segunda-feira, 2 de julho de 2012

FIC - UMA CHANCE DE AMAR - CAPÍTULO 2 - AUTORA: JOYCE FEITOZA

FIC UMA CHANCE DE AMAR – CAP-2

No capitulo anterior...

Claude pegou a foto e colocou na ultima gaveta do seu criado mudou e tornou a deitar e continuar sua leitura.
(22:35- Apartamento de Rosa)
 Rosa chegou do jantar, tomou banho e resolveu enfim desfazer as malas. Roupa vai, roupa vem. Rosa colocou tudo no guarda roupas. No fim, pegou uma caixinha de madeira, sentou na cama e abriu. Dentro da caixinha tinha algumas cartas de amigas de sua adolescência, presentes e no fundo embaixo de tudo havia uma foto. Rosa pegou a foto e ficou olhando por alguns instantes.
Rosa: Ai não, xô. Credo volta pro fundo da caixinha, volta. (Disse colocando a foto e fechando a caixa)


Brasil – São Paulo, 29 de Janeiro de 2012

(09:00 AM Shopping)

Enfim tinha chegado o dia da recepção e Rosa não tinha comprado seu vestido ainda. Então, as pressas, foi com Janete até o shopping para comprar algum.
Janete: Ai amiga, você também deixa tudo pra última hora.
Rosa: Esqueci amiga, tenho culpa. Tenho meus vestidos de Paris mas não quero repetir roupa principalmente em um evento tão importante pra mim.
Janete: Nossa esse aqui amiga vai ficar lindo!
Rosa: Vermelho? Não vai chamar muita atenção , não?
Janete: E é assim que tem que ser, você tem que chamar atenção.
Rosa: Nossa, ainda tenho que passar no salão, fazer unha, cabelo. Vamos logo esse vai ficar perfeito.

(15:30PM- Mansão Geraldy)

Nara: Mon amour, cheguei.
Dádi: Dr. Clodis eu avisei para ela esperar na sala, mas ela subiu disparada.
Claude: Non tem problema Dádi, deixa que eu cuido dissi.
Nara: Mon amour você ainda não se arrumou?
Claude: Claire que me arrumei, eu vou assim de toalha.
Nara: Nossa que grosso você.
Claude: Posso saber o que você ta fazendo aqui?
Nara: Ué, vim para a recepção.
Claude: Nara eu te dissi que non era um jantar comum é um jantar de negócios.
Nara: Claude eu sou sua noiva tenho que ficar ao seu lado.
Claude: Você non acha que ta um pouquin cedo non?
Nara: Cedo? Eu tenho que me preparar antes mon amour.
Claude: Enton faz assim, vai se preparar fora do meu quarto.(disse colocando Nara para fora)
Claude respirou fundo e voltou a sua paz.

(20:10 PM- Mansão Geraldy)

Todos os convidados já haviam chegado inclusive a imprensa e estavam ansiosos para a chegada de Rosa.
Claude: Roberta você informou a hora certa a ela?
Roberta: Claro que informei né Dr.! O Rodrigo já foi buscá-la, já deve estar chegando.
Claude virou-se de costas para a porta e continuou a conversar com Frazão e Freitas. Nesse mesmo instante, a porta se abre e Rosa entra.
Roberta: Rosa que bom que você chegou, estavámos a sua espera!
Rosa: Desculpe a demora, o trânsito estava horrível.
Roberta: Dr. Claude ela chegou.
Claude virou-se e deu de cara com Rosa, seus olhares se encontraram ainda assustados, incrédulos. Eles ficaram se encarando e o olhar por um instante mudou, ficou misterioso, envolvente.
Claude:Ela era a última pessoa que esperava ver naquele jantar, naquele instante um filme do passado rodou em minha mente. Após anos ela estava ali parada da minha frente. Eu non entendia o que estava acontecendo. Só sei que era ela.”

Rosa:Acho que foi a primeira vez que ao olhar para ele meu coração acelerou de uma forma que pensei que fosse sair pela boca. Só de ter ouvido o nome dele algo mexeu dentro de mim e quando o vi custei a acreditar.

Roberta: Claude essa é Rosa Petroni sua nova sócia. Rosa esse é Claude Geraldy o presidente da construtora.
As feições de Claude e Rosa mudaram rapidamente, se encararam com ódio e o que era de se esperar aconteceu.
Claude: Como é que é? Você? Ah non! Era só o que me faltava.
Rosa: Roberta querida, que brincadeira de mau gosto é essa?
Roberta: Eu não to entendendo. Vocês já se conhecem?
Rosa e Claude: Infelizmente.
Rosa: Por uma burrice que cometi em minha vida.
Claude:  Frazon, por Dieu, você já sabia dissi?
Frazão: Claro que não meu querido. Estou tão surpreso quanto você. Claude a imprensa ta aí, mantenha as aparências.
Claude: Tudo bem. Roberta faça um favor?
Roberta: Sim Dr.?!
Claude: Eu vou até a cozinha seja discreta e peça para que essa senhora aí vá ate lá.
Roberta: Sim senhor.



Claude foi discretamente para cozinha e ficou esperando por Rosa. A cozinha foi fechada com cortinas e bloqueada para que os convidados não fossem ate lá. Claude ficou de costas esperando por Rosa. Não demorou muito a voz dela ecoou naquele espaço.
Rosa: Será que agora dá pra você me explicar que palhaçada é essa?
Claude: Quem deve me explicar aqui é você.
Rosa: Eu? Meu caro, eu vim para o Brasil para tomar posse das minhas ações em uma construtora. Ações essas que herdei dos meus padrinhos.
Claude: Non é possível. Você non, non pode ser. Eu sou o maior acionista da construtora que se você non reparou se chama Construtora Geraldy.
Rosa: Não reparei porque pra mim o que me importava era que eu tinha ações e pronto.
Claude: Claire, non sei nem porque passou issi pela minha cabeça. Você continua a mesma descuidada, desatenta e preguiçosa. Issi non pode ta acontecendo comigui. É castigui Dieu?
Rosa: Castigo digo eu. O mundo é mesmo pequeno.
Eles pararam de se falar e ficaram se encarando sério.
Rosa: O que que foi?
Claude: Você mudou hã.
Rosa: É você também. Esta com cara de homem, mas só cara.
Claude: E você continua a mesma arrogante maluca.
Rosa: O único insano aqui é você.
Claude: Non começa non hã. Quem é você pra falar de mim hã? Uma chata, implicante.
Rosa: Escuta aqui vê lá como você fala comigo hein. (Disse levantando a mão para dar uma bofetada em Claude)
Claude: Nem pense em fazer issi. (Disse segurando firme o pulso dela)
Os dois se aproximaram e ficaram se olhando com a respiração quente e acelerada.
Nara: Ah! Aí está você mon amour! O que é que você tá fazendo Claude?
Claude: Nara?! (Disse se afastando de Rosa)
Nara: Eu mesma.
Claude: Eu estava conversando com minha nova sócia.
Nara: Ah sim. Prazer, Nara Paranhos, noiva do Claude.
Rosa: Ah noiva... coitada.(murmurou)
Nara: Como?
Rosa: Prazer, Rosa Petroni.
Nara: Olha, a imprensa está procurando vocês para algumas fotos.
Claude: Nós já estamos indo. Vai na frente e tira algumas fotos, vai cherry.
Nara: Fotos? Adoro fotos! (Disse saindo dali)
Rosa: Coitada, tinha que ser uma tonta mesmo pra te aturar. Se bem que você deve faze-la de gato e sapato.
Claude: Cuidado, se morder a língua morre com o próprio veneno.
Rosa: Escuta aqui, não pense que só porque você é meu ex-marido vai fazer o que bem entender na construtora não. Eu sou acionista de 30% e tenho tanto poder quanto você.
Claude: Mas eu sou o presidente hã. Procure non fazer escândalos, vamos manter a aparência da construtora.
Rosa: Não, vamos inovar a aparência. Até porque com você sozinho no comando deve tá uma aparência triste. Agora vamos logo tirar essas benditas fotos que quero ir para casa. (Disse saindo)

Claude:Continua a mesma chata, maluca, implicante. Mas reparando bem, está mais bonita.”

Claude e Rosa tiraram as fotos e ficaram mantendo a aparência a noite inteira.
Em quase toda a festa ficaram afastados, mas a troca de olhares, de vez em quando, era inevitável.

(01:00 AM- Apartamento de Rosa)

Rosa chegou e já saiu tirando o salto jogando-o pelo chão enfurecida.
Janete: Nossa amiga o que que foi?
Rosa: Você não vai acreditar Janete.
Janete: Acreditar em que? Me conta.
Rosa: A assombração voltou para minha vida.
Janete: Não me diga que você viu um fantasma? Ai meu Deus!
Rosa: Vi, um fantasma do passado.
Janete: Eu não to entendo nada.
Rosa: Vou ser rápida. O presidente da tal construtora e também maior acionista é nada mais, nada menos, que Claude Antoine Geraldy.
Janete: Juraaaaaa?
Rosa: Juro! Imagina a minha cara quando eu o vi naquela festa.
Janete: Que mundo pequeno.
Rosa: Será mesmo pequeno Janete? Ou pessoas que sabiam disso não me contaram?
Janete: O que? Porque você ta olhando pra mim?
Rosa: Porque o seu noivinho estava lá e trabalha na tal construtora Geraldy.
Janete: Ah Rosa! Eu não me intrometo nos assuntos de trabalho do Frazão. Eu sabia sim que ele trabalhava em uma construtora, mas não na do seu ex. Mas vai, senta, me conta como foi hein?
Rosa: Como você acha que ia ser? Discutimos como sempre. Ai! Aquele idiota, cínico, imbecil.
Janete: Nossa, quero só ver como vocês vão se entender na construtora.
Rosa: Ah, eu já disse, ele pode ser o maior acionista e tudo mais. Só que em mim ele não manda.
Janete: E como ele tá?
Rosa: Como ele tá?
Janete: Sim, tá bonito?
Rosa: Ai Janete só você pra me fazer pensar nisso. Eu nem reparei direito.
Janete: Reparou sim, ai Rosa deixa de ser orgulhosa me conta.
Rosa: Tudo bem. Ele tá mais forte, com mais cara de homem, barba por fazer... Não posso negar que continua bonito. Mas só isso.
Janete: Nossa, então deve tá um gato!
Rosa: O melhor, está noivo de uma tonta, haha. Coitada, ele arrumou uma lerda, que assim, atura ele sem reclamar.
Janete: Vai, admite, ficou com ciuminho, rsrs.
Rosa: Que ciuminho o que Janete! Eu detesto aquele... aquele... aquele turrão. E eu NUNCA vou ter mais nada com ele!

(01:30 AM- Mansão Geraldy)

Claude: Non, non. Issi non pode ser verdade.
Dádi: Oxe, mais o que foi Dr. Clodis que o senhor tá tão aperriado?
Claude: Você non viu? A maluca da Rosa, lembra? Minha ex-mulher é minha sócia na construtora.
Dádi: Aquela que o senhor casou rápido e se separou rápido também? A louca, chata, implicante, furacão, tsunami?
Claude: Essa mesma.
Dádi: Se precisar da minha ajuda, arranco ela pelos cabelos e dou uns catiripapos.
Claude: Non que issi.
Claude subiu depois de um tempo e foi para o quarto. Rosa não saía da sua cabeça.
Claude: Mon Dieu, eu sabia que algo ia acontecer em minha vida. Dieu, é castigui? É acho que o fim do mundo vai chegar primeiro pra mim,com direito a tsunami, terremoto, furacon.

CONTINUA...

SESSÃO RETRÔ - VARIEDADES - JAIR RODRIGUES

A reportagem que reproduzimos abaixo foi publicada na revista Romântica, nr. 130, de fevereiro de 1972.
Nossos agradecimentos à amiga Maria do Sul pela remessa do material.
Boa diversão!

 

 

SESSÃO RETRÔ - NOVELAS - ESPECIAL XXVII - UMA ROSA COM AMOR

A reportagem que reproduzimos abaixo foi publicada na revista Amiga TV Tudo, nr. 131, de 21 de novembro de 1972.
Para saber mais sobre a primeira versão de Uma Rosa com Amor, favor acessar: www.teledramaturgia.com.br/tele/rosa72.asp.
Boa diversão!

 


domingo, 1 de julho de 2012

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU - CAPÍTULO 66 - TONI FIGUEIRA

Novela de Antonio Figueira
Inspirada na Obra de Dias Gomes



Fonte: http://youtu.be/zIuryHGvAVc

CAPÍTULO 66
Personagens deste capítulo:

VÍTOR
HELÔ
DR. LEIVAS
EMILIANO
RENATÃO
RODOLFO AUGUSTO
D. MARIETA
KONSTANTÓPULUS
MARIA REGINA

CENA 1  -  PENSÃO PRIMAVERA  -  FRENTE  -  EXT.  -  DIA.

Continuação Imediata da Última Cena do Capítulo Anterior.

HELÔ PAROU O CARRO EM FRENTE À PENSÃO. EM SEGUIDA, VÍTOR APROXIMOU-SE, COM UMA MOCHILA NAS COSTAS. HELÔ SALTOU, CORREU AO SEU ENCONTRO E ABRAÇOU-O, EMOCIONADA.

HELÔ  -  Meu amor eu lembrei! Eu lembrei!

VÍTOR  -  Lembrou o que? Não vá me dizer que...

HELÔ  -  (cortou) Eu lembrei do momento que dei a Nívea o medalhão! Foi muito antes de ela ser assassinada! Isso quer dizer que... que não fui eu! Eu não a matei! Não sou uma assassina! Eu não matei Nívea!

VÍTOR E HELÔ BEIJARAM-SE, LONGAMENTE, SEM SE IMPORTAR COM OS OLHARES DE CURIOSOS QUE PASSAVAM NA RUA, NAQUELE MOMENTO.

VÍTOR  -  Meu amor, eu nunca duvidei disso. Sempre soube que você era inocente. Nós só precisávamos arrumar um jeito de provar isso.

HELÔ  -  Eu tou tão aliviada, você nem imagina... sinto como se tivesse tirado um peso enorme das costas!

VÍTOR  -  Eu também estou muito feliz por você. Na verdade, por nós.

HELÔ  -  Vamos pra Teresópolis?

ABRAÇADOS, CAMINHARAM ATÉ O CARRO. HELÔ ENTREGOU-LHE AS CHAVES, ENTRARAM NO AUTOMÓVEL E PARTIRAM.

CORTA PARA:

CENA  2  -  APARTAMENTO DE EMILIANO  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

NO DIA SEGUINTE, MARIETA SERVIU O ALMOÇO, EM SILÊNCIO. EMILIANO OBSERVOU-A, SENTADO À MESA,  E PARECIA LER SEUS PENSAMENTOS.

EMILIANO  -  Mais cedo ou mais tarde você vai saber, então acho melhor contar logo.

MARIETA  -  Do que você está falando?

EMILIANO  -  O Doutor Oliveira me fez confidencias, ontem, no banco. Ele me disse que Vítor e Helô fizeram as pazes e viajaram juntos.

MARIETA NÃO SE CONTEVE. BATEU A MÃO NA MESA, INDIGNADA.

MARIETA  -  Eu sabia! Não há a menor dúvida de que eles estão juntos! Você é um ingênuo, Emiliano... Eu vi nos olhos dele, ontem, quando ele disse que ia a São Paulo, que estava mentindo. Quando lhe perguntei se ia sozinho, ele não teve coragem de me olhar.

EMILIANO  -  E para quê ele precisava mentir sobre isso? Afinal, ela é mulher dele. Se eles também fizeram as pazes, ninguém tem nada com isso (levantou-se) Eu acho, Marieta, que você se preocupa demais com Vítor.

MARIETA  -  Não é com ele que eu estou preocupada. É com ela. Logo, vai aprontar de novo, você vai ver!

CORTA PARA:

CENA 2  -  TERESÓPOLIS  -  ARREDORES DO SÍTIO  -  EXT.  -  DIA.

VÍTOR E HELÔ GALOPAVAM NAS CERCANIAS DO SÍTIO DE OLIVEIRA RAMOS. ALGUM TEMPO DEPOIS, SALTARAM DOS CAVALOS E DEITARAM-SE NA RELVA, AOS PÉS DE UMA ENORME ÁRVORE.

HELÔ  -  (apoiando a cabeça nos ombros do marido) Adoro esta árvore. É linda, não acha?

VÍTOR  -  É. Este lugar é muito bonito.

HELÔ  -  Vítor... você vai voltar comigo para a nossa casa, não vai?

VÍTOR  -  (brincou) Isso é um pedido ou uma intimação?

HELÔ  -  Nenhum dos dois. Quero que vá só se for a sua vontade.

VÍTOR  -  (abraçou-a) Eu vou. Vou voltar pra nossa casa porque quero voltar a viver com minha mulher.

FITARAM-SE, COM AMOR E BEIJARAM-SE MAIS UMA VEZ.

HELÔ  -  Eu te amo.

VÍTOR  -  Também te amo, meu amor (franziu a testa, pensativo) Helô... estou preocupado com a sua situação. Precisamos esclarecer essa dúvida, sobre a morte de Nívea. Estive pensando... se você concordar, podemos convidar o Dr. Leivas para vir aqui.

HELÔ  -  (ergueu-se, surpresa) Aqui?!

VÍTOR  -  Isso mesmo. Sei que você não vai entender imediatamente, mas procure ouvir com atenção e concordará comigo. Foi muito importante o que aconteceu ontem. Agora eu começo a ter certeza que você é inocente. Mas o simples fato de lembrar-se, como lembrou, do momento em que deu a Nívea o medalhão, não é o bastante. Nem mesmo para nós. É preciso que você se lembre de tudo! Tudo o que fez naquela noite!

HELÔ  -  Mas o que é que você pensa? Que isso depende de mim? Se dependesse, eu já tinha lembrado! Ninguém mais interessada do que eu.

VÍTOR  -  (insistiu) Posso convidar o Dr. Leivas para vir a Teresópolis?

HELÔ  -  Tá bem. Faça o convite.

VÍTOR  -  Ótimo. Hoje mesmo vou ligar pra ele.

CORTA PARA:

CENA  3  -  APARTAMENTO DE RODOLFO AUGUSTO  -  ATELIÊ  -  INT.  -  DIA.

RODOLFO AUGUSTO ESTAVA ATAREFADO DESENHANDO ALGUNS CROQUIS, QUANDO MARIA REGINA ENTROU NO ATELIÊ, EXIBINDO UMA REVISTA.

MARIA REGINA  -  Gugu, olha que bacana: a nossa foto está na capa da “Mulher de Hoje”!

RODOLFO AUGUSTO  -  (arrancou-lhe a revista das mãos) Deixa ver! “Rodolfo Augusto e Maria Regina – o casamento do ano”.

MARIA REGINA  -  Conseguimos, Gugu! Conseguimos! Agora somos famosos, capa de revista!

RODOLFO AUGUSTO  -  (com desdém) Eu já era famoso, há muitos anos. O que eu queria era voltar à mídia. Só lembram de mim na época do carnaval, por causa das  fantasias... Você conseguiu muito mais do que eu. Em poucos meses, tornou-se uma top model conhecida no Brasil inteiro! E isso, graças a quem?

MARIA REGINA  -  (beijou-o no rosto) Graças a você, meu Xuxuzinho! Nosso casamento vai ser o máximo! Aí sim,vai ser a glória total!

RODOLFO AUGUSTO  -  (desconfiado) Não sei, não... Agora que está se aproximando o dia, tá me dando um frio na barriga.... um medo!...

MARIA REGINA  -  O que é isso, Gugu? Já combinamos tudo: vai ser um casamento de mentirinha, não de fato. Até porque você não é chegado...

RODOLFO AUGUSTO  -  Mentirinha nada! Vamos casar na frente do juiz, assinar os papéis e tudo o mais!

MARIA REGINA  -  Sim, claro. Mas nem vamos dormir juntos, por isso não precisa ficar nervoso!

RODOLFO AUGUSTO  -  (preocupado) Você não acha que levamos essa história longe demais? Ai, meu Deus, só de pensar...

MARIA REGINA  -  Olha aqui, Gugu, nem pense em desistir agora, pelo amor de Deus! Esqueceu o que nós combinamos? Depois de um tempo, a gente separa... e a amizade continua! (T) Cadê o meu vestido de noiva?

RODOLFO AUGUSTO  -  (apontou para uma bancada) Ali. Falta só uns arremates...

MARIA REGINA PEGOU E VESTIDO, COLOU AO CORPO E CIRCULOU PELA SALA, DESLUMBRADA.

MARIA REGINA  -  Está maravilhoso! O casamento do ano! Vamos brilhar mais uma vez! (e delirando) A sociedade carioca, as colunas sociais, a internet... todos vão se curvar diante de nós!

CORTA PARA:

CENA  4  -  TERESÓPOLIS  -  CASA DO SÍTIO  -  SALA  -  INT.  -  DIA.
DR. LEIVAS  -  Como vai, Vítor? Como tem passado, Helô?

VÍTOR  -  Obrigado por ter vindo, Dr. Leivas. Por favor, fique à vontade.

O MÉDICO SENTOU-SE AO LADO DE HELÔ.

DR. LEIVAS  -  Helô, eu e Vítor conversamos muito a seu respeito. Falamos na possibilidade de hipnotizar você. Já foi hipnotizada alguma vez?

HELÔ  -  Já... A meu pedido, Dr. Oto, o meu analista, fez uma experiencia. Mas ele é analista. Condena o hipnotismo.

DR. LEIVAS  -  Eu também tenho as minhas objeções. Há casos  em  que  se  pode  obter  bons resultados.  Em  outros,  é até prejudicial. E ainda há outros em que o hipnotismo não tem nenhum valor.

VÍTOR  -  Em casos de amnésia, tenho lido...     

DR. LEIVAS  -  Sim, Vítor, há casos de amnésia em que o doente foi curado pelo hipnotismo. Há outros casos em que os resultados foram negativos. No caso dela, esse nunca me pareceu um método adequado.

VÍTOR  -  Por quê?

DR. LEIVAS  -  Porque a amnésia, neste caso, é uma espécie de defesa. O inconsciente não quer lembrar o que aconteceu naquela noite.

VÍTOR  -  (ansioso) Mas em estado hipnótico ela não se lembrará?

DR, LEIVAS  -  Pode mentir.

VÍTOR  -  Isso, caso ela tivesse realmente culpa. Mas como eu estou certo que não, acho que ela vai dizer a verdade. Isto é, vai relembrar tudo, exatamente como aconteceu.

O MÉDICO PENSOU UM INSTANTE, COMO SE ESTIVESSE PESANDO AS POSSIBILIDADES.

DR. LEIVAS  -  Também é possível. De qualquer maneira, pode-se fazer uma experiencia.

VÍTOR OLHOU PARA A ESPOSA.

VÍTOR  -  Você está de acordo?

HELÔ  -  Estou. Antes, eu não estava. Tinha medo. Agora, não.

VÍTOR  -  Medo de quê? Você fez tanta análise, é quase a mesma coisa.

HELÔ  -  Não, não é. Na análise a gente está consciente e pode controlar, inclusive, as recordações. Nunca tive coragem de me deixar hipnotizar de uns tempos para cá porque... eu tinha medo da verdade.

VÍTOR  -  (falou, com segurança) Mas você não tem mais. Você quer se convencer de uma vez por todas que é inocente, dissipar as dúvidas que possam existir no seu espírito.

HELÔ  -  Isso mesmo.

DR. LEIVAS  -  Então, vamos tentar (indicou uma poltrona) Sente-se aqui.

HELÔ SENTOU-SE, CONFORTAVELMENTE, E O MÉDICO INICIOU O TRABALHO.

DR. LEIVAS  -  Você vai dormir... Quando eu contar cinco, você estará dormindo tranquilamente... Você já está sentindo as pálpebras pesadas... O sono está vindo... Um... dois... tres... quatro... cinco...

HELÔ PENDEU A CABEÇA PARA O LADO. ADORMECEU.

DR. LEIVAS  -  (continuou) Você está dormindo, dormindo profundamente, Helô... você está me ouvindo?

HELÔ  -  Estou...

DR. LEIVAS  -  Então você vai responder a umas perguntas que vou lhe fazer. Quero que diga a verdade, nada de mentiras. A verdade. Você se lembra da noite em que Nívea foi assassinada?

HELÔ  -  Lembro...

O MÉDICO OLHOU PARA VÍTOR, SATISFEITO.

DR. LEIVAS  -   Você vai me descrever todos os seus passos naquela noite. Até voltar para casa. Quero simplesmente que me diga a verdade. Só a verdade, entendeu?

HELÔ APRUMOU A CABEÇA, MAS COM OS OLHOS SEMPRE FECHADOS.
.
HELÔ  -  Sim, eu direi toda a verdade.

CORTA PARA:

CENA 5  -  PRAIA DE IPANEMA  -  EXT.  -  DIA.
AO LADO DE DOIS AMIGOS DE PRAIA, RENATÃO, TRAJANDO APENAS BERMUDA DE TACTEL E ÓCULOS DE SOL, OBSERVAVA COM ATENÇÃO UMA BELA MORENA DE CORPO ESCULTURAL QUE, REBOLANDO SENSUALMENTE, ENCAMINHAVA-SE PARA O MAR, MERGULHANDO GRACIOSAMENTE.

RENATÃO  -  Vocês tão vendo, não é? Tou aqui, quieto, curtindo esse sol maravilhoso, e vem essa aparição me tentar! Assim não dá! Assim eu fico louco...

KONSTANTÓPULUS  -  Patrão!

O PLAYBOY VOLTOU-SE, SURPRESO COM A CHEGADA REPENTINA DO MORDOMO, QUE, VESTIDO A CARÁTER, CHAMAVA A ATENÇÃO DOS BANHISTAS AO CAMINHAR COM CERTA DIFICULDADE SOBRE A AREIA FOFA DA PRAIA.

RENATÃO  -  Konstan! O almoço tá pronto? Por quê não tocou a trombeta?

KONSTANTÓPULUS  -  (a expressão séria) Não é isso, patrão. Achei melhor vir pessoalmente. Sua tia Coló acabou de ligar de Niterói.

RENATÃO  -  (encarou-o, preocupado) Minha filha! Aconteceu alguma coisa com ela?

KONSTANTÓPULUS  -  Ela está doente, com febre alta. Sua tia me parecia bastante preocupada.

INCONTINENTI, RENATÃO RECOLHEU SEUS PERTENCES E ACENOU PARA OS COMPANHEIROS.

RENATÃO  -  Tchau, pessoal! Tenho que ir pra Nitéroi agora mesmo!

EM SEGUIDA, ENCAMINHOU-SE, A PASSOS LARGOS, PARA O CALÇADÃO, SEGUIDO PELO MORDOMO.

CORTA PARA:

CENA  6  -  TERESÓPOLIS  -  CASA DO SÍTIO  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

DR. LEIVAS  -  (tornou a perguntar) Você quer nos dizer essa verdade? Você está certa de que deseja mesmo, nos dizer tudo  o que aconteceu naquela noite? Então comece.

HELÔ ESTAVA SOB SONO HIPNÓTICO. VÍTOR TINHA OS OLHOS FIXOS NELA.

DR. LEIVAS  -  Veja se recorda, sem omitir nenhum detalhe. Eu quero saber tudo o que você fez naquela noite.

HELÔ  -  Eu estava muito angustiada. Não havia uma razão. Era aquela angústia que eu sentia de vez em quando. Medo de ficar só... medo das pessoas... medo de viver.

DR. LEIVAS  -  Mas o que foi que você fez?

HELÔ  -  Telefonei para Nívea. Pedi pra ela ir lá em casa. Percebi que ela estava com Vítor. Ela disse que não podia. Eu então ameacei fazer uma besteira. Mas era só pra impressionar. Tinha feito isso algumas vezes antes e dera resultado. Nívea prometeu que mais tarde iria me ver. Por isso, fiquei esperando. Acho que às nove horas, mais ou menos, Miss July me chamou para jantar. Mas eu não quis. Não tinha apetite. Então, esperei Nívea até às onze horas e resolvi sair. Sem destino. Rodei por vários   lugares.   Quando  passei  em  frente  ao  prédio  onde mora Renatão, vi Nívea saindo de lá. Estacionei o carro e fui ao encontro dela. Entramos no Castelinho.   

DR. LEIVAS  -  Quanto tempo ficaram lá?

HELÔ  -  Acho que meia hora, mais ou menos.

DR. LEIVAS  -  Até meia-noite?...

HELÔ  -  Ou um pouco mais... Não olhei a hora.

VÍTOR  -  (ao Dr. Leivas) Pergunte onde elas foram, depois que saíram do Castelinho.

DR. LEIVAS  -  Quer dizer que você saiu do Castelinho entre meia-noite e meia-noite e meia. Nívea saiu com você?

HELÔ HESITOU UM POUCO.

HELÔ  -  Sim, ela saiu comigo. Nós andamos até o meu carro, que estava estacionado perto, no lado da praia. Ficamos lá, paradas, um tempo, conversando.

DR. LEIVAS  -  Quanto tempo? Muito tempo?

HELÔ  -  Não sei. Quinze... vinte minutos...

DR. LEIVAS  -  No local em que Nívea caiu? Foi ali que vocês ficaram?

HELÔ PAROU DE FALAR. VÍTOR E O DR. LEIVAS OLHARAM-SE, SIGNIFICATIVAMENTE. VÍTOR PARECIA OUVIR O SOM DAS BATIDAS DESCOMPASSADAS DO PRÓPRIO CORAÇÃO.

FIM DO CAPÍTULO 66
e no próximo capítulo...

*** Danusa percebe a insegurança de Rodolfo Augusto com a proximidade do casamento com Maria Regina.


*** Mario Maluco, cheio de esperanças ao saber que Babi e Renatão não estão mais juntos, convida-a para sair!


*** O advogado Celso Barroso está empenhado em conseguir a  prisão de Helô!



MOMENTOS DECISIVOS!


NÃO PERCA O CAPÍTULO 67 DE

PARA MEDITAR

"Se você for paciente em um momento de raiva, irá escapar de cem anos de arrependimento." (PROVÉRBIO CHINÊS)

SESSÃO BISCOITINHOS - KRYPTO



Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=l3Xf_xnb1Gg