CAPÍTULO XVIII – AMEAÇAS
Na
manhã seguinte, Rosa vai para a casa de Claude, junto com Roberta, Sérgio e
toda a equipe de filmagens, para acompanhar os preparativos das locações.
Na
construtora, Claude recebe a visita de Freitas e Antoninho.
Eles
se cumprimentam com um aperto de mão:
Fre:
Claude, Frazão, bom dia! Parabéns, mais uma vez, pelo contrato com os
americanos!
Ant:
Bom dia a todos! Parabéns! A Serafina, não veio com você?
F:
Bom dia, meus queridos!
C:
Bom dia! Non, Rosa foi acompanhar Robertinha e sua equipe, até nossa casa, onde
seron feitas algumas cenas de seu filme... Mas eu posso ligar e ela volta pra
cá, hã?
Ant:
Não... é até melhor que ela ainda não saiba... sobre o processo do casarão.
C:
Descobriram quem está por trás do vigarista do Coutinho? – Pergunta olhando
para os dois.
Ant:
É, conseguimos o nome do requerente. E eu ainda não acredito nisso. Quem está
pedindo a revisão de tudo é o antigo noivo da Serafina, o Júlio Castelli.
Fre:
Você não parece surpreso, Claude...
C:
Eu desconfiei disso, lá na recepçon, quando vi os três juntos: Nara, Júlio e o
Coutinho. Mas non disse nada, nem pra Rosa. Ela já ficou muito abalada com a
presença dele.
F:
Eu não entendi uma coisa: como é que esse Júlio faz isso, em que termos ele
exige isso? Por acaso ela acha que teve uma união estável com a Rosa e quer
“indenização”?
Ant:
Não. É muito pior que isso. Nós fizemos uma boa investigação sobre ele.
Descobrimos muitas coisas.
C:
Enton, comecem a falar, hã?
Ant:
O Júlio, na verdade é italiano. Veio para o Brasil, com sua mãe, com um ano de
idade. Ela estava fugindo da máfia italiana, por causa do marido, assim
dizendo, porque na verdade ela não era casada legalmente. Perante a lei
italiana, ele era um filho bastardo.
Fre:
E para a máfia italiana, isso não importa. O pai dele estava envolvido até o
pescoço, com a máfia siciliana. Foi contatado pela polícia italiana, para depor
contra os mafiosos, em troca de uma nova identidade. Então mandou os dois para o
Brasil. Seu plano era encontrá-los aqui depois e começar uma nova vida.
Ant:
Mas não deu tempo. Ele era uma ameaça para os mafiosos, que estavam sendo
investigados e procurados pela polícia italiana e até pela Interpol. Vários crimes:
seqüestros, assassinatos, fraudes... e o pai dele foi mais uma “queima de arquivo” da máfia.
C:
MonDieu! Mas onde entra o casaron nessa história? Que relaçon tem tudo isso com
a família de Rosa?
F:
Não vão nos dizer que os pais da Rosa também vieram fugidos para o Brasil?
Ant:
Não, não. Minha tia Amália, é brasileira. Apenas S. Giovanni é italiano. Ele
veio para cá, criança, junto com os pais dele e o casal de italianos, donos do
casarão.
C:
D`accord, Rosa já tinha me falado algo sobre isso. Mas continue...
Ant:
Bem, pelo que pudemos saber, por vias não formais, o Júlio seria parente
distante deste casal de italianos. Um parentesco de quarta ou quinta geração e
ainda não confirmado.
Fre:
Então ele se acha no direito de receber a “herança”, ou seja, o casarão.
C:
Covarde! Ele se aproximou de Rosa com tudo planejado! Mas conheceu Nara e com
ela um dinheiro mais fácil... uma vida de gigolô!
F:
E através da Nara, o Coutinho. Isso já é
uma formação de quadrilha! Porque nesse grupo um vale menos que o outro.
Ant:
Precisamos agir. Meus tios têm que saber
disso. Ficar a par de tudo isso para não serem pegos se surpresa... Esse Júlio
parece não ter escrúpulos.
Fre:
E tem mais... lá nos Estados Unidos, ele se envolveu com jogo, uma outra
espécie de máfia. Veio para cá, fugindo também, porque ficou devendo alguns
milhares de dólares.
C:
Enton, ele quer o casaron, para quitar sua dívida com jogo... Mas isso é um
processo longo... os americanos non esperariam todo esse tempo!
F:
Mas ele pode “vender” o casarão para os americanos, Claude. E via Coutinho,
você sabe que ele é capaz de tudo!
Ant:
Bem... Freitas e eu encontramos uma solução de emergência: Seu Giovanni pedir o
tombamento do casarão, como herdeiro ele pode fazer isso. E procede, porque o
casarão é um prédio histórico mesmo. Do tempo áureo da imigração.
C:
E isso ajudaria em que?
Fre:
Caso o tombamento seja feito, o casarão não poderá ser vendido para fins
puramente comerciais ou demolido. Perderia o interesse imobiliário que existe
por essa região. Uma espécie de desvalorização.
C:
Mon Dieu! Quando Rosa souber disso tudo vai ser outro choque pra ela...
Ant:
Outro choque? Como assim?
C:
S. Giovanni descobriu que nós já casamos e estamos morando juntos. Ele foi até
meu apartamento e discutiu com Rosa. Disse que mentimos pra ele, enfim saiu de
lá muito magoado, chateado mesmo...
Ant:
Eu sinto muito por vocês. Meu tio é mesmo um cabeça-dura! Não entende que já
estamos no século vinte e um, que as coisas mudaram. Ele não aceita mudanças,
quer viver com os conceitos do tempo dele, não renova as idéias tão facilmente.
C:
Eu vou dar um tempo, mas non vou deixar assim. Eu quero conversar melhor com
ele. Rosa non merece passar por isso... Mas voltando ao safado do Júlio, ele ameaçou
Rosa e eu na recepçon...
Fre:
Ameaçou vocês? Por que razão?
C:
Ele tentou beijar Rosa à força. Ela falou umas verdades pra ele. Non fosse
Rosa, eu tinha quebrado a cara dele. Aí ele se ofendeu e nos ameaçou de forma
velada...
Fre:
É melhor vocês registarem queixa em uma delegacia. Por que se ele aprontar isso
vai ajudar vocês...
F:
Eu também recomendei isso, quando eles me contaram, mas o Claude não quis... fala
do sogro mas é cabeça-dura igual...
C:
Oh, Frazon... non é hora de piadinha non... eu estou muito preocupado com esses
três, hã?
F:
Eu sei, francês! Só estava tentando esfriar o clima... desculpa, mon ami!
C:
Tudo bem, Frazon... eu que non estou muito pra isso... Enton, Freitas e
Antoninho podem ir adiantando essa história do tombamento do casaron... eu vou
falar com Rosa, e depois falamos com os pais dela. E será bom ter você junto,
Antoninho e você também Freitas...
Fre:
Pode contar comigo, Claude.
Ant:
Será bom, porque eu ainda não tenho conhecimento da íntegra do testamento. E
vamos precisar de toda a documentação.
C:
Enton ficamos assim, hã? Qualquer novidade vocês me ligam...
Eles
se despedem, com um aperto de mão.
F:
Meu querido, eu não queria estar na sua pele... Isso não vai ser fácil pra
Rosa!
C:
Non... non vai ser fácil pra nenhum de nós!
Enquanto
isso, Rosa se divertia com as idéias de Hugo, que queria marcar uma coletiva
com a imprensa ali, em meio a reforma da casa e com as opiniões de Roberta e
Sérgio, que não escondiam mais o relacionamento. Bem distante dos problemas que
a esperavam...
E
do outro lado da cidade, Nara e Julio, conversam:
N:
Eu vou começar o meu ataque aquele francês. Eu vou seduzi-lo. Sempre
consegui... Eu quero as ações que eram do meu pai! São minhas agora!
Ju:
Com você pensa pequeno, Nara! Ele vai nadar em milhões de dólares e você
preocupada com umas míseras ações...
N:
E como eu iria conseguir esses milhões de dólares?
Ju:
Não é você que sempre consegue tudo o que quer? Pede ajuda pro seu amante! Ele
é perito em fraudes, não é?
N:
Sabe que é uma boa idéia? Eu vou mesmo pedir uma sugestão a ele.
Ju:
Você realmete não presta, Nara!
N:
Olha só quem fala! Metido com a máfia americana, sedutor de donzelas
desavisadas, golpista... que outro adjetivo eu poderia usar? E vai colando seu corpo
ao dele.
Ju:
Bonito, inteligente, ambicioso, inescrupuloso e um viciado em você! – E a
derruba sobre a cama...
Rosa
liga para Claude, avisando que vai passar mais tempo por lá e voltará direto
pra casa.
Claude
passa a tarde pensando na melhor maneira de contar tudo para Rosa, mas não
consegue imaginar como. Ele decide ir mais cedo para casa, esperar Rosa chegar.
Enquanto
espera, ele toma seu banho, se veste e deita, pensando em como, como começar...
Rosa finalmente chega.
R:
Oi, Dadi! Tudo bem por aqui?
D:
Tudo certo, D. Rosa. Dr.Cloudes já ta em casa, visse?
R:
Nossa, por que ele veio mais cedo? Aconteceu alguma coisa, Dadi?
D:
Ele não falou nada. Chegou, subiu e não saiu mais do quarto.
R:
Hummm, isso não ta de bom tamanho... eu vou ver o que ele tem...
Ela
sobe para o quarto e o encontra deitado, olhos fechados, braço sobre o rosto.
Ela se aproxima, se abaixa e diz bem pertinho dele:
R:
Tomara que eu seja a razão dos seus pensamentos...
Ele
se surpreende, pois não tinha percebido a aproximação dela. Por um momento ele
esquece o porquê de sua preocupação, ao vê-la tão próxima a ele e a beija.
C:
Você sempre está em meus pensamentos... mesmo quando non devia, hã?
R:
Ah é? E quando é que eu não devo estar em seus pensamentos?
C:
Durante uma reunion de negócios, por exemplo, é muito difícil prestar atençon
no que eles falam, tendo você na cabeça... – E passa as mãos nos cabelos dela,
num gesto carinhoso.
R:
Olha só! Eu não sabia que tinha todo esse poder não! Daqui pra frente vou
procurar me lembrar disso!
C:
Ah! Eu posso fazer você lembrar rapidinho, hã? – E desliza os dedos pelo braço
dela, fazendo-a se arrepiar. –Você non imagina o poder que tem sobre mim!
R:
Eu sei que você pode me lembrar... mas
já que o poder é meu.... você vai esperar um pouquinho. Porque eu
preciso de um banho! – Ela se levanta e vai para o banheiro, mas continua
falando com ele - Nossa... que correria naquela casa... esse pessoal de cinema
é meio maluco, viu!
C:
Deu tudo certo por lá, vocês já acertaram o tempo que eles vão permanecer por
lá?
R:
Já está tudo certo, meu amor... Eles querem filmar em quinze dias, mas eu creio
que vão precisar de mais... O Hugo, nunca tá contente com as cenas... eles têm
quem repetir duas, três, ou mais vezes até ele achar que está “perfeito”!
C:
D`accord!... Rosa, o Freitas e o Antoninho estiveram comigo hoje... eles têm
notícias sobre o processo do casaron...
.R:
Notícias boas? Eles descobriram quem está por trás do Coutinho? – Pergunta ela,
saindo do banho.
Claude
engole em seco. Não queria falar o que tinha que falar.
R:
Claude?
C:
Rosa... senta aqui um pouco, hã? – E a conduz até a cama.
Rosa
olha preocupada para ele.
R:
Assim você me assusta! Fala de uma vez, Claude... o que foi que eles
descobriram?
C:
Eles descobriram que o Coutinho, está agindo a pedido do Júlio.
R:
O quê? Como assim? Não, isso só pode ser
brincadeira... fala que é uma brincadeira, Claude!
C:
Infelizmente, eu non posso, chérie! Mas tente ficar calma que eu vou te contar
o que eles me disseram. Segundo eles apuraram, o Júlio nasceu na Itália e veio para o Brasil ainda
pequeno, um ano de idade mais ou menos (...)
E
ele vai relatando tudo que Freitas e Antoninho descobriram. Rosa não esconde
seu nervosismo. Está tão abalada que nem interrompe Claude. Apenas escuta, mas
as palavras demoram a fazer sentido para ela.
C:
(...) e é isso! Ele provavelmente já queria o casaron quando se aproximou de
você. Mas aí apareceu Nara e ele mudou os planos dele. Só que agora ele está
com dívidas de jogo e isso ela non vai pagar! Enton, ele se lembrou do casaron.
Rosa
fica calada. Sem reação. Muito pálida.
C:
Rosa? Rosa, nós vamos superar isso, hã? Vem cá! – E a abraça, percebendo que
ela está tremendo. – MonDieu, chérie... você está gelada, suando frio... Non
fique assim...Você vai ter que ser forte, porque seus pais precisam saber de
tudo.
R:
Meu Deus, Claude! Como ele pôde ser tão safado, tão cretino? Então ele é
parente dos donos do casarão?
C:
Isso é o que ele diz. Ele tem que provar, mon amour...
R:
Logo agora que meu pai descobriu o nosso casamento! Mas não tenho opção, eles têm que saber. Você
vai comigo?
C:
Claro, chérie. Eu já pedi ao Antoninho e ao Freitas para irem junto conosco.
R:
Melhor mesmo. Eles que descobriram... podem contar com mais detalhes, porque S.
Giovanni vai querer saber tin-tin por tin-tin...Que tal sábado agora depois do
almoço?
C:
D`accord! Eu aviso eles. Mas agora, vamos descer e comer algo. A Dadi já deve
ter feito o jantar.
R:
Eu perdi a fome, meu amor... vai você! E pede desculpas pra Dadi por mim...
C:
Nada disso, você vai comigo! Nem que for pra me fazer compania, oui? E se você
se recusar eu te levo assim só de toalha! A Dadi nem vai reparar!
R:
Nesse caso, melhor eu colocar uma roupa e descer por conta! Vai que você cumpre
essa ameaça! Rsrsrsrsrsr
C:
É assim que eu gosto de te ver, chérie! Sorrindo, hã? – E a beija, ternamente.
Dois
dias depois, na construtora.
S:
Com licença, Dr. Claude – Diz Silvia, batendo à porta.
C:
Pois non, Sílvia?
S:
O casal Smith deseja vê-los. Ao senhor e a D. Rosa.
C:
Faça-os entrar e, por favor, chame a Rosa. Ela deve estar com o Gurgel.
S:
Sim senhor.
Os
americanos entram na sala de Claude.
C: Ms e
Mr. Smith! Que prazer recebê-los novamente.
Mr
Smith: O prazer é nosso, Claude!
Ms
Smith: Onde está Rosa? Nós viemos nos despedir, Dr. Claude. Estamos voltando
para Nova York.
C:
Ton rápido assim? Nós nem tivemos tempo de nos encontrar, fora da recepçon...
Ms
S: Negócios, Dr. Claude. Fechamos aqui com sua empresa, mas outros contratos
nos aguardam... Time is money...
Rosa
entra na sala.
R:
Ms. Smith! Que surpresa boa!
Ms.S:
Rosa, querida! Viemos nos despedir, mas eu quero manter contato com você, por
telefone, email. Você é uma pessoa muito especial. Dr. Claude encontrou uma
jóia rara...
Mr.
S: Concordo com você, darling...
C:
Enton, temos todos a mesma opinion... porque eu também considero Rosa a flor
mais importante de minha vida...
R:
Gente... pára com isso. Vocês me deixam sem graça! Eu sou uma pessoa comum...
Ms.S:
Mi querida... você não tem nada de comum... você é uma pessoa única, com luz
própria... não precisa de outros para brilhar...
R:
Fico muito lisonjeada, Ms. Smith, mas já vão voltar para Nova York?
Mr.
S: Trabalho, Rosa, trabalho. Mas em breve voltaremos, quando as primeiras casas
estiverem prontas. Queremos participar da entrega das chaves!
C:
Será uma honra tê-los nessa ocasion, não é chérie?
R:
Claro! Afinal vocês são os “padrinhos” das casas!
Ms.S:
Eu non disse que você é única? Adorei isso, Rosa! Assim que entregarmos as
chaves do primeiro lote, assinamos o restante do contrato e liberamos a verba
final, conforme nosso pré-contrato.
R:
Acordo fechado. O que é combinado não
sai caro, Ms. Smith!
Ms.S:
Então está tudo acertado. Qualquer problema nossos representantes estão
autorizados a tomar as devidas providências. Adeus, querida! – E abraça Rosa.
R:
Aqui no Brasil, dizemos apenas até logo, Ms. Smith. Adeus só se não formos nos
ver mais... e este não é nosso caso...
Ms.S:
Não! No nosso caso é um até logo, Rosa! Dr. Claude!
C:
Ms. Smith! Até breve! Mr. Smith! – Eles se cumprimentam
R:
Façam uma boa viagem...
Casal
S: Thank you, darling!
Sônia esse Júlio, que pedra bem grande no caminho de Rosa e Claude! Como vai perturbar nosso querido casal! Está muito bom! Bjs.
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