quarta-feira, 22 de junho de 2011

IRMÃOS CORAGEM - CAPÍTULO 25



Roteirizado por Toni Figueira
do original de Janete Clair 

CAPÍTULO 25

PARTICIPAM DESTE CAPÍTULO:

JERÔNIMO
JOÃO
SINHANA
PEDRO BARROS
MARIA DE LARA
OTO
RODRIGO
DR. MACIEL

CENA 1  -  CASA DO RANCHO CORAGEM  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

JERÔNIMO  -  (irônico e insatisfeito, olhando ora para a mãe, ora para João Coragem)  Tá na cara! Ela agora tá do lado do pai. Garanto que ocê tá do lado dele também! Vai... vai atrás dela! Vai pedir a benção pro Pedro Barros!  (circundou a grande mesa de madeira e avizinhou-se do irmão)   Aquela mulhé te virô a cabeça. Te afrouxô, João! Te acovardô! Tá vendo? O que eles queria era isso! Foi tudo preparado. Ela deu bola pro meu irmão... pra ele ficá contra mim!

JOÃO  -  Num é nada disso!  (e voltando-se para Sinhana)  Mãe, manda esse tonto calá a boca!

A velha interpôs-se afastando Jerônimo das proximidades de João.


SINHANA  -  Deus perdoe ocês... Deus perdoe! Tão ficano doido... sem respeito de irmão. Isso não se faz.  (apertou, com força, o pulso do filho)  É a mania de grandeza que tá te dominano, Jerome. Isso não agrada a Deus.

CENA 2  -  FAZENDA DE PEDRO BARROS  -  CASA-GRANDE  -  EXT.  -  DIA.

Pedro Barros entreabriu o colete e enfrentou o garimpeiro.


PEDRO BARROS  -  Veio aqui... pra vê minha filha?

João vestia um traje simples, calça de brim, camisa de gola larga e botinas amareladas, de bico muito largo.

JOÃO  -  Podia dizê que vim... não tava mentino... também podia sê um motivo... mas não o único.

Maria de Lara aproximava-se, a passos lentos e calculados, quase deslizando por sobre a grama do jardim. O pai avistou-a.

PEDRO BARROS  -  Vai pra dentro, Lara. Não te chamei aqui.

A moça parou por instantes, permanecendo atenta ao diálogo. João voltou-se e dirigiu-lhe a palavra.

JOÃO  -  Tou veno que a dona tá quase boa, com a graça de Deus.

Era o fio da meada. O filão que Pedro Barros esperava para dinamitar a conversa.

PEDRO BARROS  -  Não foi você que mandô atirá nela?
  
MARIA DE LARA  -  (gritou, histérica)  Papai!
   
JOÃO  -  O senhô tá dizeno isso da boca pra fora. Sabe muito bem que eu não fiz uma coisa desta!
   
PEDRO BARROS  -  (cada vez mais irritado)  Eu não sei de nada. Alguém tentou matá minha filha e eu não tenho outro inimigo que não seja você e toda sua raça!

Lara investiu contra o pai, sentindo-se envergonhada diante da inverdade e das acusações mentirosas assacadas contra o jovem garimpeiro.

MARIA DE LARA  -  Papai... o seu João tá dizendo que seria incapaz...
   
PEDRO BARROS  -  (corta)  Voce não se mêta! Não te chamei aqui. Vai pra dentro!

Antes que a moça se decidisse pelo acato ás ordens do pai, João entregou-lhe uma pequenina pedra faiscante.

JOÃO  -  Pra senhora. De presente.

PEDRO BARROS  -  (dando um tapa na mão da moça)  Ela não precisa disso...

O diamante caiu no chão, a alguns metros dali. Lara apanhou-o e saiu correndo para o interior da casa.
JOÃO  -  (encarou o velho milionário)  Minha visita... era só pra dizê pro senhô... que o que tá fazeno com os garimpeiro não vai lhe ajudá em nada.

PEDRO BARROS  -  Sei o que tou fazendo!

JOÃO  -  Aumentou o preço da compra do diamante e tá forneceno mantimento de graça. Será que acha que é suficiente pra dá um cargo honesto pra um assassino?

O velho enfureceu-se e, com o rosto avermelhado, atirou um dedo escuro de nicotina diante da cara do rapaz.

PEDRO BARROS  -  Cuidado com o que diz, João! Juca é um puro!

O moço sorriu da definição do coronel: “Um puro”!

JOÃO  -  Vim lhe dizê... que aquele malfeitô, o seu jagunço... não vai conseguir o que qué.

PEDRO BARROS  -  É um desafio, João?

JOÃO  -  É. É um desafio. Dou a minha palavra que não vai!

As bochechas de Pedro Barros inflamaram-se com a ira que o consumia. Controlou-se, antes de retrucar á ameaça do inimigo.

PEDRO BARROS  -  Eu aceito. A gente vai vê!

João virou as costas, partindo a passos rápidos.


PEDRO BARROS  -  (gritou para o jagunço vigia)  Olha aqui, Oto... se voce deixá este sujeito passá desse portão novamente... está despedido.

CORTA PARA:

CENA 3  -  RANCHO CORAGEM  -  SALA  -  INT. - DIA.

Jerônimo e Rodrigo estavam atentos ás reações de Sinhana. O promotor perguntava-lhe sobre a vida de Maciel.


RODRIGO  -  Basta que responda como foi que Maciel matou a mulher.

SINHANA  -  Eu não disse que ele matou.

RODRIGO  -  Eu não estou querendo prejudicar o médico. Não é ele que eu pretendo pôr na cadeia. É outro... muito mais poderoso.
  
SINHANA  -  O que eu sei não dá pra pô ninguém na cadeia.
   
JERÔNIMO  -  (estimulou-a)  Então diz, mãe... o que sabe?

A velha ensimesmou-se, acreditando na conveniência ou não de revelar o pouco que conhecia da história do médico. Um pouco que se transformaria em muito, uma vez levado ao conhecimento da Justiça.

JERÔNIMO  -  (insistia, humilde)  Diz, mãe! Diz!

Rodrigo assistia atento á cena.


CENA 4  -  FAZENDA DE PEDRO BARROS  -  CASA-GRANDE  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

Maciel descia as escadas. Barros foi ao seu encontro. Como sempre, o médico cheirava fortemente a álcool.

PEDRO BARROS  -  Que foi que houve com ela, desta vez?

DR. MACIEL  -  ... o ferimento no ombro, que se abriu de novo.

PEDRO BARROS  -  (apreensivo)  É grave?

DR. MACIEL  -  Não. Do ferimento ela vai ficar boa. Entretanto... o mal da sua filha... não é bem esse.

Maciel acabou de descer e, cabisbaixo, deu alguns passos pela sala.

PEDRO BARROS  -  (voltou a insistir)  O que é, doutô? Me diga logo!

DR. MACIEL  -  Já disse e repito... seu mal é mais da alma.

PEDRO BARROS  -  Por que diz isso?

DR. MACIEL  -  Porque eu sei... ela sofre por um problema interior. Eu não sou assim tão burro... que não perceba... quando um paciente tem problema dessa natureza!

Segurou a garrafa e desarrolhou-a com os dentes. Encheu um cálice e bebeu. Com uma careta depositou a taça sobre o balcão do bar.

DR. MACIEL   -  Meu coronel... prepare-se para um susto!  (Barros empertigou-se, esperando pelo pior)  Ela... abriu aquele ferimento... com suas próprias mãos!

A notícia teve o mesmo efeito que uma notícia de morte. Pedro Barros estremeceu. Procurou o refúgio no sofá. As pernas tremiam-lhe assustadoramente. Maciel, temendo pela saúde do amigo, deu-lhe a beber uma dose forte de aguardente. Aos poucos a cor retornou á face esmaecida do velho chefe. Barros resistira.

CAPÍTULO 25 
Potira (Lucia Alves), Jerônimo (Claudio Cavalcanti) e Diana (Gloria Menezes)
E NO PRÓXIMO CAPÍTULO...

*  O PROMOTOR RODRIGO DIZ A POTIRA QUE VAI PEDI-LA EM CASAMENTO.

* PEDRO BARROS FICA TRANSTORNADO QUANDO O DR. MACIEL REVELA QUE LARA
ABRIU SEU FERIMENTO COM AS PRÓPRIAS MÃOS!


NÃO PERCA O CAPÍTULO 26 DE

Um comentário:

  1. Ri muito com a frase de Pedro Barros: Juca é um puro! Hilário! Pedro Barros era um vilão, mas era muito engraçado também! E Lara abrindo o ferimento com as mãos, que horror, coisa de doida!

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