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quinta-feira, 29 de maio de 2025

SESSÃO LEITURA - NÃO SEI QUANTAS ALMAS TENHO - FERNANDO PESSOA

O texto abaixo é de autoria de Fernando Pessoa.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: https://www.ebiografia.com/fernando_pessoa/.
Boa leitura!

NÃO SEI QUANTAS ALMAS TENHO

"Não sei quantas almas tenho. 
Cada momento mudei. 
Continuamente me estranho. 
Nunca me vi nem acabei. 
De tanto ser, só tenho alma. 
Quem tem  alma não tem calma. 
Quem vê é só o que vê, 
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo, 
Torno-me eles e não eu. 
Cada meu sonho ou desejo 
É do que nasce e não meu. 
Sou minha própria paisagem; 
Assisto à minha passagem, 
Diverso, móbil e só, 
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo 
Como páginas, meu ser. 
O que segue não prevendo, 
O que passou a esquecer. 
Noto à margem do que li 
O que julguei que senti. 
Releio e digo:  "Fui  eu ?" 
Deus sabe, porque o escreveu. "

Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/os-melhores-poemas-fernando-pessoa.htm

quinta-feira, 13 de março de 2025

SESSÃO LEITURA - A NOVELA INACABADA - FERNANDO PESSOA

O texto abaixo é de autoria de Fernando Pessoa.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: https://www.ebiografia.com/fernando_pessoa/.
Boa leitura!

A NOVELA INACABADA

A novela inacabada,
Que o meu sonho completou,
Não era de rei ou fada
Mas era de quem não sou.

Para além do que dizia
Dizia eu quem não era...
A Primavera floria
Sem que houvesse Primavera.

Lenda do sonho que vivo,
Perdida por a salvar...
Mas quem me arrancou o livro
Que eu quis ter sem acabar?

Fonte: http://arquivopessoa.net/textos/861

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

SESSÃO LEITURA - OS TEUS OLHOS AZUIS SÃO COR DO CÉU - FERNANDO PESSOA

O texto abaixo é de autoria de Fernando Pessoa.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: https://www.ebiografia.com/fernando_pessoa/.
Boa leitura!

OS TEUS OLHOS AZUIS SÃO COR DO CÉU

Os teus olhos azuis são cor do céu
E são por isso cor do paraíso.
Vejo-os e passa no coração meu
Como uma saudade o seu sorriso.

Estrelas matutinas no acordar
Do meu amor, azul do céu distante…
E eu, se os olho, fico sempre a olhar,
E a olhar esqueço minha dor constante…

Olhos azuis cuja alegria é a flor
Da minha dor tornada comoção…
Flori de aurora a minha negra dor…
Só com olhar-me abri-me o coração…

quinta-feira, 7 de abril de 2016

SESSÃO LEITURA - PRESSÁGIO - FERNANDO PESSOA

O texto abaixo é de autoria do poeta português Fernando Pessoa.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: http://www.e-biografias.net/fernando_pessoa/.
Boa leitura!

PRESSÁGIO

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fonte: http://www.releituras.com/fpessoa_pressagio.asp

quinta-feira, 28 de julho de 2011

SESSÃO LEITURA

O poema que reproduzimos abaixo é da autoria do grande poeta português Fernando Pessoa. Para maiores informações sobre esse escritor, favor consultar: http://pensador.uol.com.br/autor/fernando_pessoa/biografia/.
Boa leitura!

Ela canta, pobre ceifeira

Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anônima viuvez,
Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.

Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões pra cantar que a vida.

Ah, canta, canta sem razão!
O que em mim sente 'stá pensando.
Derrama no meu coração a tua incerta voz ondeando!

Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção!

A ciência pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!