Isso está muito estranho. Claude quem foi que mandou esse vinho e o vestido? – Supliquei por respostas, nas quais eu não tive. Ele saiu do quarto sem falar uma palavra. Parecia que a situação piorava cada vez mais. Era mais do que eu podia suportar. Esperei o Claude voltar para esclarecer as coisas. Passaram-se 15 minutos e nada dele retornar. Já estava cansada de toda essa situação. Para tentar me acalmar um pouco, abri o vinho que haviam mandado e comecei a beber. Já que haviam mandado mesmo né? O ruim do vinho é que quando você bebe, você não sente a diferença. Você só vai perceber que está bêbada quando tentar se levantar e não conseguir. E foi isso que aconteceu comigo. Já passava das duas da madrugada quando Claude resolveu dar as caras. Ele levou susto ao me encontrar sentada ao lado da lareira com a garrafa do vinho quase vazia do meu lado.
- Ficou maluca? Hãn? Você bebeu tudo isso? – Claude se aproximou de mim e pegou a garrafa quase vazia do vinho.
- Não é da sua conta. – Retruquei irritada.
- Tudo isso é para chamar atençon?
- E de quem eu chamaria a atenção? A sua? Não me faça rir. – Disparei irônica. Tentei me levantar, mas fui quase de encontro ao chão, se não fosse o Claude que me aparou a tempo, me impedindo de cair.
- Bebeu tanto, que nem consegue ficar de pé. – Disse Claude com um tom sarcástico na voz, ao me ajudar a chegar até a cama.
- Claude você não tem nada haver com a minha vida. – O repreendi.
- Somos casados agora, esqueceu?
- Pois bem, se somos casados,  que tal me dizer de onde está vindo? – Exigi explicações. Mas como sempre, ele desconversou.
- Acho melhor dormirmos. Vamos sair bem cedinho amanhã. – Ele disse, ignorando minha pergunta de segundos antes. Respirei fundo. Precisava manter a calma para não voar no pescoço desse francesinho de quinta.
- Concordo. Mas você vai dormir no chão. – Resmunguei, jogando-lhe as almofadas e um cobertor em sua direção.
- Por mim tudo bem. – Claude respondeu indiferente. E sinceramente? Bem feito para ele. Eu tento ser compreensiva ao máximo. E o que ganho em troca? NADA! Claude não merecia minha compreensão e minhas gentilezas. Então que ele durma no chão frio e duro. Só assim me sentirei vingada pelo meu celular que ele fez o favor de jogar pela janela. A noite finalmente passou. A pousada que estávamos hospedados era cercada por muito verde. Acordei com o barulho dos pássaros na janela. Ao me espreguiçar na cama, dei uma leve conferida ao redor do quarto. Claude não estava. Que novidade isso não? Ele sempre desaparecia. - Ai que dor de cabeça!!!- Resmunguei. Beber sozinha aquela garrafa de vinho não tinha sido uma boa idéia. Até o cantar dos pássaros estava me incomodando, tamanha era minha ressaca. No caminho do banheiro, encontrei sobre a cômoda um copo d’água e um comprimido e com ele um bilhete.
“Tome isso. Vai te ajudar com a RESSACA. E depois desça para tomar o café da manhã.”
- Tome isso? Quem ele pensa que é para me dar ordens? E para que destacar a palavra ressaca? Não sei se foi impressão minha, mas sentir um certo ar de reprovação nesse bilhete. Como se ele tivesse o direito de me repreender por alguma coisa. E essas gentilezas dele não me convenciam. 15 minutos depois desci para tomar o café da manhã. E adivinhem? Encontrei Claude falando misteriosamente no celular. Assim que me avistou, ele deu um discreto aceno em minha direção. Eu lógico, fingi que não o vi. Ao terminar de falar, ele veio até a mesa em que eu estava e sentou-se logo ao meu lado.
- Rosa, assim que terminar seu café da manhã iremos pegar a estrada, tudo bem para você? – Ele perguntou calmamente, como se nada tivesse acontecido nessa madrugada. Essa facilidade dele de fingir naturalidade em certas ocasiões me irritava. Fingi que não o escutei e continuei a comer.
- Vou entender esse silêncio como um sim. – Ele comentou ao se levantar da mesa.
O que há por trás do Claude? Que mistério é esse que ele me esconde? Quem estava me ligando ontem à noite? E pior, quem me mandou o vestido de noiva e o vinho como presente de casamento? São tantas perguntas, sem respostas. Perguntas que estavam me deixando louca. Claude poderia até tentar me esconder algo, mais não conseguiria isso por muito tempo. Decidi investigar por conta própria tudo que aconteceu depois que fui embora para França. E como ponto de partida, eu tinha que descobrir como Claude e o vovô se conheceram. E isso não seria fácil.
- Podemos ir? – Perguntou Claude. Já estávamos no quarto. Tínhamos terminado de tomar o café da manhã. Voltei a não responder. Claude revirou os olhos em um gesto impaciente.
- Oh mon dieu! Você está parecendo uma criança mimada, fazendo birra. – Disparou ele levemente incomodado com a minha frieza.
- Antes um criança mimada, do que um criminoso. – Rebati irônica. Pela expressão que o Claude fez, percebi que eu não tinha sido feliz na escolha das palavras.
- Você acha mesmo que eu sou um criminoso? – Ele perguntou seriamente ao se aproximar de mim, me obrigando a encará-lo.
- Se eu acho?- Dei uma risada debochada e depois completei. - Tenho certeza disso. – Confirmei. Dei as costas para ele. Não me agradava olhá-lo nos olhos. Sentia-me intimidada. Sei que peguei pesado ao falar isso. Mas o que Claude queria que eu pensasse dele ao vê-lo agindo de uma forma tão misteriosa?
- Pois bem, non quero que você ande com um criminoso. Volte de ônibus para São Paulo. – Ele retrucou levemente sentido ao sair do quarto.
- Pois eu prefiro voltar de ônibus mesmo. – Rebati.
Ele não teria coragem de ir e me deixar sozinha aqui. Teria? Corri rapidamente para o estacionamento atrás dele. Claude já estava dentro do carro, pronto para dá a partida. Será que ele estava falando sério? Ele não ousaria me deixar aqui. Corri até o carro. Assim que me avistou, Claude abaixou o vidro da janela. Sua expressão ainda era tensa.
- Entra no carro. – Ordenou ele. Não gostei do tom autoritário de sua voz. Mas não convinha reclamar. Não nesse momento. Minha cota de agressões verbais já tinha terminado por hoje. Fomos o caminho todo em silêncio. Claude parecia realmente magoado. Tenho que aprender a pensar antes de falar. Não fui justa ao chamá-lo de criminoso sem provas. Depois de horas de um silêncio instigante, finalmente havíamos chegamos a São Paulo. Precisamente em casa. Rodrigo, que era o motorista do meu avô, aproximou-se rapidamente do carro assim que Claude estacionou e fez gentileza de abrir porta do carro para mim.
- Obrigada Rodrigo. – Agradeci educadamente, ao descer do carro.
- De nada, Dona Rosa.
Entrei na casa sem esperar por Claude. Depois de ontem, não queria vê-lo tão cedo. Resolvi ir imediatamente para meu quarto. Mais Dadi me parou no meio do caminho, atrás de novidades sobre a viagem.
- Como foi à viagem, Dona Rosa? Gostou? – Ela perguntou animada.
- Odiei. – Disparei irritada e continuei a caminhar em direção do meu quarto, ignorando todos os demais que estavam perto de mim. Esse é um dos meus defeitos, quando me irrito, acabo descontando em quem não tem nada haver com isso. Tomei um longo e relaxante banho. Precisava me acalmar para pensar como eu começaria minhas investigações. Escutei alguém batendo na porta do meu quarto.
- Posso entrar?
- Entra Dadi! – Respondi, ao reconhecer a voz dela. Dadi entrou um pouco desconfiada. Acho que temia que eu ainda gritasse com ela. Eu precisava me desculpar. Não gostava que as pessoas sentissem medo de mim. – Dadi queria pedir desculpas por agora a pouco. É que eu não estou nos meus melhores dias. – Me justifiquei. Ela logo abriu um sorriso em resposta.
- Tudo bem, dona Rosa! Desculpa incomodá-la, sei que está cansada. Mas é que o Dr Frazão está lá embaixo a sua espera. – Ela me comunicou.
- O Frazão? E o que ele quer? – Perguntei
- Falar com a senhora e o Dr Claudes. – Ela respondeu.
- Tudo bem. Diz para ele que já desço.
E agora, o que é que o Frazão queria? Tomara que ele não me venha com mais surpresas. Ser obrigada a casar com aquele francês já foi demais para mim. Desci para o escritório onde Frazão e Claude me esperavam.
- Ora, ora! Os amigos estão jogando conversa fora enquanto me esperam é? – Disparei ao entrar na sala e encontrá-los conversando animadamente. Eles realmente pareciam muito próximos. Será que eu deveria mesmo confiar no Frazão? Mas do que amigos, eles me pareciam cúmplices. E isso não era bom.
- Dona Rosa! Não a vi chegar. Venha, senta-se aqui. – Disse Frazão educadamente, ao puxar uma cadeira para mim.
- Obrigada! – Respondi ao me sentar na cadeira. Ignorei totalmente a presença do Claude na sala. – Então? Sobre o que você quer falar, Frazão?
- Então, Dona Rosa, já que a senhora e o Claude já cumpriram uma das cláusulas do testamento, sinto informar que tem outros pequenos detalhes a serem esclarecidos. – Disse Frazão enquanto pegava uns envelopes de dentro de sua mala.
- QUE!!!!!- Exclamei irritada. - O que é dessa vez? – Perguntei já impaciente.
- O primeiro passo para vocês receberem a herança já foi cumprido. Vocês já estão casados. Agora para ter posse de verdade da herança, vocês ainda terão que ficar o mínimo seis meses casados. – Disse Frazão ao nos entregar uns envelopes. Dentro de cada envelopes havia 10 mil reais.
- Mas isso você já tinha dito. E para que esse dinheiro? – Perguntei confusa.
- Já disse, mas não esclareci tudo. Esse envelope que acabei de entregar a cada um de vocês tem 10 mil reais. E será só essa quantia que vocês receberão por mês durante esse período que passarem casados.
- Como assim? Ainda não consegui entender, Frazão. – Retruquei ainda mais confusa. Parecia que ele falava grego.
- Vou explicar, Dona Rosa. Todas as contas de bancos do seu avô estão bloqueadas. Vocês só poderão mexer nelas depois desse tempo mínimo que terão que ficar casados. Cada um de vocês terá direito a apenas 10 mil reais por mês desse dinheiro. – Explicou Frazão
- Está brincando né? – Eu dei uma leve risada de nervoso. Não dava para acreditar nisso tudo. Meu avô não faria isso.
- Desculpa, Dona Rosa. Mas são ordens restritas do seu falecido avô. – Respondeu Frazão.
- Mas meu avô me dava o triplo disso por mês de mesada. – Argumentei.
- Eu sei disso Dona Rosa. Mas agora é outra historia. Essas são regras que seu avô impôs, e que a senhora será obrigada a cumpri caso queira receber a herança. – Disse Frazão. Claude permanecia calado.
- Se o dinheiro está bloqueando. Quem pagará as contas dessa casa, dos empregados? – Perguntei receosa.
- Dona Rosa, o Claude e a senhora terão que viver com 20 mil reais por mês e terão que entrar num acordo como casal para pagar as contas da casa e os salários dos empregados. – Frazão voltou a explicar. Era só o que me faltava.
- Mas esse dinheiro não vai dar. – Disparei irritada.
- Bom, o Claude além dos 10 mil reais, ainda recebe o salário de presidente na construtora do seu avô. Acho que se vocês entrarem num acordo, poderão viver confortavelmente bem com esse dinheiro.
- Salário? Quer dizer que alem desses 10 mil ele terá direito a um salário?
- Eu trabalho na construtora. Mais do que justo receber pelos meus serviços non acha, Dona Rosa? – Rebateu Claude ironicamente. Fingi que não o escutei.
- E quanto esse senhor recebe de salário? – Perguntei curiosa.
- Desculpa, Dona Rosa. Mais isso não posso falar. Se quiser saber, tem que peguntar diretamente para o Claude. E ele está ao seu lado. – Respondeu Frazão.
- Não, obrigada. Não estou falando com ele. Com licença. – Disse ao me retirar da sala.
- Espera, Dona Rosa. Tem mais uma coisa. – Disse Frazão me impedindo de sair.
- A não! Mais? O que é dessa vez?
- Dessa vez é sobre a construtora.
- O que é? Vai dizer que ela está com problema financeiro? – Disparei iônica.
- Ainda não. Mas... – Disse Frazão antes de ser interrompido.
- Ainda non? O que você quer dizer com isso Frazon? – Agora foi à vez de o Claude interrogar Frazão. Até então ele ainda não havia se manifestado.
- Claude, como você já sabe, contamos com o investimento de 10 milhões de dólares de um empresário americano para o projeto das casas populares. Só que aconteceu um imprevisto, que pode levar à falência a empresa. – Explicou Frazão.
- Non estou entendendo Frazon. Esses 10 milhões já estão garantidos non? Seu Geovanni mesmo me disse.
- Indagou Claude.
- Estavam. Mas o Mr Smith ficou sabendo da morte do Seu Geovanni. E agora como você ficou responsável pela construtora, o americano e sua esposa Misses Smith, querem te conhecer Claude.
- Mas isso tem algum problema deles conhecerem o Claude? – Perguntei.
- Não Rosa. O problema é que infelizmente esses americanos já sabem que o Claude se casou, e querem vir ao Brasil para conhecer não só o ele, mas também a sua esposa, que no caso é a senhora. – Respondeu Frazão apontado para mim, ao falar a palavra esposa.
- Descobriram? Como? – Perguntei assustada. – Pensei que só nós sabíamos desse casamento. - Retruquei. Percebi que Claude e Frazão se entreolharam, após minhas palavras. – Estou esperando uma resposta.
- Não sabemos Dona Rosa. A questão é que, eles não podem descobrir que esse casamento não passa de um contrato.
- E por que não?
- Por que a esposa desse americano é muito rigorosa quando o assunto é casamento. E se ela descobre que essa união de vocês é estritamente comercial, ela desisti na hora de investir os 10 milhões. E a dona do dinheiro na verdade é ela e não o Mr Smith. – Disse Frazão, com um tom preocupado na voz.
- E o que você quer que eu faça?
- Bom! Os americanos estão chegando dentro de uma semana, e seria bom que na estadia deles aqui no Brasil vocês pudessem fingir que estão realmente casados. – Respondeu Frazão.
- Peraí! O que você quis dizer com fingir que estamos realmente casados?
- Que na frente deles vocês evitem brigarem, se matarem, se xingarem. Peguem na mão um do outro. Dêem beijinhos e... – Interrompi bruscamente Frazão.
- E nada. Nunca, e nem em um milhão de anos, eu vou fazer isso. Me humilhar a essa ponto por 10 milhões de dólares? Nunca mesmo. Meu avô tem mais dinheiro do que isso. Para que precisamos chegar a esse ponto?
- Por que o dinheiro do seu avô está bloqueado, e teríamos que esperar seis meses para voltar a movimentar a conta dele. E esse projeto não pode esperar todo esse tempo. – Frazão explicou.
- Querem saber o que eu realmente penso sobre isso tudo?
- Claro, Dona Rosa. – Disse Frazão agora atento.
- Pois bem! Quero que essa construtora se exploda. Não vou me submeter a isso. Meu avô tem dinheiro suficiente para eu não depender dessa construtora. Pois que ela vá à falência. – disparei. Ao ouvi minhas palavras, Claude se levantou rapidamente da cadeira que instantes antes estava sentando e saiu do escritório em passos largos, batendo a porta fortemente em seguida. – O que deu nele? - Perguntei assustada ao encarar o Frazão.
- Não sei. – Ele deu de ombro. - Dona Rosa, tenho que ir agora. Peço que pense com calma em tudo que eu falei. – Disse Frazão ao se despedir de mim. O acompanhei até a saída.
- Pensarei. – Respondi, com um forçado sorriso. Pois para mim, não tinha nada em que pensar. A minha decisão já tinha sido tomada.
O que será que deu no Claude? Ficou chateado só por que eu falei aquilo? Tudo isso era o medo de ficar desempregado? Com o que ele receberia da herança, ele não precisaria trabalhar por muito tempo. Quer dizer, nem trabalhar mais ele precisaria.
- Precisa de alguma coisa, Dona Rosa? – Disse Dadi ao se aproximar de mim.
- Não Dadi, obrigada!- Respondi. Mas antes que ela pudesse voltar para a conzinha, resolvi perguntar do Claude para ela.
- E o Claude? Sabe onde ele está?- Perguntei, fingindo desinteresse.
- Dona Rosa, ele pegou a chave do carro e saiu. – Respondeu Dadi.
- Sabe para onde ele foi? – Voltei a perguntar.
- Não! Ele não me disse.
- Tudo bem, Dadi. Pode ir. – A dispensei.
Claude não estava em casa. Essa era a oportunidade que eu estava esperando. Ia começar minhas investigações agora. Iria aproveitar que ele havia saído, para ir ao quarto dele, e quem sabe assim, encontrar algo que possa me ajudar a saciar essa minha sede por informações.


Via Tennessee – Daughtry (tradução)

Eu abro meus pulmões
para respirar na bondade e amor
Me assombrando agora,
lembrando como eu costumava ser
E nesse caminho,
os problemas da vida sem duvida nos perseguem
Olhando pela janela
lá fora o sofrimento,mesmo que eu saiba onde eu quero ir
Então eu quero somente dirigir...

No meu caminho a L.A.,
olhando no retrovisor,
como os caminhos desbotam ao longe
Eu tenho jurado distante do meu passado,
a primeira á última chamada ruim,
que eu sempre farei
E me conte como fazer certo,
todos os erros que eu tenho aprendido
Então isso pode terminar hoje a noite
Via Tennessee apenas muda minha mente,
bem, isso é meu coração querendo seguir neste momento
Quem teria sabido,
que orgulho é tão difícil de engolir
E como me apoio na direção,
de um caminho reservado
Com o problema que eu possuo
então eu quero somente dirigir
No meu caminho a L.A.,
olhando no retrovisor,
como os caminhos desbotam ao longe
Eu tenho jurado distante do meu passado,
a primeira á última chamada ruim,
que eu sempre farei
E me conte como fazer certo,
todos os erros que eu tenho aprendido
Então isso pode terminar hoje a noite
Via Tennessee apenas mudou a minha mente,
Bom, eu vou seguir o meu coração desta vez.

Eu sei eu devo estar fazendo alguma coisa certa
Em direção a outro caminho,
voltar de onde comecei
Peço a mim mesmo poder mudar tudo tudo ao meu redor hoje a noite
E parar de viver com dúvidas
Yeah, Yeah...

No meu caminho a L.A.,
olhando no retrovisor,
como os caminhos desbotam ao longe
Eu tenho jurado distante do meu passado
a primeira até última chamada ruim,
Que eu fiz.
E me conte como fazer certo
Todos os erros que eu tenho aprendido
Então isso pode terminar hoje a noite.
Via Tennessee apenas mudou a minha mente,
Bom, eu vou seguir o meu coração desta vez.

Eu tenho jurado distante do meu passado
a primeira á última chamada ruim,
que eu sempre farei
(Bem, seguirei meu coração desta vez...)

N/A: Espero que gostem desse capitulo. Desculpa a demora. =)
Ps: Sugiro que assistam a esse filme. “Casablanca” Muito lindo ele.
E entre na comunidade dessa fic. =)
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=105637756
Meu twitter: https://twitter.com/Geovanna_Mag
Até o proximo capitulo. =)

domingo, 19 de setembro de 2010

Fic: Love Contrat - Autora: Sakuraxjapan (Geovanna) - Capítulo 5


- Não é nada disso que vocês estão pensando. – Disparei rapidamente, tentando cortar quaisquer pensamentos maldosos que os dois funcionários e ao Frazão pudessem chegar a terem após presenciarem a tal cena constrangedora entre Claude e eu de instantes antes.
- Calma Rosa. Não estamos pensando em nada. – Disse Frazão com um sorriso cínico no rosto. É obvio que pela expressão dele, Frazão estava pensando sim no que não devia. Suspirei fundo. Ajeitei meu vestido que estava todo amassado e sai no elevador com a cabeça erguida, como se eu não me importasse em ser o centro das atenções.
- Rosa, espera! – Claude me chamou, se aproximando rapidamente de mim. Queria ignorá-lo, deixá-lo falando sozinho como eu sempre fazia. Mais a situação agora era diferente. Tive meu minuto de loucura e não poderia simplesmente fugir das conseqüências.
- O que foi Claude? – Perguntei me virando para encará-lo. Tentei ao máximo agir naturalmente. Não sei o que me fez querer beijá-lo. Mais tenho que confessar que eu gostei. Havia imposto uma regra proibindo qualquer tipo de contanto físico entre nós. E acabei sendo eu a quebrar essa regra.
- Desculpa. – Ele murmurou ao se aproximar mais ainda de mim, para que só eu pudesse ouvi-lo.
- Pelo que? – perguntei confusa. Ele não tinha motivo para se desculpar. Eu que havia o beijado e não o contrário. Claude não me respondeu. Apenas me guiou para longe dos olhares curiosos que as pessoas que nos observavam tinham desde que saímos do elevador. Ele me levou para uma varanda do andar que estávamos. A visão era linda. Já tinha anoitecido por completo. Percebi que Claude estava tenso.
- Pelo que se desculpou? Se foi eu que te beijei. – insisti em saber o que estava acontecendo.
- Você non pode se apaixonar por mim. – Ele confessou entre os dentes. O tom de sua voz soou preocupado. Como ele poderia ter tanta certeza que eu estava me apaixonando por ele?
- Não me faça rir. – Tentei indiferença. Ele continuou sério.
- Lembra da ultima regra do contrato que você me fez assinar? – ele perguntou.
- Claro que eu lembro. Por quê? - Por que é nessa regra que nos proibi de nos apaixonarmos um pelo outro e quero que essa regra siga intacta até o final desse casamento. – ele respondeu convicto. Claude parecia ter certeza que nos apaixonaríamos, mais do que certeza ele demonstrava medo. Mais o porquê desse medo?
- E por que não podemos nos apaixonar? – perguntei confusa.
- Não que eu esteja dizendo que isso possa acontecer. – completei rapidamente, para que ele não me interpretasse mal. Claude suspirou. Percebi que queria falar algo, mas hesitou.
– Por que você nunca responde o que eu te pergunto? – insisti.
- Non sou o homem certo para você. – Ele disparou num único suspiro.
- E eu nunca disse o contrario. Não gosto de você Claude. Não te suporto. - Me esforcei para que esse meu comentário soasse convincente. Já fazia um tempinho que a presença dele não incomodava tanto como antes. E ele estava começando a perceber isso. Mas também um beijo não significava que eu estava morrendo de amores por ele.
- Pois continue a non me suportar. Será o melhor para nós. – Ele replicou me dando as costas com a menção de sair. Mais fui mais rápida e o segurei por um dos seus braços o impedindo de continuar a andar. - O que você esconde Claude? - O tom da minha voz soou firme. Já estava cansada dele sempre falar comigo por partes. Ele não me respondeu. Nessa hora foi à vez dele de me ignorar. Claude se soltou de mim e saiu sem falar nada. Ele sempre fugia quando eu o colocava contra a parede. O que de tão grave ele me escondia? Será que ele não percebia que agindo assim ele só me assustava? Claude havia ido embora. Eu voltei para o restaurante. Frazão continuou a me fazer companhia. Eu havia bebido uma garrafa de champanhe praticamente sozinha. O gerente do restaurante havia me dado de cortesia em compensação pelo estresse que eu havia passado em ficar presa no elevador. Nunca fui de beber, mas também nunca fui tão fraca ao ponto de me embriagar com apenas uma garrafa de champanhe. O álcool acabou fazendo efeito mais rápido do que devia por causa do calmante que eu havia tomado antes do casamento. Então Frazão teve de me carregar para casa. Eu havia praticamente desmaiado no carro dele. Só acordei no dia seguinte com uma baita dor de cabeça e com a Dadi batendo insistentemente na porta do meu quarto.
- Dona Rosa posso entrar? – Perguntou Dadi. Não respondi. Estava cansada demais. Fingi não escutá-la e me cobri ainda mais com o meu cobertor. Dadi entrou mesmo sem minha autorização. E em seguida abriu as cortina das janelas deixando a claridade entrar no meu quarto rapidamente. Suspirei. Não dava mais para dormir. Então me sentei na cama e peguei o despertador para ver as horas.
- Dadi sabe que hora são agora? - Exclamei irritada assim que constatei as horas. Não era nem sete horas da manhã ainda. Para que ela estava me acordando tão cedo assim?
- Desculpa Dona Rosa, mas foi ordem do Doutor Claudes. – Ela se justiçou. Quer dizer que mal tínhamos nos casado e ele já estava agindo como o “dono” da casa.
- Pois saiba você que a sua patroa sou eu. Quem te dá ordens sou eu e não aquele francês. – A repreendi. Ela apenas assentiu sem graça com a cabeça.
- Non briga com ela Rosa. A culpa foi minha. – Ressoou um voz vindo da entrada do meu quarto. Era o Claude.
- E o que você quer a essa hora no meu quarto? – Indaguei irritada. Ele se aproximou de mim e me entregou um copo de água e um comprimido.
- O que é isso? – Perguntei.
- Um remédio para ressaca. Depois do que bebeu ontem creio que non esteja bem. – Ele ressaltou, insinuando minha leve bebedeira de ontem à noite. E para falar a verdade Claude tinha toda razão. Minha cabeça estava a ponto de explodir. Então acabei me rendendo a sua gentileza e aceitei o comprimido que ele havia me oferecido.
- Por que me acordou tão cedo? – O questionei.
- Tenho planos para nós agora. – Ele se explicou.
- Planos? Que planos? – Perguntei receosa. Ele deu um sorriso torto e começou a falar.
- Vamos fazer uma pequena viagem.
- Viagem? Que viagem? Para onde? – Perguntei rapidamente. Como pode ter passado pela cabeça dele de viajarmos juntos. Ele estava bem querendo ter uma viagem de lua de mel é? Nem em um milhão de anos.
- Não pense besteira cherry. – Ele interrompeu meus pensamentos, como se soubesse no que eu tinha pensado e prosseguiu.
- Iremos para Águas da Prata. - É lá que...- Que seus pais eston enterrados. - Ele completou.
- Hoje é o aniversário de morte deles. E seu avô e eu sempre íamos visitá-los nessa época. – Ele respondeu. Hoje fazia mais um ano de morte dos meus pais. Nem me lembrava. Antes de ir embora do Brasil era eu quem acompanhava meu avô a Águas da Prata para visitar o tumulo dos meus pais. Mais depois que fui abandonada, é como se eu tivesse me desligado de tudo que me importava aqui no Brasil. Fui abandonada por quem amava e em conseqüência disso acabei abandonando quem eu própria amava.
- Iremos só nos dois? - Perguntei receosa. - Sim. Mais voltaremos ainda hoje. Antes do anoitecer. – Ele respondeu. Respirei fundo e assenti com a cabeça concordando com tudo isso. Não queria viajar sozinha com ele depois do que aconteceu ontem à noite. Mais eu queria visitar meus pais, estava com saudades. Águas da Prata é a cidade onde eles cresceram e onde foram enterrados. Minha família tinha uma certa ligação com essa pequena cidade. Pode parecer meio ridículo o que eu vou falar, mais sempre sonhei em passar meus primeiros dias de casada lá. Dizia para o Julio, que antes da nossa viagem de lua de mel eu queria ir primeiro para Águas da Prata. Ele sempre achou isso ridículo. E agora por ironia do destino esse meu pensamento irá se concretizar de uma forma indireta. Pois queira eu ou não, hoje não deixa de ser o meu primeiro dia de casada. E para onde estou indo com o Claude? Para Águas da Prata.


Em meia hora eu já estava pronta para viajar com ele. Claude iria dirigindo.
- Já está pronta cherry? – Claude perguntou surpreso assim que me viu descer as escadas.
- Sim por quê? Não era para estar?
- Pedi que Dadi te acordasse bem cedo, por que acreditei que você precisaria de no mínimo umas duas horas para se arrumar. – Ele se explicou sem graça.
- Que exagero. – Resmunguei, revirando os olhos. Ele deu apenas um sorriso em resposta.
-Então vamos?
- Sim. – Respondi. E fomos para frente da casa, o carro já estava a nossa espera. E adivinhem? Antes que eu tivesse a menção de abrir a porta do carro, Claude já tinha feito por mim. - Pode entrar Cherry. – Ele disse apontando para dentro do carro. Revirei os olhos e foi o que eu fiz. Claude foi para o banco do motorista. Antes de começar a dirigir ele colocou uma musica para tocar. Como se fosse à trilha sonora de nossa primeira viagem juntos.

Nunca Vai Estar Sozinha (tradução)

O tempo está passando
Muito mais rápido do que eu
E eu estou começando a me arrepender de não passá-lo com você
Agora eu estou imaginando porque deixei isso preso dentro de mim
Então, estou começando a me arrepender de não ter dito tudo para você
Então, se eu ainda não o fiz, tenho que deixar você saber

Você nunca vai estar sozinha
De agora em diante
Mesmo que você pense em desistir
Não vou deixá-la cair
Você nunca vai estar sozinha
Vou te abraçar até a dor passar
E agora, enquanto eu puder
Estarei te segurando com ambas as mãos
Pois sempre acreditei
Que não há nada que eu precise a não ser você
Então, se eu ainda não o fiz,
Tenho que deixar você saber
Você nunca vai estar sozinha
De agora em diante
Mesmo que você pense em desistir
Não vou deixá-la cair
Quando toda a esperança tiver desaparecido

Eu sei que você pode continuar
Vamos ver o mundo sozinhos
Vou te abraçar até a dor passar
Você tem que viver cada dia
Como se fosse o únicoE se o amanhã nunca chegar?
Não o deixe escapar, poderia ser a nosso único dia
Você sabe que apenas começou
Cada dia, pode ser nosso únicoE se o amanhã nunca chegar?
Amanhã nunca vai chegar?
O tempo, está passando
Muito mais rápido do que eu
Estou começando a me arrepender de não ter dito tudo para você
Você nunca vai estar sozinha
De agora em diante
Mesmo que você pense em desistir
Não vou deixá-la cair
Quando toda a esperança se for
Eu sei que você pode continuar
Vamos ver o mundo sozinhos
Vou te abraçar até a dor passar
Eu estarei lá de qualquer forma
Não vou desperdiçar mais nenhum dia
Eu estarei lá de qualquer forma
Não vou desperdiçar mais nenhum dia

Não sei o que está acontecendo comigo. Sinto que estou me deixando envolver mais do que devia em toda essa historia. Que a barreira que eu demorei cinco anos para construir em volta do meu coração está começando a desmoronar vagarosamente pelas pequenas atitudes do Claude. O meu avô sempre foi muito astuto. Acho que já havia previsto isto. Claude é o tipo de homem apaixonável. Mais eu não posso e nem quero me envolver novamente. Já sofri o suficiente no passado. Mas a imagem do beijo de ontem a noite no elevador parecia não querer mais sair da minha cabeça. É como se fosse um DVD arranhado que insistia em não sair da mesma cena. Quanto mais eu tentava não pensar nisso, mais eu pensava. Queria entender o porquê do Claude ter me proibido de me apaixonar por ele. Por que ele havia me dito que não era o homem certo para mim? Perguntas, perguntas e mais perguntas. E nenhuma resposta. Queria colocá-lo contra a parede e obrigá-lo a me esclarecer tudo isso. Mais sinto que ainda não é o momento certo para fazer isso. Nossa viagem estava sendo tranqüila. Claude estava calado. Mal nos falávamos. A música era a única a quebrar o silêncio que a falta de nossas palavras ocasionava. Já estávamos na metade do caminho quando senti vontade de ir ao banheiro.
- Claude você pode parar na próxima parada? – Perguntei meio envergonhada.
- Banheiro? – Ele olhou para mim e perguntou.
- Sim. – Respondi sem graça.
Não demorou nem 10 minutos até Claude parar o carro em um posto de gasolina. Eu desci e fui até banheiro. Não era o mais limpo que eu já tinha usado, mas estava tão apertada que nem liguei para isso. Quando voltava para o carro, percebi que Claude conversava com um caminhoneiro.
- Já voltou cherry. – Disse Claude assim que me aproximei dele.
- Algum problema? – Perguntei curiosa. Claude parecia preocupado.
- Non. É que esse senhor acabou de me dizer que está previsto uma tempestade lá para o lado de Águas da Prata. – Respondeu Claude receoso.
- Sério? Então devemos voltar? – Perguntei.
- Non. Se já estamos aqui, vamos prosseguir. – Respondeu Claude confiante.
E também já estávamos na metade do caminho. Não tinha cabimento voltarmos. Então retornamos para a estrada.Continuamos a viagem calados, sem proferir sequer uma palavra. Parecia que não tínhamos assunto ou talvez Claude estivesse evitando conversar comigo. Até que finalmente chegamos. Águas da Prata era uma cidade linda. Com muito verde. Lembrava-me muito minha infância. Antes de irmos ao cemitério, passamos numa lojinha para comprar dois guarda chuvas, pois já tinha começando a chover levemente e Claude aproveitou para comprar também umas rosas para colocamos sobre o túmulo de meus pais.
- Só isso? – Perguntou a vendedora referindo-se a compras.
- Sim. – Afirmou Claude. - Obrigada e volte sempre. – Ela agradeceu.
Dessa lojinha fomos direito para o cemitério, não tínhamos muito tempo até a chuva engrossar. Não sei se era impressão minha mas Claude não me parecia bem. Estava agindo estranhamente, não que isso fosse uma novidade. Mas é que agora a sua atitude se tornava ainda mais intrigante. Claude tinha uma expressão triste no rosto. Ele estacionou o carro na entrada do cemitério. E ficou parado com as mãos ainda sobre o volante enquanto eu descia.
- Você não vai? – Perguntei ao notar que ele nem fez menção de sair.
- Vá na frente. Já estou indo. – Ele respondeu secamente.
E foi o que eu fiz. Peguei as rosas que ele tinha comprado instante antes e com o guarda chuva em uma das minhas mãos para me proteger da leve chuva que insistia em cair, fui em direção ao local onde o túmulo dos meus pais estava localizado. De longe dava para perceber que era o túmulo mais bonito e bem cuidado de todo cemitério. Estava limpo e ao seu redor tinha muitas flores. Acho que meu avô pagava para alguém preservá-lo. O cemitério era aquele que tinha muitas construções antigas. Cada túmulo era uma obra de arte. Infelizmente tinha uns abandonados. Respirei fundo e aproximei-me lentamente de onde meus pais estavam enterrados e por mais que eu quisesse ser forte, não conseguir segurar o choro. Há cinco anos eu não os visitava. Que tipo de filha eu era? Que havia esquecido totalmente dos próprios pais por causa de uma desilusão amorosa. Coloquei as rosas que eu tinha ainda em mãos, dentro de um jarro que estava ao lado e em seguida me ajoelhei. Queria rezar, desabafar, chorar e acima de tudo queria matar a saudades. Queria compensar todos os anos de ausência. Já tinha se passado uns minutos e nada do Claude aparecer. A chuva estava começando a engrossar. Então achei melhor ir atrás dele. Mas ao me levantar tive uma surpresa. Claude já estava atrás de mim. Ele tinha um olhar fixo no túmulo. Seus olhos estavam marejados e seus punhos cerrados. E para piorar, ele estava debaixo da chuva sem qualquer proteção. O que estava acontecendo com e ele? Claude parecia de verdade sofrer, mas pelo que? Se ele nem sequer chegou a conhecer os meus pais. Eu própria mal cheguei a conhecê-los. Quando eles morreram, eu ainda era muito nova. Aproximei-me rapidamente do Claude, para assim dividir o meu guarda chuva com ele. Claude já estava ensopado.
- Tá maluco? Cadê seu guarda chuva? – Perguntei aflita. Ele não me respondeu.
– Claude estou falando com você.- Insisti com um tom autoritário. Mas ele parecia não me ouvir. É como se estivesse anestesiado. Sequer piscava os olhos. Envolvi um dos seus punhos ainda cerrados com uma das minhas mãos. E ao sentir o meu toque seus olhos desviaram finalmente do túmulo em minha direção.
– O que está acontecendo Claude? – Perguntei angustiada. Ele ficou uns segundos me olhando profundamente e em seguida me abraçou me pegando de surpresa. Acabei deixando o guarda chuva cair nos deixando a mercê da agora forte chuva. Ele afogou seu rosto em meus cabelos. Abraçando-me ainda mais forte.
- Claude! O que está acontecendo? – Insisti em sussurro. Ele não me respondeu. Ficamos abraçados por uns segundos debaixo de chuva até que fomos interrompidos pelo coveiro.
- Vocês vão pegar um resfriado se continuarem assim. – Ele nos alertou ao se aproximar de onde estávamos. Claude se soltou do meu abraço rapidamente.
- Tem razon. Vamos Rosa. – Disse Claude pegando o guarda chuva que eu tinha deixado cair segundos antes e colocando sobre mim.
– Vamos voltar para o carro. – Claude ordenou. Apenas assenti com a cabeça. Estava sem graça. Voltamos para o local onde o carro estava estacionado.
- Você não pretende ficar com essas roupa molhadas né? – Indagou o coveiro referindo-se ao estado em que nos encontrávamos. Estávamos totalmente molhados.
- Tem algum lugar que possamos nos trocar? – Claude perguntou para ele.
- Tem a minha cabana. Se quiser Doutor Geraldy.
– Ofereceu gentilmente o funcionário do cemitério. Ele já conhecia o Claude? Por que o chamou pelo sobre nome?
- Queremos sim. – Respondeu Claude.
– Rosa você trouxe roupas? Hã? - Claro que não. Você disse que não íamos passar a noite. – Esbravejei.
- Nem eu. Acho melhor voltamos para a cidade mesmo, e lá passamos por qualquer loja e compramos roupas secas antes de voltar para São Paulo. – Claude sugeriu. Concordei. Então entramos no carro. Mas ante de sair o coveiro falou algo que me deixou confusa.
- Espera Doutor! Aconteceu alguma coisa? Já faz dois meses que o senhor não aparece por aqui. – Perguntou o coveiro preocupado. Como assim dois meses que o Claude não aparecia? Pensei que ele só viesse uma vez no ano e no aniversário de morte dos meus pais e para acompanhar o meu avô. Olhei para Claude esperando a resposta que ele daria, mas ele deu apenas um sorriso sem graça e deu partida no carro, saindo sem responder nada.
- Por que não respondeu o que aquele homem perguntou? – Indaguei firmemente
- Esse coveiro, ele é meio maluco. Non sabe o que fala. – Claude se explicou. Percebi o tanto que ele se esforçou para tentar ser convincente.
- Ah! Sei. – Exclamei fingindo acreditar em sua mentira. E ele fingiu acreditar que eu acreditei. Confuso não? Paramos em uma loja para comprar roupas. E foi lá que recebemos a má noticia.
- Como assim as estradas estão interditadas? – Perguntei aflita. A vendedora acabara de me informar isso.
- Rosa, calma. Deve ser um engano. – Disse Claude, que tentava me acalmar.
- Desculpe senhor, mas não é engano. Como podem ver, a chuva está muito forte. Foram dados alertas de inundações. Há muitos rios nessa cidade. Os responsáveis pela segurança informaram que ninguém entra e ninguém sair. Pelo menos não hoje. – Esclareceu a vendedora.
Claude passou a mão pela cabeça num gesto impaciente.
- Rosa espera aqui. Non saia dessa loja. Volto já. Aproveita e escolhe logo uma roupa seca se non vai acabar ficando doente. – Ordenou Claude. Ele foi atrás de saber mais informações. Quase meia hora depois ele retornou e pela cara dele, as notícias não eram das melhores.
- E aí? Podemos ou não sair? – Perguntei não me contendo de ansiedade. Ele deu de ombro e balançou negativamente a cabeça. Respirei fundo. Não podia acreditar.
- Eu avisei. E acho melhor vocês irem logo atrás de uma pousada. Pois muitos foram pegos de surpresa por essa tempestade. Se demorarem, é capaz de não ter nem onde dormir. – A vendedora nos alertou.
Era só o que nos faltava. Não ter onde dormir. Compramos umas roupas e fomos direto atrás de alguma pousada. A vendedora estava certa. Todos os lugares que paramos estavam lotados.
- E agora Claude? Onde vamos dormir? – Perguntei angustiada. Já tínhamos parado em 10 lugares e nenhum tinha quarto vago.
- Calma cherry. Vamos achar vaga em algum lugar. – Respondeu Claude esperançoso. Revirei os olhos impaciente. Depois de 10 minutos avistamos outra pousada.
- Quer apostar como essa está lotada também? – Repliquei com um tom irônico na voz.
- Oh mon dieu! Se você continuar com esse pessimismo. Non duvido nada. – Ele rebateu irritado. Descemos do carro e fomo direto ao hall da pousada. - Boa tarde. Em que posso ajudar? – Perguntou a atendente gentilmente.
- Boa tarde. Queremos um quarto. – Disse Claude confiante.
A atendente sorriu. Isso era um bom sinal.
- O senhor tem sorte. Ainda temos um quarto vago. – Ela respondeu educadamente. Claude respirou aliviado.
- Mas na verdade nós queríamos dois quartos. – Disparei rapidamente. Eu não queria ficar a sós com ele.
- Dois?- A atendente me olhou surpresa. Percebi que seus olhos percorreram pelas alianças que Claude e eu usávamos.
- Cherry non fale bobagem. – Claude murmurou entre os dentes para que só eu escutasse. E sorriu para atendente.
- Vamos querer o quarto. Claude preencheu toda a papelada e recebeu a chave.
- Vamos cherry?
- Fazer o que né? – Resmunguei. E fomos para o quarto.
- Por que essa cara de quem comeu e non gostou? – Claude perguntou ao me encarar.
- Por quê? Adivinha. – Rebati irritada. Ele revirou os olhos me ignorando e abriu a porta do quarto.- Primeiro as damas.
– Ele disse apontando para dentro do recinto. Eu entrei.
- Até que não é nada mal. – Comentei enquanto analisava o lugar. O quarto era bem aconchegante. Havia uma lareira. Joguei minha bolsa em cima da cama.
- É tão ruim assim ficar a sós comigo? – Perguntou Claude ao fechar a porta. Não respondi. Na verdade não sabia o que responder. Ele se aproximou de mim.
- Pardon Cherry. Tudo isso é minha culpa. Mesmo sabendo da tempestade eu insisti para que viéssemos. – Ele se desculpou.
- Também não precisa se desculpar. Toda essa confusão teve uma motivação boa. – Respondi gentilmente. Eu tinha que parar de reclamar. Não era culpa do Claude se o mundo estava caindo lá fora.
– Mas... Eu tenho uma pergunta para fazer. – Disse seriamente ao encará-lo.
- Eu sei. Mais seria demais pedir para non fazê-la? – Ele estava apreensivo. Respirei fundo. Aquele não era o momento certo de cobranças. Assenti com a cabeça.
- Tudo bem Claude. Agora não é o momento.
– Concordei, ele sorriu em resposta.
- Você deve está com fome non? – Ele perguntou mais animado ao se aproximar do telefone.
- Morrendo. – Respondi alisando minha barriga. Com toda essa confusão havia esquecido que não tinha comido nada o dia todo. - O que você quer que eu peça para comer?
- Qualquer coisa, mais que seja logo. – Respondi ansiosa. Ele havia pedido fondue de chocolate e um vinho para acompanhar.
- Espero que não demore muito. Estou faminta- Comentei ao me sentar sobre cama.
- Non vai demorar. – Ele respondeu após acender a lareira.
– Vem cherry. Você precisa se esquentar. – Ele me chamou para sentar ao seu lado. Espera aí, era impressão minha ou clima estava romântico demais para meu gosto? Chuva, frio, lareira, fondue e vinho. Isso tudo não era uma combinação muito confiável. Ai meu Deus, onde eu fui me meter? Eu estava a ponto de ter um colapso de tão nervosa, ao contrário de Claude que aparentava estar bem à vontade. Será que ele ainda não tinha percebido a real situação em que nos encontrávamos? Éramos um homem e uma mulher em um único quarto. E detalhe, tínhamos nos casado ontem. Definitivamente, dividir o quarto com o Claude nesse momento não tinha sido uma boa idéia.

Continua...

sábado, 11 de setembro de 2010

Fic: Love Contrat - Autora: Sakuraxjapan (Geovanna) - Capítulo 4







Uma única rosa deixou de lembrar

Como uma única lágrima que cai do olho dela

Um outro dia frio, em Dezembro

Um ano do dia em que ela disse adeus


Parece que foi apenas um momento

Desde que os anjos pegaram ela pelos braços

Ela foi deixada lá

Ficou esperando pelo amanhã

Mas assim como eles o colocaram no chão

O coração dela iria cantar sem um som


Pela primeira vez, você pode abrir os olhos

E ver o mundo sem a sua tristeza

Onde ninguém sabe a dor que você deixou para trás

E toda a paz que você nunca poderia encontrar

Está esperando lá para te segurar e te manter

Bem vinda ao primeiro dia de sua vida

Apenas abra os seus olhos


Uma única vida fica atrás dela

Como ela clama pelo seu último suspiro

Por trás da porta ele vai encontra-lá

Pegando a sua mão suavemente ele diz


Pela primeira vez, você pode abrir os olhos

E ver o mundo sem a sua tristeza

Onde ninguem sabe a dor que você deixou para trás

E toda a paz que você nunca poderia encontrar

Está esperando lá para te segurar e te manter

Bem vinda ao primeiro dia de sua vida

Apenas abra os seus olhos


E enquanto eu me deito essa noite

Seguro do outro lado

Não há mais lágrimas para chorar


Pela primeira vez, você pode abrir os olhos

E ver o mundo sem a sua tristeza

Onde ninguém sabe a dor que você deixou para trás

E toda a paz que você nunca poderia encontrar

Está esperando lá para te segurar e te manter

Bem vinda ao primeiro dia de sua vida

Apenas abra os seus olhos


Minha noite não havia sido umas das melhores. Estava preocupada e angustiada. Não mais tardar eu iria está casada com um homem no qual eu não confio plenamente e para piorar ainda mais a minha situação, seria um casamento apenas por conveniência. O que eu fiz para merecer isso? Onde fica nessa historia toda a parte do príncipe encantado? Será que eu fiz coisas tão ruins nessa vida que Deus está me castigando? Todo mulher tem direito a viver uma linda historia de amor, menos eu. Ao contrario, minha vida se resumia a decepções.

- Dadi! – Chamei. Enquanto a procurava na conzinha. Era 6:00 da manhã.

- Já acordada dona Rosa? – Ela se espantou.

- É Dadi, podemos dizer que não conseguir dormir a noite toda.

- Por causa do casamento?

- Também, mais não é só por isso. Esses últimos dia não tem sido fáceis para mim.- Respondi ao me sentar em um banco que ficava próximo ao balcão da conzinha.

- Entendo Dona Rosa. A senhora está com muitas saudades do seu avô? Acertei? - Ela quis saber.

- Muitas Dadi. Tudo aconteceu tão rápido que ainda não conseguir assimilar direito. Sinto como se meu avô estivesse fazendo uma viagem longa mais que a qualquer momento ele ainda pudesse retornar. Se eu soubesse que isso ia acontecer, eu teria aproveitado mais sua companhia. - Confessei tristemente. Doía ter que admitir que desperdicei tanto tempo ao lado da única pessoa que me amou de verdade depois que meus pais foram assassinados. - Percebi que Dadi mudou de expressão após me ouvi. – Dadi por acaso você está sabendo de algo que eu não sei? – Indaguei ao notar seu aparente nervosismo.

- Claro que não Dona Rosa. Por que acha isso? – Ela desconversou ao me entregar uma xícara de café.

- Hum! Nada não. – Balancei a cabeça negativamente fingindo acreditar em suas palavras. Estava começando a achar que não era só o Claude que me escondia algo. Mais tudo nessa casa exalava mistério.

- Já acordada? Non acredito. – Ressoou uma voz de longe. Ao me virá, dei de cara com o Claude na entrada da cozinha me observando.

- Sim, por que o espanto? - Retruquei.

- Non sei. Talvez seja por que desde que voltou da França, você ainda non havia conseguido acordar antes das 11 horas? – Ele indagou ao se aproximar lentamente de mim.

-Está insinuando que sou preguiçosa?

- Non, claro que non cherry! Na verdade estou insinuando que você non conseguiu dormir a noite toda ansiosa pelo nosso casamento.- Ele afirmou como convicção me fazendo rir. Isso só poderia ser piada.

- Tem razão Claude. Realmente não conseguir dormir a noite toda, Mais foi de PREOCUPAÇÃO. - O corrigir firmemente, fazendo questão de frisar bem a palavra preocupação.

- E posso saber pelo que?

- Estou preste a me casar com um homem na qual não sei nada sobre ele. E se você for um assassino em serie, ou talvez um traficante, ou quem sabe um psicopata. – Respondi ironicamente.

- Ou quem sabe um agente do FBI. – Ele completou em meio a risos. - Cherry você tem uma imaginaçon ton fértil. Já pensou em escrever um livro de suspense? Hãn? – Ele não parecia ter ficado nervoso por minhas insinuações. Pra falar a verdade, parecia até se divertir com tudo isso. E essa naturalidade dele me irritava profundamente. Eu estava ao ponto de ter um ataque de nervos enquanto ele era a tranqüilidade em pessoa.

- Arghhhhhhhhh! – Resmunguei. Como eu ia agüentar ficar casada com esse homem? Um minuto com ele já era torturante, imagine seis longos meses. Eu só posso ter jogado pedra na cruz para merecer isso. – Com licença. Vou voltar para meu quarto. – Retruquei ao tentar sair. Mais fui impedida por ele que segurou um dos meus braços, me obrigando a parar de andar.

- O que quer agora? – Perguntei ao encará-lo. O tom da minha voz saiu quase que gritante.

- Pardon Cherry. Non precisa ficar chateada Hãn? É que você fica ton bonita irritada, que eu non resisto. – Ele se justificou com um sorriso cínico nos lábios.

- Ah! Então você implica comigo de propósito? Coisa mais infantil Claude. - O repreendi. Ele deu um sorriso sem graça.

- Amigos? – Claude estendeu a mão com se quisesse fechar um acordo.

- Não.- retruquei virando o rosto para o outro lado.

- Agora quem está sendo a infantil hãn? – Ele argumentou. Respirei fundo e sai da cozinha o ignorando. Ele foi atrás de mim.

- Rosa, espera! – Ele me chamou. Eu parei de andar mais não me dei o trabalho de me virar em sua direção. – Deixa disso Hãn? Vamos nos casar hoje. Acho que deveríamos parar com essa guerrinha. Estamos parecendo cão em gato. – Ele observou ao se aproximar lentamente de mim. Mais eu permaneci calada. Então ele insistiu. - Vamos fazer um acordo de paz? Hãn? – Ele sugeriu voltando a estender a mão em minha direção. Mais eu voltei a ignorá-lo. E saí pisando fundo.

- Oh Mon dieu! – Ele resmungou revirando os olhos. Mais me deixou ir.

Voltei para meu quarto. Precisava de um momento sozinha e longe dele. Sei que muitos devem pensar que eu esteja exagerando. Que talvez a infantil da historia seja eu. Mais é que essa falta de informação sobre o passado dele acaba por me deixar confusa. Em poucas horas eu estaria me casando com um desconhecido. E sendo obrigada a viver nessa mentira por seis meses. Como eu iria lidar com isso? Talvez ter concordado com toda essa palhaçada tenha sido um erro. Eu precisava relaxar, então resolvi tomar um demorado banho. Minutos depois, ao saí do banheiro tive uma pequena surpresa. Avistei de longe um delicado pacote sobre minha cama. O que seria isso? Fui até ele e abrir. Dentro havia um vestido branco. E com ele um cartão que dizia:

“Use isso no casamento.”



- Como assim use isso no casamento? Isso só poderia ser coisa daquele francês metido. Ele estava bem achando que eu iria colocar esse vestido só porque ele mandou? Nem em sonhos!

- Posso entra? – Perguntou Dadi batendo levemente na porta.

- Entra. – Respondi.

- Desculpa incomodar Dona Rosa, mais é que eu trouxe algo para a senhora comer. – Ela disse ao entrar no quarto com uma bandeja em mãos.

- Obrigada Dadi. Como sempre atenciosa. – Sorri gentilmente. Então ela colocou a badeja sobre a cômoda.

- Nossa que lindo!!! – Ela exclamou assim que viu o vestido. – Posso pegar? – Ela perguntou ao se aproximar. Fiz um gesto de afirmação com a cabeça. Ela ficou admirando o vestindo entre suas mãos por uns minutos. Parecia encantada. - Foi à senhora que escolheu? – Dadi perguntou curiosa.

- Não. Acho que foi o Claude.- Eu disse curtamente. - Ele está no quarto dele?

- Não Dona Rosa. Ele saiu faz um tempinho.

- Então quem trouxe esse vestido para meu quarto? – Perguntei confusa.

- Eu. É que ligaram da portaria do condomínio dizendo que haviam deixado isso para senhora lá. – Ela respondeu ao colocar o vestido novamente sobre a cama. – A senhora vai ficar linda nele.

- Eu não vou usar-lo Dadi. – Afirmei.

- Não? E por quê? – Ela perguntou surpresa.

- Por que não Dadi. – Eu desconversei ao guiá-la até saída do meu quarto. Nesse momento a ultima coisa que eu queria era dar qualquer tipo explicações.

- Espera Dona Rosa. Tenho mais um recado para senhora. – Ela disse me impedido de colocá-la para fora.

- O que foi agora Dadi?- Perguntei, já impaciente.

- O Dr Frazão está na sala esperando pela senhora. - Ela respondeu. Respirei fundo e assenti com a cabeça.

- Tudo bem Dadi, já desço. – Então ela saiu.

Demorei uns 15 minutos até eu finalmente descer para receber o Frazão.

- Dona Rosa. Que bom revê-la querida. – Disse Frazão assim que me viu. Ele beijou levemente a minha mão como forma de cumprimentando.

- Que bom revê-lo também. – Cumprimentei-o gentilmente, forçando um sorriso. Eu até gostava do Frazão. Pelo menos não tinha nada contra ele. Mais o fato dele ser tão amigo daquele francês acaba me deixando com um pé atrás com ele.

- Então, tudo pronto para mais tarde? – Ele perguntou ao senta-se no sofá.

- Creio sim. – Respondi sentando-me logo ao seu lado.

- E o Claude? Para onde ele foi? – Perguntou Frazão curioso.

- Como assim? Você não sabe para onde ele foi? – Eu perguntei surpresa.

- Não. – Ele respondeu.

- Pois eu muito menos. Se você que é o amigo dele não sabe, por que eu saberia? – Rebati.

- Por que não é comigo que ele vai se casar e sim com você. – Frazão justificou maliciosamente dando uma leve piscada de olho em minha direção. Em resposta, dei apenas um sorriso sem graça. Acho que esse amigo do Claude ainda não tinha entendido que esse casamento não se passava de uma farsa. Ficamos conversando por quase uma hora. Frazão estava esperando Claude que ainda não havia dado qualquer sinal de vida. Até tentamos entrar em contato com ele pelo celular. Mais só caia na caixa postal.

- É, acho que não vou poder esperar mais. – Disse Frazão ao levantar-se do sofá.

- Tudo bem. Quando Claude chegar, eu peço para ele te ligar. – Respondi o acompanhando até a saída.

- Faça isso Dona Rosa. Ah! Só mais uma coisa. Eu vou com vocês para o casamento. Estejam prontos as 15:00 horas ok? – Ele disse antes de se retirar. Concordei balançando a cabeça num gesto positivo.

Horas depois...

Já estava quase na hora de Frazão chegar e nada do Claude aparecer. Onde ele poderia ter se metido? Será que ele ficou chateado por nossa quase discussão de mais cedo? Era só o que me faltava, ser abandonada pela segunda vez antes de me casar. Não que eu esperasse muito desse casamento, mais eu não iria agüentar passar por isso de novo. Mesmo tudo isso sendo só uma farsa.

- Dona Rosa?– Dadi me Chamou ao entrar em meu quarto. Eu estava tomando banho.

- Um minuto Dadi! Já estou terminado aqui. - Eu gritei, para que ela me ouvisse.

- Tudo bem Dona Rosa. Eu espero. – Ela respondeu no mesmo tom para que eu também a escutasse. Cinco minutos depois, sair do banheiro. Encontrei com Dadi sentada em minha cama ainda admirando o vestido. – Ele é tão lindo. Será mesmo que foi Dr Claudes que comprou? – Ela perguntou.

- Claro que foi ele. Quem mais seria? – Disparei, convencida de minhas palavras. – E ele já chegou? – Perguntei. Tentei ao Maximo disfarçar o tom da minha voz. Não queria que soasse desesperado.

- Não Dona Rosa. Só vim avisar que o Dr Frazão ligou dizendo que já está vindo para cá. – Ela me informou.

- Tudo bem. Só vou secar meu cabelo. – Respondi, sentando-me enfrente a penteadeira.

- A senhora não vai mesmo usar esse vestido? – Dadi insistiu.

- Não!

- Mais Dona Rosa... – Ela quis argumentar

- Mais nada Dadi. – A interrompi antes que ela pudesse falar mais alguma coisa.

- Desculpa! Não queria aborrecê-la. – Ela se desculpou saindo logo em seguida do quarto. Parecia ter ficado chateada. Acabei descontado nela a raiva que eu estava sentindo do Claude. Por que será que ele me comprou esse vestido? Terá sido de bom coração? Ou será que foi só para me irritar? Eu queria entende-lo. Tem vezes que ele parece realmente se preocupar comigo. Mais em outros momentos faz questão de me tirar do serio. Quem de fato é o Claude? Tudo seria tão mais fácil se eu soubesse responder essas duvidas que insistiam em povoar minha cabeça. Quando Claude me explicou o porquê de ter aceitado se casar comigo, eu sentir que ele foi sincero. Então eu não acho que ele desistiria desse casamento de uma hora para outra, ainda mais sem me avisar. Resolvi dá um voto de confiança para ele. Mesmo que Claude não aparecesse agora, eu o esperaria no hospital. Mais e o vestido? Deveria usar? Acabei não resistindo e o experimentei. Queria saber como eu ficava com ele. Realmente o vestido era lindo. Tão delicado. Mais talvez esse tipo de roupa não fosse para mim. Sinto que não nasci para usar vestido de noiva.

- Ual!Você está Linda.

-CLAUDE!!! – Gritei, ao me virar rapidamente em sua direção apos notar sua presença. Ele havia entrado no meu quarto sem bater, e acabou me flagrando usando o vestido.

- Pardon Cherry, mais é que o Frazon já está lá embaixo nos esperando. – Ele se explicou sem tirar os olhos de mim. Parecia hipnotizado. De onde ele havia saído? A poucos minutos atrás ninguém sabia dele.

- Pois eu ainda não estou pronta. – Disse ao entrar rapidamente no banheiro numa tentativa de fugir do olhar dele que insistia em percorrer todo o meu corpo. E logo em seguida fechei a porta. Ele não podia ter me visto assim. Definitivamente não podia. E não pensem que é por que acredito naquele ditado bobo de que o noivo não pode vê a noiva desse jeito antes do casamento. Pois não é. O motivo é bem mais complexo. Havia jurado nunca mais usar nada parecido para homem nenhum. E muito menos deixar que me vissem vestida assim.

- Rosa! – Ele bateu na porta do banheiro ao me chamar.

- Já disse que não estou pronta. – Esbravejei, irritada.

- Como non? Acabei de ter vê e você está linda. – Ele rebateu.

- Não vou vestida assim. – Confessei já desabotoando o vestido.

- Como non vai vestida assim? E pretende ir vestida de que? Hãn? – Ele indagou

- De qualquer coisa, menos com isso. – Respondi decidida. Eu já estava quase terminado de desabotoar o vestido quando vi a porta se abrir. Havia esquecido de trancá-la. E Claude acabou se aproveitou disso para entrar. – tá louco? Sai daqui agora Claude. Não está vendo que estou trocando de roupa. – O repreendi. Ele não falou nada e ficou me encarando com uma expressão seria no rosto. – Claude estou falando com você! – Insistir.

- Escutei. Só que eu non vou sair daqui. Se quer trocar de roupa, vá enfrente. – Ele disse ironicamente, apontando para o vestido.

- Claude eu não estou brincado. – Bufei de raiva.

- Muito menos eu Cherry. Non quero que você tire esse vestido. Mais se você insisti vá enfrente. Daqui eu non saiu. – Ele parecia decidido.

- Arghhhhhhhh!!! - Resmunguei. O que ele queria com tudo isso?

Claude ignorou meu nervosismo, e se aproximou lentamente por detrás de mim. E numa forma gentil começou a abotoar novamente o vestido, que instante antes eu havia desabotoado. – Rosa non deixa que esse cafajeste do teu ex noivo ainda tenha influencia nas tuas decisões. – Ele sussurrou próximo ao meu ouvido após terminar o que estava fazendo.

- Não sei do que você está falando. – Repliquei confusa. Percebi pelo reflexo do espelho que Claude ainda continuava com a expressão seria, Não havia malicia em sua atitude. Então ele me virou para que eu pudesse encará-lo. Ficamos face a face.

- Eu sei que você está com muita vontade usar esse vestido. – Ele afirmou confiante. E o pior que ele não errou. Eu realmente estava sim, com vontade de usá-lo. Mais tinha receio.

- E como você pode ter tanta certeza disso? – Perguntei fingindo não entender o que ele queria dizer. Eu não ia dá a chance dele provar que estava certo.

- Já fazia uns minutos que eu te observava, antes de você notar minha presença em seu quarto. E esses minutos foram suficientes para me fazer chegar a essa conclusão. – Ele confessou sem tirar seus olhos dos meus.

- E o que você pode ter visto que te convenceu disso? - Dei de ombro fingindo desinteresse. Eu já estava começando a ficar sem jeito com toda essa proximidade entre nós.

Claude deu um sorriso torto. E em seguida tocou levemente meu rosto com seus dedos antes de continuar a falar e em seguida murmurou. – Enquanto experimentava o vestido, o semblante em seu rosto era de uma criança que tinha acabado de ganhar um brinquedo novo. – Ele pausou por um minuto. Sua mão ainda acariciava meu rosto. E depois concluiu. - Você estava feliz! Rosa, Esquece ele ou qualquer coisa que tenha te feito mal, deixa esses sentimentos ruins no seu passado. Hã? – Ele sugeriu. – Enton, vamos para o casamento? – Ele perguntou docemente ao se afastar de mim. Assenti timidamente com a cabeça concordando. Então ele pegou meu braço e enlaçou com o dele. Parecíamos realmente um casal. Frazão, ele e eu fomos para o hospital aonde a cerimônia iria se realizar. Estava tudo pronto só a espera do juiz.

- Estou com medo. Se descobrirem que não estou doente de verdade? – Desabafei. Estava em um dos quarto do hospital. Claude havia saído.

- Dona Rosa! Não se preocupa. Não vai acontecer nada. Confia em mim. – Frazão tentava me tranqüilizar inutilmente.

- Doutor Frazão? – Chamou uma enfermeira ao entra no quarto. Ele foi até ela. Não conseguir escutar sobre o que eles falavam. Segundos depois Frazão se aproximou de mim.

- Algum problema? – Perguntei.

- Não Dona Rosa. É que a enfermeira me trouxe o calmante que eu havia pedido para a senhora tomar. Isso vai lhe ajudar a diminuir mais essa sua aparente euforia. – Ele me entregou o comprimido e um copo de água.

- Isso não vai me fazer mal? – Perguntei desconfiada.

- Claro que não. Só vai te manter um pouco mais calma. – Ele respondeu fazendo um gesto com a mão para que eu tomasse. E foi o que eu fiz. Minutos depois eu já conseguia sentir o efeito do calmante.

- Onde o Claude foi? – Perguntei. Já fazia um tempinho que ele tinha saído com a desculpa de ir fazer uma ligação.

- Não sei. Melhor eu ir atrás dele. Não sai daqui. – Me recomendou Frazão antes de sair, me deixando sozinha no quarto. Eu e meus pensamentos. Faltavam minutos para dá inicio a toda essa palhaçada. Eu queria desistir, mais me faltava coragem. Talvez não fosse tão ruim ser casada com ele. Minutos depois Claude reaparece.

- E o Frazon? – Perguntou Claude ao me encontrar sozinha no quarto.

- Foi atrás de você. Onde você estava? - Perguntei curiosa.

- No telefone. – Ele respondeu calmamente.

- Até agora? – Insistir. Fazia num mínimo uns 20 minutos que Claude tinha saído. Mais obtive apenas um sorriso sem graça como resposta. Como ele queria levar tudo isso adiante, se nunca me respondia o que eu lhe perguntava? Ficamos em silencio por uns 10 longos minutos. Até que Frazão surgiu acompanhado pelo Juiz e outro advogado chamado Freitas.

- Claude, Rosa! O juiz já chegou. Finalmente vocês perderam realizar o sonho de casarem. – Disse Frazão ao se aproximar de onde estávamos fazendo Claude e eu nos entreolharmos sem graça. Nunca em toda minha vida casar com esse sujeito seria um sonho. Isso tudo estava mais para um pesadelo.

-Podemos dá inicio a cerimônia? – Perguntou o juiz

- Sim. – Respondeu Frazão. Eu me encontrava deitada sobre a cama e Claude estava ao meu lado, e o Juiz a nossa frente. Frazão havia chamado umas enfermeiras para serem as nossas testemunhas. Todas elas pareciam bastante comovidas por esse suposto casamento. Elas acreditavam que Claude e eu iríamos nos casar por que nos amávamos de verdade e que eu estava realmente preste a morrer. Confesso que fiquei até com dó de vê os olhares tristes que elas tinham sobre nós. Mal sabiam que tudo isso era encenação, que isso estava longe de ser uma linda e comovente historia de amor. E que no fundo Claude eu nos odiávamos. Quer dizer, odiar é uma palavra muito forte. Então melhor dizer que Claude e eu não íamos muito um com cara do outro e só. Tudo isso durou uns 20 minutos até finalmente o juiz chegar ao...

- Os declaro marido e mulher. – Disse o Juiz encerrando a cerimônia.

“Finalmente!” Pensei aliviada. O medo de toda essa farsa ainda ser descoberta me assustava.

- Pode beijar a noiva. - Concluiu o Juiz. E em seguida Claude se aproximou ainda mais de mim. Espera aí, ele estava bem pensado que ia me beijar de verdade é? Antes que eu pudesse tomar qualquer atitude. Claude colocou sua mão sobre meu rosto forçado delicadamente a nossa aproximação. E o pior é que eu não podia nem evitar, pois o juiz estava a nossa frente nos observando. Não só ele como também o Doutor Freitas e o Doutor Frazão e para completar ainda tinha o grupo de enfermeiras que choravam de emoção pena cena. Como não tinha o que fazer, respirei fundo e fechei logo em seguida os meus olhos à espera do inevitável beijo. Mais acabei tendo uma surpresa. Invés de beijar meus lábios, Claude beijou minha testa respeitosamente. Eu jurava que ele me beijaria na boca, mais não foi o que aconteceu. E assim foi nosso casamento.

- Vamos? – Perguntou Frazão. Já fazia meia hora que o casamento tinha se realizado. Tivemos que esperar esse tempo, para não termos a infeliz surpresa de esbarrar com juiz pelos corredores do hospital.

- Claro né? Já não agüento mais ficar dando uma de doente aqui. - Resmunguei. Já estava impaciente de ter que ficar presa naquele quarto.

- Enton vamos! – Disse Claude já se retirando.

Já estávamos no estacionamento do hospital.

- Que tal sairmos para comemorar? – Sugeriu Frazão animado.

- Ótima idéia. – Concordou Claude abrindo aporta do carro para mim. Ou ele era terrivelmente gentil ou achava que eu não era capaz de abrir uma simples porta de carro. Acho que vou ficar com a primeira opção.

- Por mim tudo bem.- Respondi meio a contragosto.

Fomos comemorar num restaurante que ficava no 30 andar de um prédio. Dizia Claude, ser um dos preferido do meu avô. O lugar era simplesmente lindo. Tinha uma visão deslumbrante. Perfeito para uma com comemoração. Não que eu estivesse a fim de comemorar algo. Mais queria me distrair um pouco. Desde que voltei da França eu não havia tido um minuto de paz. Ficamos numa mesa próxima a janela. Já estava começando a anoitecer e a visão periférica da cidade de São Paulo em meio a luzes da noite era impressionante.

- Muito lindo aqui. – Elogiei.

- Seu avô achava o mesmo. – Disse Claude com num sorriso no rosto. Sorriso que minutos depois se desfez. Ele parecia ter avistado algo que não gostou.

- Aconteceu algum coisa Claude? – Perguntou Frazão ao notar a expressão seria no rosto do amigo.

- Volto Já! – Claude se levantou rapidamente ignorando a pergunta.

- O que deu nele? – Perguntei ao encarar o Frazão.

- Não sei! – Ele respondeu dando de ombro. Já estava cheia dessas escapadas sem explicações do Claude. Desses mistérios todos que o envolvia. Então resolvi ir atrás dele.

- Vou ao toalete. – Disse também ao me levantar. Mais na verdade eu menti. Não iria ao toalete coisa nenhuma. Precisava saber pra onde o Claude tinha ido. Não precisei andar muito até encontrar com ele. Claude estava perto do elevador, e conversava seriamente com uma mulher. Resolvi me aproximar discretamente para que eles não notassem minha presença. Ao me aproximar mais ainda, percebi que a mulher que estava com ele era aquela tal de Nara Paranhos de Vasconcelos. Escondi-me por detrás de uma coluna e fiquei escutando pela segunda vez as escondida à conversa deles.

- Claude, por favor. Não me trate assim. Eu te amo mon amour. Por isso voltei.- Disse Nara. Ela segurava uma das mãos dele. Claude por sua vez parecia irredutível. Tinha uma expressão seria e vazia em seu rosto.

- Me ama? Você foi embora sem me dizer nada. Sem me pedir que te esperasse. Pensei que non ia mais voltar. – Claude respondeu friamente.

- Eu sei mon amour. Mais será que você não pode me perdoar dessa vez? – Insistia Nara.

- Você non me deixou. Você me abandonou. E mesmo que você tenha voltado, os sentimentos jamais seron os mesmos. – Debateu Claude sem piedade nenhuma. Ela realmente parecia está mal. Após ouvi Claude falar de uma forma tão seca. Ela resolveu voltar para a mesa que estava jantando com umas amigas minutos antes.

- Pode sair agora. – Ordenou Claude sem se virá. Com quem ele estava falando se não tinha mais ninguém perto dele? Por via das duvidas permaneci calada e no mesmo lugar. Percebi que ele se aproximou vagarosamente de onde eu estava escondida. Era de mim que ele falava. Claude sabia o tempo todo que eu o observava. Ao ficar cara a cara com ele dei apenas um sorriso sem graça.

- Nunca te ensinaram que ouvir a conversa dos outros as escondidas é falta de educaçon? – Ele me repreendeu. Eu não sabia o que responder. Eu realmente estava sem graça. Ficamos nos encarando por uns poucos segundos. Até Que Claude me puxou rapidamente pelo braço, nos fazendo entrar no elevador que tinha acabado de abrir aporta.

- Tá louco?- Perguntei irritada.

-Estou nos escondendo da Nara. Ela non pode ter ver aqui comigo. – Ele se explicou. Claude havia visto Nara se aproximar novamente instantes antes.

- E posso saber por que ela não pode me vê com você? – Indaguei

- Pelo simples fato de você está usando esse vestido branco e eu com esse paletó. O que ela iria pensar? Ninguém pode saber desse casamento. Muito menos ela. – Ele justificou. E até que Claude não estava errado. Quanto menos pessoas soubessem desse casamento de mentira, melhor seria para nós.

- Mais não precisava me empurrar desse jeito para dentro desse elevador. – Resmunguei irritada.

- Owwwww! Desculpa se fui um grosso. Esqueci que a senhora é feita de vidro. Hã? – Ele respondeu ironicamente.

- Arghhhhh! – Esbravejei. – Como você pode ser tão irritante?

- E como você pode ser ton dramática? – Ele rebateu revirando os olhos.

- Aperta logo qualquer botão para esse elevador parar. Um minuto mais dentro desse elevador com você já vai ser castigo demais. E eu não pequei tanto nessa vida para merecer isso. – Repliquei sarcasticamente. – Segundos depois sentir o elevador parar bruscamente.

- Pois eu acho que você está errada. – Replicou Claude em meio a risos.

- Errada de que? Do que você está falando? O que foi isso? – Perguntei rapidamente sem pausas. Algo me dizia que essa parada brusca do elevador não era bom sinal.

- Você deve ter pecado mais do imagina. Pois o elevador acabou de parar. – Ele respondeu de uma forma irônica.

- E o que isso quer dizer?

- Que estamos presos sozinhos no elevador. Enton você terá que passar mais tempo presa comigo aqui. – Ele respondeu.

- Tá brincado?

- Non! Veja você mesma. – Ele disse me abrindo passagem para que eu me aproximasse da porta do elevador. Ele não estava mentindo.

- E agora Claude?

- E agora vamos esperar até que apareça alguém para nos tirar daqui. – Ele disse calmamente.

- Como você consegue ficar tão calmo com uma situação dessas? – Indaguei surpresa. A tranqüilidade dele me assustava.

- Rosa! Esse é um dos restaurantes mais chique de Son Paulo. Com certeza já perceberam que um dos elevadores deu problema. Em queston de poucos minutos von nos tirar daqui. Enton non precisa se apavorar. – Ele tentou me acalmar inutilmente. Só ele que conseguir manter toda essa calma, mesmo sabendo que estava suspenso a muitos metros de altura do chão. Passou-se 5 minutos e nada de alguém aparecer para nos resgatar. Tentamos ligar do celular para tentar avisar o Frazão, mais estávamos sem sinal.

- Tive uma idéia. – Comuniquei animada. - Me deixa subir em seu ombro.

- Para que?- Ele me perguntou assustado.

- Vou tentar abrir essa portinha do tento. – Expliquei.

- Que portinha? – Ele perguntou desconfiado

- Nunca assistiu filmes não? Essa aqui! – Apontei para uma marca em forma de quadrado que tinha no tento do elevador. Era como se fosse um teto falso.

- Tá brincado né?

- Não! – Respondi decidida. Ele caiu na gargalhada. – Claude dá para tentar ajudar? Se estamos presos aqui, a culpa é sua. – O culpei de toda essa situação.

- Rosa claro que isso non vai dá certo. – Ele me repreendeu.

- Nos filmes sempre dá certo. – Tentei convencê-lo.

- Nos filmes Rosa. E você non está em um filme. – Ele observou

- Claude Antoine Geraldy ou você coopera agora comigo ou Você não sai vivo daqui. – O ameacei.

- Ok, ok! – Ele concordou meio a contra gosto. Então ele me deixou subir em seu ombro para que assim eu alcançasse a suposta porta. – I aí Senhora James Bond? Conseguiu? – Ele perguntou ainda rindo da situação.

- Não! – Respondei tristemente.

- Serio? Non acredito! Eles sempre costumam deixar essa portinha aberta para caso alguém queira subi para cima do elevador.E justo hoje eles non fizeram isso. – Ele disse ironicamente. Ignorei o comentário maldoso e desci de seu ombro. – Mais alguma idéia cherry? – Ele perguntou com um sorriso torto no rosto.

- Não! – esbravejei

- Pois eu tenho. Que tal ficamos quietinhos aqui até alguém aparecer? – Ele sugeriu.

-Você também não faz nada para tentar nos tirar daqui né? – Retruquei irritada.

- E você quer que eu faça o que? Que eu vire o super homem? - Ele parecia ainda ser divertido com tudo isso. Percebi que ele estava suando mais que o normal.

– Você está bem? – Perguntei agora preocupada

- Estou! Só que aqui está muito quente. – ele respondeu ao tirar o paletó e a gravata e em seguida começou a desabotoar a blusa. O que ele pretendia com isso? Fingir não me importar com a atitude dele. Respirei fundo para assim manter a calma. Mais sem querer meus olhos percorreram sobre seu peitoral agora desnudo. Tentei disfarçar para que não notasse o quão sem graça eu estava.

- Pense num dia ruim. Não falta mais nada para piorar – Resmunguei. Foi só eu terminar de falar que as luzes do elevador se apagaram de repente.

- Que boquinha essa sua hein. – Ele comentou irônico. Foi só eu falar para que as luzes se apagassem. Claude rapidamente tirou o celular do seu bolso para clarear o lugar.

- Senta aqui comigo Rosa. – Ele disse ao me fazer sentar ao seu lado no chão do elevador e colocando o seu celular próximo a mim. Um das coisas que eu mais tinha medo era do escuro, e Claude parecia já saber disso.

- Seu avô me disse do seu medo do escuro. - Ele comentou.

- E ele disse também o porque desse medo? – Perguntei curiosa. Meus pais havia sido assassinados dentro de um quarto escuro da casa de onde morávamos na época e eu presenciei tudo. Não conseguia enxergar mais eu conseguia ouvir os gritos dos meus pais e até hoje esse trauma havia ficado.

- Sim! – Ele respondeu. – Mais non precisa ter medo agora. Eu estou aqui Cherry. – Ao terminar de falar Claude passou seu braço ao redor da minha cintura e me fez deitar minha cabeça sobre seu ombro. Em outro situação eu iria surta com essa atitude dele. Mais nesse momento sentir que ele fazia isso de bom coração. Ficamos assim, abraçados em silêncios por uns minutos. Ate que eu resolvi falar.

- Você ainda ama a Nara? – Perguntei, quebrando o silencio que ainda se mantinha.

- Já amei muito. Mais ela conseguiu destruir esse sentimento. – Claude confessou. Eu percebi pelo tom da voz dele que falar da Nara ainda mexia muito com ele. – Só que ao contrario de você, estou conseguido superar isso. – Ele completou, referindo-se ao fato de me lembrar do Julio ainda me fazer mal.

- Eu já superei. – Respondi nada convincente.

- Superou nada, tanto é que ia deixar de usar esse vestido pelo simples fato dele te fazer lembrar o teu ex. – Ele comentou, me deixando sem graça. Claude estava certo. Eu ainda não tinha superado e não tinha certeza se conseguiria superar um dia. Parecia que eu ainda estava presa naquele momento em que fui abandonada só a espera de ser resgatada. Ainda bem que estava escuro, não queria que Claude visse meus olhos marejados.

- Não chora. – Ele comentou.

- Não estou chorando. – Rebati envergonhada. Como ele sabia que eu estava preste a chorar?

- Não preciso enxergar para ter certeza que seus olhos estão cheio de lagrima nesse exato momento.- Ele murmurou. Claude parecia me conhecer tão bem.

- Sempre sonhei em me casar. Em formar uma família. Mais o Julio me tirou todos esses sonhos. – Desabafei agora me rendendo ao choro. Sentir Claude me abraçar ainda mais.

- Sempre sonhou non. Você sonha ainda. E você vai realizar. – Ele sussurrou abraçado a mim. Segundo depois as luzes do elevador se acederam para meu alivio, cortando completamente o clima que estava começando a surgir entres nós.

- Ainda Bem. Já estava agoniada com esse escuro todo. – Falei me afastando rapidamente do Claude e enxugando minhas lagrimas logo em seguida. Eu estava sem graça.

- Mas o elevador ainda continua parado. – Ele observou.

- Mais pelo menos isso já é um sinal de que sabem que estávamos aqui. – Respondi um pouco mais animada.

- Cherry disso eles já sabiam desde o começo. – Ele rebateu ao se levantar. – Rosa! – Ele me chamou. Eu ainda estava sentada no chão.

- O que? – Perguntei ao encará-lo.

- Eu sei que esse casamento non passa de uma simples clausula de um testamento. Mais isso também non quer dizer que devemos nos odiar. Vamos tentar fazer desses meses os melhores possíveis tá? Quero me dá bem com você de verdade. Amigos?- Ele estendeu a mão em minha direção. – Ah! Dessa vez você non tem para onde você correr. - Ele completou com uma expressão divertida. Na ultima vez que ele sugeriu isso, eu o ignorei. Claude estava sendo tão fofo nesse últimos minutos, que seria cruel de minha parte nega-lhe isso. E eu estava começando a querer também a me dá bem com ele. Assenti com a cabeça sorrindo em resposta. E assim coloquei minha mão sobre a dele, que ainda estava estendida em minha direção para assim selar essa nossa possível trégua. Ele me ajudou a me levantar e em seguida me enlaçou delicadamente pela cintura com seus braços me puxando para mais perto dele. Apoiei minha cabeça em seu ombro e ele afogou seu rosto entre meus cabelos. O clima estava tão perfeito e mágico. Tudo parecia um sonho. Presos nesse elevador me deu a sensação de que no mundo só existíamos ele e eu. Que éramos os protagonistas e os demais era meros figurantes. Sentir minha pele toda arrepiar só com o simples toque dele e a nossa aproximação era tão grande que eu conseguia sentir sua respiração cada vez mais ofegante. Por um segundo ele me encarou nos olhos, e eu não sei o que me deu, mais naquela hora algo falou mais alto do que minha própria sanidade, então num gesto incalculável e impensável aproximei meu rosto do dele e ao sentir a sua respiração ainda mais próxima da minha, um desejo incontrolável me fez beijá-lo, tudo isso acorreu em pouco segundos o impedido de ter qualquer tipo de reação. Então comecei a beijá-lo delicadamente, ele não me pareceu ter qualquer resistência ao meu beijo se entregando ainda mais a esse meu gesto. O beijou começou suave e delicado, mais foi crescendo ao pouco. As caricias também iam aumentando. Minhas mãos insistiam em percorrer todo o seu peito desnudo. Há muito tempo eu não ficava assim tão próxima de um homem. Meu corpo estava preste a entrar em colapso. Eu não sabia com lidar com isso. De repente percebi uma claridade entrar rapidamente no lugar onde estávamos, parei de beijá-lo imediatamente e olhei para o lado, a porta do elevador havia sido aberta por dois funcionários e o Frazão estava junto com eles. Todos nos olhavam com uma cara assustada. Deviam está se perguntando o que estava se passando aqui. Detalhe, Claude ainda permanecia sem camisa. O que eles iriam pensar que estávamos fazendo? Eu queria morrer. Nunca passei por algo mais constrangedor em toda minha vida. Claude vestiu sua blusa rapidamente. “Será que não dá para fechar o elevador de novo e me levar para o Japão?” Pensei mentalmente com tamanha a vergonha que eu estava. Queria que o chão se abrisse para que eu pudesse enfiar minha cara e assim não precisar encarar ninguém a minha frente, muito menos o Claude. Havia me deixado levar pelo momento. E se eles não os tivessem nos interrompido?


"Pela primeira vez, você pode abrir os olhos

E ver o mundo sem a sua tristeza

Onde ninguem sabe a dor que você deixou para trás

E toda a paz que você nunca poderia encontrar

Está esperando lá para te segurar e te manter

Bem vinda ao primeiro dia de sua vida

Apenas abra os seus olhos"


Peço que comentem tá? Gosto saber de saber se estão gostando ou não. =)