sexta-feira, 4 de outubro de 2013

AVISO SOBRE A AUSÊNCIA DE PUBLICAÇÃO DOS POSTS DO DIA 04/10

Por um lapso nosso, não publicamos os posts da sexta-feira, dia 04 de outubro.
Pedimos desculpas e informamos que serão publicados junto com os posts do sábado, dia 05 de outubro.
Obrigado!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

SESSÃO LEITURA - GRINGUINHO - SAMUEL RAWET

O conto que transcrevemos abaixo é da autoria de Samuel Rawet.
Para maiores informações sobre o autor, favor consultar:
Boa leitura!

GRINGUINHO

Chorava. Não propriamente o medo da surra em perspectiva, apesar de roto o uniforme. Nem para isso teria tempo a mãe. Quando muito uns berros em meio à rotina. Tiraria a roupa; a outra, suja, encontraria no fundo do armário, para a vadiagem. Ao dobrar a esquina tinha a certeza de que nada faria hoje. Os pés, como facas alternadas, cortavam o barro de pós-chuva. A mangueira do terreno baldio onde caçavam gafanhotos, ou jogavam bola, tinha pendente a corda do balanço improvisado. Reconheceu-a. Fora sua e restara da forte embalagem que os seus trouxeram. Ninguém na rua. Os outros decerto não voltaram da escola ou já almoçavam. Ninguém percebeu-lhe o choro. A vizinha sorriu ao espantar o gato enlameado da poltrona da varanda. Conteve o soluço ao empurrar o portão. Com a manga esfregava o rosto marcando faixas de lama na face. Brilhavam ainda da chuva as folhas do fícus. Olhou a trepadeira. Novinha, mas já quase passando a janela. Na sala hesitou entre a cozinha e o quarto. A mãe de lenço à cabeça estaria descascando batatas ou moendo carne. Despertara-lhe a atenção ao lançar os livros sobre a cômoda. Que trocasse a roupa e fosse buscar cebolas no armazém. Nada mais. Nem o rosto enfiara para ver-lhe o ar de pranto e a roupa em desalinho. À entrada do quarto surpreendeu o blá-blá do caçula que, olhos no teto, tocava uma harpa invisível. Era lhe estranha a sala, quase estranhos, apesar dos meses, os companheiros. Os olhos no quadro-negro espremiam-se como se auxiliassem a audição perturbada pela língua. Autômato copiava nomes e algarismos (a estes, compreendia), procurando intuir as frases da professora. Às vezes perdia-se em fitá-la. Dentes incisivos salientes, os cabelos lembrando chapéus de velhas múmias, os lábios grossos. Outras, rodeava os olhos pelas paredes carregadas de mapas e figurões. A janela lembrava-lhe a rua onde se sentia melhor. Podia falar pouco. Ouvir. Nem provas nem argüições: O apelido. Amolava-o a insistência dos moleques. Esfregou ante o espelho os olhos empapuçados. Ontem rolara na vala com Caetano, após discussão. Atrapalhou o jogo. O negrinho cresceu em sua frente no ímpeto de derrubá-lo. Gringuinho burro! Ajeitou sobre a cama o uniforme. A lição não a faria. Voltar à mesma escola, sabia impossível também. Por vontade, a nenhuma. Antigamente, antes do navio, tinha seu grupo. Verão, encontravam-se na praça e atravessando o campo alcançavam o riacho, onde nus podiam mergulhar sem medo. À chatura das lições do velho barbudo (de mão farta e pesada nos tapas e beliscões) havia o bosque como recompensa. Castanheiros de frutos espinhentos e larga sombra, colinas onde o corpo podia rolar até a beira do caminho. Framboesas que se colhiam à farta. Cenoura roubada da plantação vizinha. A voz da mãe repetia o pedido de cebolas. Coçar de cabeça sem vontade. No inverno havia o trenó que se carregava para montante, o rio gelado onde a botina ferrada deslizava qual patim. Em casa a sopa quente de beterrabas, ou o fumegar de repolhos. Sentava-se no colo do avô recém-chegado das orações e repetia com entusiasmo o que aprendera. Onde o avô? Gostava do roçar da barba na nuca que lhe fazia cócegas, e dos contos que lhe contava ao dormir. Sempre milagres de homens santos. Sonhava satisfeito com a eternidade. A voz do avô era rouca, mas boa de se ouvir. Mais quando cantava. Os olhos no teto de tábuas, ou acompanhando a chaminé do fogão, a melodia atravessava-lhe o sono. Hoje entrara tarde na sala. Não gostava de chamar a atenção sobre si, mas teve que ir à mesa explicar o atraso. Cinqüenta pares de olhos fixos em seus pés que tremiam. O pedido de cebolas veio mais forte. Gargalhada maciça em contraponto aos titubeios da boca, olhos e mãos. A custo conteve as lágrimas quando tomou o lugar. Chorara assim quando no primeiro sábado saiu de boné com o pai em direção à sinagoga. Caetano, Raul, Zé Paulo, Betinho, fizeram coro ao fim da rua repetindo em estribilho, o gringuinho. Suspenso o chocalho deparou com os olhos do irmão nos seus. Blá-blá. Sorriso mole. Sentara-se. Abrira o livro na página indicada, tenteando, como cego, para entrar no compasso da leitura. Nem às figuras se acostumara, nem às histórias estranhas para ele, que lia aos saltos. Fala gringuinho. Viera de trás a voz, grossa, de alguém mais velho. Fala gringuinho.
Insistia. Ao girar o pescoço na descoberta da fonte fora surpreendido pela ordem de leitura. Olhou os dentes aguçados insinuando-se no lábio inferior como para escapar. Explicar-lhe? Como? Mudo curvou a cabeça como gato
envergonhado por diabrura. Era-lhe fácil a lágrima. Lembrou um domingo. Enfiou-se pelo pátio com Raul que o chamara à sua casa. No fundo do quintal cimentado, sob coberta, dispusera os dois times de botões. Da copa o barulho, ainda, de talheres, fim do ajantarado. Chamaram. A mãe cortou o melão e separou duas fatias. Raul agradeceu pelos dois. "Ah! é o gringuinho!" Expelida pelo nariz a fumaça do cigarro, o pai soltara a exclamação. Quase o sufoca a fruta na boca. Os tios concentraram nele a atenção. Parecia um bicho encolhido, jururu, paralisado, as duas mãos prendendo nos lábios a fatia. "Fala gringuinho!" Coro. Fala gringuinho. Solo. Fala gringuinho. Coro. Fala gringuinho. Novamente as vozes atrás da carteira. Da outra vez correra como acuado em meio a risos. Recolhido no
quarto desabafou no regaço da mãe. Blá-blá. Agitar do chocalho. Um cheiro de urina despertara-o da modorra. Um fio escorria da fralda no lençol de borracha. Fala gringuinho. Sentiu-se crescer e tombar para trás a cadeira. Em meio à gritaria a garra da velha suspendeu-o amarrotando a camisa. Cercado, alguns de pé sobre as mesas, recolheu-se à mudez expressiva. Da vingança intentada restara a frustração que se não explica por sabê-la impossível. Blá-blá! A poça de urina principiava a irritá-lo e após esperneios o irmão arrematou em choro arrastado. Agitou o chocalho
novamente, com indiferença, olho na rua. O matraqueado aumentara o choro. Não percebeu a entrada da mãe. Sem olhá-lo recolheu o irmão no embalo. Tirou da gaveta a fralda seca, e entre o ninar e o gesto de troca passou-lhe a descompostura. Insistiu no pedido do armazém. Ele tentou surpreender-lhe o olhar, conquistar a inocência a que tinha direito. Depois gostaria de cair-lhe ao colo, beijá-la e contar tudo, na certeza de que lhe seria dada a razão. Mas nada disso. Recolhendo os níqueis procurou a porta. Traria as cebolas. E não contaria que ao ser repreendido na escola, na
impotência de dar razões, quando a velha principiou a amassar-lhe a palma da mão com a régua negra e elástica, não se conteve e esmurrou-lhe o peito rasgando o vestido. Quando atravessou o portão acelerou a marcha impelido pelo desejo de ser homem já. Julgava que correndo apressaria o tempo. Seus pés saltitavam no cimento molhado, como outrora deslizavam, com as botinhas ferradas, pelo rio gelado no inverno.


Fonte: http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_lit/index.cfm?fuseaction=biografias_texto&cd_verbete=8892

SESSÃO ABERTURA DE NOVELA - RODA DE FOGO (SEGUNDA ABERTURA)

A novela Roda de Fogo foi apresentada pela Rede Tupi no horário das 20h de 1 de maio a 28 de outubro de 1978.
O tema musical da segunda abertura era Jogo da Vida, interpretado por Paulinho Nogueira.
Para maiores informações sobre a novela, favor acessar: www.teledramaturgia.com.br/tele/roda78.asp‎.
Boa diversão!



LETRA

JOGO DA VIDA

A ambição é quem manda
E vencer é o que importa
É o que acaba com o medo
E abre todas as portas

Quero todos me olhando,
Me temendo, me amando,
Implorando em desejos
Diga o preço que eu compro

É a lei do universo
Há quem venda, há quem compre
É o justo, é o certo
O amor é a mentira
Mais antiga do verso

Esta vida é um jogo
É uma roda de fogo
Jogue a vida na roda
Pro fogo crescer
Se queimar, se levante
Vamos tentar de jogo
Que a vida é um jogo
É uma roda de fogo.

Fonte: http://www.teledramaturgia.com.br/tele/roda78t.asp

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

SESSÃO SAUDADE - CLÁUDIO CAVALCANTI

Há horas em que é difícil escrever essa sessão, principalmente quando temos algum envolvimento emocional com o homenageado ou é recente seu desaparecimento.
Os dois casos se aplicam no caso do homenageado dessa semana: Cláudio Cavalcanti.
Quando parecia que perderíamos outro Cláudio, o Marzo, o destino, irônico, nos retirou o Cavalcanti, desfalcando de qualquer maneira o inesquecível trio dos irmãos Coragem da versão original da novela de 1970.
É triste ver desaparecer um rosto que freqüentou a telinha em tantas novelas curtidas e amadas por nossos leitores.
O que dizer de Cláudio Cavalcanti?
Ator fantástico de 41 peças, 39 telenovelas e 35 filmes, sempre com personagens marcantes e interpretações memoráveis.
Para saber mais sobre esse ator, favor consultar: http://www.museudatv.com.br/biografias/Claudio%20Cavalcanti.htm.
Embora saibamos que a morte é a única certeza da vida, não há como não chorar a morte de pessoas que, mesmo sem conhecer, amamos. Cada um que morre, é um pedaço de nossa própria vida que vai junto.
Obrigado, Cláudio, descanse em paz e tenha certeza de que seu trabalho para sempre será lembrado!
Com o objetivo de homenageá-lo, reproduzimos abaixo três vídeos com momentos de sua carreira de ator. O primeiro é sua atuação na novela Irmãos Coragem (1970), o segundo, no caso especial A Dama das Camélias (1972) e o terceiro, na novela O Feijão e o Sonho (1976).

PRIMEIRO VÍDEO


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=X9Vz8LTGiTI

SEGUNDO VÍDEO


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=5L8rjZVqwWQ

TERCEIRO VÍDEO



SESSÃO HUMOR

O policial do 190 atendeu o telefone e foi anotando o pedido de socorro:
- Por favor, mandem alguém urgente, entrou um gato em casa!
- Mas como assim? Um gato em casa?
- Um gato! Ele invadiu minha casa e está caminhando em minha direção!
- Mas como assim? Você quer dizer um ladrão?
- Não! Estou falando de um gato mesmo, desse que faz 'miau, miau', e ele está vindo em minha direção! Vocês têm que vir agora!
- Mas o que tem de mais um gato ir na sua direção ?
- Ele vai me matar, ora bolas! E vocês serão os culpados!
- Quem está falando?
- O papagaio, droga!

Fonte: http://www.piadasnet.com/piada110animais.htm.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

SESSÃO REMAKE MUSICAL - SAPATO VELHO - ROUPA NOVA

A música Sapato Velho, que teve como um dos intérpretes o Quarteto em Cy, é apresentada no vídeo abaixo pelo grupo Roupa Nova.
Boa diversão!


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=mC8L7YuUvW4

LETRA

SAPATO VELHO

Você lembra, lembra!
Daquele tempo
Eu tinha estrelas nos olhos
Um jeito de herói
Era mais forte e veloz
Que qualquer mocinho
De cowboy...

Você lembra, lembra!
Eu costumava andar
Bem mais de mil léguas
Prá poder buscar
Flores-de-maio azuis
E os seus cabelos enfeitar...

Água da fonte
Cansei de beber
Prá não envelhecer
Como quisesse
Roubar da manhã
Um lindo pôr-de-sol
Hoje não colho mais
As flores-de-maio
Nem sou mais veloz
Como os heróis...

É! Talvez eu seja
Simplesmente
Como um sapato velho
Mas ainda sirvo
Se você quiser
Basta você me calçar
Que eu aqueço o frio
Dos seus pés...

Água da fonte
Cansei de beber
Prá não envelhecer
Como quisesse
Roubar da manhã
Um lindo pôr-de-sol
Hoje não colho mais
As flores-de-maio
Nem sou mais veloz
Como os heróis...

É! Talvez eu seja
Simplesmente
Como um sapato velho
Mas ainda sirvo
Se você quiser
Basta você me calçar
Que eu aqueço o frio
Dos seus pés...

Talvez eu seja
Simplesmente
Como um sapato velho
Mas ainda sirvo
Se você quiser
Basta você me calçar
Que eu aqueço o frio
Dos seus pés...

Fonte: http://letras.mus.br/roupa-nova/63905/

SESSÃO TÚNEL DO TEMPO MUSICAL - SAPATO VELHO - QUARTETO EM CY

A música Sapato Velho, interpretada pelo Quarteto em Cy, fez parte da trilha sonora da novela Roda de Fogo, apresentada pela Rede Tupi no horário das 20h de 1 de maio a 28 de outubro de 1978.
Para maiores informações sobre a novela, favor consultar: www.teledramaturgia.com.br/tele/roda78.asp.
Boa diversão!


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=fmJMwi33I1w

LETRA

SAPATO VELHO

Você lembra, lembra!
Daquele tempo
Eu tinha estrelas nos olhos
Um jeito de herói
Era mais forte e veloz
Que qualquer mocinho
De cowboy...

Você lembra, lembra!
Eu costumava andar
Bem mais de mil léguas
Prá poder buscar
Flores-de-maio azuis
E os seus cabelos enfeitar...

Água da fonte
Cansei de beber
Prá não envelhecer
Como quisesse
Roubar da manhã
Um lindo pôr-de-sol
Hoje não colho mais
As flores-de-maio
Nem sou mais veloz
Como os heróis...

É! Talvez eu seja
Simplesmente
Como um sapato velho
Mas ainda sirvo
Se você quiser
Basta você me calçar
Que eu aqueço o frio
Dos seus pés...

Água da fonte
Cansei de beber
Prá não envelhecer
Como quisesse
Roubar da manhã
Um lindo pôr-de-sol
Hoje não colho mais
As flores-de-maio
Nem sou mais veloz
Como os heróis...

É! Talvez eu seja
Simplesmente
Como um sapato velho
Mas ainda sirvo
Se você quiser
Basta você me calçar
Que eu aqueço o frio
Dos seus pés...

Talvez eu seja
Simplesmente
Como um sapato velho
Mas ainda sirvo
Se você quiser
Basta você me calçar
Que eu aqueço o frio
Dos seus pés...

Fonte: http://letras.mus.br/roupa-nova/63905/