segunda-feira, 31 de março de 2025

SESSÃO RETRÔ - VARIEDADES - BELCHIOR

A reportagem abaixo foi publicada na revista Contigo nr. 256, que foi às bancas em 07/07/78.
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Boa diversão!



SESSÃO RETRÔ - COMERCIAIS - BIOCOLOR (1998)

 

sábado, 29 de março de 2025

PARA MEDITAR

 

Fonte: https://cdn.pensador.com/img/imagens/qu/an/quando_tudo_parecer_dificil_lembre_se_c.jpg?auto_optimize=low&width=655

SESSÃO FOTONOVELA - MAR DE INVERNO

A fotonovela abaixo pertence à revista Contigo nr. 254, que foi às bancas em 09/06/78.
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Boa leitura!
















sexta-feira, 28 de março de 2025

SESSÃO CAPAS E PÔSTERES

A capa pertence à revista Contigo nr. 254, que foi às bancas em 09/06/78.
Já o pôster, à revista Contigo nr. 268, publicada em 22/12/78.
Boa diversão!


SESSÃO FOTO QUIZ

A foto da semana passada pertence à atriz, cantora e modelo Letícia Colin. Agora tentem descobrir quem é o garoto da foto. Eis algumas pistas:
1) Este ator, humorista e apresentador, já falecido, nasceu no interior do Rio de Janeiro em 1978.
2) Estreou como ator em Prova de Amor (2006) na Record TV.
3) Fez mais sucesso como humorista no cinema e no teatro.
Boa diversão!

quinta-feira, 27 de março de 2025

SESSÃO LEITURA - BILHETE FRATERNAL, TALVEZ ÚTIL - ANTÔNIO MARIA

A crônica abaixo foi escrita por Antônio Maria.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: http://www.releituras.com/antoniomaria_bio.asp.
Boa leitura!

BILHETE FRATERNAL, TALVEZ ÚTIL

Minha prezada Maísa:
 
Sabe você com que cores se costuma pintar os maus momentos e as aflições alheias. Ontem, por exemplo, disseram-me, na rua, que você, num só desespero, além de cortar os pulsos, abrira o gás do banheiro e ingerira uma dose violentíssima de certos comprimidos tóxicos. Era a notícia que corria em Copacabana, depois das seis da tarde. Mais tarde, nas boates, todos diziam que o seu estado era desesperador, aguardando-se o desenlace para cada momento.
Comentei com amigos o desperdício dos suicídios e, no seu caso especial, o absurdo de uma jovem tão bonita, tão artista, tão cheia de êxitos, tender, constantemente, para a desistência do bem essencial a todos os bens, que é a vida. Hoje, graças a Deus, os noticiários da imprensa contaram a história direito, explicando que você apenas tomara um pileque maior e alguns comprimidos além de Miltown.
Contra os pileques, não tenho nada a reclamar. Também os tomo, e só Cristo sabe com que desgosto lamento os erros a que eles me levam. Mas no beber há um mistério, uma sabedoria e, além disso, um certo recolhimento, que nos levam sempre aos copos, com independência e estado de graça. Não fosse a ameaça futura de ter um fígado transformado em pâté maison e não pesassem outras ameaças sobre os devotados do álcool, os sábios e doutores aconselhariam que a humanidade bebesse o mais possível ― isto, na constatação de não nos ter o Criador concedido nascer bêbados, o que seria, além de nobre, muito mais barato.
Mas, minha prezada Maísa, o que me leva a este bilhete não é aconselhá-la à perseverança do scotch e seus substitutivos. Queria conversar sobre a morte, dentro da verdade irrefutável de que a vida, mesmo quando não chega a ser uma delícia, é uma fascinante experiência de luta e coragem, bela não só nos momentos de intensa felicidade, como, e mais ainda, nos transes dolorosos, de que saímos mais livres e fortes. Não quero dizer com isso que sofrer seja bom. Boa é a nossa convicção de sobrevivência a todas as injustiças que nos fazem à carne e à alma.
O suicídio contém uma desforra, e este é o seu lado fascinante. Mas o suicídio contém a morte, e este é o seu defeito irreparável. Nunca morrer hoje, quando se pode morrer amanhã... ou daqui a cem anos. Há muito o que ver e sentir, há muito o que amar! Em mim e em meus semelhantes mais intranquilos haverá, um dia, aquela manhã clara e azul, e, com os olhos da alma sossegada, veremos toda a beleza da rosa, toda a luz do lago duro e prisioneiro, o sopro da manhã cheia de pássaros, o convite do amor no ser que passa.
Quantas vezes estive cansado, infeliz da minha completa impossibilidade, cativo da hora improtelável, faltado de todo o bem-querer humano, faltoso a todos os meus compromissos e, mesmo assim, estive certo dessa manhã que nos aguarda a todos. Há uma série de acontecimentos recentes em minha vida, que só por eles jamais cometeria a ingratidão de me matar. Poderia enumerar alguns: o caminho de Versalhes, a descida do Tejo, a estrada de Teresópolis, a noite que acabo de dormir, pesadamente. Em tudo isto quanto apego a esta minha vida sem método, por este destino sem porto de chegada, pelo meu coração, que só deseja o acaso dos homens e das coisas! Que incontida necessidade de confiar! Que lúcida noção de todas as minhas falhas... E, mesmo assim, viver! Ninguém recebeu o conselho dos mortos. Por isso, ninguém se deve matar.
Minha jovem amiga, abra uma janela de sua casa ― a que dá para o mar ou para a montanha. Procure o mundo e dê-se por perdida. Viva, sem a nervosia de procurar-se a si mesma, porque cada um de nós é um perdido, um ilustre perdido na humanidade vária e numerosa. Viva, que no fim dá certo. É o seu amigo, A.M.

Fonte: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13366/bilhete-fraternal-talvez-util.

SESSÃO ABERTURA DE PROGRAMA DE AUDITÓRIO - HORA DO FARO (2014)

O programa Hora do Faro foi apresentado na Record TV entre 27 de abril de 2014 a 29 de dezembro de 2024. O apresentador era Rodrigo Faro e o programa era apresentado aos domingos.
Para maiores informações sobre o programa, favor acessar: https://pt.wikipedia.org/wiki/Hora_do_Faro.
Boa diversão!

quarta-feira, 26 de março de 2025

SESSÃO SAUDADE - EDUARDO ABBAS

A homenagem de hoje vai para o ator Eduardo Abbas.



Ele construiu uma carreira longa no cinema e na televisão. Na telona, atuou entre os anos de 1960 e 1984. Na telinha, atuou entre 1957 e 1988, com passagem pelas principais emissoras do país (Tupi, Excelsior, Cultura, Record, Bandeirantes, SBT e Globo). Atuou em muitas novelas de sucesso como: A Pequena Órfã, Sangue do Meu Sangue, Os Inocentes e Ídolo de Pano.
Obrigado, Eduardo Abbas, por sua preciosa contribuição para o nosso cinema e televisão!
Descanse em paz!
Para maiores informações sobre este artista, favor acessar: https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Abbas.
Com o objetivo de homenageá-lo, reproduzimos abaixo pequeno trecho da novela Os Inocentes (1974) da Rede Tupi em que contracena com Cláudio Corrêa e Castro.


Fonte do fragmento: https://www.youtube.com/watch?v=lkJTJ6uxZ_Q

SESSÃO HUMOR

O rapaz fala com sua empregada:
— Você, hein! Me traiu!
— O que foi que eu fiz? — pergunta a empregada, espantada.
— Você prometeu que não ia contar pra minha mãe a hora que eu cheguei ontem à noite.
— Ué, e eu não contei...
— Como não?
— Não falei mesmo. Quando sua mãe perguntou, eu disse que estava tão ocupada preparando o café da manhã que nem reparei que horas eram...

Fonte: https://www.saocarlosoficial.com.br/_fonte/piada.asp?t=1&c=6.

terça-feira, 25 de março de 2025

SESSÃO REMAKE MUSICAL - MASCULINO FEMININO - RODRIGO RÉGIS

A canção Masculino Feminino, originalmente interpretada por Pepeu Gomes, é apresentada no vídeo abaixo por Rodrigo Régis.
Boa diversão!



LETRA

MASCULINO FEMININO

Compositores: Baby Consuelo / Didi Gomes / Pepeu Gomes

Ôu! Ôu!
Ser um homem feminino
Não fere o meu lado masculino
Se Deus é menina e menino
Sou Masculino e Feminino...

Olhei tudo que aprendi
E um belo dia eu vi...

Que ser um homem feminino
Não fere o meu lado masculino
Se Deus é menina e menino
Sou Masculino e Feminino...

Olhei tudo que aprendi
E um belo dia eu vi
Uh! Uh! Uh! Uh...

E vem de lá!
O meu sentimento de ser
E vem de lá!
O meu sentimento de ser
Meu coração!
Mensageiro vem me dizer
Meu coração!
Mensageiro vem me dizer...

Salve, salve a alegria
A pureza e a fantasia
Salve, salve a alegria
A pureza e a fantasia...

Olhei tudo que aprendi
E um belo dia eu vi
Uh! Uh! Uh! Uh...

Que ser um homem feminino
Não fere o meu lado masculino
Se Deus é menina e menino
Sou Masculino e Feminino...

Vou assim todo o tempo
Vivendo e aprendendo
Ôu!...

E vem de lá!
O meu sentimento de ser
E vem de lá!
o meu sentimento de ser
Meu coração!
Mensageiro vem me dizer
Meu coração!
Mensageiro vem me dizer
Ôu! Ôu! Uh!...

Fonte: https://www.letras.mus.br/pepeu-gomes/128262/

SESSÃO TÚNEL DO TEMPO MUSICAL - MASCULINO FEMININO - PEPEU GOMES

A canção Masculino Feminino, interpretada por Pepeu Gomes, fez parte da trilha sonora da novela Eu Prometo, apresentada pela Rede Globo no horário das 22h15 de 19 de setembro de 1983 a 17 de fevereiro de 1984.
Para maiores informações sobre a novela, favor acessar: https://observatoriodatv.com.br/teledramaturgia/eu-prometo/.
Boa diversão!



LETRA

MASCULINO FEMININO

Compositores: Baby Consuelo / Didi Gomes / Pepeu Gomes

Ôu! Ôu!
Ser um homem feminino
Não fere o meu lado masculino
Se Deus é menina e menino
Sou Masculino e Feminino...

Olhei tudo que aprendi
E um belo dia eu vi...

Que ser um homem feminino
Não fere o meu lado masculino
Se Deus é menina e menino
Sou Masculino e Feminino...

Olhei tudo que aprendi
E um belo dia eu vi
Uh! Uh! Uh! Uh...

E vem de lá!
O meu sentimento de ser
E vem de lá!
O meu sentimento de ser
Meu coração!
Mensageiro vem me dizer
Meu coração!
Mensageiro vem me dizer...

Salve, salve a alegria
A pureza e a fantasia
Salve, salve a alegria
A pureza e a fantasia...

Olhei tudo que aprendi
E um belo dia eu vi
Uh! Uh! Uh! Uh...

Que ser um homem feminino
Não fere o meu lado masculino
Se Deus é menina e menino
Sou Masculino e Feminino...

Vou assim todo o tempo
Vivendo e aprendendo
Ôu!...

E vem de lá!
O meu sentimento de ser
E vem de lá!
o meu sentimento de ser
Meu coração!
Mensageiro vem me dizer
Meu coração!
Mensageiro vem me dizer
Ôu! Ôu! Uh!...

Fonte: https://www.letras.mus.br/pepeu-gomes/128262/

segunda-feira, 24 de março de 2025

SESSÃO RETRÔ - VARIEDADES - PENINHA

A reportagem abaixo foi publicada na revista Contigo nr. 254, que foi às bancas em 09/06/78.
Para ler esta ou outra matéria em tamanho maior, caso use o Explorer ou Chrome, clique sobre a figura com o botão direito do mouse e selecione a opção "abrir link em uma nova guia". Na nova guia, clique com o botão esquerdo do mouse e, pronto, terá acesso a uma ampliação da página. Caso o navegador seja o Firefox, clique sobre a figura com o botão direito do mouse e selecione a opção "abrir em nova aba". Em seguida, proceda como no caso dos dois outros navegadores citados.
Boa diversão!


SESSÃO RETRÔ - COMERCIAIS - HIPERMERCADO EXTRA (2005)

 

sábado, 22 de março de 2025

PARA MEDITAR

 

SESSÃO FOTONOVELA - ESPIONAGEM NOS TRÓPICOS

A fotonovela abaixo pertence à revista Ilusão nr. 321, que foi às bancas em 29/06/79.
Para ler esta ou outra matéria em tamanho maior, caso use o Explorer ou Chrome, clique sobre a figura com o botão direito do mouse e selecione a opção "abrir link em uma nova guia". Na nova guia, clique com o botão esquerdo do mouse e, pronto, terá acesso a uma ampliação da página. Caso o navegador seja o Firefox, clique sobre a figura com o botão direito do mouse e selecione a opção "abrir em nova aba". Em seguida, proceda como no caso dos dois outros navegadores citados.
Boa leitura!














sexta-feira, 21 de março de 2025

SESSÃO CAPAS E PÔSTERES

A capa pertence à revista Ilusão nr. 321, que foi às bancas em 29/06/79.
Já o pôster, à revista Contigo nr. 268, publicada em 22/12/78.
Boa diversão!


SESSÃO FOTO QUIZ

A foto da semana passada pertence ao cantor, compositor e ator Paulo Ricardo. Agora tentem descobrir quem é a garota da foto. Eis algumas pistas:
1) Esta atriz, cantora e modelo, ainda viva, nasceu no interior de São Paulo em 1989.
2) Estreou como atriz no seriado Sandy e Júnior (2000) na Rede Globo.
3) Participou de novelas como: América, na Rede Globo; Vidas em Jogo, na Record TV e Nos Tempos do Imperador, novamente na Globo.
Boa diversão!

SESSÃO LEITURA - O INGÊNUO DAGOBERTO - ALCÂNTARA MACHADO

O texto abaixo é de autoria de Alcântara Machado.
Para maiores informações sobre o autor, favor acessar: https://www.ebiografia.com/alcantara_machado/.
Boa leitura!

O INGÊNUO DAGOBERTO

Diante da porta da loja pararam. Seu Dagoberto carregava o menorzinho. Silvana a maleta das fraldas. Nharinha segurava na mão do Polidoro que segurava na mão do Gaudêncio. Quim tomava conta do pacote de balas. Lázaro Salém veio correndo do balcão e obrigou a família a entrar.
Seu Dagoberto queria um paletó de alpaca. — A mulher queria um corte de cassa verde ou então cor-de-rosa. A filha queria uma bolsinha de couro com espelho e lata para o pó-de-arroz. O menino de dez anos queria uma bengalinha. O de oito e meio queria um chapéu bem vermelho. O de sete queria tudo.
É só escolher.
O menorzinho queria mamar.
— Leite não tem.
Não há nada como uma piada na hora para pôr toda a gente à vontade. Principalmente de um negociante como Lázaro Salém. Bateu nas bochechas do Gaudêncio. Deu uma bola de celuloide para o Quim. Perguntou para Silvana onde arranjou aqueles dentes de ouro tão bem-feitos. Estava se vendo que era ouro de dezoito quilates. Falou. Falou. Não deixou os outros falarem. Jurou por Deus.
Entre marido e mulher houve um entendimento mudo. E a família saiu cheinha de embrulhos. Em direção ao Jardim da Luz.
O pavão estava só à espera dos visitantes para abrir a cauda. O veadinho quase ficou com a mão do Gaudêncio. Os macacos exibiram seus melhores exercícios acrobáticos. Quando araponga inventa de abrir o bico só tapando o ouvido mesmo.
Depois o fotógrafo espanhol se aproximou de chapéu na mão. Seu Dagoberto concordou logo. Porém Silvana relutou. Tinha vergonha. Diante de tanta gente. Só se fosse mais longe. O espanhol demonstrou que o melhor lugar era ali mesmo ao lado da herma de Garibaldi general italiano muito amigo do Brasil. Já falecido não há dúvida. Acabou-se. Garibaldi sairia também no retrato. Nem se discute. A família deixou os pacotes no banco e se perfilou diante da objetiva. Parecia uma escada. O fotógrafo não gostou da posição. Colocou os pais nas pontas. Cinco passos atrás. Estudou o eleito. Passou os pais para o meio. Cinco passos atrás. Ótimo. Enfiou a cabeça debaixo do pano. Magnífico. Ninguém se mexia. Atenção. Aí Juju derrubou a chupeta de bola e soltou o primeiro berro no ouvido paterno. Foi para os braços da mãe. Soltou o segundo. O fotógrafo quis acalmá-lo com gracinhas. Soltou o terceiro. Polidoro mostrou a bengalinha. Soltou o quarto. O grupo se desfez. Quinze minutos depois estava firme de novo às ordens do artista. O artista solicitou a gentileza de um sorriso artístico. Silvana pôs a mão na boca e principiou a rir sincopado. O artista teve a paciência de esperar uns instantes. Pronto. Cravaram os olhos na objetiva. O fotógrafo pediu o sorriso.
— O Juju também?
Polidoro (o inteligente da família) voou longe com o tabefe nas ventas.
Depois da sexta tentativa o retrato saiu tremido e o espanhol cobrou doze mil-réis por meia dúzia.
A família se aboletou no primeiro banco do caradura. Mas antes o Quim brigou com o Gaudêncio porque ele é que queria ir sentado. Com o beliscão maternal se conformou e ficou em pé diante do pai. O bonde partiu. Polidoro quis passar para a ponta para pagar as passagens. Mas olhou para o Quim ainda com as pestanas gotejando. Desistiu da ideia. E foi Seu Dagoberto mesmo quem pagou.
O bicho saiu de baixo do banco. Ficou uns segundos parado na beirada entre as pernas do sujeito que ia lendo ao lado de Seu Dagoberto. Quim viu o bicho mas ficou quieto. E o bicho subiu no joelho esquerdo do homem (o homem lendo, Quim espiando). Foi subindo pela perna. Alcançou a barriga. Foi subindo. Tinha um modo de andar engraçado. Foi subindo. Alcançou a manga do paletó. Parou. Levantou as asas. Não voou. Continuou a escalada. Quim deu uma cotovelada no estômago do pai e mostrou o bicho com os olhos. Seu Dagoberto afastou-se um pouquinho, bateu no braço de Silvana, mostrou o bicho com a cabeça. Silvana esticou o pescoço (o bicho já estava no ombro), achou graça, falou baixinho no ouvido do Gaudêncio. Gaudêncio deixou o colo da Nharinha, ficou em pé, custou a encontrar o bicho, encontrou, puxou o Polidoro pelo braço, apontou com o dedo. Polidoro viu o bicho bem em cima da gola do paletó do homem, não quis mais saber de ficar sentado. Então Nharinha fez também um esforço e deu com o bicho. Virou o rosto de outro lado e soltou umas risadinhas nervosas.
— Que é que você acha? Aviso?
— O homem é capaz de ficar zangado.
— É mesmo. Nem fale.
Na curva da gola o bicho parou outra vez. Nesse instante o Gaudêncio deu um berro:
— É aeroplano!
Todos abaixaram a cabeça para espiar o céu. O ronco passou. Então o Quim falou assustado:
— Desapareceu!
Olharam: tinha desaparecido.
— Entrou no homem, papai!
Seu Dagoberto assombrado examinou a cara do homem. Será? Impossível. Começou a ficar inquieto. Fez o Quim virar de todos os lados. Não. No Quim não estava.
— Olhe em mim.
Não. Nele também não estava.
— Veja no Juju, Silvana.
Não. No Juju também não estava. Ué. Mas será possível?
O Quim avisou:
— Apareceu!
Olharam: apareceu no colarinho do homem. Passeou pelo colarinho. Parou. Eta. Eta. Passou para o pescoço. O homem deu um tapa ligeiro. Todos sorriram.
Tinham chegado no Parque Antártica.
Polidoro não queria descer do balanço. Não queria por bem. Desceu por mal. Em torno da roda-gigante os águias estacionavam com os olhos nas pernas das moças que giravam. Famílias de roupa branca esmagavam o pedregulho dos caminhos. Nharinha de vez em quando dava uma grelada para O moço de lenço sulfurino com um cravo na mão. Juju começou a implicar com as valsas vienenses da banda. A galinha do caramanchão ficou com os duzentos réis e não pôs ovo nenhum. Foram tomar gasosa no restaurante. Seu Dagoberto foi roubado no troco. O calor punha lenços no pescoço de portugueses com o elástico da palheta preso na lapela florida. Quim perdeu-se no mundão que vinha do campo de futebol. O moço de lenço sulfurino encostou-se em Nharinha. Ela ficou escarlate que nem o cravo que escondeu dentro da bolsa.
No bonde Silvana disfarçadamente livrou os pés dos sapatos de pelica preta envernizada com tiras verdes atravessadas.
Depois do jantar (mal servido) Seu Dagoberto saiu do Grande Hotel e Pensão do Sol (Familiar) palitando os dentes caninos. Foi espairecer na Estação da Luz. Assistiu à chegada de dois trens de Santos. Acendeu um goiano. Atravessou a Rua José Paulino. Parou na esquina da Avenida Tiradentes. Sapeando o movimento. Mulatas riam com os soldados de folga. Dois homens bem trajados e simpáticos lhe pediram fogo. Dagoberto deu.
— Muito gratos pela sua gentileza.
— Não tem de quê.
— Está fazendo um calorzinho danado, não acha?
— É. Mas esta noite chove na certa.
Seu Dagoberto ficou sabendo que os homens eram de Itapira. Tinham chegado naquele mesmo dia as onze horas. E deviam voltar logo amanhã cedo e sem falta. Uma pena que ficassem tão pouco tempo. Seu Dagoberto com muito gosto lhes mostraria as belezas da cidade. Conversando desceram lentamente a Avenida Tiradentes. Na esquina da Cadeia Pública Seu Dagoberto trocou três camarões de duzentos e mais um relógio com uma corrente e três medalhinhas (duas de ouro) por oito contos de réis. E voltou para o Grande Hotel e Pensão do Sol (Familiar) que nem uma bala.
(Napoleão da Natividade filho tinha o hábito feio de coçar a barriga quando se afundava na rede de pijama e chinelo sem meia. A mulher — a segunda, que a primeira morrera de uma moléstia no fígado — preferia a cadeira de balanço).
— Você me vê os óculos por favor?
O melhor deste jornal são os títulos. — A gente sabe logo do que se trata. (Foi Buscar Lã… Quem com Ferro Fere… Amor e Morte). Aquela miséria de sempre. Aquela miséria de sempre. Aquela miséria de… (Mais Um!) Mas então os trouxas não acabam mesmo.
Depois que ficou ciente da abertura do inquérito a mulher concordou:
— Parece impossível!
— Nada é impossível.
(A dissertação sobre a bobice humana foi feita com os óculos na testa.)
A indignação de Silvana não conheceu limites.
— Seu bocó! Devia ter contado o dinheiro na frente dos homens! Seu besta!
A filharada não dava um pio. Nem Seu Dagoberto.
— Não merece a mulher que tem! Seu fivela!
Seu Dagoberto custou mas foi perdendo a paciência e tirando o paletó.
— Seu burro! Seu caipira!
Aí Seu Dagoberto não aguentou mais. Avançou para a mulher mordendo Os bigodes. Nharinha aos gritos se pôs entre os dois de braços abertos. Os meninos correram para o vão da janela.
— Venha, seu pindoba! Venha que eu não tenho medo!
O pindoba se conteve para evitar escândalos. Vestiu o paletó. Fincou o chapéu na testa. Roncou feio. Só vendo o olhar. Bateu a porta com toda a força. Tornou a abrir a porta. Pegou o bengalão que estava em cima da cama. Saiu sem fechar a porta.
Tarde da noite voltou contente da vida. Contando uma história muito complicada de mulheres e de um tal Claudionor que sustentava a família. Queria beijar Silvana no cangote cheiroso. Chamando-a de pedaço. E gritava:
— Também não quero saber mais dela!
Silvana deu um tranco nele. Ele foi e caiu atravessado na cama. Caiu e ferrou no sono.
Quando chegou o dinheiro para a conta do hotel e a viagem de volta Silvana pegou numa nota de cinco mil-réis, entregou por muito favor ao marido e escondeu o resto.
Depois chamou a Nharinha para ajudar a aprontar as malas. À voz de aprontar as malas Nharinha rompeu numa choradeira incrível. Já estava se acostumando com a vida da cidade. Frisara os cabelos. Arranjara um andarzinho todo rebolado. Vivia passando a língua nos lábios. Comprara o último retrato de Buck Jones. E alimentava uma paixão exaltada pelo turco da Rua Brigadeiro Tobías nº 24-D sobrado. Só porque o turco usava costeletas. Um perigo em suma.
Mas a mãe pôs as mãos nas cadeiras e fungou forte. Quando Silvana punha as mãos nas cadeiras e fungava forte a família já ficava avisada: era inútil qualquer resistência. Inútil e perigosa.
Nharinha perdeu logo a vontade de chorar. Em dois tempos as malas de papel-couro e o baú cor-de-rosa com passarinhos voando de raminho no bico ficaram prontos.
A família desceu. Silvana pagou a conta. A família já estava na porta da rua quando Seu Dagoberto largou o baú no chão e deu de procurar qualquer coisa apalpando-se todo. A família escancarou os olhos para ele interrogativamente. Seu Dagoberto cada vez mais aflito acelerava as apalpadelas. De repente abriu a boca e disparou pela escada acima. Voltou todo pimpão com um bolo de recortes de jornal e bilhetes de loteria na mão. Silvana compreendeu. Ficou verde de raiva. Ia se dar qualquer desgraça. Porém ficou quieta. Fungou só um instantinho. Depois intimou:
— Vamos!
Aí o proprietário do hotel perguntou limpando as unhas para onde seguia a família. Aí Silvana não se conteve desviou o nariz da mão do Juju e respondeu bem alto para toda a gente ouvir:
— Pro inferno, Seu Roque!
Aí Seu Roque fez que sim com a cabeça.

Fonte: https://contobrasileiro.com.br/o-ingenuo-dagoberto-conto-de-alcantara-machado/.