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quinta-feira, 21 de maio de 2026

SESSÃO LEITURA - O CASAMENTO E A CEGONHA - CORA CORALINA

O texto abaixo é de autoria de Cora Coralina.
Para maiores informações sobre a autora, favor acessar: https://www.ebiografia.com/cora_coralina/.
Boa leitura!

O CASAMENTO E A CEGONHA

Os pais da noiva tinham resolvido que o casamento da filha se faria ali mesmo, na chácara, à boa moda antiga, com mesada de doces, churrasco, muita empada, leitoa, frango assado, boas comidas e abundantes bebidas.
Armou-se o altar na sala da frente. Cobriu-se a mesa do civil com um lindo atoalhado de plástico. Vieram os convidados. Veio o vigário, veio o juiz e veio o escrivão. Testemunhas e a roda dos parentes. Fizeram o casamento. A moça sempre fora alta, grandalhona, fornida de carnes e de bons quartos. Naquele vestido branco, rodado, de babados subindo e descendo, de véu e grinalda, inda mais reforçada parecia.
Como a festança era mesmo de arromba, fogos pipocando, música chegando e muita gente entrando e saindo, ninguém mais reparou nos noivos que depois de posarem para o retrato de praxe, na cabeceira da mesa e de cortarem juntos o bolo artístico, se misturaram com os convidados e cada qual se achou à vontade e sem constrangimento.
O juiz e o vigário deixaram-se ficar numa roda de amigos, conversando com advogados, escrivães, gente do foro.
O baile tinha começado. A moçada saracoteava alegre. Os que não eram de dança, rodeavam a mesa posta, com pratos, copos e garrafas. Espetos de churrasco e bandas de leitão se cruzavam por todos os lados.
Boas comidas, muita bebida e os donos da casa pondo o pessoal à vontade, incansáveis, não cabendo em si de contentes com o casamento daquela primeira filha. Nada alegra tanto o coração da criatura como mesa posta, carne assada, bebidas de graça e falta de cerimônia. Quem contestar esta verdade simples, não merece dois vinténs de crédito.
Bem por isso mesmo diz o caboclo: a alegria vem das tripas — barriga cheia, coração alegre. O que é pura verdade.
A orquestra assoprava valsas e boleros com furor. Os pares girando. Os namorados namorando. Os que não dançavam se encostavam pelas mesas e, quem já estava farto, fazia roda, bebia café, fumava cigarro e contava piadas.
Quando a festança ia mais animada, lá pelas tantas, ouviu-se um corre-corre pelos quartos e corredores.
Logo mais aparecia na sala o dono da casa, ansioso e afobado, se desculpando e pedindo ao juiz e ao vigário fazerem o favor de acabar com a festa porque a noiva estava com dor de parto e a assistente já tinha chegado…
“Isto é que se chama aproveitar o tempo”, comentou um convidado, “numa só festa, casa a filha e chega a cegonha…”

Fonte: https://contobrasileiro.com.br/o-casamento-e-a-cegonha-conto-de-cora-coralina/.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

SESSÃO LEITURA - CONCLUSÕES DE ANINHA - CORA CORALINA

O texto abaixo é de autoria de Cora Coralina.
Para maiores informações sobre a autora, favor acessar: https://www.ebiografia.com/cora_coralina/.
Boa leitura!

CONCLUSÕES DE ANINHA

Estavam ali parados. Marido e mulher.
Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça
tímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,
e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar
novo rancho e comprar suas pobrezinhas.
O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,
entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar
E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?

Fonte: https://www.culturagenial.com/cora-coralina-poemas-essenciais/

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

SESSÃO LEITURA - ASSIM EU VEJO A VIDA - CORA CORALINA

O texto abaixo é de autoria de Cora Coralina.
Para maiores informações sobre a autora, favor acessar: https://www.ebiografia.com/cora_coralina/.
Boa leitura!

ASSIM EU VEJO A VIDA

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

Fonte: https://www.culturagenial.com/poemas-sobre-a-vida-escritos-por-autores-famosos/

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

SESSÃO LEITURA - ANINHA E SUAS PEDRAS - CORA CORALINA

O texto abaixo é de autoria de Cora Coralina.
Para maiores informações sobre a autora, favor acessar: https://www.ebiografia.com/cora_coralina/.
Boa leitura!

ANINHA E SUAS PEDRAS

Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Fonte: https://www.culturagenial.com/cora-coralina-poemas-essenciais/

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

SESSÃO LEITURA - SABER VIVER - CORA CORALINA

O texto abaixo é de autoria de Cora Coralina.
Para maiores informações sobre a poetisa, favor acessar: https://www.ebiografia.com/cora_coralina/.
Boa leitura!

SABER VIVER

Não sei…
se a vida é curta
ou longa demais para nós.
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura…
enquanto durar.

Fonte: https://www.culturagenial.com/maiores-poemas-literatura-brasileira/

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

SESSÃO LEITURA - MEDO - CORA CORALINA

O conto abaixo é de autoria de Cora Coralina.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: https://www.ebiografia.com/cora_coralina/.
Boa leitura!

MEDO

Viajava uma jardineira, expresso ou perua, como se diz, de Goiânia para Goianópolis. Levava na coberta, entre malas e trouxas, um caixão vazio de defunto, destinado para uma pessoa falecida naquele distrito.
Logo adiante na estrada, um homem parado, dá sinal e a perua para.
Dentro, tudo cheio. O homem que precisava seguir viagem aceitou de viajar na coberta com os volumes e o caixão vazio. Subiu. O tempo tinha se fechado para chuva e logo começou a pingar grosso. O sujeito em cima achou que não seria nada demais ele entrar dentro do caixão e ali se defender da chuva. Pensou e melhor fez. Entrou, espichou bem as pernas, ajeitou a cabeça na almofada que ia dentro, puxou a tampa e, bem confortado, ouvia a chuva cair.
Mais adiante, dois outros esperavam condução. Deram sinal e a perua parou de novo; os homens subiram a escadinha e se acocoraram no alto. Iam conversando e molhados com a chuva fina e insistente.
Passado algum tempo o que ia resguardado escutando a conversa ali em cima levantou devagarinho a tampa do caixão e perguntou de dentro, só isto: "Companheiro, será que a chuva já passou?". Foi um salto só que os dois embobados fizeram correndo. Um quebrou a perna, o outro partiu braços e costelas e ficaram ambos estatelados do susto e sem fala, na estrada.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

SESSÃO LEITURA - MEU DESTINO - CORA CORALINA

O texto abaixo é de autoria de Cora Coralina.
Para maiores informações sobre a autora, favor acessar: https://www.ebiografia.com/cora_coralina/.
Boa leitura!

MEU DESTINO

Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.
Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.
Não te procurei, não me procurastes –
íamos sozinhos por estradas diferentes.
Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida…
Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.
Esse dia foi marcado
com a pedra branca
da cabeça de um peixe.
E, desde então, caminhamos
juntos pela vida…

quinta-feira, 14 de julho de 2016

SESSÃO LEITURA - OS MENINOS VERDES - CORA CORALINA

O texto abaixo é de autoria de Cora Coralina.
Para maiores informações sobre a autora, favor acessar: http://pensador.uol.com.br/autor/cora_coralina/biografia/.
Boa leitura!

OS MENINOS VERDES

— E a estória dos Meninos Verdes, vovó?
— Então vocês querem saber a estória dos Meninos Verdes? Mas não é uma estória, é um acontecido. Me pediram para não divulgar o assunto, esperando para ver oque acontece, porque o caso é muito sério! Vou contar só pra vocês. Foi assim:
“No quintal da Casa Velha da Ponte sempre tivemos horta com verduras, legumes. Também pomar com árvores de frutas variadas e jardim com flores.”
O quintal é o mundo de seu Vicente, um homem que viveu sempre plantando, cultivando, colhendo. É prestadio e metediço.
Certo dia, entre plantas que nascem lá, boas ou más, apareceram duas plantas diferentes. Seu Vicente estranhou, queria arrancá-las. Eu disse:
— Não, deixe crescer, vamos ver o que sai daí.
Com o passar dos dias, as plantas se desenvolviam de forma estranha, não eram conhecidas de ninguém.
Certo foi que um dia, de manhã cedo ainda, no tempo de frio, vem seu Vicente com uma cara de espanto e me diz:
— Dona Cora, Dona Cora, vem ver uma coisa!
Eu estava acendendo o fogo para fazer o café e disse:
— Espera um bocado, depois do café eu vou.
— Não, não, a senhora vem já. Venha ver!
Impressionada com aquele chamado urgente fui até o quintal. E lá, debaixo das tais plantas estranhas, vi umas coisinhas que se mexiam, buliam. Umas coisas vivas.
Na primeira olhada não pude definir o que seria aquilo. Pareciam bichos, filhotes de passarinho, qualquer coisa que tivesse caído por ali, que tivesse despencado de um galho de árvore. E tinham se juntado na sombra daquelas duas plantas.
Depois me abaixei e examinei melhor. Eram seres vivos, com todas as formas de crianças em miniatura! Tomei um nas mãos, senti que era gelatinoso, com movimentos muito vivos, como querendo escapar da minha mão.
Assombrada, achei que precisava retirá-los da terra, porque eles estavam bem sujinhos!
Seu Vicente apanhou o balaio que ele usa para os trabalhos no quintal.
Forrou-o com panos e cobertas velhas e acomodou aqueles seres.
Eram sete, e, achando que eles estavam com frio, seu Vicente rebuçou.
Examinando de perto, perguntou:
— É bicho, é passarinho ou é gente?
— Velho isso é uma coisa que nós vamos indagar, e não fale pra ninguém!
— É salta-caminho! — falou assombrado.
— Cubra com mais um cobertor e leve para o outro lado da casa. Depois do café vou resolver o que se faz.
Voltei para o fogão, fiz o café, e comecei a imaginar o que seria aquilo. Fui vê-los. Estavam juntinhos e já não tremiam.
Tomei um nas mãos e vi que tinha a cabeça verde, olhos verdes, boquinha verde, dentinhos verdes em ponta, orelhas verdes e o cabelinho como de milho, mas verde. Os pés e as mãos tinham unhas como garras de passarinho. Na barriguinha lisa, o umbigo era apenas uma manchinha verde mais escura.
Eram dois grupos. Um grupo tinha a cabecinha chata e o cabelo pendendo para baixo. O outro grupo tinha cabeça pontuda, cabelo em ponta, tendendo para cima. Os sinais sexuais estavam um tanto indefinidos, mas notava-se a diferença entre um grupo e outro.
Tornei a agasalhá-los e disse:
— Velho, precisamos dar alimento pra eles.
Seu Vicente, sempre pronto a dar comida a todo bicho que aparece, falou:
— Vou fazer uma papa de farinha!
— Não, não faça de farinha, vou fazer mucilagem.
Seu Vicente alimentou os serezinhos às dedadas — à moda nordestina — passando na boca e empurrando. Assim, ele e os serezinhos ficaram todos lambuzados.
Aí, considerando que aquele mistério tinha que ser mantido em segredo, pensei que era muito pesado para mim só. Fiz um chamadinho para uma vizinha muito boa, que veio à minha casa. Contei a ela o acontecido.
— Preciso de sua ajuda.
Ela ficou admirada quando viu o conteúdo do balaio, e compreendeu a necessidade de guardar segredo.
— Dona Cora! Vou fazer uns macacõezinhos de flanela, parece que eles estão com frio.
Costurou quatro macacões rosa e três azuis, achou que eram meninas e meninos. Eles aceitaram as roupas.
Mais tarde, quando voltamos lá, eles tinham estraçalhado as flanelas com os dentinhos. Continuavam juntinhos, meio tremendo.
Depois passaram a não querer mais a mucilagem. Vi que em vez de aumentarem de peso e de tamanho estavam diminuindo.
Aí eu pensei: “E agora, deixar morrer à míngua não é possível”.
Minha vizinha sugeriu falar com seu irmão, um médico conceituado.
Dr. Passos veio mais tarde, olhou, espantou-se, e deu uma orientação muito inteligente:
— Tudo é verde neles. Como estão rejeitando alimento, vamos colorir a mucilagem de verde e vamos vesti-los de verde.
Minha vizinha costurou macacõezinhos verdes e passamos a alimentá-los com sopas e purês de espinafre, repolho, alface, agrião, chicória. Eles gostaram do verde das comidinhas e das roupas.
Seu Vicente transformou o balaio numa casinha, enfeitada de folhas verdes, com camas-beliche, cadeirinhas e mesinhas, tudo pintadinho de verde.
Aí a coisa foi melhorando, começaram a se desenvolver e perderam aquele aspecto gelatinoso.
Foram se firmando, a gente via que eles tinham mais vitalidade.
Brincavam entre si, e quando um começava a chiar, os outros respondiam num chiado diferente. Numa hora parecia que aquele chiado era uma risada, noutra, um grito ou uma conversinha entre eles. Agarrando a beira do balaio, saíam, espalhando-se pela casa. Batizei-os como Meninos Verdes.
Muito ocupada com meus doces, um dia, mexendo com os tachos, um dos meninos começou a subir pela minha perna, pela minha roupa e, quando vi, estava no meu pescoço, olhando para dentro do tacho. Passei uma dedada de açúcar pela boquinha dele. Gostou.
“Oi, que danado!”
Não podia mantê-los em minha casa, sempre com a porta da rua e a porta do meio abertas. Passei a manter fechada a porta do meio.
O tempo passando, o problema se agravando, os meninos cada vez mais vitalizados. Seu Vicente cansado, sentindo-se importunado.
— Dona Cora, olhe o que os danados estão fazendo comigo, minhas mãos arranhadas, eu sem tempo até para fazer um cigarro de palha. A senhora vai fazer criação desses salta-caminhos?
— Paciência, isso veio para mim, mas não tenho como resolver.
— Deixe, Dona Cora, num dia de chuva, coloco todos numa caixa de papelão e solto rio abaixo.
— Velho, não fale isso outra vez. É um crime. Os Meninos Verdes vieram para mim. Tenho de resolver o problema.
Pedi socorro para minha boa vizinha:
— Converse com a mulher do Presidente da República. É criatura muito humana, já esteve aqui na cidade, conhece a senhora.
Carteei com a Primeira-Dama. Em resposta dizia-se muito admirada e pedia fotos. O filho de minha vizinha tirou fotos muito nítidas. Eu as enviei.
A resposta chegou antes do que eu esperava: ia mandar buscar os Meninos Verdes.
Eu disse a ela que o carro deveria parar longe de casa para não despertar suspeitas.
Os portadores — um médico, uma enfermeira e uma assistente social — chegaram como se fossem comprar doces. Ficaram pasmos, absurdos com o que viam!
Meus Meninos Verdes foram acomodados pela enfermeira em uma caixa acolchoada e rumaram para o Planalto.
Assim, me achei aliviada, mas não liberta. Espiritualmente estava ligada a eles e já sentindo sua falta. Acompanhava à distância a nova vida dos Meninos Verdes.
Quando chegaram ao Palácio, foi um espanto geral. O Presidente mandara construir, na parte do palácio reservada à família, uma casa especial com auditores e visores. Quando não estava ocupado, gostava de sentar-se na frente da casa dos Meninos Verdes.
Uma enfermeira os acompanhava permanentemente. A alimentação estava a cargo da nutricionista. Pedagogos, psicólogos e antropólogos faziam parte da equipe de estudos. Os serezinhos cresciam devagar.
O Presidente da época foi substituído, e todos os presidentes depois dele continuaram a cuidar dos meninos.
Foi quando resolveram criar a Cidade dos Meninos Verdes, um polo de turismo que seria mais interessante que a Disneylândia, na América do Norte. Chamaram um grande arquiteto para projetar a cidade.
Quando estava para iniciar-se a construção da cidade, cientistas brasileiros convidaram cientistas estrangeiros para conhecerem aqueles seres que surpreendiam a todos pelo seu desenvolvimento.
Vieram cientistas de muitos países, e ficaram assombrados, sem saber o que eram e de onde tinham vindo aqueles serezinhos. Examinaram, fotografaram, radiografaram, observaram, indagaram.
Mas a ideia de criar uma Cidade dos Meninos Verdes como atração turística não foi aprovada. Os serezinhos eram um fenômeno científico obscuro, de imprevisível futuro, assim, decidiram continuar observando suas vidas, o que poderia significar grandes avanços na Ciência.
Países estrangeiros ofereceram tecnologia científica para acompanhar o caso e queriam levar os Meninos Verdes para a Europa, Ásia, Estados Unidos.
Ofereceram até indenização!
O Brasil rejeitou a proposta.
O governo aceitou apenas a colaboração científica, técnica, cultural de todos os países do mundo, declarando-os Meninos Verdes patrimônio universal da Ciência.
Acompanho à distância meus Meninos Verdes. Estão crescendo devagarinho, dão sinais de inteligência e vivacidade, já estão com 12 centímetros!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

SESSÃO LEITURA

O texto que apresentamos abaixo é da poetisa Cora Coralina.
Para maiores informações sobre ela, favor consultar: pensador.uol.com.br/autor/cora_coralina/biografia/.
Boa leitura!

Humildade

Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.

Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.