segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

VÍDEO - HOMENAGEM AO NIVER DA GEOVANA

SESSÃO RETRÔ - VARIEDADES

O artigo que reproduzimos abaixo foi publicado na revista Cartaz, nr. 38, de 23/11/72.
Boa leitura!




SESSÃO RETRÔ - NOVELA - ESPECIAL III - UMA ROSA COM AMOR

O artigo que reproduzimos abaixo foi publicado na revista Cartaz, nr. 38, de 23/11/72.
Boa leitura!



Essa contrapa com foto dos personagens Milton (José Augusto Branco) e Terezinha (Nívea Maria) foi publicada no mesmo número da reportagem acima.


sábado, 26 de fevereiro de 2011

PARA MEDITAR - COLABORAÇÃO: MARI DO MURAL DA URCA

SOU O QUE SOU

Sou tímida
Uso as palavras para me enganar
Sou covarde
não dou um passo além da
linha demarcada
Engano-me nesta fantasia
Quero ser outra
mas não desgrudo do
meu porto seguro
Um porto vazio de sentimentos,
mas que me mantem algemada
Quero ir ao encontro no novo ,
mas é tão difícil se desvencilhar do velho
Sou rebelde...
somente no papel.
.
izilgallu

SESSÃO FOTONOVELA

A fotonovela que reproduzimos abaixo foi publicada na Revista Sétimo Céu. Infelizmente não conseguimos localizar o número ou a data da revista. Pelas reportagens, parece ser de 1974.
Queremos agradecer à Maria do Sul, que nos enviou essa revista bem como outras. Mais uma vez, a gratidão de coração do blog.
Boa leitura!





















sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

SESSÃO TRAQUIZ

A foto da semana passada era da Biscoitinha Mirtes.
Agora, tentem descobrir a Biscoitinha dessa semana.
Algumas pistas:
1) Música preferida: Love is not a fight de Warren Barfield.
2) Ator preferido: Cláudio Lins.
3) O que marcou sua vida: A primeira vez que foi chamada para pregar.
4) Frase preferida: "o amor não é uma luta... mais vale a pena lutar por ele".
5) O que mais gosta de fazer: compor e escrever poemas.
6) Objeto preferido: Uma "estátua" de um bonequinho tocando violino, que eu queria muito que fosse um piano.




SESSÃO FOTO QUIZ

A foto da semana passada é da atriz Mariana Ximenes.
Agora, tentem descobrir quem é o galãzinho da foto.
Algumas dicas:
1) Os pais são atores.
2) O pai já morreu.
3) Participou de novelas como Senhora do Destino, na Rede Globo, Cristal, no SBT, e Chamas da Vida, na Rede Record.
Boa diversão!




quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

ELA - AUTOR: JOSÉ EUGÊNIO


 



SESSÃO LEITURA

O conto que vamos reproduzir abaixo, intitulado O Gato Preto, é da autoria do famoso escritor norte-americano Edgar Allan Poe.
Para maiores informações sobre o autor, favor consultar: http://teoriadaliteraturauff.blogspot.com/2009/10/edgar-allan-poe-biografia.html.
Boa leitura!

O GATO PRETO

Não espero nem peço que se dê crédito à história sumamente extraordinária e, no entanto, bastante doméstica que vou narrar. Louco seria eu se esperasse tal coisa, tratando-se de um caso que os meus próprios sentidos se negam a aceitar. Não obstante, não estou louco e, com toda a certeza, não sonho. Mas amanhã posso morrer e, por isso, gostaria, hoje, de aliviar o meu espírito. Meu propósito imediato é apresentar ao mundo, clara e sucintamente, mas sem comentários, uma série de simples acontecimentos domésticos. Devido a suas conseqüências, tais acontecimentos me aterrorizaram, torturaram e instruíram.
No entanto, não tentarei esclarecê-los. Em mim, quase não produziram outra coisa senão horror _ mas, em muitas pessoas, talvez lhes pareçam menos terríveis que grotesco. Talvez, mais tarde, haja alguma inteligência que reduza o meu fantasma a algo comum _ uma inteligência mais serena, mais lógica e muito menos excitável do que, a minha, que perceba, nas circunstâncias a que me refiro com terror, nada mais do que uma sucessão comum de causas e efeitos muito naturais.
Desde a infância, tomaram-se patentes a docilidade e o sentido humano de meu caráter. A ternura de meu coração era tão evidente, que me tomava alvo dos gracejos de meus companheiros. Gostava, especialmente, de animais, e meus pais me permitiam possuir grande variedade deles. Passava com eles quase todo o meu tempo, e jamais me sentia tão feliz como quando lhes dava de comer ou os acariciava. Com os anos, aumentou esta peculiaridade de meu caráter e, quando me tomei adulto, fiz dela uma das minhas principais fontes de prazer. Aos que já sentiram afeto por um cão fiel e sagaz, não preciso dar-me ao trabalho de explicar a natureza ou a intensidade da satisfação que se pode ter com isso. Há algo, no amor desinteressado, e capaz de sacrifícios, de um animal, que toca diretamente o coração daqueles que tiveram ocasiões freqüentes de comprovar a amizade mesquinha e a frágil fidelidade de um simples homem.
Casei cedo, e tive a sorte de encontrar em minha mulher disposição semelhante à minha. Notando o meu amor pelos animais domésticos, não perdia a oportunidade de arranjar as espécies mais agradáveis de bichos. Tínhamos pássaros, peixes dourados, um cão, coelhos, um macaquinho e um gato.
Este último era um animal extraordinariamente grande e belo, todo negro e de espantosa sagacidade. Ao referir-se à sua inteligência, minha mulher, que, no íntimo de seu coração, era um tanto supersticiosa, fazia freqüentes alusões à antiga crença popular de que todos os gatos pretos são feiticeiras disfarçadas. Não que ela se referisse seriamente a isso: menciono o fato apenas porque aconteceu lembrar-me disso neste momento.
Pluto _ assim se chamava o gato _ era o meu preferido, com o qual eu mais me distraía. Só eu o alimentava, e ele me seguia sempre pela casa. Tinha dificuldade, mesmo, em impedir que me acompanhasse pela rua.
Nossa amizade durou, desse modo, vários anos, durante os quais não só o meu caráter como o meu temperamento _ enrubesço ao confessá-lo _ sofreram, devido ao demônio da intemperança, uma modificação radical para pior. Tomava-me, dia a dia, mais taciturno, mais irritadiço, mais indiferente aos sentimentos dos outros. Sofria ao empregar linguagem desabrida ao dirigir-me à minha mulher. No fim, cheguei mesmo a tratá-la com violência. Meus animais, certamente, sentiam a mudança operada em meu caráter. Não apenas não lhes dava atenção alguma, como, ainda, os maltratava. Quanto a Pluto, porém, ainda despertava em mim consideração suficiente que me impedia de maltratá-lo, ao passo que não sentia escrúpulo algum em maltratar os coelhos, o macaco e mesmo o cão, quando, por acaso ou afeto, cruzavam em meu caminho. Meu mal, porém, ia tomando conta de mim _ que outro mal pode se comparar ao álcool? _ e, no fim, até Pluto, que começava agora a envelhecer e, por conseguinte, se tomara um tanto rabugento, até mesmo Pluto começou a sentir os efeitos de meu mau humor.
Certa noite, ao voltar a casa, muito embriagado, de uma de minhas andanças pela cidade, tive a impressão de que o gato evitava a minha presença. Apanhei-o, e ele, assustado ante a minha violência, me feriu a mão, levemente, com os dentes. Uma fúria demoníaca apoderou-se, instantaneamente, de mim. Já não sabia mais o que estava fazendo. Dir-se-ia que, súbito, minha alma abandonara o corpo, e uma perversidade mais do que diabólica, causada pela genebra, fez vibrar todas as fibras de meu ser.Tirei do bolso um canivete, abri-o, agarrei o pobre animal pela garganta e, friamente, arranquei de sua órbita um dos olhos! Enrubesço, estremeço, abraso-me de vergonha, ao referir-me, aqui, a essa abominável atrocidade.
Quando, com a chegada da manhã, voltei à razão _ dissipados já os vapores de minha orgia noturna, experimentei, pelo crime que praticara, um sentimento que era um misto de horror e remorso; mas não passou de um sentimento superficial e equívoco, pois minha alma permaneceu impassível. Mergulhei novamente em excessos, afogando logo no vinho a lembrança do que acontecera.
Entrementes, o gato se restabeleceu, lentamente. A órbita do olho perdido apresentava, é certo, um aspecto horrendo, mas não parecia mais sofrer qualquer dor. Passeava pela casa como de costume, mas, como bem se poderia esperar, fugia, tomado de extremo terror, à minha aproximação. Restava-me ainda o bastante de meu antigo coração para que, a princípio, sofresse com aquela evidente aversão por parte de um animal que, antes, me amara tanto. Mas esse sentimento logo se transformou em irritação. E, então, como para perder-me final e irremissivelmente, surgiu o espírito da perversidade. Desse espírito, a filosofia não toma conhecimento. Não obstante, tão certo como existe minha alma, creio que a perversidade é um dos impulsos primitivos do coração humano - uma das faculdades, ou sentimentos primários, que dirigem o caráter do homem. Quem não se viu, centenas de vezes, a cometer ações vis ou estúpidas, pela única razão de que sabia que não devia cometê-las? Acaso não sentimos uma inclinação constante mesmo quando estamos no melhor do nosso juízo, para violar aquilo que é lei, simplesmente porque a compreendemos como tal? Esse espírito de perversidade, digo eu, foi a causa de minha queda final. O vivo e insondável desejo da alma de atormentar-se a si mesma, de violentar sua própria natureza, de fazer o mal pelo próprio mal, foi o que me levou a continuar e, afinal, a levar a cabo o suplício que infligira ao inofensivo animal. Uma manhã, a sangue frio, meti-lhe um nó corredio em torno do pescoço e enforquei-o no galho de uma árvore. Fi-lo com os olhos cheios de lágrimas, com o coração transbordante do mais amargo remorso. Enforquei-o porque sabia que ele me amara, e porque reconhecia que não me dera motivo algum para que me voltasse contra ele. Enforquei-o porque sabia que estava cometendo um pecado _ um pecado mortal que comprometia a minha alma imortal, afastando-a, se é que isso era possível, da misericórdia infinita de um Deus infinitamente misericordioso e infinitamente terrível.
Na noite do dia em que foi cometida essa ação tão cruel, fui despertado pelo grito de "fogo!". As cortinas de minha cama estavam em chamas. Toda a casa ardia. Foi com grande dificuldade que minha mulher, uma criada e eu conseguimos escapar do incêndio. A destruição foi completa. Todos os meus bens terrenos foram tragados pelo fogo, e, desde então, me entreguei ao desespero.
Não pretendo estabelecer relação alguma entre causa e efeito - entre o desastre e a atrocidade por mim cometida. Mas estou descrevendo uma seqüência de fatos, e não desejo omitir nenhum dos elos dessa cadeia de acontecimentos. No dia seguinte ao do incêndio, visitei as ruínas. As paredes, com exceção de uma apenas, tinham desmoronado. Essa única exceção era constituída por um fino tabique interior, situado no meio da casa, junto ao qual se achava a cabeceira de minha cama. O reboco havia, aí, em grande parte, resistido à ação do fogo _ coisa que atribuí ao fato de ter sido ele construído recentemente. Densa multidão se reunira em torno dessa parede, e muitas pessoas examinavam, com particular atenção e minuciosidade, uma parte dela, As palavras "estranho!", "singular!", bem como outras expressões semelhantes, despertaram-me a curiosidade. Aproximei-me e vi, como se gravada em baixo-relevo sobre a superfície branca, a figura de um gato gigantesco. A imagem era de uma exatidão verdadeiramente maravilhosa. Havia uma corda em tomo do pescoço do animal.
Logo que vi tal aparição, pois não poderia considerar aquilo como sendo outra coisa, o assombro e terror que se me apoderaram foram extremos. Mas, finalmente, a reflexão veio em meu auxílio. O gato, lembrei-me, fora enforcado num jardim existente junto à casa. Aos gritos de alarma, o jardim fora imediatamente invadido pela multidão. Alguém deve ter retirado o animal da árvore, lançando-o, através de uma janela aberta, para dentro do meu quarto. Isso foi feito, provavelmente, com a intenção de despertar-me. A queda das outras paredes havia comprimido a vítima de minha crueldade no gesso recentemente colocado sobre a parede que permanecera de pé. A cal do muro, com as chamas e o amoníaco desprendido da carcaça, produzira a imagem tal qual eu agora a via.
Embora isso satisfizesse prontamente minha razão, não conseguia fazer o mesmo, de maneira completa, com minha consciência, pois o surpreendente fato que acabo de descrever não deixou de causar-me, apesar de tudo, profunda impressão. Durante meses, não pude livrar-me do fantasma do gato e, nesse espaço de tempo, nasceu em meu espírito uma espécie de sentimento que parecia remorso, embora não o fosse. Cheguei, mesmo, a lamentar a perda do animal e a procurar, nos sórdidos lugares que então freqüentava, outro bichano da mesma espécie e de aparência semelhante que pudesse substituí-lo.
Uma noite, em que me achava sentado, meio aturdido, num antro mais do que infame, tive a atenção despertada, subitamente, por um objeto negro que jazia no alto de um dos enormes barris, de genebra ou rum, que constituíam quase que o único mobiliário do recinto. Fazia já alguns minutos que olhava fixamente o alto do barril, e o que então me surpreendeu foi não ter visto antes o que havia sobre o mesmo. Aproximei-me e toquei-o com a mão. Era um gato preto, enorme _ tão grande quanto Pluto _ e que, sob todos os aspectos, salvo um, se assemelhava a ele. Pluto não tinha um único pêlo branco em todo o corpo _ e o bichano que ali estava possuía uma mancha larga e branca, embora de forma indefinida, a cobrir-lhe quase toda a região do peito.
Ao acariciar-lhe o dorso, ergueu-se imediatamente, ronronando com força e esfregando-se em minha mão, como se a minha atenção lhe causasse prazer. Era, pois, o animal que eu procurava. Apressei-me em propor ao dono a sua aquisição, mas este não manifestou interesse algum pelo felino. Não o conhecia; jamais o vira antes.
Continuei a acariciá-lo e, quando me dispunha a voltar para casa, o animal demonstrou disposição de acompanhar-me. Permiti que o fizesse _ detendo-me, de vez em quando, no caminho, para acariciá-lo. Ao chegar, sentiu-se imediatamente à vontade, como se pertencesse a casa, tomando-se, logo, um dos bichanos preferidos de minha mulher.
De minha parte, passei a sentir logo aversão por ele. Acontecia, pois, justamente o contrário do que eu esperava. Mas a verdade é que - não sei como nem por quê _ seu evidente amor por mim me desgostava e aborrecia. Lentamente, tais sentimentos de desgosto e fastio se converteram no mais amargo ódio. Evitava o animal. Uma sensação de vergonha, bem como a lembrança da crueldade que praticara, impediam-me de maltratá-lo fisicamente. Durante algumas semanas, não lhe bati nem pratiquei contra ele qualquer violência; mas, aos poucos - muito gradativamente _ , passei a sentir por ele inenarrável horror, fugindo, em silêncio, de sua odiosa presença, como se fugisse de uma peste.
Sem dúvida, o que aumentou o meu horror pelo animal foi a descoberta, na manhã do dia seguinte ao que o levei para casa, que, como Pluto, também havia sido privado de um dos olhos. Tal circunstância, porém, apenas contribuiu para que minha mulher sentisse por ele maior carinho, pois, como já disse, era dotada, em alto grau, dessa ternura de sentimentos que constituíra, em outros tempos, um de meus traços principais, bem como fonte de muitos de meus prazeres mais simples e puros.
No entanto, a preferência que o animal demonstrava pela minha pessoa parecia aumentar em razão direta da aversão que sentia por ele. Seguia-me os passos com uma pertinácia que dificilmente poderia fazer com que o leitor compreendesse. Sempre que me sentava, enrodilhava-se embaixo de minha cadeira, ou me saltava ao colo, cobrindo-me com suas odiosas carícias. Se me levantava para andar, metia-se-me entre as pernas e quase me derrubava, ou então, cravando suas longas e afiadas garras em minha roupa, subia por ela até o meu peito. Nessas ocasiões, embora tivesse ímpetos de matá-lo de um golpe, abstinha-me de fazê-lo devido, em parte, à lembrança de meu crime anterior, mas, sobretudo _ apresso-me a confessá-lo _ , pelo pavor extremo que o animal me despertava. Esse pavor não era exatamente um pavor de mal físico e, contudo, não saberia defini-lo de outra maneira. Quase me envergonha confessar _ sim, mesmo nesta cela de criminoso _ , quase me envergonha confessar que o terror e o pânico que o animal me inspirava eram aumentados por uma das mais puras fantasias que se possa imaginar. Minha mulher, mais de uma vez, me chamara a atenção para o aspecto da mancha branca a que já me referi, e que constituía a única diferença visível entre aquele estranho animal e o outro, que eu enforcara. O leitor, decerto, se lembrará de que aquele sinal, embora grande, tinha, a princípio, uma forma bastante indefinida. Mas, lentamente, de maneira quase imperceptível _ que a minha imaginação, durante muito tempo, lutou por rejeitar como fantasiosa _, adquirira, por fim, uma nitidez rigorosa de contornos. Era, agora, a imagem de um objeto cuja menção me faz tremer... E, sobretudo por isso, eu o encarava como a um monstro de horror e repugnância, do qual eu, se tivesse coragem, me teria livrado. Era agora, confesso, a imagem de uma coisa odiosa, abominável: a imagem da forca! Oh, lúgubre e terrível máquina de horror e de crime, de agonia e de morte!
Na verdade, naquele momento eu era um miserável _ um ser que ia além da própria miséria da humanidade. Era uma besta-fera, cujo irmão fora por mim desdenhosamente destruído... uma besta-fera que se engendrara em mim, homem feito à imagem do Deus Altíssimo. Oh, grande e insuportável infortúnio! Ai de mim! Nem de dia, nem de noite, conheceria jamais a bênção do descanso! Durante o dia, o animal não me deixava a sós um único momento; e, à noite, despertava de hora em hora, tomado do indescritível terror de sentir o hálito quente da coisa sobre o meu rosto, e o seu enorme peso _ encarnação de um pesadelo que não podia afastar de mim _ pousado eternamente sobre o meu coração!
Sob a pressão de tais tormentos, sucumbiu o pouco que restava em mim de bom. Pensamentos maus converteram-se em meus únicos companheiros _ os mais sombrios e os mais perversos dos pensamentos. Minha rabugice habitual se transformou em ódio por todas as coisas e por toda a humanidade _ e enquanto eu, agora, me entregava cegamente a súbitos, freqüentes e irreprimíveis acessos de cólera, minha mulher - pobre dela! - não se queixava nunca convertendo-se na mais paciente e sofredora das vítimas.
Um dia, acompanhou-me, para ajudar-me numa das tarefas domésticas, até o porão do velho edifício em que nossa pobreza nos obrigava a morar, O gato seguiu-nos e, quase fazendo-me rolar escada abaixo, me exasperou a ponto de perder o juízo. Apanhando uma machadinha e esquecendo o terror pueril que até então contivera minha mão, dirigi ao animal um golpe que teria sido mortal, se atingisse o alvo. Mas minha mulher segurou-me o braço, detendo o golpe. Tomado, então, de fúria demoníaca, livrei o braço do obstáculo que o detinha e cravei-lhe a machadinha no cérebro. Minha mulher caiu morta instantaneamente, sem lançar um gemido.
Realizado o terrível assassínio, procurei, movido por súbita resolução, esconder o corpo. Sabia que não poderia retirá-lo da casa, nem de dia nem de noite, sem correr o risco de ser visto pelos vizinhos.
Ocorreram-me vários planos. Pensei, por um instante, em cortar o corpo em pequenos pedaços e destruí-los por meio do fogo. Resolvi, depois, cavar uma fossa no chão da adega. Em seguida, pensei em atirá-lo ao poço do quintal. Mudei de idéia e decidi metê-lo num caixote, como se fosse uma mercadoria, na forma habitual, fazendo com que um carregador o retirasse da casa. Finalmente, tive uma idéia que me pareceu muito mais prática: resolvi emparedá-lo na adega, como faziam os monges da Idade Média com as suas vítimas.
Aquela adega se prestava muito bem para tal propósito. As paredes não haviam sido construídas com muito cuidado e, pouco antes, haviam sido cobertas, em toda a sua extensão, com um reboco que a umidade impedira de endurecer. Ademais, havia uma saliência numa das paredes, produzida por alguma chaminé ou lareira, que fora tapada para que se assemelhasse ao resto da adega. Não duvidei de que poderia facilmente retirar os tijolos naquele lugar, introduzir o corpo e recolocá-los do mesmo modo, sem que nenhum olhar pudesse descobrir nada que despertasse suspeita. E não me enganei em meus cálculos. Por meio de uma alavanca, desloquei facilmente os tijolos e tendo depositado o corpo, com cuidado, de encontro à parede interior. Segurei-o nessa posição, até poder recolocar, sem grande esforço, os tijolos em seu lugar, tal como estavam anteriormente. Arranjei cimento, cal e areia e, com toda a precaução possível, preparei uma argamassa que não se podia distinguir da anterior, cobrindo com ela, escrupulosamente, a nova parede. Ao terminar, senti-me satisfeito, pois tudo correra bem. A parede não apresentava o menor sinal de ter sido rebocada. Limpei o chão com o maior cuidado e, lançando o olhar em tomo, disse, de mim para comigo: "Pelo menos aqui, o meu trabalho não foi em vão".
O passo seguinte foi procurar o animal que havia sido a causa de tão grande desgraça, pois resolvera, finalmente, matá-lo. Se, naquele momento, tivesse podido encontrá-lo, não haveria dúvida quanto à sua sorte: mas parece que o esperto animal se alarmara ante a violência de minha cólera, e procurava não aparecer diante de mim enquanto me encontrasse naquele estado de espírito. Impossível descrever ou imaginar o profundo e abençoado alívio que me causava a ausência de tão detestável felino. Não apareceu também durante a noite _ e, assim, pela primeira vez, desde sua entrada em casa, consegui dormir tranqüila e profundamente. Sim, dormi mesmo com o peso daquele assassínio sobre a minha alma.
Transcorreram o segundo e o terceiro dia _ e o meu algoz não apareceu. Pude respirar, novamente, como homem livre. O monstro, aterrorizado fugira para sempre de casa. Não tomaria a vê-lo! Minha felicidade era infinita! A culpa de minha tenebrosa ação pouco me inquietava. Foram feitas algumas investigações, mas respondi prontamente a todas as perguntas. Procedeu-se, também, a uma vistoria em minha casa, mas, naturalmente, nada podia ser descoberto. Eu considerava já como coisa certa a minha felicidade futura.
No quarto dia após o assassinato, uma caravana policial chegou, inesperadamente, a casa, e realizou, de novo, rigorosa investigação. Seguro, no entanto, de que ninguém descobriria jamais o lugar em que eu ocultara o cadáver, não experimentei a menor perturbação. Os policiais pediram-me que os acompanhasse em sua busca. Não deixaram de esquadrinhar um canto sequer da casa. Por fim, pela terceira ou quarta vez, desceram novamente ao porão. Não me alterei o mínimo que fosse. Meu coração batia calmamente, como o de um inocente. Andei por todo o porão, de ponta a ponta. Com os braços cruzados sobre o peito, caminhava, calmamente, de um lado para outro. A polícia estava inteiramente satisfeita e preparava-se para sair. O júbilo que me inundava o coração era forte demais para que pudesse contê-lo. Ardia de desejo de dizer uma palavra, uma única palavra, à guisa de triunfo, e também para tomar duplamente evidente a minha inocência.
- Senhores - disse, por fim, quando os policiais já subiam a escada _ , é para mim motivo de grande satisfação haver desfeito qualquer suspeita. Desejo a todos os senhores ótima saúde e um pouco mais de cortesia. Diga-se de passagem, senhores, que esta é uma casa muito bem construída... (Quase não sabia o que dizia, em meu insopitável desejo de falar com naturalidade.) Poderia, mesmo, dizer que é uma casa excelentemente construída. Estas paredes _ os senhores já se vão? _ , estas paredes são de grande solidez.
Nessa altura, movido por pura e frenética fanfarronada, bati com força, com a bengala que tinha na mão, justamente na parte da parede atrás da qual se achava o corpo da esposa de meu coração.
Que Deus me guarde e livre das garras de Satanás! Mal o eco das batidas mergulhou no silêncio, uma voz me respondeu do fundo da tumba, primeiro com um choro entrecortado e abafado, como os soluços de uma criança; depois, de repente, com um grito prolongado, estridente, contínuo, completamente anormal e inumano. Um uivo, um grito agudo, metade de horror, metade de triunfo, como somente poderia ter surgido do inferno, da garganta dos condenados, em sua agonia, e dos demônios exultantes com a sua condenação.
Quanto aos meus pensamentos, é loucura falar. Sentindo-me desfalecer, cambaleei até à parede oposta. Durante um instante, o grupo de policiais deteve-se na escada, imobilizado pelo terror. Decorrido um momento, doze braços vigorosos atacaram a parede, que caiu por terra. O cadáver, já em adiantado estado de decomposição, e coberto de sangue coagulado, apareceu, ereto, aos olhos dos presentes.
Sobre sua cabeça, com a boca vermelha dilatada e o único olho chamejante, achava-se pousado o animal odioso, cuja astúcia me levou ao assassínio e cuja voz reveladora me entregava ao carrasco. Eu havia emparedado o monstro dentro da tumba!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

SESSÃO SAUDADE - COLABORAÇÃO: MARIA DO SUL

Novela Pigmalião 70 - minhas recordações:
Cristina (Cris) era uma dondoca, rica e mimada dona de um salão de beleza chique e vivia com o pai e seu filho, o jovem Kico numa bela casa. Ela havia casado muito jovem e enviuvara cedo. 
Fernando (Nando) era um rústico trabalhador, que trabalhava na feira, estando em seu  velho caminhão já as 4 horas da manhã. Morava com sua mãe, apelidada Baronesa,  mas que de nobre não tinha nada, sendo uma senhora gritona e turbulenta. Os dois tinham uma barraca na feira e viviam numa vila ou cortiço, (não lembro bem), entre os amigos, a maioria feirantes como eles, como Gino, um grande amigo. Nando era noivo de Candinha, mas acho que não existia amor realmente entre os dois.
Um dia, Cris batia o carro,  por sinal um carro de luxo, no velho caminhão de Nando. Começava um bate-boca entre os dois, a polícia surgia em cena. Ele chamava-a de barbeira, etc. Depois, ela acostumada a resolver tudo com seu dinheiro e charme, queria que ele assumisse a culpa pelo acidente e ele não concordava. Isso virava motivo de chacota entre os amigos dela, que, então, afirmava que seria capaz de mudar essa situação. O pai dela desafiou-a para uma aposta: ela teria um tempo (acho que seis meses) para transformar o, segundo eles, grosso, mal-educado,  mal-vestido, etc, Nando em um gentleman. Ela, que não suportava que duvidassem da capacidade dela, aceitou, mesmo chocada com o que teria que fazer se perdesse a aposta: teria que casar! Ela lembrava o pai que era a segunda vez que ele fazia uma aposta em que  teria que casar, caso perdesse. O casamento com o pai de Kico, só aconteceu por ela ter perdido uma aposta com o pai!
Não lembro as artimanhas que ela usou para convencer Nando a se submeter às aulas dela, o fato é que ele topou e aí começava a melhor parte da novela. Ele ia, acho que diariamente, depois do trabalho na feira, na mansão dela, onde ela tentava ensinar-lhe boas maneiras:  a sentar, a comer,  a não mascar chicletes (o que ele fazia sempre).Também mudava o visual dele que só andava de jeans e regata branca, fazendo-o usar roupas mais sociais. No começo, era um horror: um dia, ele furioso, tirou um chiclete da boca e colou na parede da mansão, deixando-a possessa! Ela achava-o insuportável,  mal-educado, ele achava-a uma grã-fina, cheia de frescuras e esnobe, enfim o relacionamento dos dois era tumultuado. Mas, prosseguiam com as ¨aulas¨, inclusive de dicção, o que era muito engraçado! Ela lutava para melhorar o vocabulário dele, que então resolvia procurar um professor particular, surgindo o seguinte bate-papo dele ao telefone: - Aí dão aulas de Portugês? - Não, não é pra crianças, é pra marmanjo! - Não, não é pra estrangeiro, é pra brasileiro!  Acabava desistindo.
 Os dois então se preparavam para o dia em que ele seria apresentado à alta sociedade, numa recepção com gente chiquérrima!  Com a convivência, diária, os dois começavam a ver os pontos positivos um do outro, a perder a prevenção inicial. E também começavam e sentir algo mais profundo, que nenhum dos dois sentira antes: amor.
Chegava enfim o dia da festa: Cris e Nando tensos, preocupadíssimos, ela linda, num belo vestido, com seu corte de cabelo que recebeu o nome de Pigmalião, ( que virou moda, até eu usei, rsrsrs), ele elegante, na sua roupa chiquérrima. Tudo correu bem, Nando conversou com os convidados, como se fosse um homem fino, se portou bem na hora de comer e segurar os talheres, enfim era como os outros convidados da alta sociedade. Mas, estava presente uma ilustre convidada estrangeira, que pareceu interessar-se pela música que tocava, um samba de gafieira. Nando, que era frequentador de gafieira, não resistiu: convidou-a para dançar, para desespero de Cris! O pai de Cris sorriu, achando que ganhara a aposta, ao ver Nando dançando e ensinando à gringa os passos da dança!  Cris e Nando nervosos brigaram, cada um foi para sua casa arrasado. No dia seguinte, esperavam ansiosos os comentários dos jornais. Quando chegaram, foi aquela surpresa! Todas os jornais elogiavam Fernando Dalba, por ter mostrado para a estrangeira a genuína arte brasileira, chamando-o de verdadeiro gentleman!  Nando foi elogiadíssimo nas colunas sociais, cujos repórteres, não sabiam de sua origem humilde. Depois de alguns desencontros, Nando auxiliado por Kico, encontrou Cris no avião e os dois entre beijos e abraços, viajaram para a Europa.
Essa novela foi muito engraçada. Lembro de uma cena, quando a chique e elegante Cris foi na feira junto com sua (mui) amiga Malu, que, para irritá-la, pegou um enorme cacho de uvas e disse provocante: - Fernando coma  uma uva! Ele, percebendo que isso desagradava Cris, foi e os dois comiam as enormes uvas, quase encostando as bocas,  o que fez com que Cris fosse ficando cada vez mais irritada com a provocação! Não demorou muito e ela sempre tão chique, tão avessa a barracos, se jogou em cima de Malu e foi uma briga medonha! Juntou gente pra assistir,  Cris estava enfurecida, e acabou demolindo a barraca da Baronesa, que parece que começou a gostar de Cris depois disso! Foi um desperdício de frutas e hortaliças esparramadas no chão e a gente chorava de rir! Logo,  em outra cena, apareceu Cris, não tão elegante, meio despenteada, acho que com a roupa rasgada numa cela da delegacia, junto com Malu em igual situação e Nando, também preso numa cela próxima! Acho que o autor quis mostrar que ninguém consegue ter um comportamento ideal o tempo inteiro. Foi inesquecível essa cena!
Quando começou a novela, não existia  o Google, então nosso Google eram os professores, rsrsrs. Logo perguntamos o que era Pigmalião e a professora explicou que Pigmalião era um escultor da mitologia grega que apaixonou-se por uma estátua esculpida por ele. A novela foi inspirada na peça Pigmalião de George Bernard Shaw.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pigmali%C3%A3o_70

http://pt.wikipedia.org/wiki/My_Fair_Lady

Espero que tenham entendido e gostado desse depoimento sobre essa linda história que foi Pigmalião 70. Beijos a todos.

VÍDEO COM FOTOS DA NOVELA



NOTA DO BLOG

A novela Pigmalião 70 foi apresentada pela Rede Globo, no horário das 19 horas, entre 02 de março e 24 de outubro de 1970.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: http://www.teledramaturgia.com.br/tele/pigmaliao.asp.

LOCOMOTIVAS - CAPÍTULO III - PARTE I


Margarida vivia dias felizes. O filho estava parando em casa. Levava-a com Celeste ao cinema, jogava buraco, dormia cedo. Enfim, tudo corria como deveria ser sempre: longe daquelas garotas que viviam atrás dele. A pior de todas era a tal de Patrícia. Renata não conseguia dominar Netinho, mas a outra era capaz de tirá-lo do sério. Bastava ligar que o bobinho já ia atrás dela como um cãozinho amestrado. Não tinha criado um filho para cair assim tão facilmente nas mãos da primeira que aparecesse.
Celeste atravessava um período cheio de contradições. De um lado estava contente por ter Netinho mais tempo ali por perto. Ele conversava bastante com ela, trocava idéias, chorava as mágoas. E isso lhe dava um enorme prazer, porque era a única forma de intimidade que podia desfrutar com ele. O que será que sentia por Netinho? Não era apenas atração física. Isso, aliás, nem passava por sua cabeça. O que valia para ela era esse tipo de intimidade, era sentir que o rapaz confiava nela e lhe contava todos os segredos de sua alma. Amiga, irmã, conselheira, psicanalista, confidente... era muito bom saber que era tudo isso ao mesmo tempo para Netinho. Valia muito mais do que se fosse apenas a namorada.
Por isso tudo, Celeste não ficou nem um pouco triste quando Netinho lhe deu a notícia de que tinha reatado o namoro com Renata. Celeste não se sentia em competição com as outras moças. Ela sabia que não passavam de aventuras, de passatempos que ele um dia superaria. O mais importante para ela, no entanto, era entendê-lo, ficar a seu lado e dar-lhe todo o apoio de que precisasse.
Margarida, por sua vez, ficou arrasada. Percebeu que o período de trégua terminara. Agora começaria a guerra outra vez. Ela era contra esse mundo de mulheres tentando agarrar o filho. Estava ali para defendê-lo. Mas quem defenderia Netinho de Margarida?

Sérgio não sabia mais o que fazer com a filha. Ela se recusava a levar a sério os estudos. Havia desistido de fazer faculdade. Também não se dedicava aos cursos de línguas e piano que ele tanto tentou obrigá-la a seguir. Mas o pior de tudo eram os rapazes com quem se relacionava. Não confiava na habilidade de Mirtes para controlá-la. Desconfiava de que Patrícia saía quase toda noite, sabe-se lá com quem, às escondidas. Se ela se entendesse com Marco Aurélio, seria maravilhoso. Não apenas estariam terminadas suas angústias de pai, como também ficariam solucionados seus problemas como empresário. A indústria ia de mal a pior e justamente Marco Aurélio era um de seus maiores credores.
Para complicar ainda mais o quadro, aparecera esse filho da Kiki Blanche.
Seria uma vingança? Uma forma de obrigá-lo a saldar uma dívida do passado? Não, não tinha sentido. Só podia ser uma coincidência. Uma horrível e indesejável coincidência. Jamais permitiria que sua filha se relacionasse com o filho de uma vedete do teatro rebolado. Preferia que ela namorasse com aquele outro garoto. Aquele que a tinha salvo do afogamento. Apesar de humilde, era um mal menor. Quem sabe assim ela se esquecesse do filho da Kiki Blanche. E, nesse meio tempo, seria possível arrastar Marco Aurélio e fazer com que Patrícia o conhecesse.
- Patrícia, minha filha... você tem visto aquele rapaz que a salvou?
- Não, papai - respondeu amedrontada.
- Pois você tem a permissão para recebê-lo em nossa casa...
- É mesmo, papai? - Patrícia nem acreditava na súbita mudança do pai.
Mas não perdeu nem um segundo em tentar entendê-lo. Sua primeira providência foi ligar para Netinho e contar-lhe a novidade.

Fábio estava infeliz, mas pelo menos tinha a consciência tranqüila. Fez o que era possível para convencer Milena da idiotice que estava fazendo, de deixá-lo para a irmã. Fez o possível também para convencer Fernanda de que aquela sua paixão por ele terminaria antes que ela pudesse imaginar.
Mas nenhuma das duas parecia entender sua lógica. Uma coisa tinham em comum: a teimosia. E, no entanto, nem ao menos eram irmãs legítimas... Aborrecido com os caprichos das duas, resolveu voltar aos velhos tempos e sair um pouco com suas antigas namoradas. Bastou discar alguns números e já estava pronto para mais uma noitada fútil e inconseqüente, mas que ao menos não o enlouqueceria como Milena estava conseguindo fazer. Fábio saiu com uma antiga namorada, chamada Carla Lambrini, mulher madura, bonita e milionária, que, se não era muito inteligente e culta, também não lhe trazia problemas.
Fernanda estava sozinha em seu quarto, remexendo roupas e arrumando gavetas, e aproveitou para remexer também em sua vida. Foi até o telefone e ligou para Fábio. Quem atendeu foi Sílvia, a irmã dele, que torcia por Milena e, portanto, contra Fernanda. Respondeu-lhe com educação e frieza, fazendo questão de dizer que Fábio tinha saído com uma mulher e talvez só voltasse na manhã seguinte. Fernanda desligou o telefone sem dizer "boa noite" ou "muito obrigada". Se soubesse onde Fábio estava com sua namorada, iria até lá e mataria os dois; ou melhor, só ela, já que para Fábio reservaria um castigo especial. Deitou-se na cama e não sentiu vontade de chorar. Apenas ódio. Odio de tudo e de todos. E não queria sentir esse ódio sozinha, queria partilhá-lo com mais alguém; e assim foi até o quarto de Milena. Bateu à porta, ouviu a voz da irmã dando permissão para entrar; entrou, sentou-se na cama dela e ficou calada.
- Que foi, Fernanda? Não consegue dormir?
- Não. E nem quero. Estou morrendo, borbulhando, explodindo de tanto ódio! Ah, se eu pudesse encontrar aqueles dois agora...
- Dois? De quem você está falando, Fernanda?
- Eu acabei de telefonar para o Fábio, e a irmã dele me disse que ele saiu com uma mulher e que provavelmente só vai voltar amanhã.
Milena engoliu em seco para não deixar transparecer nenhum sentimento de ciúme ou de raiva diante da irmã.
- Bem, Fernanda. Fábio é viúvo, e é adulto. Ele tem o direito de sair com quem quiser. E de passar a noite fora sem ter que dar maiores explicações.
- Mas, se ele está querendo uma mulher pra ficar com ele, por que não me convidou no lugar dela?
Milena sentiu o peito gelar. Seria possível que Fernanda e Fábio já tivessem chegado a essa intimidade? Não... não era possível! Ele não teria coragem de fazer isso com uma menina de dezoito anos, e ainda mais sendo sua filha... Isso teria de ser muito bem esclarecido!
_ Fernanda, não está querendo me dizer que você e ele já chegaram a esse ponto...
Femanda entendeu aquilo como se fosse uma demonstração de ciúme da irmã e resolveu mentir só pra medir o que ela sentia por ele.
- Ih, Milena, como você é antiquada! É claro que eu não contaria uma coisa dessas pra Kiki; afinal ela é mãe, sabe como é... mas como você é minha irmã não tem problema nenhum em contar...
Milena mordia os lábios para se conter. Não podia nem imaginar o que viria depois...             .
- Bem, um dia eu encontrei o Fábio por acaso, e nós saímos; ele disse que eu estava muito bonita, e acho que ele não resistiu. Passamos a tarde juntos e fizemos amor... foi maravilhoso, Milena! Espero que você não vá ficar com ciúme, eu só estou lhe contando o que aconteceu... Bem, acho que vou dormir. De repente fiquei com sono.
Fernanda levantou-se, sabendo que provocara alguma coisa em Milena. Mal sabia ela que não era a irmã quem estava sofrendo por Fábio; mas sua própria mãe, angustiada diante da revelação de que sua filha já não era mais uma menina, mas uma mulher...
Na manhã seguinte, Milena telefonou para o escritório de Fábio. Assim que a secretária anunciou seu nome, Fábio correu a atendê-la. Mas do outro lado da linha encontrou uma voz séria e fria perguntando sobre Fernanda.
Fábio negou toda a história inventada por Fernanda, jurando a ela que nada disso tinha acontecido e que, certamente, não viria a acontecer. Não era de Fernanda que ele gostava, e sim dela. Milena ficou tranqüilizada com as palavras dele. Sabia que, apesar de tudo, era um homem sério e íntegro e que não mentiria a ela sobre assunto dessa seriedade. Fábio, no entanto, não entendia por que Milena ficara tão atordoada com a história de Fernanda. Se a preocupação fosse por causa de ciúme, ele até ficaria lisonjeado. Mas o tom de voz dela indicava uma cobrança séria, como uma mãe quando descobre que a filha já não é virgem...
Terminado o telefonema, Fábio resolveu falar com Fernanda pessoalmente, e de uma vez por todas acabar com esse martírio de ter uma criança teimosa atrapalhando sua vida.

O encontro com Fernanda foi marcado para a hora do almoço, num restaurante simples à beira da praia. Quando ela chegou, Fábio já estava lá.
- Desculpe a demora. Se eu soubesse que ia deixar você esperando, teria vindo mais cedo.
- Não tem importância, Fernanda.
- E então? Desistiu de tentar resistir e vai me pedir em casamento?
- Fernanda, pare de sonhar. Eu não amo você. Acho você uma garota maravilhosa, cheia de vida, mas estou apaixonado por sua irmã.
- Ouvi, mas acho que isso também vai passar logo. Ela não quer nem ouvir falar em seu nome.
- Por sua culpa! Se você não tivesse inventado essa história de se apaixonar por mim, ela não teria me dado o fora.
- Não tente me culpar, Fábio. Se ela amasse você de verdade, não teria tomado uma atitude dessas. Ou você já ouviu falar de uma irmã que abre mão do seu homem pra deixá-lo pra outra?
Fábio não tinha como argumentar. Realmente, ele nunca tinha tido notícias de uma outra situação absurda como essa. Decidiu retomar o diálogo com ela, sem tocar no nome de Milena.
- Olhe, Fernanda, eu quero lhe dizer uma coisa muito sincera. Não acredito que daria certo eu e você. Mesmo que resolvesse entrar nessa loucura e casar com você, o nosso relacionamento não duraria nem cinco anos. É uma questão de aritmética. Eu tenho 45 anos, e você, dezoito. Agora isso não parece tão trágico. Mas, daqui a quinze anos, a diferença será uma catástrofe. Imagine um velho de sessenta anos, passeando na praia com uma mulher de 33, linda e exuberante, no início de sua maturidade. Não tem sentido...
- Eu vou gostar de você mesmo quando tiver 120 anos!
- Você não tem mesmo jeito, Fernanda... - respondeu ele, rindo.
- E você vai me matar de tanta fome! Eu já estou até trocando você por um garçom com uma bandeja cheia de comida!
Fábio chamou o garçom e fez o pedido. Fernanda estava adorando a companhia dele. E resolveu pedir uma pequena ajuda numa velha questão.
- Fábio, eu preciso de você como advogado. Quero descobrir minha verdadeira mãe.
- Que bobagem, Fernanda! Você sabe que sua mãe é Kiki Blanche, aliás, uma mãe maravilhosa.
- Eu sei. É só uma questão de... curiosidade. Só pra ver se eu me pareço com ela. Você me ajuda?
- Vou pensar... mas acho que isso eu posso fazer por você.

Naquela tarde de verão, no Tia Joana, Vitor fazia as contas da receita da noite anterior e separava os cheques para depositar. Chico Rico cuidava do levantamento do que havia e do que estava faltando no estoque. Marcelina e Joana iam colocando as carnes no tempero e adiantando os pratos mais pedidos para a noite. Lurdinha e Gracinha acabavam de chegar do instituto e iam arrumando as mesas do salão. Quando Machadinho chegou, quase não foi reconhecido.
Estava vestido com. roupas novas e modernas, completamente diferentes das que ele trouxera de Portugal e que vinha então usando. Colocou vários embrulhos que carregava sobre a mesa e cumprimentou gentilmente a todos. Vítor não se conteve:             .
- Que foi que houve, rapaz? Vai trabalhar de modelo em desfile de modas?
- Suas roupas estão muito bonitas! - disse Joana.        .
- Me diga uma coisa - perguntou Chico Rico. - Você escolheu sozinho?
- Não, uma amiga me ajudou... a Fernanda!
Lurdinha não perdeu a oportunidade. Cutucou a amiga, sussurrando:
- Não falei pra você que ele está louco pela Fernanda?
- Ele não presta mesmo - concordou Gracinha, fingindo que nem tinha reparado na presença dele.
- Muito justo - comentou Chico Rico. - S6 mesmo uma moça pra dizer que é que está na moda e o que não está mais...
Lentamente, Machadinho se aproximou de Gracinha com um embrulhinho na mão.
- Gracinha, eu estive lá em Ipanema... tinha tanta loja bonita... Numa delas, eu vi essas bijuterias... Acho que você vai gostar...
Quase sem falar, ela abriu a caixa e teve de fazer força para esconder a emoção de ganhar um colar, brincos e pulseiras assim tão lindos.
Ao lado, Lurdinha se roia de inveja.
Por alguns minutos, Kiki deixou de se preocupar com essa confusão de Milena, Fábio e Fernanda. No fundo, sabia que a questão iria se resolver mais cedo ou mais tarde. O que a preocupava naquele dia era a situação em que Paulo se achava. O garoto não conseguia mais dormir nem se alimentar direito. Não ia mais à faculdade e passava dias inteiros trancado no quarto sem ver ninguém. Estava amargando males de amor por causa da filha de Sérgio, mas não havia meio de se abrir com a mãe. Hoje, porém, ela estava decidida a ter uma conversa séria com o filho. Foi até o quarto dele e parou na porta.
- Posso entrar, filho? Sou eu, Kiki
- Você não é a dona da casa? - gritou Paulo do outro lado da porta.
Pelo menos ele não tinha perdido inteiramente o bom humor.
- Ainda muito triste, meu filho?
- Estou aqui me segurando... você sabe...
- Quero que me conte tudo sobre vocês.
Meio a contragosto, Paulo contou a coisa toda em detalhes. Kiki ficou sabendo como estava vivendo Sérgio, a maneira como vivia com esposa e filha, e concluiu que ele se tomara um homem por demais amargo. E não pôde evitar uma certa dose de compaixão por aquele que tanto a fizera chorar há mais de trinta anos. Ficou sabendo como era o modo de ser de Patrícia e a desculpou por ter feito o filho sofrer. Era uma menina oprimida pela autoridade paterna e, portanto, incapaz de ter opiniões ou vontade próprias. Outra vítima, como seus pais. O mais grave era a notícia das dificuldades financeiras da empresa dirigida por ele. A falência parecia ser inevitável. E, nessas condições, a pressão aumentaria ainda mais. Provavelmente arranjaria um casamento de conveniência para a filha, como um dia o pai dele fizera com ele e Mirtes.
- Ela disse que o pai vive empurrando um tal de Marco Aurélio pra ela... é um milionário, sabe?
- Era o que eu temia... soluções desse tipo só aumentam os problemas.
- Mamãe, tive uma idéia...
Kiki ficou apreensiva. Podia adivinhar o que Paulo ia lhe pedir. Não saberia dizer não, ainda que isso lhe custasse muito caro.
- A senhora não conhece alguns diretores do Banco do Brasil?
- É verdade, conheço, mas não vejo como...
- Não conhece também banqueiros, financistas, gente de dinheiro?
- O que você quer que eu faça, meu filho?
- A senhora podia tentar ajudar o pai da Patrícia...
- Você acha que isso iria trazer bons resultados pra sua relação com ela?
- Não sei... acho que sim... pelo menos o velho dela ia ficar mais sossegado...
Kiki pediu um prazo para pensar, mas, ao olhar para o rosto agora mais alegre e animado do filho, decidiu-se:
- Está bem, vou falar com o Alcântara, do Banco do Brasil... com uma condição, Paulo...
- Manda bala!
- Qualquer que seja o resultado dessa minha tentativa, você não vai contar nada a Patrícia, nem para o pai dela. Entendeu?
- Ué... por quê?
- Tenho as minhas razões... Prometa que não vai comentar nunca, senão eu não faço nada!
- Está bem... você é que sabe... Eu te adoro, Kiki!
E Paulo pulou no pescoço da mãe, num abraço que a fez feliz de novo.

- Não estou entendendo nada, Lurdinha!
Gracinha acabara de ouvir a amiga lhe contar uma história enroladíssima que envolvia Femanda, Machadinho, a mãe de Fernanda, o namorado de dona Milena e uma cartomante. Era demais para ela.
- Explica tudo direitinho, tá?     .
Lurdinha contou que, um dia, tinha ouvido uma conversa entre Fernanda e o dr. Fábio, que era o namorado de Milena.
- Como foi que você ouviu?
- Pela extensão do telefone, lá no salão...
Gracinha, muito aos poucos, ia recebendo informações a respeito do verdadeiro caráter de Lurdinha. Mas ainda acreditava nela e a considerava uma grande amiga.
- A Fernanda conversou com o tal de Fábio sobre a verdadeira mãe dela - continuava Lurdinha.
- Mas ela não é filha da dona Kiki?
- Não! É adotada. E agora ela quer saber a identidade da verdadeira mãe. Aí eu pensei: é uma boa oportunidade de ajudar a fundir a cabeça dela, sabe? Um jeito de deixar ela bem doidinha.
- Mas por que, Lurdinha?
- Pra ela esquecer o Machadinho.
- Eu não acho que isso possa dar certo...
- Mesmo assim eu vou tentar...
Lurdinha sentia que Machadinho jamais seria seu. Não conseguiria conquistá-lo. Ainda mais agora que ele acabara de anunciar a novidade: ia se mudar da casa de Gracinha, pois estava montando um apartamento para morar sozinho. Assim, tudo ficaria ainda mais difícil. Só que ela não iria desistir logo no primeiro revés. Estava disposta a ir até o fim.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

SESSÃO REMAKE MUSICAL - I'D RATHER LEAVE WHILE - REGINE VELASQUEZ

A canção I'd Rather Leave While foi gravada originalmente por Rita Coolidge.
Para maiores informações sobre a gravação original, favor consultar:
A versão que vamos ouvir é de Rita Velasquez.
Boa audição!


SESSÃO TÚNEL DO TEMPO MUSICAL - I'D RATHER LEAVE WHILE I'M IN LOVE - RITA COOLIDGE

A canção I'd Rather Leave While I'm in Love, na voz de Rita Coolidge, foi tema da novela Chega Mais, apresentada pela Rede Globo, no horário das 19 h., entre 03 de março e 06 de setembro de 1980.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: http://www.teledramaturgia.com.br/tele/chega.asp.
Após o vídeo com a tradução em português, postamos a letra da canção.
Boa audição!



LETRA

I'D RATHER LEAVE WHILE I'M IN LOVE

I'd rather leave while I'm in love
while I still believe the meaning of the word
I'll keep my dreams and just pretend
that you and I are never gonna end

Too many times I've seen
the rose die on the vine
somebody's heart gets broken
usually it's mine
I don't want to take the chance
of being hurt again
and you and I can't say good-bye

So if you wake and find me gone
oh baby carry you see I need my
fantasy I still believe it's best
to leave while I'm in love

Too many times I've seen
the rose die on the vine
somebody's heart gets broken usually
It's mine I don't want to take
the chance of being hurt again
and you and I can't say good-bye

So if you wake and find me gone
oh baby carry on you see I need my
fantasy I still believe it's best to
leave while I'm in love I still believe
It's best to leave while I'm in love

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

SESSÃO RETRÔ VARIEDADES

Propaganda publicada na revista Cartaz, nr. 43, de 28 de dezembro de 1972, mostrando como seria a programação da Rede Globo para 1973.
Se alguém desejar mais informações acerca de alguns dos programas citados, favor contatar-nos via email: contribbiscoitocafeeenovela@gmail.com.



SESSÃO RETRÔ - NOVELA - ESPECIAL II - UMA ROSA COM AMOR

As reportagens que reproduzimos abaixo, publicadas na revista Minha Novela, foram enviadas por nossa amiga Sueli Fontes, a quem agradecemos de coração.
Para maiores informações sobre a URCA 2010, favor consultar: http://www.teledramaturgia.com.br/tele/rosa10.asp.




domingo, 20 de fevereiro de 2011

FIC DA URCA - VERSÃO DA BEKA MOREAU - PARTE 31 (FINAL)

Os dois próximos dias foram eternos, ninguém agüentava mais, eles só se viam no horário das refeições, eles de um lado, elas do outro, era impossível resistir e em poucos dias eles seriam uns dos outros, mas se consolavam ao lembrar da clássica fala de Bela Swan: “Nós temos um ao outro para sempre!” (by Crepúsculo), então eles “tentavam” se controlar...
Toda família Aliere e a família Abdul Rauf estavam reunidas para o grande dia. Suas meninas, princesas do Oriente, frutos do harém, flores do Líbano iriam se casar com homens que pertenciam à linhagem, isso era motivo para muita festa, o único imprevisto era do casamento se passar em Salvador. As malucas queriam por que queriam casar na Ilha de Itaparica...




Tds estavam presentes na festa, até alguns que Claude e Frazão não gostariam de conhecer, os ex de suas amadas, incluindo os amigos de farra, cantoria e carnaval... Ivete se comprometera a cantar a música da entrada do casal, apesar da família esperar um típico casamento muçulmano, mas elas são imprevisíveis demais pra isso... O casamento foi mais uma declaração de amor pública, como tantas outras que eles já tinham feito, só que agora diante daqueles diante dos quais se tornavam agora responsáveis por fazer a felicidade de suas prometidas...

Vestido de Alabá...



Vestido de Kira...




Claude e Frazão estavam a lá par de jarros, digamos que eles não tinham mta paciência pra escolher roupa...




Maquiagem Kira e Alabá respectivamente...






O lugar estava perfeito, organizado e escolhido a dedo por Khalid (filho)...
Esse casamento não teria valor nem religioso, nem legal, pois afinal quem estava realizando era Bel (Chiclete com Banana)...
Ao som de Se eu não te amasse tanto assim – Ivete Sangalo (Em homenagem a Juba), elas entram por entre as tochas, Kira com seu Geovanni e Alabá com Abílio...




G: Cuida bem da minha filha, ouviu, seu farabuto!
B: Seu Geovanni, por favor!
G: Ah, vc nem é padre!!!
A: Tio Geovanni, comporte-se
G: Tá, mas é só pq hj é seu casamento e da minha flor!
Ab: Por Alá, Geovanni cala a boca.
G: Dio te benedica,  filha!
Seu Geovanni arranca risos dos convidados e Bel prossegue com a cerimônia...
B: Estamos aqui reunidos para celebrar o casamento de Kira e Claude e Alabá e Frazão, ô povim de nome estranho, ops, sim... Hoje vocês estão entrando para uma instituição sagrada, mas por causa do pecado, com muitas dificuldades e desafios. Vocês deverão aprender a ganhar com os erros um do outro. Hoje gostaria de oferecer o princípio básico sobre como ter um casamento feliz. Em apenas um texto da Bíblia temos os princípios fundamentais de um matrimônio maduro, não sem conflitos, mas capaz de resolvê-los de forma sábia e construir um relacionamento maduro. GÊNESIS 2:24 "POR ISSO, DEIXA O HOMEM PAI E MÃE E SE UNE À SUA MULHER, TORNANDO OS DOIS UMA SÓ CARNE". O primeiro passo e um dos mais importantes no casamento não é o unir-se, mas o deixar... Deixar pai e mãe é tão importante, que ele vem em primeiro lugar no texto bíblico. Hoje, os grandes conselheiros matrimoniais confirmam a importância desse ato e descobriram que muitos casais são infelizes, imaturos e até se separam por não conseguirem deixar pai e mãe. O deixar pai e mãe pode ser estudado em pelo menos três aspectos: deixar físico, financeiro e emocional. I - DEIXAR FÍSICO: "Quem casa quer casa!" Esse ditado é uma jóia da sabedoria. Rsrs II - DEIXAR FINANCEIRO: O casal precisa ter independência financeira. Mesmo que viva em condições mais humildes do que as de sua família, precisa viver com o que tem, sem depender de ninguém. Talvez nos primeiros anos de casamento vocês terão que fazer sacrifícios, mas eles serão importantes para o crescimento e felicidade de vocês. Já vi muitos pais e familiares atrapalharem a felicidade do casal, porque eles, na boa intenção queriam ajudá-los, mas os tornaram dependentes e imaturos. III - DEIXAR EMOCIONAL: Claude, a partir de hoje, a Kira é a sua família, a pessoa mais importante na sua vida, entendeu? Kira, a partir de agora, o Claude é o homem mais importante na sua vida, tá bom? Frazão, a partir de hoje, a Alabá é a sua família, a pessoa mais importante na sua vida, entendeu? Alabá, a partir de agora, o Frazão é o homem mais importante na sua vida, tá bom? Não quer dizer que seus familiares já eram, mas que agora vocês são prioridade um para o outro. Na prática, vamos lá:
Para o homem:
•  Nunca compare a comida dela com a da sua mãe.
•  Nunca a decepcione para agradar sua família.
Para a mulher:
•  Nunca o compare com o seu pai.
•  Nunca saia de casa para resolver um problema.
Depois que vocês conseguirem deixar pai e mãe, estarão aptos a se unirem, tornando-se uma só carne.
O QUE É SER UMA SÓ CARNE?
Decidir tudo juntos - o que comprar, onde morar, decisões financeiras, etc.
•  Ser os melhores amigos e confidentes um do outro.
•  Não guardar segredos um do outro.
•  Aceitação - aceitar muitos defeitos, erros.
•  Considerar e dizer o quanto o outro é importante na sua vida
•  Reconhecer as diferenças, o homem precisa ser estimado, respeitado, a mulher de segurança, ser desejada, a única.
•  O lar deve ser um refúgio
O QUE NUNCA FAZER - PARA O CASAL:
•  DIZER QUE VAI SE SEPARAR.
•  DIZER QUE FOI UM ERRO SE CASAR.
•  LEVANTAR A MÃO UMA PARA O OUTRO.
•  SAIR DE CASA E IR PARA CASA DA MÃE.
•  ESQUECER A DATA DE HOJE.
Agora pra vcs, seu Abílio, D. Geovanni, d. Jasmine e d. Amália, seu Khalid e d. Hamá:
VOCÊS CRIARAM COM CARINHO SEUS FILHOS. HOJE VOCÊS NÃO ESTÃO PERDENDO UM FILHO (A), VOCÊS ESTÃO GANHANDO MAIS UM. A SOGRA DELE DEVE SEMPRE FICAR AO SEU LADO, A SOGRA DELA O MESMO.
"E AGORA, COMPROMETENDO-SE SOLENEMENTE DIANTE DE DEUS E NA PRESENÇA DESTAS TESTEMUNHAS, TOMA VOCÊ, CLAUDE, ESTA MULHER, KIRA, COMO SUA LEGÍTIMA ESPOSA, PARA JUNTOS VIVEREM CONFORME AS ORDENS DE SEU DEUS NO SANTO ESTADO DO MATRIMÔNIO?
VOCÊ A AMARÁ, CONFORTARÁ, HONRARÁ E PROTEGERÁ, NA DOENÇA E NA SAÚDE, NA PROSPERIDADE E NA ADVERSIDADE; E RENUCIANDO A TODAS AS OUTRAS, CONSERVAR-SE-Á SOMENTE PARA ELA, ENQUANTO AMBOS VIVEREM?"
C: Oui
B:"TOMA VOCÊ, KIRA, ESTE HOMEM, CLAUDE , COMO SEU LEGÍTIMO MARIDO, PARA JUNTOS VIVEREM CONFORME AS ORDENS DE DEUS NO SANTO ESTADO DO MATRIMÔNIO?
VOCÊ O AMARÁ, CONFORTARÁ, HONRARÁ E PROTEGERÁ, NA DOENÇA E NA SAÚDE, NA PROSPERIDADE E NA ADVERSIDADE; E RENUCIANDO A TODOS OS OUTROS, CONSERVAR-SE-Á SOMENTE PARA ELE, ENQUANTO AMBOS VIVEREM?"
K: Sim
B:“TOMA VOCÊ, FRAZÃO, ESTA MULHER, ALABÁ, COMO SUA LEGÍTIMA ESPOSA, PARA JUNTOS VIVEREM CONFORME AS ORDENS DE SEU DEUS NO SANTO ESTADO DO MATRIMÔNIO?
VOCÊ A AMARÁ, CONFORTARÁ, HONRARÁ E PROTEGERÁ, NA DOENÇA E NA SAÚDE, NA PROSPERIDADE E NA ADVERSIDADE; E RENUCIANDO A TODAS AS OUTRAS, CONSERVAR-SE-Á SOMENTE PARA ELA, ENQUANTO AMBOS VIVEREM?"
F:Deixa comigo! Fazer minha musa feliz é o que eu mais qro!
B: "TOMA VOCÊ, ALABÁ, ESTE HOMEM, FRAZÃO, COMO SEU LEGÍTIMO MARIDO, PARA JUNTOS VIVEREM CONFORME AS ORDENS DE DEUS NO SANTO ESTADO DO MATRIMÔNIO?
VOCÊ O AMARÁ, CONFORTARÁ, HONRARÁ E PROTEGERÁ, NA DOENÇA E NA SAÚDE, NA PROSPERIDADE E NA ADVERSIDADE; E RENUCIANDO A TODOS OS OUTROS, CONSERVAR-SE-Á SOMENTE PARA ELE, ENQUANTO AMBOS VIVEREM?"
A: Sim.
"VISTO QUE CLAUDE E  KIRA, FRAZÃO E ALABÁ CONSENTIRAM EM SEREM UNIDOS PELOS SAGRADOS LAÇOS MATRIMONIAIS E O TESTIFICARAM DIANTE DE DEUS E DE TODOS OS QUE AQUI SE ACHAM PRESENTES, COMPROMTENDO-SE A SEREM FIÉIS AO OUTRO E O CONFIRMARAM UNINDO-SE AS MÃOS, EU, COMO AMIGO DAS NOIVAS E PELA AUTORIDADE MUSICAL A MIM CONFERIDA, OS DECLARO MARIDO E MULHER."
Podem beijar as noivas.
A festa transcorria linda, tudo estava maravilhoso, eles dançavam na praia ao som de seus amigos cantores até que o francês acompanhado de seu amigo resolve fazer uma coisa que ele nunca fez para a sua amada...


Por toda vida – Claudio Lins

É por toda vida
Que arderá em minhas veias
Essa chama farta e cheia
Acendida por você

Seja quando a gente ama
Seja quando a gente briga
E é por toda vida
Meu amor por toda vida

Não existe o que nos até
O que nos una a coisa alguma
Não existe só palavra
Que nos tire do conto de fada

Esse amor que sai de mim
Se entranha no seu corpo
Não estanca, corre a fio
Corre escorregadio

Como corre inexorável
Para o mar, água de rio

E é por toda a vida
Que arderá em minhas veias
Essa chama farta e cheia
Acendida por você

Seja quando a gente ama
Seja quando a gente briga
E é por toda vida
Meu amor por toda vida

E é por toda vida
Meu amor por toda vida

E é por toda vida
Meu amor por toda vida

É por toda vida

C: Jet’aime, ma chérrie.
K: Ti  amo.
A: Amo-te sempre, meu ébano...
F: Te amo sempre, minha musa!


A despedida ao som da Minha promessa pra Juba... Ivete e Alejandro, adogOOOO...



Espero que tem sido bom pra vcs conhecer um pouco da cultura do meu povo e da minha vida maluca, e saibam que o meu coração, as minhas palavras e os meus pensamentos estarão sempre com vcs!