quarta-feira, 15 de setembro de 2010

DEU A LOUCA NA SERAFINA, A ROSA - PARTE 13 - AUTORA: CLÁUDIA G

Claude: É...eu?

Giovani: 'Sì', você. Espera, deixa 'io' ver... - Giovani checa o número do apartamento olhando para porta. - Amália, 'è qui, non'?

Amália: É sim, amore. - Amália estende sua mão. - Muito prazer, nós somos os pais da Serafina.

Claude: O prazer é meu. - Claude cumprimenta Amália e Giovani com um breve aperto de mão. - A Rosa está na cozinha, entrem, por favor. O senhor quer ajuda? - Diz ao ver o velho Giovani carregar uma mala que parecia bastante pesada.

Giovani: E quem é você afinal?

Rosa: Pai, mãe... Que bom que chegaram. Este é Claude... meu patrão. - Diz Rosa vindo da cozinha.

Giovani: 'Ma che'? 'Che tipo di' trabalho você poderia estar fazendo pra ele hoje?

Amália: É... hoje é domingo...

Rosa: Que isso pai?! - Rosa olha para Claude que está ao lado do seu pai calado e acanhado. - Nós não estamos trabalhando e o Claude veio almoçar com a gente.

Giovani: Ah! 'Ma perché non' falou antes? - Giovani se vira para Claude. - Almoça sempre com seus funcionários no fim de semana?

Claude: No... non, é... que... é...

Amália: Ele é gago? - cochicha pra Rosa.

Rosa: Não! - Responde no mesmo tom da mãe. - Pai, você trouxe o acordeon? - Diz Rosa ao observar a grande maleta.

Claude: Pesa isso, non? - Claude coloca no chão da sala a pesada mala do acordeon.

Giovani: 'Pesa no', você que está fraquinho. - Bate no ombro de Claude – 'Io' trouxe no ônibus 'questa' mala.

Rosa: Pai, tá bom. O almoço está servido. Se quiserem lavar as mãos o banheiro é alí, primeira porta à direita.

Giovani: 'Andiamo, andiamo', o cheiro está ótimo!

Rosa e Claude ficam sozinhos na sala.

Rosa: Não repara, viu? Meu pai é assim mesmo.

Claude: Non, imagina! Ele parece divertido.

Rosa: Divertido? É... às vezes ele é divertido.

Giovani: Pronto bambina! 'Ora, mangiamo'! - Segue alegremente do banheiro para a mesa da sala.

Rosa: Como estão todos lá em casa? - Pergunta enquanto todos se acomodam.

Amália: Tudo bem, seus irmãos não puderam vir mas estão bem.

Rosa: Que bom que estão bem.

Na mesa, todos se acomodaram. Na cabeceira, sentou-se Giovani e ao seu lado direito Amália. Claude e Rosa sentaram-se, um ao lado do outro, na lateral esquerda da mesa. Enquanto degustavam a deliciosa macarronada, conversavam, Claude procurava mastigar constantemente servindo-se de generosas garfadas para evitar ser interpelado pelo italiano.

Giovani: 'Madonna mia', mas non sabia que 'francese' gostava tanto 'di spaghetti'! Ele capricha nas garfadas. Olha Amália! - Ria apontando seu garfo em direção à Claude.

Claude balançava sua cabeça afirmativamente enquanto mastigava.

Rosa: Pai, que isso?! Está deixando o Claude sem graça.

Claude: Non, tudo bem. - Disse após engolir mais uma garfada. - Está delicioso mesmo o macarron.

Rosa: Gostou mesmo, Claude? - Rosa se empolga e segura a mão direita de Claude, que está na mesa agarrada ao guardanapo.

Claude: Muito.

Amália observa o rápido diálogo entre os dois e sente algo no ar.

Amália: Giovani, termina de comer para irmos embora.

Giovani: Embora? 'Ma perché' Amália? Chegamos agora, faz tempo que não vejo minha bambina.

Amália: Porque estou preocupada, acho que esqueci forno ligado.

Giovani: No se preocupe, querida! Eu vi tudo antes de sairmos. Não deixou nada ligado.

Amália: Acho que deixei sim, Giovani.

Giovani: Tô dizendo que no deixou. 'Ma' deixa de teimosia!

Amália: Ai homem! Se manca!

Rosa: Mãe, fica calma, deve estar tudo bem. O pai sempre faz inspeção antes de sair, não é pai? Quero que fiquem para a sobremesa fiz especialmente pra vocês. Não vão nem comer a sobremesa que eu fiz?

Giovani: 'Io vou mia bambina', se a casa pegar fogo a culpa é da Amália, pronto!

Rosa: Tá bom. - Rosa sorri alegremente.

Giovani: Então dr. Claude, o senhor é 'sposati'?

Rosa: Paiii! Não começa, pelo amor de Deus!

Giovani: 'Più che cosa'? 'Solo una' pergunta.

Claude: Sposati? - Pergunta olhando pra Rosa.

Rosa: Casado, Claude. Ele quer saber se você é casado.

Claude: Ah...non! - Se apressa em negar.

Giovani: 'Meno male'. Vocês estão namorando?

Rosa: Pai, o senhor terminou, não é? Vou pegar a sobremesa. O senhor, vai querer o quê?

Giovani: Me diga o que tem.

Rosa: Tiramussú e palha italiana.

Giovani: 'Tiramusu'.

Rosa: Mãe, vai querer a palha, certo?

Amália: Isso, minha filha.

Rosa: Claude, e você?

Claude: Tiramussú.

Rosa: Certo, só um instante. - Rosa, começou a falar sem parar sobre a sua sobremesa para distrair seu pai e ver se ele esquecia da pergunta que tinha feito. - Tenho certeza que vocês vão adorar. Fiz com muito carinho. Mãe, a senhora acredita que eu achei que tivesse perdido a sua receita do Tiramussú? Mas eu encontrei estava entre uns livros velhos que eu tenho... - E foi assim, no blá, blá,blá, até terminar de servir.

Enquanto Rosa servia a sobremesa e falava sem parar, Giovani olhava para Claude e Claude fingia não perceber, concentrava o seu olhar na taça de vinho à sua frente.

Rosa: Prontinho. Aqui está... Espero que gostem.

Giovani: Non responderam minha pergunta...

Rosa: Pai... - Rosa, bufa discretamente.

Giovani: Serafina, 'ma che cosa', deixa ele falar, ãhn!? - Após a bronca, Giovani volta-se novamente para Claude. - 'Questa ragazza è' como a mãe, 'parla incessantemente'.

Amália: Giovani, eu fui a que menos falei até agora.

Claude: Estamos! - Claude resolve dar fim ao apuro que estava passando.

Rosa olhou assustada para Claude, não esperava aquela resposta. Rosa repousou o garfo tranquilamente no prato de sobremesa, colocou sua mão esquerda sobre o peito e prendeu sua respiração.

Rosa: Estamos?

Claude: Não estamos?

Giovani: 'Sì o no?'

Rosa: É...- Rosa, a princípio ficou sem ação, mas logo achou uma saída. - Pai, então, na verdade ele veio almoçar hoje conosco por causa disso, veio pedir sua permissão para nós namorarmos.

Claude: Quê? Permisson? - Diz assustado.

Rosa: É...permissão, Claude. Lembra que eu falei que tinha que falar com o meu pai antes? - Rosa explica pausadamente a Claude para que ele compreenda a situação.

Claude: Ah, sim, claro! Esqueci, deve ter sido o vinho.

Giovani: Beber de mais no é bom, ãhn!

Claude: Non, quero dizer...

Amália: Nós entendemos, dr. Claude. Não se preocupe.

Giovani: Muito bem, dr. Claude. Assim que tem que ser. Hoje em dia os jovens acham que podem sair por aí pegando nossas filhas e levando elas pra... é...pro altar, entende? Isso quando chegam no altar.

Claude: É verdade. O senhor tem toda a razon. As minhas intenções são as melhores possíveis.

Rosa olhava pra Claude admirada, não imaginava que ele fosse capaz de passar por aquilo.

Giovani: 'E per quando è il matrimônio'?

Claude abraça Rosa pela cintura.

Claude: Que foi que ele disse? - Cochichou.

Rosa levanta a sobrancelha, espreme os lábios...

Rosa: Pra quando é o casamento?

Claude: Quê? Mas a gente acabou de começar o namoro! - Claude sente-se acuado.

Giovani: 'Per quando', dr. Claude? Non ouvi.

Amália: Eles começaram a namorar agora, Giovani! Estão se conhecendo, ainda não sabem quando vão casar.

Giovani: 'Va bene'. Sejam felizes e non demorem pra marcar o casamento. Agora, 'mia bambina'! Vamos cantar para comemorar 'questo' momento.

Rosa: Ah não pai! Por favor... - Implorou Rosa.

Giovani: Ah vamos, bambina! Você sempre gostou de dançar e cantar. - Giovani já tinha seu acordeon pendurados em seus ombros e suas mãos já se posicionavam.

Rosa segura a mãe pelo braço.

Rosa: Mãeee!! Que vergonha, vou perder o namorado.

Amália: Vai nada, ele gosta de você.

Giovani: Amália! 'Andiamo'!

Giovane começa a cantar e Amália o acompanha animadamente...

“...Jammo, jammo
'Ncoppa jammo ja'
Jammo, jammo
'Ncoppa jammo ja'
Funiculí, funiculá
Funiculí, funiculá
'Ncoppa jammo ja'
Funiculí, funiculá...”

(Mario Lanza - Funiculí, Funiculá -

“La donna è mobile
Qual piuma al vento,
Muta d'accento
E di pensiero...”

(Luciano Pavarotti – La Donna È Mobile -

“Che bella cosa na jurnata 'e sole,
n'aria serena doppo na tempesta!
Pe' ll'aria fresca pare gia` na festa,
che bella cosa na jurnata 'e sole.
Ma n'atu sole cchiu` bello, oje ne', 'o sole mio, sta 'nfronte a te!
O sole, 'o sole mio, sta 'nfronte a te, sta 'nfronte a te!...”

(Luciano Pavarotti – Sole Mio-



Claude estava curtindo aquela alegria espalhafatosa dos sogros. Enquanto Rosa, timidamente, acompanhava o som ora meneando a cabeça, ora os pés.

A cantoria acabou próximo do início da noite do domingo, mas ninguém se importou, exceto Rosa. O novo casal trocava olhares durante a festiva apresentação de Giovani e Amália, mas Rosa, mesmo percebendo que Claude estava bem mais à vontade, desejava naquele momento, ter nascido avestruz para enterrar a sua cabeça no primeiro buraco que aparecesse, tamanha era sua vergonha.

Giovani: Cansei!

Rosa: É mesmo, pai? - Rosa sorri amarelo para o pai e aliviada pelo fim de tudo aquilo.

Amália: Então está na hora de ir, não é Giovani?

Giovani: É Amália, vamos embora.

Amália recolhe sua bolsa e pede ao marido que se apronte para ir embora.

Amália: Vai Giovani, guarda logo esse acordeon e vamos embora.

Giovani: Calma, Amália! 'Ma che cosa'!

Rosa: Que pena que precisam ir. Fiquei feliz por terem vindo.

Amália: Qualquer dia desses vai almoçar com a gente, dr. Claude.

Claude: Obrigado d. Amália, eu vou sim.

Giovane: Rapaz, cuide bem da minha filha. Vai demorar pra ir embora?

Rosa: Pai...

Claude: Non, vou conversar um pouco com a Rosa... - Claude, percebendo que o sogro não ficaria satisfeito com a resposta, resolveu inventar. - ...discutir a data do casamento, ãhn?!

Giovani: 'Va bene'. Até breve. Foi um prazer conhecê-lo. Juízo, ãhn?!

Claude: O prazer foi meu, seu Giovani.

Após as despedidas, Rosa e Claude caminham em direção à cozinha, quando de repente Rosa parou no meio do caminho.

Rosa: Claude, tá doido? Porque disse que estávamos namorando? Você não conhece meu pai, ele vai...

Claude se aproximou de Rosa e olhando para os seus olhou respondeu:

Claude: Porque é isso que eu quero.

Rosa: Tá falando sério?

Claude: Estou. E se você não me quiser, vai dilacerar meu coraçon. - Claude faz um gesto teatral como se tivesse colocando uma faca em seu coração.

Rosa acha graça da intrepretação de Claude.

Rosa: Como você é bobo!

Claude: Coisas do amor, cherie.

Rosa: Do amor?

Claude: É, do amor.

Rosa: Ah, Claude...

Depois de ouvir essa singela, mas significativa declaração de amor, Rosa toma a iniciativa de abraçar Claude e ele toma a iniciativa de beijá-la.

Claude: O que é que nós vamos fazer agora?

Rosa: Que tal lavar a louça do almoço e arrumar a cozinha?

Claude: Eu estava falando das nossas vidas, mas, devo confessar que a sua proposta é românticamente irresistível! Você lava e eu enxugo?

Rosa: Pode ser. Vamos!

10 comentários:

  1. Cláudia ri sozinha como uma doida! Tudo muito engraçado:Dona Amália dizendo que esqueceu o forno ligado, Claude se empanturrando de macarrão, o blá blá blá de Rosa, Giovane atucanando o francês pra marcar o casamento! Que domingo! Adorei! E adorei as músicas! Por falar nisso você pode encontrar mais de mil pra ouvir, com letra e tradução no Itália sempre.Parabéns Cláudia, está cada dia melhor! Bjs.

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  2. Cláudia adorei ou melhor amei. Esse seu Claude tem iniciativa cada vez mais! Espero que a noite não termine na pia de louça. eles possão namoram um pouquinho afinal é noite de domingo eles tem que aproveita, já que não deu para aproveita o dia com "seu Giovane" por perto.
    beijos e parabéns.

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  3. Nossa que domingão maravilhoso!!! Esse capitulo foi tudo de bom! Concordo com a Maria do Sul, foi difícil ler sem dar boas risadas de praticamente tudo. Também foi ótimo ver um Claude que não é movido a manivela, rsrsrs!!! E as músicas como sempre muito belas. Amei tudo!!!! Estou ansiosa para o proximo capitulo, vê se não demora muito tá, rsrs?!!! Bjos e parabéns!!

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  4. Oi Claudinha, ri mto, O seu Giovanni ja querendo marcar data do casamento,no dia q Claude pede em namoro, kkk. Ainda bem q o Claude nessa sua versão é mais esperto hehehe.

    Parabéns.

    Beijos

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  5. Que lindo! Imaginei a cena todinha... Kkkk
    Adorei esse Claude, destemido e desinibido.
    Muito bom o texto. Vocabulário bem trabalhado, diálogos bem estruturados. Muito bom! Bjusss

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  6. ahhhhhhhhhhhhhhh morriii!!! morriii!!! morriii!!! morriii!!! morriii!!! morriii!!! morriii!!! gente!!! eu quero um pra mim!!! onde compra? paga mais caro pra vir com essa dose extra de iniciativa? ameiiiiiiiiii!!!! que claude perfeito!!! seu giovani hilário!!! dona amália...a sogra que claude pediu a Deus...e aqueles olhares...ai o claude ainda me mata!!! claudinha se vc parar de escrever eu te processo!!!! bjus!!!!lindaaaaaaaaaa

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  7. Claudia, eu tinha escrito que... sou sua fã. Cada capítulo tem sua peculiaridade, mas todos me encantam. Seu Claude é muito esperto, se saiu bem no almoço, é gentil, inteligente e charmoso. Gamei. Ri muito do almoço.. as palavras em italiano nos fizeram lembrar bem do velho Giovanni, mas o da sua versão parece que não é tão chato como o de URCA, já que a Rosa mora sozinha, isso foi um grande passo. Continue escrevendo pra gente, por favor! Bjo!

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  8. UM CLAUDE QUE LAVA-LOUÇAS
    EU QUERO!
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  9. Que almoço de domingo mais divertido,hein Claúdia?Gostei das cenas engraçadas ,as músicas em geral,tudo.O seu Giovani não perde tempo ,já quer logo saber do casamento vê se pode ...rsrsrs tbm achei bela a declaração de Claude para Rosa.Abs LÙ!

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