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terça-feira, 28 de maio de 2013

quarta-feira, 9 de maio de 2012

SESSÃO EXTRA - WANDERLEY CARDOSO - COLABORAÇÃO: MARIA DO SUL

Wanderley Cardoso foi meu primeiro "muso" na adolescência. Todas as meninas tinham um muso: Jerry Adriani, Roberto Carlos, Ronnie Von e outros. O meu sempre foi o Wandeco, eu amava aqueles olhos verdes, aquela voz que eu achava linda, aquelas canções românticas. E colecionava fotos, revistas, letras de música, e tudo que era relacionado a ele, meus cadernos eram encapados com pôsteres dele, meu quarto era cheio de fotos dele na parede, rsrsrs. Eu me considerava a fã número 1!
Wanderley era realmente um ídolo, amado pelas meninas, imitado e invejado pelos rapazes, suas músicas românticas faziam muito sucesso, e seus shows eram uma loucura, as meninas queriam abraçá-lo e beijá-lo e rasgavam sua roupa!
Depois, Wanderley teve um longo período afastado da mídia e do sucesso, andou em crise, diz ele que chegou ao fundo do poço!  Mas, felizmente, conseguiu sair, e hoje está cantando novamente!
Encontrei no Youtube essa relíquia, a primeira gravação do Wanderley, ainda menino, cantando num disco gravado com o saudoso Mário Zan:




E encontrei essa bem antiga:




E uma apresentação recente de Wanderley com outro ídolo da época:


quarta-feira, 11 de abril de 2012

SESSÃO SAUDADE - TAIGUARA - CONTRIBUIÇÃO: MARIA DO SUL

Lembro sempre com carinho e saudade do cantor Taiguara que fez bastante sucesso na década de 70 e fins da de 60 do século passado. Foi um ótimo cantor e um brilhante compositor, tendo lindíssimas canções gravadas, algumas românticas, a maioria de protesto contra o sistema vigente o que fez com que quase uma centena delas fosse proibida de tocar! Teve que sair do Brasil algumas vezes por sentir-se ameaçado pela ditadura. Gravou no exterior, em inglês, mas esse disco foi proibido de tocar no Brasil e em outra ocasião depois de outro autoexílio, gravou outro disco cujas cópias foram recolhidas pela censura!  Quando voltou a cantar no Brasil, já na década de 80, estava meio esquecido e nunca mais voltou a fazer sucesso como antes. Uma pena, pois era muito talentoso!
Tentei escolher uma música marcante de Taiguara, mas todas são inesquecíveis e depois de muita indecisão, escolhi essa:



E aqui a letra desse poeta da nossa música:

QUE AS CRIANÇAS CANTEM LIVRES

O tempo passa e atravessa as avenidas
E o fruto cresce, pesa e enverga o velho pé
E o vento forte quebra as telhas e vidraças
E o livro sábio deixa em branco o que não é

Pode não ser essa mulher o que te falta
Pode não ser esse calor o que faz mal
Pode não ser essa gravata o que sufoca
Ou essa falta de dinheiro que é fatal

Vê como um fogo brando funde um ferro duro
Vê como o asfalto é teu jardim se você crê
Que há sol nascente avermelhando o céu escuro
Chamando os homens pro seu tempo de viver

E que as crianças cantem livres sobre os muros
E ensinem sonho ao que não pode amar sem dor
E que o passado abra os presentes pro futuro
Que não dormiu e preparou o amanhecer...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

SESSÃO SAUDADE - MILTON CARLOS - COLABORAÇÃO: MARIA DO SUL


Fonte: http://3.bp.blogspot.com/_DSKVEvHtskc/SMJ6u97feFI/AAAAAAAAB7s/CbaLKaLlYN4/s400/Milton+Carlos+-+Samba+Quadrado+P.JPG

“Lembro com saudade de Milton Carlos.
Um dia surgiu um cantor, que pela voz, pensei ser um menino, mas logo fiquei sabendo que era um rapaz. Lembro de Samba Quadrado, uma bela música, que fez muito sucesso, e de muitas outras músicas bonitas, a maioria composta por ele e a irmã Isolda. Mas ele também regravava sucessos antigos, fazendo-os serem conhecidos pelos jovens da época.
As músicas de Milton Carlos davam a impressão que ele sentia saudade de um tempo que não tinha vivido.
Sua carreira foi curta, pois não teve muito tempo. Fiquei muito triste quando ele se foi, tão jovem e no auge do sucesso, num acidente, mas nos deixou tanta coisa bonita para ouvir! Apenas, fico decepcionada com o esquecimento da mídia, acho que ele merecia ter sua obra divulgada e isso não acontece!”

Para saber mais sobre a carreira de Milton Carlos, favor acessar: http://memoriadampb.multiply.com/photos/album/220.
Reproduzimos abaixo uma das canções do artista intitulada “Samba Quadrado”.



LETRA

SAMBA QUADRADO

Eu fiz um samba quadrado pra você sentir
Que quanto maior a distância
Maior é o fim
Eu fiz da rua escura
Pedaço de lua pra te iluminar
Eu fiz de versos mais rimas
Palavras e cismas
Pra te chatear
Eu fiz samba quadrado pra você voltar
Eu fiz da viola a desculpa
Pra me consolar
Eu fiz do ontem o hoje
E do hoje o amanhã
Pra te ver aqui
Mas é bem melhor
Para o mundo eu chorar
Pra você eu mentir
Lourinha, gotinha d'água
Lourinha da minha mágoa


Para conhecer outras canções de Milton Carlos, nossa sugestão é acessar:  http://letras.terra.com.br/milton-carlos/.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

SESSÃO SAUDADE - ESPECIAL DIA DA CRIANÇA - COLABORAÇÃO: MARIA DO SUL


MINHA INFÂNCIA NOS ANOS SESSENTA

Nasci na década de 50, mas minhas memórias mais fortes, são da década de 60, por isso gostaria de compartilhar as lembranças que tenho dessa época:
Naquele tempo, a vida de uma criança, era muito diferente da vida de uma criança do terceiro milênio!  O lazer infantil era simples sem tecnologia.  Eu, meus irmãos, primos e amiguinhos brincávamos muito ao ar livre.  As meninas pulavam corda, amarelinha, que aqui chamávamos de sapata, brincavam de roda, ovo-podre, e outras brincadeiras das quais eu muito gostava! Os meninos jogavam bola, às vezes nem bola tinham, mas improvisavam uma com trapos e papel dentro de uma meia velha, brincavam de pega-pega e outras brincadeiras que nem sei o nome, afinal eu era menina, rsrsrs. Existiam as brincadeiras de meninas e de meninos, na escola uma professora tentava mudar isso, fazendo os meninos brincarem de roda com as meninas, mas isso durava enquanto ela estava junto, quando ela voltava para a sala das professoras, os meninos começavam a debandar.
Eu como todas as meninas da época, gostava de brincar de casinha, com minha irmã, minhas primas e umas meninas vizinhas. Ficávamos horas entretidas com panelinhas, copinhos, pratinhos e outros objetos que se prestassem para esse fim, como tampinhas de lata de fermento, medidor de remédios, etc. e todas as latinhas, caixinhas e vidrinhos que iriam para o lixo, e que em nossas mãos, tinham mil e uma utilidades, servindo de panelas, mesas, mamadeiras das bonecas, que eram tratadas com muito carinho, ganhando roupinhas feitas de retalhos de tecidos que as mães guardavam quando costuravam nossas roupas. Eu tive duas bonecas, uma ganhei quando tinha uns dois anos, e outra, que fechava os olhos e tinha “cabelo de verdade” da Estrela, essa, só ganhei depois de muito pedir, quando fui com minha mãe fazer as compras de Natal e vi uma passarela que começava na entrada da loja e acabava no fundo, com mais de cinquenta bonecas de todos os tipos e tamanhos, deixando-me em desespero!   Minha mãe tentou me engambelar, propondo outros brinquedos mais baratos, mas, eu fiquei com idéia fixa, (e os olhos também) nas bonecas, até que ela sem saída, incentivada pela vendedora, comprou a de menor preço com “cabelo de verdade” e “olhos que fechavam”.  Aquela compra não programada aumentou muito o valor das prestações e meu pai não gostou muito dessa novidade!   Voltei pra casa feliz, e essa foi a última vez em que fui as compras de Natal com minha mãe.
No Natal, os presentes, eram simples: roupas ou tecido para roupas, calçados, guarda-chuva, sempre algo de que necessitávamos. Brinquedo no Natal era raro, eu tinha uma vizinha, D. Antônia, que era a Mamãe Noel das crianças de nossa rua, e como eram várias crianças, os presentes eram baratos: piões, cestinha de plástico, carrinhos de plástico, cornetinha, e outras coisinhas simples que ela comprava num armazém das redondezas. Mas nos alegravam tanto!  Acho que todas aquelas crianças, hoje adultas, lembram com carinho de Dona Antônia!
Nos aniversários, presente era o menos importante, ninguém esperava muita coisa, era muito comum receber um sabonete Gessy, que a gente guardava com cuidado e muitas vezes repassava pra outro aniversariante, meses depois, rsrsrs. Também se ganhava talco, numas caixinhas quadradas, que depois de vazias, serviam pra fazer cestinhas de páscoa, ganhavam-se também tiaras e prendedor para cabelos, meias, roupas íntimas, livrinhos de histórias, chocolate. Nos aniversários, o comum era um bolo com merengue, geralmente feito pela mãe do aniversariante, docinhos de abóbora ou batata, de coco, de leite condensado (cru), o meu preferido!  Salgadinhos, não usávamos muito, pelo menos nos aniversários, de que me lembro. Minha mãe fazia às vezes uma salada, sem maionese, (que nem conhecíamos). Muitas mães serviam também sagu com vinho, que era muito apreciado! O bom do aniversário era a reunião com a criançada da vizinhança, todos se divertiam muito nessa ocasião! E comiam com prazer o bolo e os docinhos.
A alimentação das crianças era menos industrializada, criança comia gemada, ovo quente, amendoim torrado, bife assado na chapa do fogão de lenha, pão com manteiga ou doce. Meu prato preferido era arroz, feijão, purê de batata, bife e alface, e como bebida, limonada. Refrigerantes, os poucos que existiam na época, eram para os dias de festa.  Eu não conhecia cachorro-quente, pizza, brigadeiro. Batata frita, a mãe fazia, muito de vez em quando, quando a carne estava pouca. E de merenda para a escola, levávamos pão com um bife que sobrara do almoço, ou pão com doce. Eu às vezes trocava com uma coleguinha a goiabada do meu pão por um doce de laranja do pão dela. Às vezes levávamos banana, laranja ou bergamota e em caso de faltar merenda, passávamos num boteco e comprávamos 200 gramas de biscoitos ou alguma cocada ou rapadurinha.
Quando algum alimento fazia mal, tomávamos Leite de Magnésia e fazíamos a dieta recomendada pelo médico: Chá da Índia (chá preto) com bolachinhas, e maçã ralada. O brabo era adoecer em época de aniversário, rsrsrs. 
Na escola, nos primeiro anos, tínhamos dois cadernos, um “de linhas” e outro “de quadrinhos”, um lápis preto, uma borracha (opcional), uma lâmina de barbear usada, para apontar o lápis, lápis de cor, quando dava, uma caixa com doze cores, quando não encontrávamos a de doze, a de seis cores quebrava o galho. Um dia uma colega quase matou a turma de inveja, ao chegar com uma caixa de vinte e quatro lápis de cor, dos grandes! Mas isso era raridade. Eu tinha uma pasta verde, pra levar o material, mas muitas crianças usavam uma bolsa de pano feita pelas mães.
Em tempos de férias, o lazer era visitar os primos, brincar na praça, (eu adorava andar na gangorra, no escorregador e nos balanços) e muito raramente, quando vinha algum parque de diversões, andar nos carrinhos e nos cavalinhos. Em casa, ficava ouvindo rádio, nas horas em que o pai não estava ouvindo notícias e a mãe novelas, era um rádio só para todos. Mas, quando eu estava dodói, de cama, meu pai me emprestava o rádio e eu ouvia o dia inteiro!
Naquele tempo, eram raros os programas de rádio para crianças, mas lembro com saudades de uma novelinha para crianças que passava às 18 h na Rádio Farroupilha, com vários personagens fixos, com historinhas que começavam segunda-feira e terminavam na sexta-feira. O personagem principal era o Cafuru, que quando alguém estava em perigo, virava o Super Ra-Ga-Le (a astúcia da raposa, a agilidade do gato e a força do leão) que logo, dava um jeito nos vilões! Também recordo o Clube Infantil Trevi, aos domingos pela manhã, na Rádio Cultura de Pelotas, onde crianças apresentavam-se como calouros, e quando conseguiam cantar, ganhavam pacotes de café e de massas Trevi, a patrocinadora do programa. Meu pai nunca me deixou cantar lá, snif, snif. E, foi lá que começou a carreira musical de Kleiton e Kledir. Lembro também de outro programa legal, à tardinha, com historinhas e musiquinhas infantis. Eu gostava muito de ouvir a cantora mirim Maria Regina (Cordovil) que cantava entre outras, a música A Primavera Chegou.
Naquele tempo, muito pouca gente tinha televisão, e as pessoas dormiam cedo. Eu, quando criança, ás 20,30h já estava na cama!  E era assim a vida de uma menina, do sul do Brasil, na década de 60, sem mordomias, sem tecnologia, mas também sem depressão. Lembro com saudade dessa época!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

SESSÃO SAUDADE - COLABORAÇÃO: MARIA DO SUL

Entre tantos cantores talentosos que fizeram a história da música brasileira, lembro com saudade de Clara Nunes. Durante muitos anos, me costumei a ouvir sua voz clara e bonita, cantando lindas canções e a ver sua imagem sorridente, cheia de vida e alegria. 
Eu gostava de ver Clara cantando nos programas de televisão, acompanhei as mudanças que foi fazendo no visual, ao longo da carreira. No começo, eram figurinos mais tradicionais, sóbrios,  depois começou a usar  lindos vestidos cheios de babados,  cores, flores e muitos balangandãs, eu até cheguei a pensar que ela fosse baiana  rsrsrs,  mas era mineira! A primeira vez que a ouvi, cantando  "E AGORA VOCÊ PASSA, EU ACHO GRAÇA", fiquei impressionada com sua bela voz!  Foram muitas músicas de sucesso, eu gostava muito de "CANTO DAS TRÊS RAÇAS", "CONTO  DE AREIA", "MENTE", "LAMA", "COISA DA ANTIGA", "MORENA DE ANGOLA",  "FEIRA DE MANGAIO",  "MEU SAPATO JÁ FUROU",  "MINEIRA", "TRISTEZA PÉ NO CHÃO", "JUÍZO FINAL" entre outras e também de alguns remakes musicais que ela fez, como "TERNURA ANTIGA",  "OBSESSÃO", "ASA BRANCA", "IRACEMA" e outros sucessos dos Demônios da Garoa que ficaram lindos na voz dela!
Fiquei muito triste quando ela se foi devido a um acidente cirúrgico. Mas, não se foi totalmente, sua voz ficará eternizada nas muitas músicas que gravou e que nunca serão esquecidas! O viúvo, o compositor Paulo César Pinheiro, fez uma linda homenagem a ela, com a música " Um Ser de Luz", gravada por Alcione.
Clara era uma pessoa que, quando aparecia na tv, melhorava o astral da gente! Adoraria ter ido assistir a um show dela, mas infelizmente, não foi possível! Mas ficou a saudade boa, de uma pessoa iluminada!
Pra quem quiser ouvir as músicas de Clara Nunes: http://www.vagalume.com.br/clara-nunes/   

SUCESSOS DE CLARA NUNES




VOCE PASSA, EU ACHO GRAÇA

Clara Nunes

Quis você pra meu amor
E você não entendeu
Quis fazer você a flor
De um jardim somente meu
Quis lhe dar toda ternura
Que havia dentro de mim
Você foi a criatura
que me fez tão triste assim

Ah, e agora, você passa,
eu acho graça
Nessa vida tudo passa
E você também passou
Entre as flores, você era a mais bela
Minha rosa amarela
Que desfolhou, perdeu a cor

Tanta volta o mundo dá
Nesse mundo eu já rodei
Voltei ao mesmo lugar
Onde um dia eu encontrei
Minha musa, minha lira,
minha doce inspiração
Seu amor foi a mentira
Que quebrou meu violão

Ah, e agora, você passa,
eu acho graça
Nessa vida tudo passa
E você também passou
Entre as flores, você era a mais bela
Minha rosa amarela
Que desfolhou, perdeu a cor

Seu jogo é carta marcada
Me enganei, nem sei porquê
Sem saber que eu era nada
Fiz meu tudo de você
Pra você fui aventura
Você foi minha ilusão
Nosso amor foi uma jura
Que morreu sem oração

Ah, e agora, você passa,
eu acho graça
Nessa vida tudo passa
E você também passou
Entre as flores, você era a mais bela
Minha rosa amarela
Que desfolhou, perdeu a cor




LETRA

FUZUÊ

Clara Nunes

Berimbau batia
Cabaça gemia
Moeda corria
Eu queria pular...
Ah! Ah!
Eu queria pular...
Ah! Ah!

Escrevi meu nome num fio de arame
E quem quer que me chame
Vai ter que gritar

Eh Camará, Eh Camará

Eh fuzuê
Parede de barro
Não vai me prender (4x)

Maria Macamba perdeu a caçamba
No cateretê
Sambou noite e dia
Que até parecia que ia morrer

Nasceu no quilombo
Aprendeu levar tombo
No canjerê

Foi de cesta no lombo
Com água e pitombo
Trocar por dendê, fuzuê

Eh fuzuê
Parede de barro
Não vai me prender (4x)

Tinha um pé de coqueiro
Cobrindo o terreiro
De onde eu nasci

Eu vi que o coco era oco
E valia tão pouco
Para se subir

Mas eu com um taco de toco
Batia no coco
Pro coco cair

E pegava no coco
Quebrava num soco
Sem repetir, fuzuê

Eh fuzuê
Parede de barro
Não vai me prender (4x)


LAMA

Clara Nunes

Pelo curto tempo que você sumiu
Nota-se aparentemente que você subiu
Mas o que eu soube a seu respeito
Me entristeceu, ouvi dizer
Que pra subir você desceu
Você desceu

Todo mundo quer subir
A concepção da vida admite
Ainda mais quando a subida
Tem o céu como limite

Por isso não adianta estar
No mais alto degrau da fama
Com a moral toda enterrada na lama





LETRA

CANTO DAS TRÊS RAÇAS

Clara Nunes

Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil

Um lamento triste
Sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou

Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou

Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou

E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor

ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô

ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô

E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador

Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas
Como um soluçar de dor


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=3g8-hvmjjOY&feature=related

LETRA

CONTO DE AREIA

Clara Nunes

É água no mar, é maré cheia ô
mareia ô, mareia
É água no mar...

Contam que toda tristeza
Que tem na Bahia
Nasceu de uns olhos morenos
Molhados de mar.

Não sei se é conto de areia
Ou se é fantasia
Que a luz da candeia alumia
Pra gente contar.

Um dia morena enfeitada
De rosas e rendas
Abriu seu sorriso moça
E pediu pra dançar.

A noite emprestou as estrelas
Bordadas de prata
E as águas de Amaralina
Eram gotas de luar.

Era um peito só
Cheio de promessa era só
Era um peito só cheio de promessa (2x)

Quem foi que mandou
O seu amor
Se fazer de canoeiro
O vento que rola das palmas
Arrasta o veleiro
E leva pro meio das águas
de Iemanjá
E o mestre valente vagueia
Olhando pra areia sem poder chegar
Adeus, amor

Adeus, meu amor
Não me espera
Porque eu já vou me embora
Pro reino que esconde os tesouros
De minha senhora

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

SESSÃO SAUDADE - COLABORAÇÃO: MARIA DO SUL

Minhas recordações da Família Trapo:

Nos primeiros tempos de tv em minha casa, eu gostava muito de assistir a família Trapo. Era um programa muito divertido, com personagens hilários. Era uma família formada por Peppino  Trapo (Ottelo Zeloni), a mulher dele Helena (Renata Fronzi), os filhos Sócrates (Ricardo Corte Real) e Verinha (Cidinha Campos), o cunhado Carlos Bronco Dinossauro, (o inesquecível Ronald Golias) e mais o mordomo Gordon (Jô Soares).
Era um programa cheio de confusões, muitas discussões, uma família do barulho, rsrsrs. Minha mãe não gostava, porque dizia que eles falavam gritando, mas eu adorava!                                                                                                        
E a cada programa, que passava  nas noites de sábado, a gente se divertia muito, e podia ver os convidados, artistas e outros famosos na época, entre eles Pelé,  Elis Regina, e até Roberto Carlos! E era tão engraçado!
Fiquei triste quando o programa acabou. Mas, foram alguns anos usufruindo um programa legal! Sempre vou lembrar com saudade!




quarta-feira, 3 de agosto de 2011

SESSÃO SAUDADE - COLABORAÇÃO: MARIA DO SUL

MINHAS RECORDAÇÕES DAS RADIONOVELAS

A primeira radionovela que ouvi, chamava-se Apenas Deus por Testemunha. Eu devia ter uns dez anos e tinha começado a estudar no turno da manhã, e, depois do almoço, ficava azucrinando minha mãe com assuntos, tipo: - Mãe, adivinha quem vomitou na escola? Ou então: - Mãe, a professora deixou o Zé Roberto de castigo no recreio!  Minha mãe gostava de ouvir as novelas da Rádio Farroupilha, das 13 até 14 horas e acho que sentiu seu lazer ameaçado, rsrsrs e então teve uma ideia: contou-me detalhadamente a trama da novela, mais ou menos nesses termos: - A novela está muito boa, uma mulher má e um homem que ela namorava, mesmo sendo casada, a sem-vergonha, resolveram matar o marido dela, para ficar com o dinheiro dele. Então, amarraram e amordaçaram o homem e amarraram uma pedra pesada no corpo dele e o jogaram num rio, mas ele tinha um canivete no bolso, e conseguiu cortar as cordas e fugir. Os bandidos pensaram que ele tinha morrido. Agora, ele finge ser uma assombração: acende as luzes da casa no meio da noite, mexe nas teclas do piano e a mulher está apavorada, pensando que é um fantasma que faz isso!  Hoje a novela vai estar muito boa, quero ver o que vai acontecer! A partir deste dia, minha mãe teve sempre uma companheira para ouvir as novelas de rádio.
Lembro-me de tantas radionovelas boas! Vou citar algumas de que gostei muito: ¨Uma rua chamada esperança', 'O segredo do quarto amarelo', 'Castigo do céu', 'As minas de prata', 'Calúnia', 'O italianinho de cara suja e muitas outras, que lembro a história, mas não lembro o  nome. Não recordo muitos nomes de autores, mas minha mãe gostava muito das novelas de Dulce Santucci, Janete Clair, Ivani Ribeiro entre outros. O elenco era daqui do sul mesmo, acho que a Rádio Farroupilha comprava as novelas da Rádio Nacional e com seus radioatores, por sinal ótimos, fazia novelas inesquecíveis! Logo eu estava ouvindo também a novela das 15h  e das 16h  a qual terminava às 16,30h, quando começava uma novela em outra emissora, que eu também ouvia. Eu tinha que regular bem os meus horários pra acompanhar tantas novelas, (eu ainda não tinha rádio de pilhas): lavava a louça nos intervalos da novela das 13 h, comprava o pão para o café antes da das 15h, fazia os deveres de casa depois das 17h. Quando fiquei mais velha (com uns 12 anos), comecei a ouvir a novela das 20 horas, no radinho de pilhas que ganhei quando terminei o antigo primário, (promessa de meu pai, por eu não ter repetido nenhum ano). Nessa época minha mãe já tinha cortado as novelas da tarde, só me deixando ouvir a das 13 horas, e pensando bem era exagero mesmo, rsrsrs.
Quando ainda não tinha rádio de pilha, vocês precisavam ver a choradeira que eu fazia quando faltava energia e eu não podia ouvir a novela! Uma ocasião, era um penúltimo capítulo, muito decisivo, e faltou luz! Eu quase tive um chilique, e minha mãe então sugeriu que eu fosse ouvir a novela na casa de minha tia, que morava perto. Fui e o rádio dela, que funcionava com bateria, não estava funcionando, (acho que com a bateria descarregada)! Eu entrei em desespero, e minha tia muito bondosa, falou com a vizinha, que eu mal conhecia, e pediu para eu ouvir a novela com ela, eu fui e fiquei sentada ouvindo a novela enquanto a mulher lavava a louça e comentava a novela com a irmã. Quando terminou, saí rapidinho para contar o capítulo para minha mãe, nem sei se agradeci a gentileza da vizinha...
As radionovelas eram um bom lazer, proporcionavam momentos alegres, assunto para os encontros de amigas, e também serviam para as mães  escolherem  os nomes de seus bebês, tive muitos primos e vizinhos que receberam nomes de mocinhos e mocinhas das radionovelas.
Os homens não ouviam radionovela, mas um dia meu pai contou a trama de uma novela, que minha mãe ouvia baixinho no rádio, no horário das 20 horas, nos primeiros anos de casamento. Ela disse que pensava que ele estivesse dormindo na hora da novela, rsrsrs.  Ele contava tudo com riqueza de detalhes: era a história de um homem que descobria que um dos quatro filhos, era fruto de uma traição da mulher, mas não sabia qual deles era, e então resolvia destruir todos. Um era engenheiro e no dia em que ia inaugurar a primeira obra, uma ponte, esta caía, por causa da sabotagem do pai. Outros dois, também tinham suas vidas destruídas pelo pai, que só a um deles não conseguia fazer nenhum  mal. No final da novela, o homem estava morrendo, e implorava para  a mulher dizer qual dos filhos não era filho dele, a  mulher então cochichava no ouvido dele e o público não ficava sabendo qual era! Mas meu pai, conversando com os amigos, chegava a conclusão, que não era filho justamente aquele que ele não conseguia prejudicar! Achei engraçado eles debaterem novela, pois afinal, novela era coisa de mulher.
As radionovelas não tinham imagem, mas geralmente tinham um narrador, que descrevia os personagens, os lugares, as expressões dos personagens, as roupas, tudo com riquezas de detalhes, que era como se víssemos. Eu gostava muito!
Quando todo mundo começou a ter um televisor, as radionovelas foram cedendo espaço, e eu também fui me desinteressando, e quando percebi, já não existiam mais radionovelas. Mas deixaram muita saudade!


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=IqUCT746sSc